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sábado, 8 de junho de 2024
sábado, 3 de janeiro de 2015
sábado, 17 de março de 2012
Lonicera hispanica (Caprifoliaceae)
A maior parte das flores tem uma simetria radial (flores actinomórficas) ou bilateral (flores zigomórficas). As flores actinomórficas têm mais de dois planos de simetria; as flores zigomórficas apenas um. Substancialmente menos frequentes são as flores de simetria bilateral (com dois planos de simetria; e.g. Brassicaceae, «família da couve»).
sábado, 29 de janeiro de 2011
Que árvore é esta? (I)
Uma copa de ramos finos, flexíveis e verdes é por certo invulgar entre a flora indígena de Portugal.
Que planta mais estranha!
Ninguém duvidará, porém, que se trata de uma árvore. Uma planta com 4 m de altura, de tronco desprovido de ramos que afasta do solo um copa globular bem ramificada, cai limpinha no conceito clássico de árvore (vd. Pio Font Quer, Diccionario de Botánica).
Mais interessante ainda é o montado representado na foto que anteontem visitei na Serra de Montemuro. Será esse o tema do meu próximo post.
Aceitam-se comentários ;)
Que planta mais estranha!
Ninguém duvidará, porém, que se trata de uma árvore. Uma planta com 4 m de altura, de tronco desprovido de ramos que afasta do solo um copa globular bem ramificada, cai limpinha no conceito clássico de árvore (vd. Pio Font Quer, Diccionario de Botánica).
Mais interessante ainda é o montado representado na foto que anteontem visitei na Serra de Montemuro. Será esse o tema do meu próximo post.
Aceitam-se comentários ;)
sábado, 6 de novembro de 2010
Frutos de Prunus dulcis (Rosaceae)
Os frutos carnudos deiscentes, por outras palavras, os frutos brandos ricos em água que se rompem e libertam as sementes na maturação, tanto quanto sei, só ocorrem nos trópicos. Recordei este facto há 15 dias atrás enquanto observava estas amendoeiras.
Passo a explicar.
A amendoeira produz um fruto carnudo - uma drupa -, não comestível, ao contrário do fruto do Prunus persica «pessegueiro», uma espécie próxima também do subgénero Amygdalus. Nas drupas, o endocarpo, a parte mais interna do fruto, é rijo e protege uma semente, comestível no caso da amendoeira. Portanto, a amêndoa é uma semente, e não um "fruto seco", um termo agronómico de uso corrente, incorrecto do ponto de vista botânico. A parte carnuda das drupas da amendoeira - o mesocarpo - chegado o outono, abre uma larga fenda, solta-se e, geralmente, tomba no solo antes do caroço [endocarpo mais a semente]. Mas, atenção, a drupa da amendoeira não é deiscente porque a semente permanece sequestrada no endocarpo.
Uma curiosidade botânica menor.
Prunus dulcis (Rosaceae) «amendoeira»
Passo a explicar.
A amendoeira produz um fruto carnudo - uma drupa -, não comestível, ao contrário do fruto do Prunus persica «pessegueiro», uma espécie próxima também do subgénero Amygdalus. Nas drupas, o endocarpo, a parte mais interna do fruto, é rijo e protege uma semente, comestível no caso da amendoeira. Portanto, a amêndoa é uma semente, e não um "fruto seco", um termo agronómico de uso corrente, incorrecto do ponto de vista botânico. A parte carnuda das drupas da amendoeira - o mesocarpo - chegado o outono, abre uma larga fenda, solta-se e, geralmente, tomba no solo antes do caroço [endocarpo mais a semente]. Mas, atenção, a drupa da amendoeira não é deiscente porque a semente permanece sequestrada no endocarpo.
Uma curiosidade botânica menor.
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Distinguir Pinus (Pinaceae)
Os pinheiros mais frequentes em Portugal são fáceis de distinguir. Normalmente servimo-nos de caracteres simples para uma identificação positiva. O Pinus pinaster «pinheiro-bravo» tem pinhas grandes de escudo mucronado [com um pico]; o P. sylvestris «pinheiro-silvestre» apresenta um ritidoma [casca] alaranjado; o P. nigra subsp. laricio «pinheiro-larício» tem agulhas e pinhas mais pequenas que as do pinheiro-bravo, e ritidoma cinzento; a copa do P. pinea «pinheiro-manso» é arredondada, assemelhando-se a um guarda-chuva; as pinhas de P. halepensis «pinheiro-de-halepo» são marcescentes [ficam retidas na copa por muitos anos].
A características dos gomos apicais durante o período de repouso vegetativo são uma forma alternativa e muito útil de os distinguir. Três exemplos:
P. pinea e P. nigra subsp. laricio. O primeiro é indígena de Portugal, o segundo habita originalmente a Córsega, a Sicília e a Calábria.
