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quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Lenda de Zarah, a Princesa Moura

Como furtar-me a tão belo e romântico desafio? 

Este vem da Catarina, que passou à Afrodite e esta à papoila e à Janita e agora é a minha vez de vos contar a lenda de Zarah, a Princesa Moura, que, em noites de luar, ainda anda se avista nas ameias do Castelo...



«Nos tempos já muito distantes do Rei Afonso, que do norte vinha para o Sul, conquistando terras e mais terras que estavam na posse da moirama, chegou ele às proximidades de Leiria cuja terra conquistou também.

Aqui construiu um castelo roqueiro, que entregou à guarda dos seus guerreiros, abalando à conquista de mais terras, a construir um Portugal maior.

Os mouros sabendo do castelo pouco guardado, voltaram e, após uma luta porfiada, venceram os guardas do castelo e tomaram-no.

Passou a ser por essa altura, seu guardião, um velho mouro que vivia com sua filha, uma linda moura de olhos esmeraldinos e louros cabelos entrançados, chamada Zara.

Um dia, já o sol se escondia no horizonte sob nuvens acobreadas, a linda moura, estava à janela do castelo voltada ao Arrabalde, a pentear os cabelos encanecidos de seu velho pai, quando viu ao longe uma coisa que lhe pareceu estranha, mesmo muito estranha.

Que viu a linda princesa castelã, de olhos verdes de esmeralda?

Viu o mato a deslocar-se de um lado para o outro e também em direção do castelo.

Foi então que a linda princesa castelã perguntou ao seu velho pai:

“Oh! Pai, o mato anda?” Ao que o pai da linda princesa, respondeu:

“Anda, sim, minha filha, se o levam.”

E o mato era levado, sim, mas pelos guerreiros cristãos do Rei Afonso, que se escondiam atrás de paveias de mato que cortaram e ajuntaram para avançarem para o castelo sem serem vistos.

E avançaram, avançaram cautelosamente, até que já próximo da porta chamada da traição, correram, passaram-na lestamente e conquistaram o castelo.

Nunca mais se soube da linda princesa de olhos verdes, nem de seu velho pai, que era o Governador, mas, a partir desse dia, Portugal ficou maior.»




sexta-feira, 5 de maio de 2017

Thonis-Heracleion

Recebi de uma amiga e não conhecia: uma importante cidade egípcia submersa há 1200 anos e descoberta pelo ano 2000.

É a cidade Thonis–Heracleion — Thonis, como era conhecida pelos egípcios, e Heracleion, como era chamada pelos gregos. Localizada a pouco menos de 10 metros de profundidade no Mediterrâneo, na Baía de Abukir, próximo a Alexandria, depois de quatro anos de levantamentos geofísicos, já que a cidade se encontrava enterrada sob toneladas de areia e água.

A descoberta foi realizada pelo arqueólogo francês Franck Goddio com uma equipa o Instituto Europeu de Arqueologia Submarina.

Segundo Goddio, Thonis–Heracleion provavelmente foi fundada no século 8 a.C. — antes mesmo de Alexandria — e era o porto de entrada no Egito para todas as embarcações provenientes da Grécia. Além disso, a cidade também tinha importância religiosa, graças à presença de um grande Templo de Amon e Khonsou. Mas, por volta do século 8 d.C., devido a uma série de catástrofes submarinas, a cidade acabou por se afundar completamente no Mar Mediterrâneo.

Embora se soubesse da existência da cidade devido a registos históricos e algumas inscrições encontradas por arqueólogos, nunca alguém havia encontrado qualquer vestígio do porto.


Lendas

Heródoto disse que Heracleion fora visitada por Paris e Helena de Troia. Acreditava-se que Paris e Helena foram presos lá na sua fuga do ciumento Menelau, antes do início da guerra de Troia.  Também se dizia que a cidade fora visitada por Helena e Menelau tendo sido alojados pelo nobre egípcio Thon – de quem a cidade recebeu o nome de Thonis. Outra lenda diz que o próprio Heracles, (ou Hércules) visitara a cidade e daí o nome de Heracleion.


A cidade foi mencionada pelos historiadores da Antiguidade Diodoro, Estrabão e Heródoto.





segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Quinta das Lágrimas




Situada a cerca de quinhentos metros do Convento de Santa-Clara-a-Velha, a quinta terá sido, no século XIV, coutada de caça da família real que então residia em Coimbra. 

