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domingo, 24 de novembro de 2013

Elaeis guineensis e Borassus aethiopum (Arecaceae)

A flora indígena da Guiné-Bissau inclui 7 espécies de palmeiras (fam. Arecaceae).
As mais frequentes são estas duas (Elaeis guineensis e Borassus aethiopum):

segunda-feira, 11 de março de 2013

Lophira lanceolata (Ochnaceae)

A Lophira lanceolata é uma das árvores mais belas que alguma vez tive felicidade de admirar:



Esta Lophira é espécie comum nas florestas tropicais com estação seca, desde o Senegal e das Guinés até ao Sudão. Fácil de fácil de distinguir com, ou sem flor, como nenhuma outra. Além de vistosíssimas flores, mostra folhas organizadas em tufos característicos, pendurados na extremidade de caules engrossados por uma espessa camada de cortiça.
A madeira é muito resistente, boa para construção civil e para talhar os pilões. Parece que as sementes são comestíveis.
Os hipericões são os parentes mais próximos das ochnáceas nesta banda temperada do planeta que nos serve de abrigo.

domingo, 3 de março de 2013

Bombax costatum (Malvaceae, Bombacoideae)

A primeira árvore que identifiquei na mata, por sinal uma das mais belas da Guiné-Bissau.

 
Bombax costatum, djóia na língua dos fulas.

Sem folha dá flor. Flores grandes como é próprio das malváceas bombacóideas.
O cálice é edível, "comida de fula" assim me disseram. As folhas são apreciadas pelo gado mas quando são precisas, na estação seca, não as tem. Do fruto extraem-se fibras que servem para encher almofadas. Para além do interesse medicinal é uma importante planta melífera numa estação em que escasseiam as flores.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Azolla pinnata subsp. africana (Azollaceae) e Marsilea coromandeliana (Marsileaceae)

O arroz é o alimento base dos guineenses.
Tradicionalmente o ciclo de arroz segue o ciclo das chuvas. Começa a chover em Maio-Junho. Em Outubro a convergência intertropical migra para sul, e começa a seca. Portanto em Junho mobilizam-se os canteiros nas bolanhas (terras-baixas) e fazem-se os viveiros. A plantação do arroz decorre em Julho-Agosto, e a colheita em Novembro.
Um dos segredos da produtividade do arroz nos trópicos está num dos dois fetos! desta foto:


Dois fetos salviniales: Azolla pinnata subsp. africana (Azollaceae) [flutuante de cor castanha] e Marsilea coromandeliana (Marsileaceae) [semelhante a um trevo de 4 folhas]

É que escondido nas folhas das azolas está um ser muito peculiar, uma bactéria azul-esverdeada, de nome Anabaena azollae. Este microscópico simbionte tem no seu arsenal bioquímico uma enzima muito especial, exclusiva de alguns poucos procariotas, a nitrogenase, que consegue quebrar a irredutível ligação tripla do azoto molecular atmosférico, reduzindo-o a amónia. O mais difícil fica feito porque qualquer planta é depois capaz de construir aminoácidos (as peças de lego das proteínas) juntando amónia a cadeias carbonadas, direta ou indiretamente, provenientes da fotossíntese.
A A. azollae fixa azoto; a azola cresce e reproduz-se; a azola morre; o azoto mineral entra no agroecossistema arrozal; o arroz absorve o azoto mineral, cresce e produz grão ... e as gentes alimentam-se.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cnestis ferruginea (Connaraceae)

Nas orlas das matas do Biombo, a NW de Bissau, é muito comum este Cnestis ferruginea:


O botânico holártico que se prepare: nos territórios tropicais em cada floresta, matagal, orla, horta, monte de entulho, há um mundo de plantas novas para descobrir.
As Connaraceae são apenas uma, entre muitas outras famílias de plantas de ótimo tropical presentes na Guiné-Bissau, não representadas na flora temperada e mediterrânica europeia. Invariavelmente têm folhas compostas, para ser mais preciso penaticompostas, e frutos tipo folículo que arremessam as sementes para cá para fora na estação seca.
Disseram-me que o nome em crioulo do C. ferruginea  quer dizer qualquer coisa do tipo "órgão sexual da cadela em cio". Esta espécie parece ter um grande interesse na diabetes, uma doença em franco crescimento em África, e não só, que não faz as pessoas felizes.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Checklist anotada da flora vascular da Guiné-Bissau

Começo por louvar os investigadores do IICT (Instituto de Investigação Científica Tropical) L. Catarino, E.S. Martins, M.F. Pinto Basto e M.A. Diniz. A An Annotated Checklist of the Vascular Flora of Guinea-Bissau, por eles publicada publicada em 2008 (clicar na imagem), é um documento de uma utilidade desmedida, um instrumento indispensável para todos os interessados na flora guineense, e de todo o Oeste de África de clima tropical com estação seca.
Além da informação ecológica, corológica e taxonómica própria de uma publicação do género, a Checklist de Catarino et al. tem algo de muito importante: um sem número de nomes vulgares nas muitas línguas faladas na Guiné-Bissau. Quem tiver a enorme sorte de conhecer um guineense que conheça as plantas e os seus nomes vulgares, um rapaz do campo, não de praça, como se diz na Guiné, consegue acelerar, e de que maneira, a identificação das plantas.
Assim me aconteceu com um querido amigo fula do Quebo.

Com a Checklist de Catarino et al., o Woody Plants of Western African Forests de W.D. Hawthorne e C.C.H. Jongkind e  o Trees, Shrubs and Lianas of West African Dry Zones de Michel Arbonnier na mochila, qualquer neófito em flora tropical consegue identificar muitas das plantas que povoam os extraordinários ecossistemas guineenses. Adiciono uma quarta publicação,  o Guide floristique du Parc National de Cantanhez (Guinée-Bissau), de François Malaisse, publicado pela ONG portuguesa, Instituto Marquês de Valle Flôr.
Vou escrever sobre a flora e os sistemas de agricultura da Guiné-Bissau nos próximos tempos.