A características dos gomos apicais durante o período de repouso vegetativo são uma forma alternativa e muito útil de os distinguir. Três exemplos:
Gomos de P. pinaster «pinheiro-bravo», P. pinea «pinheiro-manso» e P. nigra subsp. laricio «pinheiro-larício». No P. pinaster os catáfilos são revolutos [revirados para baixo], ao contrário dos de P. pinea e P. nigra subsp. laricio. Os gomos de P. nigra subsp. laricio são resinosos.
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sábado, 16 de outubro de 2010
Abies nordmanniana (Pinaceae) e Pinus pinaster (Pinaceae)
Como referi no post anterior (vd. aqui), muitos géneros de pináceas apenas têm macroblastos, i.e. ramos longos de crescimento indeterminado. Um exemplo:
Outros, como o Cedrus representado no post anterior, juntam macro e braquiblastos.
Os Pinus também possuem macroblastos [ramos normais] e braquiblastos [raminhos curtos, aliás muito curtos]. Nos braquiblastos inserem-se fascículos de folhas aciculares [agulhas] verdes, envolvidas, na base, por um número variável de catáfilos [folhas escamiformes, curtas e rijas, com função de protecção].
Os braquiblastos, por sua vez, inserem-se na axila de folhas escamiformes sem clorofila (um braquiblasto por folha escamiforme). A queda dos braquiblastos deixa uma pequena cicatriz na superfície dos macroblastos.
Abies nordmanniana (Pinaceae), um abeto de extraordinário efeito ornamental proveniente do Cáucaso. N.b. que no ramo fotografado se identificam três segmentos, da direita para esquerda, respectivamente, com 3, 2 e 1 anos.
Outros, como o Cedrus representado no post anterior, juntam macro e braquiblastos.
Os Pinus também possuem macroblastos [ramos normais] e braquiblastos [raminhos curtos, aliás muito curtos]. Nos braquiblastos inserem-se fascículos de folhas aciculares [agulhas] verdes, envolvidas, na base, por um número variável de catáfilos [folhas escamiformes, curtas e rijas, com função de protecção].
Braquiblasto de Pinus pinaster com duas folhas aciculares (como os demais Pinus indígenas de Portugal)
Os braquiblastos, por sua vez, inserem-se na axila de folhas escamiformes sem clorofila (um braquiblasto por folha escamiforme). A queda dos braquiblastos deixa uma pequena cicatriz na superfície dos macroblastos.
A
B
Macroblastos de Pinus pinaster (Pinaceae). N.b. em A braquiblastos inseridos na axila de uma folha escamiforme sem clorofila e em B folhas escamiformes após a queda dos braquiblastos.
Macroblastos de Pinus pinaster (Pinaceae). N.b. em A braquiblastos inseridos na axila de uma folha escamiforme sem clorofila e em B folhas escamiformes após a queda dos braquiblastos.
A morfologia dos Pinus é fantástica!
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domingo, 10 de outubro de 2010
Cedrus atlantica (Pinaceae)
Duas fotos outonais de Cedrus atlantica (Pinaceae):
O Cedrus atlantica é uma árvore monumental de origem norte-africana [Montes Atlas], certamente conhecida de muitos dos leitores deste blogue. O valor ornamental destas variedades de folhas glaucas [azuladas] é inegável.
Reparem em dois aspectos morfológicos característicos do género Cedrus: pinhas erectas [viradas para cima], que se desfazem na árvore quando maduras; folhas organizadas em braquiblastos [ramos curtos de crescimento determinado, semelhantes a pequenos penachos]. Saber reconhecer a presença de braquiblastos é essencial para distinguir os géneros de pináceas. Cedrus, Pinus e Larix têm braquiblastos; Pseudotsuga, Picea e Abies, não. Como se distinguem os braquiblastos e os macroblastos em Pinus será o tema do próximo post.
Estróbilos [estruturas reprodutivas; cones] masculinos. Cada uma das escamas que constituem os cones masculinos tem dois sacos polínicos.
Estróbilos femininos maduros [pinhas]. Estes estróbilos foram polinizados no ano anterior: nas gimnospérmicas a polinização, a fecundação e a libertação das sementes são muito espaçadas no tempo, podem demorar até dois anos.
O Cedrus atlantica é uma árvore monumental de origem norte-africana [Montes Atlas], certamente conhecida de muitos dos leitores deste blogue. O valor ornamental destas variedades de folhas glaucas [azuladas] é inegável.
