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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Reino Capense vrs. Região Mediterrânica


A região do Cabo (extremo SW de África) e a Bacia Mediterrânica partilham um clima de tipo mediterrânico. O chamado Reino Capense é francamente mais fitodiverso do que a Região Mediterrânica. Nunca percebi bem porquê.
Um paper ainda quente do prelo (aqui) explica tudo ao pormenor: "High richness in the Cape is linked to long-term lineage persistence in a heterogeneous but stable evolutionary context. In contrast, the climatically unstable Mediterranean Basin has offered fewer opportunities for diversity accumulation in the long term (owing to high extinction rates), but appears to be a hotspot of recent rapid speciation."

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Drosophyllum lusitanicum (Drosophyllaceae)



















Esta maravilha ainda aqui não tinha aparecido:
Drosophyllum lusitanicum (L.) Link, Neues J. Bot. 1(2): 53. 1805 [Nov 1805]
= Drosera lusitanica L. Sp. Pl. 1: 282. 1753 [1 May 1753]
IPNI Plant Name Details
Esta rara espécie insectívora é nativa e endémica da Região Mediterrânica Ocidental: Portugal, Espanha e Marrocos. A família Drosophyllaceae é monogenérica e monoespecífica, como se pode confirmar na seguinte enciclopédia:
Drosophyllum - Wikipedia, the free encyclopedia

Como acompanhamento musical, vamos sugerir a excelente composição de George Harrison Within You Without You:
YouTube - Within You Without You - The Beatles
YouTube - Within You Without You The Beatles

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Verbascum levanticum (Scrophulariaceae)
















Depois de uma verdadeira maravilha, aqui fica uma outra, que pensamos ser não menos interessante e não menos rara (pelo menos na Península Ibérica)!:
Verbascum levanticum I.K.Ferguson -- Bot. J. Linn. Soc. 64 (2): 230 (1971).
IPNI Plant Name Query Results
Esta extraordinária beldade do Levante, naturalizada em Coimbra há mais de um século, continua a encontrar-se no mesmo local, sempre sobre velhos muros calcários
(cf. Benedí in Flora iberica XIII: 67-68, 2009)
http://www.floraiberica.es/floraiberica/texto/pdfs/13_144_01_Verbascum.pdf

Como acompanhamento musical, vamos sugerir este belo andamento (allegro molto) do Concerto per mandolini RV558 de Vivaldi:
YouTube - Vivaldi : Concerto per mandolini RV558 (allegro molto)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cedrus libani e mais alguns amigos (Pinaceae)



















Trazemos aqui hoje a grande e bela árvore Cedrus libani A.Rich. = Abies cedrus (L.) Poir. = Pinus cedrus L. = Larix cedrus (L.) Mill. = Peuce cedrus (L.) Rich. = Cedrus libanotica Link, que possui muitos nomes, como aqui se pode consultar:
Cedrus libani A.Rich. — The Plant List.
Mais misteriosa é a identidade dos pequenos amiguinhos fotografados no mesmo local, uma bela floresta de cedros (cedral) situada no sul da grande península (ou microcontinente) que é a Anatólia.
Se algum dos ilustres leitores deste blog os puder identificar, antecipadamente, aqui ficam os nossos humildes agradecimentos.
Também existem excelentes bosques de cedros noutros locais: nas montanhas de Marrocos, com Cedrus atlantica (Endl.) Manetti ex Carrière = Pinus atlantica Endl. = Cedrus libani subsp. atlantica (Endl.) Batt. & Trab. = Abies atlantica (Endl.) Lindl. & Gordon
Cedrus atlantica (Endl.) Manetti ex Carrière — The Plant List;
assim como na região dos Himalaias: Cedrus deodara (Roxb. ex Lamb.) G.Don = Abies deodara (Roxb. ex Lamb.) Lindl. = Larix deodara (Roxb. ex Lamb.) K.Koch = Cedrus indica Chambray, entre outras designações, como aqui se pode confirmar: Cedrus deodara (Roxb. ex Lamb.) G.Don — The Plant List.

Como acompanhamento musical para estas beldades, vamos sugerir uma gravação verdadeiramente histórica do prelúdio do III acto de Lohengrin, de Richard Wagner, dirigida pelo grande maestro Arturo Toscanini:
YouTube - Lohengrin: Prelude Act III -- Arturo Toscanini/NBC Symph

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Fragaria vesca (Rosaceae)














Ainda estamos no início de Janeiro, mas esta maravilha já se encontra em floração:
Fragaria vesca L., Sp. Pl. 1: 494. 1753 [1 May 1753] (ou Potentilla vesca Scop., Fl. Carniol., ed. 2. 1: 363. 1771)
IPNI Plant Name Details
IPNI Plant Name Query Results

Mais informação sobre esta belíssima planta se pode consultar por ex. aqui: Fragaria vesca information from NPGS/GRIN e aqui: Fragaria vesca in Flora of China @ efloras.org.
O morangueiro silvestre pode-se encontrar em toda a zona temperada do Hemisfério Norte, sobretudo em florestas, montanhas e prados, e deu até o nome ao famoso filme de Bergman «Smultronstället» ou «Morangos Silvestres»: Wild Strawberries (film) - Wikipedia, the free encyclopedia.