O documento mais antigo em que a quinta é referida data de 1326, ano em que a Rainha Santa Isabel mandou fazer um canal para levar a água de duas nascentes para o Convento.



A fonte de onde saía a água para o Convento foi chamada «Fonte doa Amores» por ter presenciado os amores de Pedro e Inês. A outra foi apelidada por Camões de «Fonte das Lágrimas» por ter nascido das lágrimas que D. Inês terá chorado quando foi assassinada pelos três validos do rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro.










Mais tarde passou para as mãos da Universidade. Em 1650, a quinta foi murada tendo a água das fontes sido aproveitada para alimentar as mós do grande lagar de azeite da cidade.

No século XVIII foi adquirida pela família Osório Cabral de Castro, antepassado dos atuais proprietários, e foi então que o palácio foi construído passando a chamar-se Quinta das Lágrimas.




A mata é deslumbrante com árvores seculares de grande porte e de grande beleza.











Foi apenas em 1995 que o palácio passou a ser uma unidade hoteleira com o nome de Hotel Quinta das Lágrimas.







E foi lá que aqui o "jovem casal" foi celebrar os seus 45 anos de casamento...




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

São nêsperas, senhor!!

Nêsperas em Janeiro?! 

A nossa nespereira sente-se algo confusa com o Inverno primaveril que se tem feito sentir. E então, depois de se encher de frutos em Novembro, pensando que já está em finais de Março, está a amarelecê-los...

O milagre das rosas pode ter-se dado aqui por Leiria, poiso do nosso Rei-Poeta (que por acaso era um bom "vadio") e da sua paciente Santa Esposa. Então porque não dar-se agora o milagre das nêsperas?!






sexta-feira, 17 de abril de 2015

Santuário do Senhor Jesus da Pedra




Impressionava-me quando em finais dos anos 60 comecei a lá passar de comboio nas minhas primeiras visitas à família cá do namorado em Leiria. Ali, no meio da planície, fora da vila de Óbidos, a caminho das Caldas da Rainha, erguia-se uma espécie de mosteiro hexagonal grandioso e belo, pelo menos diferente. Só agora tive oportunidade de lá entrar e de o visitar por dentro.

Lamento estar tão degradado, tão mal cuidado, a precisar de ser pintado por fora e que lhe substituam os os vidros partidos nas janelas superiores. 

Existem diversas lendas na região que justificam a construção do Santuário. Possuem em comum a ação milagrosa de uma antiga cruz de pedra com a imagem esculpida de Cristo crucificado, hoje exposta no altar-mor da igreja. A mais popular esclarece que na década de 1730, vivendo a região uma prolongada seca, com grandes prejuízos para a agricultura, um lavrador foi chamado pela imagem, que se encontrava escondida num combro por entre silvados, em terreno da Colegiada de Santa Maria de Óbidos, junto à estrada que ligava esta vila às Caldas da Rainha. A imagem "clamou-lhe" veneração, o que o lavrador cumpriu juntamente com alguns outros populares, tendo vindo a chover.

A tradição narra que aquela pequena escultura ali havia sido colocada pela própria rainha D. Leonor, para indicar o caminho das águas curativas da Caldas, tendo-se tornado objecto de veneração à época, mas tendo depois caído no esquecimento. Com a sua redescoberta pelo lavrador e o "milagre" subsequente, a imagem voltou a ser objecto de devoção popular, tendo sido erigida uma capela de madeira para albergar a imagem.

A "estranha" imagem de pedra de Cristo Crucificado esteve até à inauguração do Santuário recolhida numa pequena ermida junto à estrada para Caldas da Rainha onde era objecto de grande devoção, nomeadamente do Rei D. João V que inicia os seus tratamentos no Hospital Termal Rainha D. Leonor, passando a visitar frequentemente a imagem do Senhor Jesus da Pedra, pela qual tinha grande veneração, ofertando-lhe avultadas esmolas.

(Informações retiradas de :














domingo, 14 de dezembro de 2014

Frugalidades ...

Movida pelas frugais refeições que a nossa amiga Catarina, deixo aqui evidências do frugal almoço que hoje servi à família.

Uma sopinha da pedra com tudo o que é de lei: chispe, orelha, toucinho entremeado, entrecosto, quadrados de carne de vaca e de porco, chouriço, cacholeira e farinheira. Tudo coisinhas leves...  Claro que também tinha feijão manteiga, batata, couve lombarda, cenoura e nabo para dar um toque saudável... Só lhe faltava mesmo a pedra - que eu não vou em lendas...