Reparem em dois aspectos morfológicos característicos do género Cedrus: pinhas erectas [viradas para cima], que se desfazem na árvore quando maduras; folhas organizadas em braquiblastos [ramos curtos de crescimento determinado, semelhantes a pequenos penachos]. Saber reconhecer a presença de braquiblastos é essencial para distinguir os géneros de pináceas. Cedrus, Pinus e Larix têm braquiblastos; Pseudotsuga, Picea e Abies, não. Como se distinguem os braquiblastos e os macroblastos em Pinus será o tema do próximo post.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Espiguetas dobradas em T. aestivum (Poaceae) «trigo-mole»
Há uns meses atrás, enquanto aguardava pelo menu do almoço num restaurante de Vimioso, dei por mim a desfazer distraidamente as espigas de trigo-mole (Triticum aestivum) do arranjo floral que decorava o centro da mesa. No meio de uma animada conversa com um amigo reparei, subitamente, que a espiga que tinha em mãos era distinta de todas as que tinha alguma vez observado (desfeito). Apresentava uma característica invulgar: espiguetas dobradas, i.e. nós com duas espiguetas. O fenómeno está descrito na bibliografia e pode, inclusivamente, ser frequente em alguns trigos; nos trigos cultivados em Trás-os-Montes nunca vi tal coisa. Sem que o dono reparasse surripiei a espiga e tirei-lhe umas fotos em casa. Aqui estão elas devidamente legendadas:



1ª foto) Espiga de espiguetas de T. aestivum; n.b. as espiguetas foram retiradas dos nós inferior. 2ª foto) Espiga de espiguetas de T. aestivum; n.b. inserção alterna das espiguetas na espiga e presença de nós com duas espiguetas (espiguetas dobradas). 3ª foto) Flor destacada de uma espigueta [fotos C. Aguiar]
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Smilax aspera (Smilacaceae)
Ficou em falta a S. aspera:
Esta liana de óptimo biogeográfico mediterrânico evita, em Portugal continental, as montanhas (andares bioclimáticos oromediterrânico, supramediterrânico e supratemperado) e os territórios mais continentais do interior norte e centro. De resto podem-na encontrar do Algarve ao Minho, nos mais variados habitats - e.g. escarpas, dunas, pinhais e matos baixos - embora prefira os matos altos e os bosques perenifólios.
O S. aspera tem uma característica rara no mundo das plantas: as estípulas (dois pequenos órgãos geralmente de natureza foliar que ladeiam os pecíolos das folhas) estão transformados em gavinhas (estruturas delgadas , ramificadas ou não, adaptadas a envolver ramos ou outros tipos de suportes).
A enorme plasticidade morfológica da suas folhas é outra das curiosidades da morfologia externa da S. aspera. No campo observam-se, entre outro tipos foliares, folhas cordadas (em forma de coração estilizado), lanceoladas (com a forma da folha de uma lança), reniformes (em forma de rim) ou sagitadas (semelhantes às de um jarro-de-jardim, Zantedeschia aethiopica). As folhas cordadas são mais comum nas plantas dos bosques e matos altos, ou protegidas da sombra. O stress (e.g. herbivoria e exposição ao vento) e a exposição à luz do sol promove os outros tipos foliares.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Trifolium resupinatum (Fabaceae)
Para recomeçar nada melhor do que um trevo indígena da nossa flora, muito usado em misturas comerciais de plantas pratenses: o Trifolium resupinatum «trevo-da-pérsia».
O T. resupinatum aprecia solos húmidos, inclusivamente algo salinos, percorridos por animais. É muito fácil de distinguir no campo. Além dos vistosos capítulos de flores rosadas, apresenta a corola resupinada. Quer isto dizer que a corola sofre uma rotação de 180º, ficando o estandarte em baixo e a quilha em cima (a corola papilionada que caracteriza muitas leguminosas é constituída por 4 peças, 1 estandarte, 2 asas e 1 quilha). Nas leguminosas de corola resupinada os insectos polinizadores podem estacionar no estandarte - geralmente a maior das peças da corola papilionada - e, calmamente, aceder à sua recompensa, cumprindo o seu papel de polinizadores.
Finda a fecundação, os cálices alargam-se e a inflorescência toma a forma de uma bola. O T. resupinatum é uma espécie anemocórica: dispersa-se pela acção do vento.
O T. resupinatum aprecia solos húmidos, inclusivamente algo salinos, percorridos por animais. É muito fácil de distinguir no campo. Além dos vistosos capítulos de flores rosadas, apresenta a corola resupinada. Quer isto dizer que a corola sofre uma rotação de 180º, ficando o estandarte em baixo e a quilha em cima (a corola papilionada que caracteriza muitas leguminosas é constituída por 4 peças, 1 estandarte, 2 asas e 1 quilha). Nas leguminosas de corola resupinada os insectos polinizadores podem estacionar no estandarte - geralmente a maior das peças da corola papilionada - e, calmamente, aceder à sua recompensa, cumprindo o seu papel de polinizadores.