Como acompanhamento musical, e para começar bem o ano, vamos sugerir de G.F. Händel, Dettingen Te Deum: YouTube - G.F. Händel -Dettingen Te Deum- Diego Fasolis

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Rhizocarpon geographicum (Rhizocarpaceae)















O Verão continua e este líquen maravilhoso continua a brilhar nas nossas montanhas siliciosas: Rhizocarpon geographicum (L.) DC., o «líquen-mapa», como aqui se pode confirmar: Map lichen - Wikipedia, the free encyclopedia
No mesmo local pode encontrar-se esta frase espantosa:
«In an experiment, this lichen species was placed in a capsule and launched into space. The capsule was opened, exposing the lichen to space conditions for 15 days before being brought back down to Earth, where it showed minimal changes or damage.»

Este vegetal absolutamente extraordinário encontra-se distribuído pela maior parte do Globo, incuindo terras gélidas como por ex. a Península Antárctica, a Gronelândia ou a Sibéria.
Não sei quanto tempo pode viver este líquen mas suponho que muitos milhares de anos, pois é usado para datar substratos pré-históricos ou medievais (por ex. da "Little Ice Age").
Parece ser sensível à poluição, o que não o impede, contudo, de se encontrar com muita frequência em Portugal ou na Região Mediterrânica.
O basiónimo: Lichen geographicus L.
Para consultar a sinonímia: Rhizocarpon geographicum - Wikipedia, la enciclopedia libre
Consta que cresce em média 0.2 milímetros por ano. As zonas mais escuras em redor das aréolas amarelas correspondem aos esporângios, de acordo com as mesmas fontes enciclopédicas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

As subespécies de Pterospartum tridentatum (Fabaceae) «carqueja»

A Flora Iberica admite três subespécies de «carqueja» (Pterospartum tridentatum) em Portugal continental. A subsp. tridentatum tem uma distribuição litoral. As outras duas subespécies - subsp. lasianthum e subsp. cantabricum - dominam no interior.
Uma das questões que mais tem preocupado os fitossociólogos ibéricos tem sido a localização da fronteira entre as regiões biogeográficas Mediterrânica e Eurossiberiana. As subspécies subsp. lasianthum e subsp. cantabricum são extraordinariamente úteis na diferenciação destes dois territórios. A primeira subespécie tem uma distribuição mediterrânica; a segunda é eurossiberiana e, por conseguinte, com uma marcada preferência por territórios de macrobioclima temperado.
As duas subespécies Pterospartum tridentatum são fáceis de distinguir: as flores da subsp. lasianthum são ligeiramente maiores, de um amarelo um pouco mais escuro e o estandarte - a peça superior e de maior dimensão da corola - tem pêlos no dorso. O estandarte da subsp. cantabricum é glabro, i.e. não tem pêlos.

Pterospartum tridentatum subsp. cantabricum (Fabaceae) «carqueja»
N.b. estandarte sem pêlos [foto C.Aguiar]

Pterospartum tridentatum subsp. lasianthum (Fabaceae) «carqueja»
N.b. estandarte com pêlos no dorso [foto C.Aguiar]

Experimentem quando forem à Serra da Estrela ou atravessarem o Marão colher flores de carqueja num transecto W-E. Por exemplo, no Marão, a transição entre as duas subespécies praticamente coincide com a linha de festo da montanha: subsp. cantabricum para oeste, subsp. lasianthum para leste.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Canárias, os extremos da mediterraneidade

Foto3. Andar oromediterrânico na base do vulcão do Teide (aprox. 2400 m de altitude): Juniperus cedrus subsp. cedrus, um dos zimbros das Canárias; S. Mesquita, 2003)


Foto2. Floresta de til (Ocotea foetens, Gomera, Canárias; S. Mesquita, 2003).


Foto 1. Euphorbia canariensis, Tenerife, Canárias (S. Mesquita, 2003)


Alexander von Humboldt
(1769-1859), o naturalista viajante mais brilhante do final do século XVIII, princípios de XIX, descreve na Narrativa Pessoal de uma Viagem às Regiões Equinociais do Novo Continente (1814-1825) a sua primeira paragem fora da Europa continental e relata o seu espanto com o contraste climático da ilha de Tenerife, nas Canárias: desde o nível do mar até ao cume da alta montanha vulcânica do Teide (3.718 m de altitude) sucedem-se quase todos os andares bioclimáticos possíveis no clima mediterrânico, desde o infra-mediterrânico desértico nas baixas altitudes com vegetação megatérmica de caules suculentos (foto1); passando, á vez, pelo mesomediterrânico hiper-húmido com laurissilva mesofítica na zona das nuvens (foto 2); à vegetação oromediterrânica semi-árida já acima do nível altitudinal das nuvens (foto 3). A ilha de Tenerife é de facto um paradigma bioclimático e vegetacional da mediterraneidade. Independentemente da quantidade total de precipitação em cada andar, existe um traço comum ao ritmo da precipitação: seja qual for a quantidade de chuva anual, o Verão é sempre seco. A resposta vegetacional compõe-se a partir de uma pool de espécies simultaneamente herdada da vegetação tropical do Terciário pré-mediterrânica e também numa especiação muito intensa desde então, aliás uma característica de todas as ilhas.
Como este é também um blogue de pessoas, eu apareço empoleirado num til (Ocotea foetens).