Ainda sobrou para amanhã. Se quiserem passar por cá...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ermida da Memória



«De D. Fuas Roupinho apenas se sabe que morreu em 1184 numa batalha naval com os Mouros. Quanto ao resto, uns dizem ter sido irmão bastardo de D. Afonso Henriques, outros aio de D. Pedro Afonso, este sim, bastardo do conde D. Henrique e grande amigo do fundador.

Pois guerreava D. Fuas os Mouros em Porto de Mós, de cuja vila era alcaide, em meados de 1180, o príncipe D. Sancho combatia outras forças mouras no Alentejo e D. Afonso Henriques, em Coimbra, aguardava notícias de ambos. Por fim chegou D. Fuas com prisioneiros mouros, entre eles o rei Gamir, de Mérida e a filha, bem como os tesouros tomados. Abraçaram-se e D. Afonso Henriques escuta do mouro palavras de louvor pelo seu poder. Desesperado, o mouro desfalece, amparando-o a filha. O rei português manda que lhe retirem as grilhetas e os tratem bem. D. Fuas levou pai e filha para o seu Castelo de Porto de Mós, onde o amigo rei o mandara recolher para que repousasse.

Ali chegados, ante a curiosidade da princesa moura, D. Fuas foi mostrar-lhe a gruta onde uns pastores haviam encontrado a imagem de Nossa Senhora da Nazaré. A jovem ficou encantada e desejosa de converter-se.

Enquanto ela ficava admirando-a, o alcaide foi dar um passeio a cavalo. De repente, junto de si levantou-se um veado e ele logo decide dar-lhe caça. Foi uma perseguição tremenda, até que o cavaleiro sentiu que nada tinha diante de si. Nada, a não ser um precipício sem fim, com o mar ao fundo. O cavalo fincara as patas na pedra e D. Fuas murmurou:

- Valha-me Nossa Senhora da Nazaré! – Uma eternidade pareceu a D. Fuas Roupinho o tempo em que a sua montada teve as patas dianteiras procurando apoio no vazio. Os olhos de D. Fuas cravaram-se nas duas marcas da ferradura do seu cavalo na pedra onde estivera. (…)



D. Fuas cavalgou depois até à gruta onde deixara a princesa e viu-a chorosa:

- Quando vos aquele veado negro à vossa frente, senhor, tive tanto medo! Parecia a representação do mal!

- Era o próprio demónio, minha filha! – D. Fuas foi ajoelhar-se diante da imagem de Nossa Senhora da Nazaré, agradecendo-lhe o milagre que lhe salvara a vida. Depois mandou fazer a capelinha da invocação da santa junto ao sítio, hoje chamado Ermida da Memória, onde se dera o milagre e meter lá a imagem, onde é venerada por milhares de pessoas.


Conta a lenda que a referida imagem foi esculpida por São José na presença da própria Virgem e que um monge grego, Ciríaco de seu nome, a terá levado para o Mosteiro de Cauliniana, em Mérida. Dali, o rei Rodrigo e um tal Frei Romano, após a derrota dos cristãos em Guadalete, foram parar, correndo novembro de 714, ao monte de São Bartolomeu, perto da atual Nazaré. E aí a esconderam numa gruta. O resto já sabem.»

(João Viale Moutinho, in «Portugal Lendário», Círculo de Leitores, 2013)


Interior da capelinha chamada de Ermida da Memória, toda forrada a azulejo.











Imagem de Nossa Senhora da Nazaré.




Representações da lenda de D. Fuas.










Baixo relevo em pedra calcária dos séculos XII - XIII (Ermida da Memória)



Vale a pena (re)visitar!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Rosas em Janeiro?

Ei-las! E são aqui da minha rua.





... e, a propósito, fica aqui o ...


Romance da Rainha Santa Isabel

Peço graça com fervor
Do divino Manuel,
Para que haja de rezar
Da Rainha Santa Isabel:
Em Saragoça nascida,
Segundo a oração diz,
Foi rainha mui querida,
Mulher d’el-rei Dom Dinis;
Aos pobres socorria
Com entranhas do coração;
Pois de ninguém se fiava,
Sua esmola apresentava
Com a sua própria mão.
Vindo a “santa” um dia,
Com seu regaço ocupado,
Pelo tesouro que havia,
Com el-rei eis encontrada!
«Que levais aí, Senhora?
Levo cravos e mais rosas,
Para mais nossa alegria.
Bem sei que levais dinheiro,
Segundo sois costumada;
Antes que muito me cheira,
Rosas em Janeiro,
É de maravilha achá-las!»