Finda a fecundação, os cálices alargam-se e a inflorescência toma a forma de uma bola. O T. resupinatum é uma espécie anemocórica: dispersa-se pela acção do vento.
domingo, 18 de julho de 2010
Antirrhinum linkianum (Plantaginaceae)
Pensamos que esta belíssima Antirrínea já aqui tinha aparecido, mas parece-nos ser uma boa altura para reaparecer, tendo em conta a curiosidade hoje fotografada!
Este fenómeno (corolas bastante diferentes na mesma planta) será provavelmente devido a uma anomalia de cariz genético, possivelmente uma mutação, assim supomos.
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quarta-feira, 19 de maio de 2010
Flora do (meta)lameiro do Poulão VII: (meta)Poa bulbosa
Os lameiros são mosaicos de comunidades vegetais organizadas ao longo de um gradiente mesotopográfico, regido pela disponibilidade de água na primavera e pelo encharcamento do solo. Os lameiros são, portanto, lameiros de lameiros, i.e. metalameiros.
Como referi num post anterior, as plantas dos habitats mais secos de lameiro geralmente são mais precoces a florir do que as plantas dos habitats de lameiro mais húmidos. Este fenómeno é particularmente evidente entre as gramíneas.
Nas cotas mais elevadas do metalameiro do Poulão floresce abundantemente por esta altura a Poa bulbosa:
Conto discorrer um pouco mais sobre a ecologia desta espécie, quando um dia escrever um grupo de postas sobre os prados naturais, ou semeados, de Trifolium subterraneum - de todas as plantas deste mundo a que mais me fascina. Para já queria chamar a vossa atenção para dois pormenores curiosos da morfologia da Poa bulbosa.
Conforme podem observar na foto, os colmos (= caule das gramíneas) da P. bulbosa apresentam um curioso engrossamento na base (daí o restritivo bulbosa). Este engrossamento deve-se à acumulação de água e amido num entrenó basal do colmo. As estruturas caulinares formadas por um ou mais entrenós alargados com função de reserva chamam-se cormos (= bolbos sólidos). Os cormos podem ser subterrâneos, ou aéreos; não preciso de explicar a diferença. Tanto os cormos como os bolbos de pequena dimensão, diferenciados nas inflorescências (e.g. Allium vineale), ou na axila de folhas (e.g. dentes de alho), são apelidados por bolbilhos.
Os bolbilhos têm um papel fundamental na propagação e dispersão da P. bulbosa. Com facilidade fragmentam-se, e são transportados, por exemplo, entre os cascos das ovelhas, e plantados no solo, dando origem a novas plantas.
Os bolbilhos são muito apreciados por porcos (bravos ou mansos) e ovelhas que os procuram activamente (com muito mais sucesso o porco do que a ovelha).
A P. bulbosa é, à semelhança de outras plantas do género Poa, uma planta vivípara. A maioria das flores, quando não todas as flores, são substituídas por bolbilhos aéreos, suspensos nos ramos da inflorescência. Em contacto com o solo, enraízam rapidamente, sustentados pelas reservas injectadas pela planta-mãe no bolbilho e pela actividade de folhas fotossintéticas (visíveis na foto).
O aspecto desgrenhado destes bolbilhos aéreos tem a sua lógica evolutiva. As pequenas folhas são rijas, e ligeiramente curvas, duas características morfológicas destinadas a facilitar a dispersão dos bolbilhos, pendentes da pelagem dos mamíferos (dispersão ectozoocórica).
A analogia subjacente ao termo vivíparo aplicado pelos botânicos à P. bulbosa é abusiva, e muito ao estilo do essencialismo biológico do séc. XVIII, e da primeira metade do séc. XIX. Os animais ditos vivíparos parem indivíduos com característica próximas dos adultos, i.e. num estadio de desenvolvimento mais avançado do que o ovo dos insectos, dos répteis, das aves, ou dos mamíferos monotrématos (nota: existem insectos e répteis vivíparos). Os bolbilhos aéreos não são sementes germinadas, mas sim estruturas vegetativas, morfologica e geneticamente idênticas à planta mãe (vd. primeira foto). Os bolbilhos aéreos são pequenas P. bulbosas suspensas no ar e no tempo, enquanto aguardam por um dispersor. Assim sendo, a P. bulbosa é uma planta de plantas: uma metaplanta, uma meta-Poa.
