Além da
Scrophularia grandiflora do post anterior ocorrem em Portugal continental (Lu) outras plantas ruderais de distribuição restrita. Uma delas é o
Echium salmanticum, um endemismo Ibérico relativamente comum na falda leste da Serra da Estrela e na Cova da Beira (não tenho a certeza mas parece-me ser o
Echium que colonizou os separadores da A25 junto à Guarda).
Echium salmanticum
Durante anos, antes da publicação da Flora Iberica, confundi-o com outro endemismo ibérico, o
E. lusitanicum: as duas espécies distinguem-se não sem esforço através da estrutura do pêlos do cálice; os estames são ainda mais excertos (salientes para fora da corola) no
E. salmanticum do que no
E. lusitanicum. O
E. lusitanicum é frequente nas montanhas do NW, por exemplo nos taludes e lameiros por todo o Barroso.
Echium lusitanicum
Já agora, uma pequena nota sobre o
E. rosulatum.
O
E. rosulatum subsp.
rosulatum é um dos
taxa indígenas de
Echium mais frequentes em Lu, talvez o mais fácil de observar logo a seguir ao
E. plantagineum.
Echium rosulatum subsp. rosulatum
Não sei onde tenho as minhas fotos de uma outra subespécie de
E. rosulatum, do
E. rosulatum subsp.
davaei, um endemismo ornitocoprófilo (de habitats enriquecidos com excrementos de aves) das Berlengas. Se visitarem estas ilhas na Primavera, mal saiam do barco, deparar-se-ão com as inflorescências da
Armeria berlenguensis (
Plumbaginaceae) que pontuam de rosa as escarpas, os caminhos e até os muros do forte. Ultrapassadas as escarpas hão-de reparar que as encostas sobranceiras ao bares estão pejadas de
E. rosulatum subsp.
davaei, que é aí uma planta quase tão abundante como a gaivota-argêntea (
Larus argentatus).
Que género mais interessante este! Ainda não há muito tempo escrevi um post com fotos dos três
Echium endémicos do Arquipélago da Madeira (ver
aqui).