A Senhora
O seu regaço lhe amostrou,
Cravos e rosas achou,
Um cheiro que admirava.
«Ó rainha excelente!
Meu tesouro podeis dar,
Minha coroa empenhar
Porque tudo estou contente.»
Estando a “santa” um dia
Na sua sala sentada,
Chegou-lhe um pobre chagado,
Se o podia arremediar;
Ela lhe disse
Com palavras de amor:
«Mandarei chamar o doutor,
Que vos haja de curar.
Senhora, se queredes
Ter o vosso coração inflamado,
Deitai-me na vossa cama,
Que eu serei remediado.»
A Senhora
De pés e mãos o lavou,
Na sua cama o deitou.
Um cavaleiro, que no paço
Havia encontrado,
A el-rei tudo é contado.
Vindo el-rei muito agastado,
Com tenção de a matar,
Contra a clemência que usava;
Na cama onde repoisava
Deitar um pobre chagado.
A Senhora correu o cortinado,
Achou Jesus crucificado!
Muito chorou o rei com ele
Dos milagres, que ela tinha obrado.
Em Estremoz acabou
Em Coimbra está sepultada,
No convento que formou
De Santa Clara sagrada.

in Romanceiro e Cancioneiro Popular Português

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A Senhora da Lapa


No nosso passeio à Beira Alta, subimos a Serra da Lapa, no concelho de Sernancelhe, onde, a uma altitude de 900 metros, com um tempo cinzento, chuvoso e com um frio de cortar a pele das orelhas, nos deparámos, no meio de algumas casas de pedra, daquelas bem típicas das terras quase transmontanas, com o Santuário da Senhora da Lapa.


A capela
A Capela e o Santuário à direita

Segundo reza a lenda, em 1498, uma pastorinha chamada Joana, muda de nascença, da freguesia e lugar de Quintela, andando a guardar o gado de seus pais, lembrou-se um dia de entrar ali na gruta e encontrou a santa imagem que meteu na cesta onde guardava as maçarocas e a merenda. A imagem era de pequena dimensão, mas muito formosa. E a pastorinha guardou-a e enfeitava-a como podia e sabia, com as mais lindas flores que topava nos campos ou no monte. Ao voltar a casa, no fim do dia, cuidava da roupa da imagem. As ovelhas, apesar de fartas e nédias, eram apresentadas quase sempre nos mesmos lugares, o que motivou acusações por parte de outrem à mãe de Joana. Tudo isto e as teimosias da filha a fizeram enervar e, sem mais, tirou-lhe a imagem, que teve por uma vulgar boneca, e atirou-a ao lume.

A menina, transida de pavor, gritou; “Minha Mãe! É Nossa Senhora! Ai! Que fez?”. A fala começou a prender irreversivelmente a mocinha pastora e a mãe ficou com o braço paralisado, transe de que se curou com a oração de ambas.

A imagem foi levada para a Lapa, sob a orientação do percurso por Joana e todos a acompanharam. Porém, tal não terá sucedido sem que antes o cura de Quintela houvesse tentado a entronização da veneranda imagem no interior da Igreja Paroquial, donde a mesma imagem desaparecia de modo insólito.



A capela de Nossa Senhora da Lapa foi construída já no século XVII pelos jesuítas, mas o culto é muito anterior, havendo quem o remeta para o século X, quando as investidas dos mouros fizeram com que a população cristã tenha escondido uma imagem da Virgem numa gruta ou "lapa". Mas histórias, lendas e milagres são o que não falta neste santuário com muitos ex-votos e com uma curiosa passagem entre rochas por onde só se consegue esgueirar quem não cometeu pecados graves. 












A Senhora da Lapa, em Portugal e Santiago de Compostela, na Espanha, chegaram a ser, em tempos, os dois Santuários mais importantes da Península Ibérica.

Presépio da Escola Machado Castro situado perto da Gruta

Em volta do santuário cresceu uma pequena povoação que anda hoje tem alguma expressão, quanto mais não seja para receber os peregrinos e os turistas que ali se deslocam.











 



Representação da lenda da pastora Joana