A analogia da P. bulbosa com os animais vivíparos só seria aceitável se existissem, por exemplo, gatos ou cães assexuados, com proliferações celulares somáticas em vez de órgãos sexuais, que no decurso da sua ontogénese felina ou canina, se diferenciassem em novos gatos, ou novos cães. Nunca vi metagatos, nem metacães clonais, de oito ou mais patas. Aliás, estou razoavelmente seguro que são uma impossibilidade biológica, porque tanto os gatos como os cães - ao contrário das plantas - são seres unitários, i.e. não têm uma estrutura modular.
Quanto mais seco o habitat da Poa bulbosa maior a quantidade de bolbilhos subterrâneos na base dos colmos, e aéreos na inflorescência. Quando a disponibilidade de água é maior, os pequenos cormos basais não se chegam a diferenciar, e maior a proporção de flores na inflorescência, i.e. maior a importância da reprodução sexuada.
A Poa bulbosa "lê" o habitat, e em conformidade modula a sua forma. Por isso, tanto coloniza prados perenes mesotróficos (lameiros), como pastagens de trevo-subterrâneo, ou afloramentos rochosos cobertos com uma delgada camada de solo. A plasticidade ecológica da P. bulbosa provavelmente é uma propriedade emergente da sua plasticidade morfológica.
Planta extraordinária, não é?
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Avena sativa (Poaceae): morfologia da folha
Os estudantes portugueses de ciências agrárias aprendem a distinguir os cereais antes do espigamento com base nesta figura:
A) Triticum aestivum «trigo-mole», aurículas pilosas que abraçam o caule; B) Avena sativa «aveia-comum», sem aurículas; C) Hordeum vulgare «cevada», aurículas glabras (sem pêlos) que abraçam o caule; D) Secale cereale «centeio», aurículas curtas que não chegam a abraçar o caule . N.b. as aurículas são pequenas expansões lineares, situadas no encontro entre o limbo e a bainha; supõe-se que tenham por função dificultar a abertura da bainha, por exemplo pela acção do vento, e desse modo impedir a entrada de água e parasitas para o espaço entre a bainha e o caule. Imagem extraída das "Noções sobre a Morfologia Externa das Plantas Superiores", do Prof. João de Carvalho e Vasconcellos (1969)
... e sabem que as aveias não têm aurículas:
Avena sativa «aveia-comum» (Poaceae)
Avena sativa «aveia-comum»
(Poaceae)
Secale cereale «centeio» (Poaceae)
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Chamaecyparis lawsoniana (Cupressaceae)
Não faltam imagens, esquemas, quadros, diagramas de fluxo, e não sei mais o quê, invariavelmente em papel couché, nos livros de ciências da natureza e de biologia das nossas escolas. Em contrapartida, a experiência sensível: ver, cheirar, apalpar, esmagar as coisas vivas, quase nenhuma. Por isso, o fenómeno da vida, as formas e a variedade da vida, são para os nossas crianças tão insípidas como uma experiência de química sem explosão, mudança de cor ou espuma. Se para muitas crianças o convívio com indivíduos conspecíficos e com os animais domésticos os informa sobre a natureza da (sua) animalidade, os vegetais são para eles um mistério. As plantas são uma espécie de aliens informes, por alguma razão desconhecida transformados num contínuo verde na época das chuvas, seco e amarelo no Verão. Para o adolescente liceal a complexidade da vida lê-se nos ciclos de Krebs e de Calvin, e nos mecanismos de replicação, transcrição e tradução do DNA; a essência da vida está para ele, assim lhe o dizem os livros-texto, na bioquímica, na genética, no molecular. Não surpreende por isso, que os jovens adultos que ingressam nos cursos de biologia, de agronomia ou de ambiente, por exemplo, não saibam como cresce e se ramifica uma árvore, ou como se forma um fruto ou uma semente.
E era tão simples e educar na biologia!
Tomemos como exemplo a reprodução e a taxonomia dos grandes grupos de plantas com semente. Um Chamaecyparis lawsoniana e uma cerejeira cultivados nos taludes do recreio são material suficiente para explicar com detalhe os conceitos de espermatófito, gimnospérmica e angiospérmica, e explorar a evolução da flor, a polinização, a fecundação, a formação do fruto e da semente, e a dispersão nas plantas com semente. Para tal, bastaria sair da sala de aula num dia soalheiro do mês de Março, colher estruturas reprodutivas e flores, e desmontá-las em laboratório.
