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domingo, 13 de junho de 2010

Thesium humifusum ou o caju português


No outro dia fiquei fascinado ao ter "descoberto", após ter observado ao vivo, que um género que temos em Portugal - Thesium - possui um fruto com uma característica muito peculiar que é bastante mais típica das plantas tropicais: a parte carnuda do fruto maduro corresponde na verdade ao pedúnculo, que após a fecundação acumula substâncias nutritivas, engrossa e se torna carnudo. O "verdadeiro" fruto é uma pequena "noz" seca, que se encontra apensa ao extremo deste pedúnculo engrossado. Isto é praticamente o mesmo que acontece no caju (Anacardium occidentale), como já foi abordado aqui há uns tempos, sendo até a morfologia dos dois um tanto ou quanto semelhante. Esta adaptação, segundo a Flora Iberica, está relacionada com a dispersão por formigas, e assemelha-se à carúncula das sementes das Euphorbia e de muitas outras plantas que temos por cá. No entanto, as origens são distintamente diferentes, pois aqui estamos a falar de uma estrutura totalmente exterior à flor que se torna carnuda, e não do receptáculo (como nos morangos e maçãs) ou de uma estrutura interior ao fruto (como nas Euphorbia).
Na foto em baixo pode-se ver, ainda que muito incipientemente, o pedúnculo de uma flor acabada de fecundar, que irá engrossar até se tornar maior que o próprio fruto. Notar o ovário ínfero logo acima de cor mais escura, e o perianto persistente no cimo de tudo.



[Fotos: Ana Júlia Pereira]

sábado, 22 de maio de 2010

Knautia nevadensis (Dipsacaceae) e Rhinanthus minor (Orobanchaceae)















Desta vez trago aqui duas belíssimas plantas lusitanas: Knautia nevadensis (M. Winkl. ex Szabó) Szabó (Dipsacaceae), um endemismo ibérico, e Rhinanthus minor L. (Orobanchaceae). A razão de serem duas espécies neste post (tão distintas) é o facto de na foto da Knautia nevadensis aparecerem também flores do hemiparasítico Rhinanthus minor.
Ambas já constam da excelente Flora iberica:
Knautia: http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/15_158_03_Knautia.pdf
Rhinanthus: http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/13_144_32_Rhinanthus.pdf

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Odontitella virgata (Orobanchaceae)















Continuando com a tribo Rhinantheae da família Orobanchaceae, aqui ficam duas imagens da belíssima planta hemiparasita Odontitella virgata (Link) Rothm. = Euphrasia tenuifolia Link (basiónimo), também conhecida como Odontites tenuifolius (Pers.) G. Don = Euphrasia tenuifolia Pers., como se pode ver aqui:
http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/13_144_26_Odontitella.pdf.
Trata-se de uma prima relativamente próxima da Euphrasia hirtella Jord. ex Reut., que aqui apareceu anteriormente, e também é possível encontrá-la no concelho de Bragança, assim como em muitos outros locais (por ex. nas Beiras, na Região Duriense e ainda em pinhais junto ao litoral, como é o caso de uma das fotos aqui apresentadas).
É um endemismo ibérico que ocorre em todas ou em quase todas as províncias portuguesas.

sábado, 8 de maio de 2010

Euphrasia hirtella (Orobanchaceae)














Continuando com as plantas da tribo Rhinantheae, actualmente pertencentes à família Orobanchaceae, apresentamos hoje uma imagem da belíssima e discreta Euphrasia hirtella Jord. ex Reut.
Esta erva anual hemiparasítica é muito rara em Portugal e a possibilidade de a termos encontrado deveu-se às preciosas indicações do amigo CA. Fotografámo-la há alguns anos no concelho de Bragança, num lameiro de montanha.
As suas preferências habitacionais vão para a vegetação das classes de lameiros e cervunais MOLINIO-ARRHENATHERETEA e NARDETEA STRICTAE.
Consta que existe ainda outra espécie de Euphrasia L. em Lu: E. minima Jacq. ex DC. (Syn.: E. Mendonçae Samp.), como se pode verificar consultando a Flora iberica XIII (Vitek, 2009), já disponível na Net (ver aqui), mas a Euphrasia minima deve ser ainda mais difícil de encontrar em Portugal que a sua congénere E. hirtella.
A palavra grega "euphrasía" significa alegria, regozijo, que os botânicos habitualmente sentem ao encontrar tão formosas plantas (cf. Flora iberica XIII: 454).

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Melampyrum pratense subsp. pratense (Orobanchaceae)



















Voltando às antigas Escrofulariáceas, fica aqui o Melampyrum pratense L., Sp. Pl. 2: 605. 1753 [1 May 1753], como se pode ver aqui:
Biodiversity Heritage Library: Caroli Linnaei ... Species plantarum,
hoje incluído na família das Orobancáceas, por razões de ordem filogenética.
Esta bela planta, ao que consta hemiparasítica, é pouco comum em Lu, podendo encontrar-se sobretudo nas províncias mais a Norte: Mi e TM, sendo rara no DL e na BA. Vive em locais frescos e sombrios como carvalhais (de Quercus pyrenaica Willd. e Quercus robur L.) e suas orlas (ordem Quercetalia roboris Tüxen 1931, da classe de vegetação florestal QUERCO-FAGETEA, predominantemente, assim nos dizem os mestres fitossociólogos ibéricos).