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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O Avejão

O saudoso Baptista-Bastos é que o definiu bem! E eu lembrei-me hoje deste texto vá-se lá saber porquê...

"O avejão ensombra, há tempo de mais, a sociedade portuguesa. 

O avejão, sobre ser (diz o dicionário) uma ave agoirenta, é homem alto e feio.

O avejão tem gosto particular pela necrofilia.

O avejão é um pouco tonto, burro e desajeitado.

O avejão odeia os outros, pessoas ou aves.

O avejão é esquisito, todos o desprezam e detestam.

O avejão só sabe adejar numa atmosfera sombria e lúgubre.

O avejão paira sobre as coisas, nunca se aproxima muito, por receio de represálias.

O avejão é produto típico do monturo.

O avejão voa só, nenhum pássaro tem por ele afecto.

O avejão é assolado por doenças perdidas e morre de barriga para baixo.

O avejão é nojento, sobretudo a rir ou a debicar bolo-rei.

O avejão tem inveja deste mundo e do outro.

O avejão, ao abrir a boca, exala cheiro fétido.

O avejão nunca leu um livro até ao fim.

O avejão permitiu que, em seu nome, fosse publicado, num inquérito, títulos de livros que não frequentou.

O avejão gosta muito do programa cultural ‘A Quinta’.

O avejão, como o carcará, pega, mata e come.

O avejão, convém repetir, é um ser fedorento.

O avejão, sobre ressonar a dormir, e dorme muito, no palácio, tem flatulência.

O avejão tem dificuldades com a tabuada.

O avejão tem dificuldades com a língua portuguesa.

O avejão não sabe fazer o nó da gravata.

O avejão baba-se a comer.

O avejão baba-se se contrariado.

O avejão baba-se sem motivo aparente; baba-se.

O avejão, que tem dificuldades com o português, o idioma e o propriamente dito, não sabe onde pôr as mãos quando fala, ou diz que fala.

O avejão não parece um espeque: é um espeque.

O avejão é amaldiçoado pelos deuses que assim o configuraram, coitado!

O avejão está no estertor, e no estrebuchar ainda se julga alguém e comete pequenas perfídias.

O avejão desconhece que circunstâncias fortuitas lhe têm permitido que voe alto.

O avejão é a vergonha de todos os pássaros: todos são belos, menos ele, repelente.

O avejão não é apenas aquilo de que se sabe, nem, somente, as definições que vêm no dicionário.

O avejão há muito que morreu e não sabe que está morto.

O avejão foi abatido pelo Raul Brandão, que, diz-se, se inspirou numa noite de pesadelo. *

O avejão tem sido o pesadelo de nós todos, mesmo daqueles que o lisonjeiam.

O avejão está prestes a ser escorraçado, sem ter edificado um trémulo instante de grandeza.

Abaixo o avejão, abaixo!"


25 de novembro de 2015


                                                    * 

sábado, 4 de julho de 2015

As frases da semana

Não há dúvida acerca da frase da semana! Foi a pérola lançada por aquela espécie de presidente da República comentando da forma mais frívola - de quem está congelado faz tempo - uma hipotética saída da Grécia do euro. 

«Somos 19 países, se [a Grécia]sair ficam 18

O melhor comentário que li sobre este triste comentário foi o seguinte.




Não pior é a frase que o irrevogável Portas tem repetido toda a semana até à exaustão como leit motiv da sua pré campanha eleitoral.

«Portugal não é a Grécia!»

De facto, não é, não! Porque se fosse, estaria ele em muito maus lençóis...




quinta-feira, 25 de junho de 2015

Cuidado com o ego...



Recebi por mail esta imagem algo divertida e lembrei-me do senhor presidente que, na sua deslocação à Bulgária, deu em fazer desabafos no avião.

Primeiro que estava "mais aliviado" com a venda da TAP que fora assinada no dia anterior. E depois, confrontado pelos jornalistas com as críticas da oposição ao seu discurso do Dia de Portugal, o senhor presidente afirmou impante: «depois de ter ganho quatro eleições com mais de 50 por cento dos votos, o meu ego está satisfeito, está no máximo.»

Depois ainda disse mais uma mentirinhas do tipo: cede "zero a pressões venham elas da direita ou da esquerda do centro ou das costas" e que só fala "no superior interesse nacional." - mas isso já nada tem a ver o o seu enorme ego... Digo eu!!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A formiga e a cigarra

Não sou nada dada a moralismos, nem sequer a moralidades, por isso não sou grande apreciadora de fábulas. Isto decerto porque, para além de me entender muito melhor com a ironia, na minha instrução primária fui – como todas as criancinhas nesse tempo de moralismos clericais – forçada a lê-las e relê-las nos livros de leitura e depois a recontá-las em redações sempre com a obrigação de, à laia de conclusão, retirar e fazer salientar a dita moralidade.