As plantas representadas nas imagens são gimnospérmicas, um dos dois grandes grupos de plantas com semente (= espermatófitas). As espermatófitas reúnem, portanto, as gimnospérmicas e as angiospérmicas (= plantas com flor). Gimnospérmica significa, literalmente, semente (sperm) nua (gymno). Por conseguinte, nas gimnospérmicas nem os primórdios seminais estão encerrados numa espécie de saco (num ovário) como nas angiospérmicas, nem as sementes em frutos. As gimnospérmicas produzem frutificações, as angiospérmicas frutos; as frutificações são estróbilos femininos maduros, os frutos ovários maduros.
O Prof. E. O. Wilson (in Biophilia aqui) diz-nos que a espécie humana têm uma enorme facilidade (e necessidade) para percepcionar as formas e estabelecer laços com os seres vivos. A escola tem que facilitar e não impedir a expressão desta pulsão.
E era tão simples e educar na biologia!
Tomemos como exemplo a reprodução e a taxonomia dos grandes grupos de plantas com semente. Um Chamaecyparis lawsoniana e uma cerejeira cultivados nos taludes do recreio são material suficiente para explicar com detalhe os conceitos de espermatófito, gimnospérmica e angiospérmica, e explorar a evolução da flor, a polinização, a fecundação, a formação do fruto e da semente, e a dispersão nas plantas com semente. Para tal, bastaria sair da sala de aula num dia soalheiro do mês de Março, colher estruturas reprodutivas e flores, e desmontá-las em laboratório.
Estróbilos femininos de Chamaecyparis lawsoniana (Cupressaceae), uma planta indígena da costa leste da América do Norte. Na foto observam-se numerosos primórdios seminais, com uma gota de polinização pronta para capturar e transportar os grãos de pólen para vizinhança do gâmeta feminino. O gâmeta feminino, a oosfera, está protegida no interior do primórdio seminal. Os primórdios estão inseridos na axila de pequenas escamas férteis que mais tarde, na maturação, darão origem às escamas dos gálbulos (frutificações das cupressáceas). As escamas férteis dos Pinales (= coníferas), ordem a que pertencem as famílias Cupressaceae e Pinaceae, são tendencialmente interpretadas como caules modificados. Os primórdios seminais depois de fecundados transformam-se em sementes.
Estróbilos masculinos de Chamaecyparis lawsoniana (Cupressaceae). Na fotografia observam-se sacos polínicos, ainda por abrir, inseridos em grupos de três, por baixo de pequenas escamas.
As plantas representadas nas imagens são gimnospérmicas, um dos dois grandes grupos de plantas com semente (= espermatófitas). As espermatófitas reúnem, portanto, as gimnospérmicas e as angiospérmicas (= plantas com flor). Gimnospérmica significa, literalmente, semente (sperm) nua (gymno). Por conseguinte, nas gimnospérmicas nem os primórdios seminais estão encerrados numa espécie de saco (num ovário) como nas angiospérmicas, nem as sementes em frutos. As gimnospérmicas produzem frutificações, as angiospérmicas frutos; as frutificações são estróbilos femininos maduros, os frutos ovários maduros.
Se clicarem na etiqueta "morfologia vegetal" à vossa direita encontrarão alguma informação sobre a flor. Estão publicados inúmeros livros onde aprofundar estes assuntos.
O Prof. E. O. Wilson (in Biophilia aqui) diz-nos que a espécie humana têm uma enorme facilidade (e necessidade) para percepcionar as formas e estabelecer laços com os seres vivos. A escola tem que facilitar e não impedir a expressão desta pulsão.
[fotos CA]
domingo, 7 de março de 2010
A marcescência das folhas em Quercus pyrenaica (Fagaceae)
Na pouca botânica que se ensina na escola portuguesa, repetem-se, pelo menos em três anos distintos, os conceitos de caducifolia e de perenifolia. Os livros-texto escolares consideram caducifólias as plantas que perdem as folhas no Outono; a perenifolia é exemplificada como sendo o oposto de caducifolia. No Brasil ensinar-se-á, suponho, que as folhas das plantas caducifólias tombam no solo, quase em simultâneo, no início da época da seca. O conceito de caducifolia é afinal um pouco mais lato: nas plantas caducifolias a copa está despida de folha na estação desfavorável, que poderá ser a mais fria ou a mais seca do ano.
Nos dicionários de botânica encontram-se dois outros conceitos relacionados com os anteriores: semi-caducifolia e marcescência. As plantas semi-caducifólias perdem parte das folhas na estação desfavorável, permanecendo algumas delas funcionais, verdes, portanto. De acordo com esta definição, o Quercus faginea subsp. broteroi «carvalho-cerquinho» e algumas populações portuguesas de Quercus robur «carvalho-roble» são semi-caducifólias. Nas plantas ditas marcescentes as folhas secam na copa e aí ficam, secas e pendentes, até ao início da estação favorável.
