Há muito que não era aqui postada uma planta da vasta família das Amarantáceas, por isso aqui fica este belo amaranto, muito ornamental: Amaranthus caudatus L.
Foi fotografado em floração em 9.IX.2010, no Jardim Botânico de Genève.
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sexta-feira, 6 de março de 2015
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Suaeda albescens (Amaranthaceae)
Três fotos de uma outra amarantácea anual que tem por habitat, à semelhança da Salicornia ramosissima (clicar aqui), as clareiras de sapal externo baixo e médio.
Suaeda albescens (Amaranthaceae) [Ria Formosa, Algarve; fotos amavelmente cedidas por Valter Jacinto]
A Suaeda albescens é um endemismo ibérico morfologicamente próximo da S. maritima - espécie com a qual se confundiu até há bem pouco tempo (vd. Flora Iberica aqui) - cuja distribuição se estende deste Gibraltar até ao País Vasco, atravessando de forma irregular os sapais nacionais.
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vegetação de sapal
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Salicornia ramosissima (Amaranthaceae)
Uma Salicornia, outro género halófilo (de plantas adaptadas a solos ricos em sais) frequente nos sapais externos nacionais:
Salicornia ramosissima (Amaranthaceae)
[Sapal da Baía do Monte de Saint-Michel, foto C.Aguiar]
As Salicornia são amarantáceas anuais de caules carnudos e articulados (atenção, as Sarcocornia e os Arthrocnemum são perenes). Trata-se de um género difícil ao que parece com uma única espécie, muito polimórfica, em Portugal: a S. ramosissima. Esta posição conservadora assumida pela Flora Iberica não é aceite por todos os autores.
Taxonomias à parte, as Salicornia são muito interessantes pela sua ecologia. Estas espécies habitam áreas perturbadas (e.g. pelo pisoteio e pela deposição de sedimentos) nos sapais externo baixo (e.g. comunidades Sarcocornia perennis subsp. perennis), externo médio (e.g. comunidades de S. perennis subsp. alpini, de S. fruticosa ou de Halimione portulacoides) e, por vezes, de prados-juncais e outras comunidades halófilas. Vamos ainda encontrá-las em salinas e nas margens dos canais que sulcam os sapais (os maiores e mais largos chamam-se esteiros) e estão submetidos, duas vezes por dia, à acção mecânica das marés.
Nos Verões mais secos e prolongados, nos sapais atlânticos (eurossiberianos), verifica-se uma subida assinalável do teor em sal nos solos que não contactam directamente com a água do mar (e.g. solos dos prados-juncais). Existem evidências que algumas das plantas que colonizam estes solos não conseguem tolerar a subida da pressão osmótica do solo (i.e. do teor em sais), morrem, penetrando as Salicornia em sua substituição. O inverso ocorre nos Verão húmidos. Que belo mecanismo de co-existência!
Nos sapais encontramos então uma vegetação anual - que os fitossociólogos colocam na classe Thero-Salicornietea - adaptada a preencher áreas perturbadas. Curioso, o mesmo acontece em algumas comunidades dunares (dunas secundária e terciária), e nos solos não compensados hidricamente em toda a região mediterrânica (excepto nas montanhas mais altas). Este tema merece ser aprofundado um dia destes.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Sarcocornia perennis vrs. S. fruticosa (Amaranthaceae)
Continuando pelo litoral ...
Num post recente (aqui) apresentei dois géneros fundamentais na estrutura da vegetação de sapal: Sarcocornia e Arthrocnemum. Pertencem ambos à família Amaranthaceae (inc. Chenopodiaceae) e mostram uma morfologia semelhante: plantas perenes de caules carnudos e articulados. O Arthrocnemum macrostachyum, a única espécie do género em Portugal, habita sapais mediterrânicos não sendo por isso conhecido dos sapais a norte do Rio Mondego. A Sarcocornia fruticosa sobe um pouco mais a norte, até ao sistema lagunar do Vouga. A S. perennis é frequente em todos os sapais nacionais.
Antes de explorar a estrutura da vegetação dos sapais, tema que abordarei um destes dias, é necessário distinguir bem Sarcocornia perennis de S. fruticosa, e as duas subespécies de S. perennis.
O arbusto prostrado em primeiro plano é a Sarcocornia perennis subsp. perennis; em segundo plano, à esquerda, temos a Sarcocornia fruticosa, e, à direita, outra importante planta de sapal, o Halimione portulacoides. As plantas da foto estão cobertas de uma fina película de limo porque são visitadas pelas marés duas vezes por dia .
Pormenor de Halimione portulacoides (Amaranthaceae). Nos sapais eurossiberianos, a Norte de Aveiro, são frequentes comunidades quase extremes desta espécie.
A Sarcocornia perennis distingue-se facilmente da S. fruticosa pelos seus artículos caulinares em forma de barril e por enraizar nos nós (necessariamente do caule porque só os caules têm nós), como se constata na figura seguinte:
Pormenor de Sarcocornia perennis subsp. perennis (Amaranthaceae). N.b. raizes adventícias inseridas nos nós de caules submergidos na vasa (plantas arrancadas para o efeito).
As subespécies portuguesas de S. perennis são muito semelhantes. A S. perennis subsp. perennis é um pequeno arbusto sufruticoso (= sufrútice) rasteiro de caules flexuosos (até 20 cm de altura); a S. perennis subsp. alpini tem caules mais rígidos e ergue-se a maior altura (até 60-80 cm de altura).
[fotos C. Aguiar]
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Sarcocornia vrs. Arthrocnemum (Amaranthaceae)
Despedi-me das férias com uma demorada e agradabilíssima visita ao Sapal de Aljezur (NW do Algarve).
A biomassa dos sapais externos (parte do sapal mais próxima do mar e, por isso, ciclicamente submersa por águas de elevada salinidade) mediterrânicos e temperados é dominada por arbustos baixos e por sufrútices (pequenas plantas perenes lenhosas na base) da família das Amaranthaceae. Entre estas plantas sobressaem pela sua abundância as plantas de caules carnudos e articulados dos géneros Arthrocnemum e Sarcocornia.
Os dois géneros distinguem-se bem no pino do Verão. Basta observar com cuidado as flores ou as cicatrizes deixadas pela queda dos futos nas espigas já secas:
- Género Arthrocnemum. Uma única espécie em Lu: A. macrostachyum. Arbusto glauco (azulado) ou verde até 1,5 m; flores ligeiramente salientes ; queda das inflorescências parciais (cimeiras de três flores) origina uma cavidade indivisa;
- Género Sarcocornia. Duas espécies em Lu: S. perennis e S. fruticosa. Sufrútices ou arbustos baixos (até 1,5 m); flores totalmente embebidas nos cachos; a queda das inflorescências parciais dá origem a uma cavidade tabicada com três depressões (uma por flor).
Espiga de Arthrocnemum macrostachyum (Amaranthaceae). N.b. Inflorescências parciais (cimeiras trifloras) com três flores salientes.
Espigas secas de Arthrocnemum macrostachyum (Amaranthaceae). N.b. Entrenós articulados; espigas secas; cavidades indivisas formadas após a queda das inflorescências parciais (cimeiras de três flores).
Sarcocornia fruticosa. N.b. espiga constituída por flores embebidas num eixo carnudo cilíndrico, +/- liso; estames e estígmas; inflorescências parciais com três flores sendo a flor central francamente maior do que as duas flores laterais, como é característico da S. fruticosa
(Aljezur, fotos C. Aguiar)
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