Diz-nos o livro "Los Bosques Ibéricos: una Interpretación Geobotánica" (Costa Tenório et al., 2001) que o Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral» é uma planta marcescente.
Observem as imagens:
Nos dicionários de botânica encontram-se dois outros conceitos relacionados com os anteriores: semi-caducifolia e marcescência. As plantas semi-caducifólias perdem parte das folhas na estação desfavorável, permanecendo algumas delas funcionais, verdes, portanto. De acordo com esta definição, o Quercus faginea subsp. broteroi «carvalho-cerquinho» e algumas populações portuguesas de Quercus robur «carvalho-roble» são semi-caducifólias. Nas plantas ditas marcescentes as folhas secam na copa e aí ficam, secas e pendentes, até ao início da estação favorável.
Diz-nos o livro "Los Bosques Ibéricos: una Interpretación Geobotánica" (Costa Tenório et al., 2001) que o Quercus pyrenaica (Fagaceae) «carvalho-negral» é uma planta marcescente.
Observem as imagens:
Quercus pyrenaica (Fagaceae) [as duas fotos mais pequenas foram tiradas na semana passada a caminho de Miranda do Douro, respectivamente em Ifanes (Miranda do Douro) e em Moveros, Espanha ; fotos CA]
A marcescência no Q. pyrenaica tem que se lhe diga.
As plantas jovens de Q. pyrenaica são marcescentes, muito bem. As plantas adultas, pelo contrário, são caducifólias, ou parcialmente marcescentes. Nas árvores representadas nas fotos, a parte superior da copa está despida de folhas, enquanto os ramos inferiores ou os rebentos de raiz (poulas radiculares) continuam revestidos de folhas. Aparentemente, as folhas secas persistem nos ramos juvenis (mais próximos do colo da árvore e que não produzem fruto), e caem dos ramos adultos (afastados do colo e que produzem fruto) no Outono.
E por que retêm as folhas os ramos juvenis de Q. pyrenaica?
Vêm-me desde já à ideia três hipóteses: 1) as folhas secas reduzem os efeitos das geadas, uma protecção importante para os ramos de pequeno diâmetro, e casca delgada, situados próximo da superfície do solo; 2) os Q. pyrenaica arbustivos e de pequeno porte competem ferozmente com os arbustos altos (e.g. Erica arborea e Cytisus), como Q. pyrenaica inicia o seu ciclo vegetativo muito tarde, é capaz de ser "boa ideia" dificultar o acesso dos competidores mais directos à luz do sol; 3) a marcescência é um carácter neutral, sem uma função clara, pelo menos na actualidade.
Provavelmente já alguém estudou o fenómeno. Senão, aqui fica uma deixa para uma bela tese em ecologia evolutiva.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Crescimento das coníferas
Chamaecyparis lawsoniana 'Ellwoodii' (foto A. Magalhães)
A maior parte das coníferas apresenta um alongamento monopodial, o que as leva a possuir a típica forma em flecha, muito marcada nos géneros Picea, Abies ou Pseudotsuga. Este tipo de crescimento representa uma vantagem durante o Inverno, impedindo que a neve se acumule em demasia nos ramos, o que poderia levar à sua quebra. Contudo, em zonas áridas este problema já não se coloca e por essa razão temos algumas espécies como o pinheiro-manso, que apresenta uma forma mais próxima do guarda-chuva, uma adaptação convergente com a maioria das acácias africanas. No género Cedrus existe uma solução intermédia, que lhes permite continuar com a forma em flecha mas com uma copa mais ampla típica das árvores com crescimento simpodial. O alongamento monopodial permite um enorme crescimento em altura que parece ser apenas limitado pelas condições adversas locais a que a maioria das coníferas está sujeita. Uma conífera com este tipo de crescimento que habite uma zona de clima ameno pode teoricamente atingir um porte gigantesco. E é isso mesmo que acontece com as sequóias gigantes que vivem nas zonas litorais do Oeste dos Estados Unidos.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Linaria amethystea (Plantaginaceae)
Outra Linaria, ainda:
Linaria amethystea (Plantaginaceae), uma Linaria ibero-norte-africana, com uma ampla área de distribuição no Portugal mediterrânico, que se estende do Algarve ao NE de Trás-os-Montes.
Flores de corola personada de Linaria amethystea (Plantaginaceae). N.b. corola (conjunto das pétalas) simpétala (com as pétalas concrescentes num tubo, i.e. soldadas entre si num tubo) com dois lábios, o superior de duas pétalas (visíveis no topo da flor como se fossem dois penachos), o inferior constituído pela concrescência de três pétalas; garganta fechada por um palato, i.e. entrada no tubo da corola encerrada por uma saliência no lábio inferior; esporão corolino (pertencente à corola) alongado com uma recompensa em néctar
Esta delicada anual de floração precoce (a partir de Março) prefere solos com alguma argila, derivados de xistos ou rochas básicas. O fogo não a prejudica, bem pelo contrário, abre clareiras nos matos e elimina potenciais competidores. Numa posição ecológica semelhante, em solos mais ácidos, pobres em nutrientes e de textura mais grosseira, prospera uma outra espécie, a Linaria elegans.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Sobre a forma das árvores I
Observem esta fotografia:
O que é? Um castanheiro? Um castanheiro com sub-castanheiros? Castanheiros jovens com um pé (tronco) e uma raíz comum? Uma árvore-floresta? Um arbusto pediculado?
Para interpretar a imagem é fundamental entender como as árvores crescem e constroem a sua copa.
Comecemos pelo princípio.
As plantas são seres modulares, constituídos pela repetição de unidades multicelulares discretas, de grande autonomia (semi-autónomos), genericamente designadas por módulos, Por outras palavras. As plantas assemelham-se a uma construção de LEGO, realizada com um reduzido número de tipos de peças (as ditas unidades discretas), a mais evidente constituída por um nó, com uma ou mais folhas e respectivas gemas axilares, e um entrenó (porção de caule sem folhas).
A semi-autonomia das partes explica por que razão uma gramínea pode ser pastada por um mamífero herbívoro, ou uma pernada de uma árvore eliminada pela poda, sem por em causa o funcionamento do todo. Olhem-se ao espelho. A bilateralidade e a integração funcional das partes que constituem o nosso corpo - um coração não funciona sem pulmões, e por aí adiante - abriram caminho à evolução da locomoção terrestre ou de extraordinárias capacidades cognitivas, em contrapartida fizeram de nós criaturas frágeis de curto ciclo de vida.
Nas plantas, os módulos, repetem-se no espaço, organizando-se em formas cada vez mais complexas. Por exemplo, o módulo que acabei de descrever repete-se formando raminhos, os raminhos, por sua vez, organizam-se em estruturas cada vez maiores e mais complexas, culminando numa canópia (a parte aérea de uma planta, que na árvores toma o nome de copa).
Este crescimento é caótico, ou obedece a regras?
Tema para retomar um destes dias.
[fotos CA]
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
A flor das angiospérmicas III
A interpretação da flor ancestral mudou significativamente a partir do início da década de 90 do séc. XX (vd. este post). Sucederam-se em catadupa as publicações. Num artigo ainda quentinho, publicado este ano no American Journal of Botany, Peter Endress e James Doyle fazem um ponto da situação e (re)discutem em profundidade a questão (em evolução das plantas, como em muitas outras áreas científicas, é suficiente memorizar uma dúzia nomes e para saber as novidades basta visitar ciclicamente as suas páginas pessoais).
As angiospérmicas basais (e.g. Amborella trichopoda e nenúfares [Nymphaeaceae]) e o registo fóssil, tratados com as ferramentas conceptuais e estatísticas apropriadas, indiciam que a flor primitiva entre outros caracteres possuía: mais de dois nós (= verticilos) de tépalas e de estames; carpelos ascidiados, livres e fechados por secreções (sem um tecido a conectar as margens do carpelo). Não é claro se esta flor era unissexual ou hermafrodita, se a filotaxia das peças florais era verticilada ou alterna em espiral ou, ainda, se as tépalas eram diferenciadas em sépalas e pétalas. As flores dos grupos basais (“mais primitivos”) actuais ao que parece resultam da simplificação de flores mais complexas quando há pouco tempo se admitia serem primitivamente simples.
Nuphar lutea «golfão-amarelo» (Nymphaeaceae), uma angiospérmica basal
Os mais sérios candidatos a polinizadores das primeiras angiospérmicas são agora as moscas (ordem Diptera).
Lucilia caesar, uma belíssima espécie da ordem díptera (certamente já falecida :-) porque os insectos geralmente "vivem depressa e morrem cedo", ao contrário da maioria das plantas)
Os filogenistas de plantas bem se esforçam por encontrar trilhos seguros e consistentes para explorar o passado das plantas com semente (inc. plantas com flor). Infelizmente continuam a escassear respostas definitivas; cada novo paper sobre o tema parece adicionar mais entropia ao tema do que soluções. É bem provável que, um destes dias, a interpretação da flor primitiva se altere radicalmente com a descoberta de mais um estranho fóssil numa remota montanha da China ou nos depósitos argilosos do mesozóico em Portugal, ou com a (re)interpretação evolutiva de uma pequena planta esquecida pelos botânicos num dos recantos deste mundo.
[fotos C. Aguiar]
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