Bom, mas isto tudo para explicar que, não obstante, nos últimos dias o bom do La Fontaine não me tem saído da cabeça com a sua Formiga trabalhadora e a sua Cigarra desmioladamente gastadora. E isto porquê? Por causa do triste caso da dívida da Grécia e do estupidamente chamado grexit.

Quem não se lembra de ouvir o ministro formigo, digo, o ministro Miguel Macedo dizer aí por 2012 que Portugal não podia continuar um país de muitas cigarras e poucas formigas? De facto, o seu desejo foi-se transformando em realidade e, graças ao esforço aturado e gratuito (que se lixem as eleições quem não se lembra também) do “governo” e do seu representante em Belém, atualmente são muitas as formiguinhas, coitadinhas, abençoadas, e poucas a malandras, as desbocadas das cigarras.

O “nosso” primeiro não se cansa de dizer e bradar que Portugal está a salvo de qualquer turbulência e que tem reservas que aguentam qualquer embate (pois não é que temos os cofres cheios?!)

Entretanto a espécie de presidente da República foi para a Bulgária gabar «o bom aluno» que tem sido o seu governo (sabe-se lá a que custo por parte do povo, mas isso também não interessa nada). Disse ele: «O sucesso do programa de ajustamento é o exemplo de política responsável, quando há uma forte vontade política.» E tem o topete de se pôr a «pedir contas a Atenas» e de, armado em bom, lançar papaias deste tipo: «Não podem ser abertas exceções para nenhum país.» E continua: «num espaço tão integrado como a zona euro há regras que não podem deixar de ser respeitadas; o governo de Atenas não pode ignorar a realidade.»

 Isto sim é sinal de grande solidariedade institucional!

Socorro-me uma vez mais de Sérgio Figueiredo – que, repito, gosto de ler – que escrevia há dias: «É francamente difícil de entender a descontração do governo português diante do cenário do grexit grego. Há quase uma satisfação contida no sorriso de Mona Lisa que a nossa ministra das Finanças esboça, quando é confrontada com tal cenário. Lisboa devia ser a primeira a defender uma solução para a Grécia, mas prefere correr para os credores e pagar antes do tempo. Parece que a nossa colossal dívida externa se resolve com prestações antecipadas. Parece que a prioridade é deixar a "alternativa Syriza" sucumbir como prova de que afinal sempre estivemos certos. Parece que não se conhece a lógica implacável dos mercados. Parece que os juros da nossa dívida não voltaram a subir.»

São as belas, solidárias, altruístas, nada vingativas nem rancorosas formiguinhas à portuguesa.

E vem-me à memória aquela canção que diz…


terça-feira, 10 de março de 2015

O «politicamente correto»

Insuportável a expressão bem como o conceito do «politicamente correto». À semelhança da «assertividade» (de que falarei noutra altura) soa a hipocrisia, soa a falso. 

Encontrei uma definição de «politicamente correto» que acho por de mais completa; dizem ser de um aluno da Universidade de Griffith, na Austrália e diz assim: «Politicamente correcto é uma doutrina, sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, que foi rapidamente promovida pelos meios de comunicação, e que sustenta a ideia de que é perfeitamente possível pegar num pedaço de merda pelo lado limpo.»

Admiro os articulistas que, nos jornais, fazem o seu comentário ou dão a sua opinião da forma mais escorreita possível sem problemas de «politicamente correto». Admirava as opiniões de Baptista-Bastos como admiro a forma desassombrada com que Pedro Marques Lopes, um PSD assumido, todos os domingos "derrete" (quase) todos os políticos, ou melhor, aquela espécie de políticos, em que ele próprio votou.


Esta semana, ataca (aquela espécie de) primeiro-ministro apresentando uma dualidade entre o Passos Coelho primeiro-ministro e o Passos Coelho cidadão concluindo: «Ao Passos cidadão, homem consciente das suas imperfeições, humilde, avesso ao puritanismo, com noção de que a importância dos pecados muda com o tempo, não perdoaria o Passos Coelho primeiro-ministro. Estou aliás convencido de que ultimamente quando olha para o espelho e vê o cidadão Pedro Passos Coelho lhe diz: "És um piegas, pá."»


Entretanto, e a propósito do caso das dívidas à Segurança Social do dito pm, aponta o dedo ao ministro da Segurança Social e a Cavaco que vieram, pressurosos, defender "o seu menino"...

Só uma coisa com a qual não posso concordar: é que termina a crónica dizendo: «Ao que Cavaco Silva chegou.» Por mim penso que Cavaco Silva sempre assim foi. Pequenino, mesquinho, tendencioso, pretensioso, preconceituoso. Vil.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Mensagem de Boas Festas do senhor presidente

Para quem não teve oportunidade de ouvir a mensagem de Boas Festas do senhor presidente e sua afanosa esposa, deixo aqui o respetivo vídeo.

Se não tiverem tempo ou paciência para ouvir tudo, deixo a seguir um resumo do mesmo.








sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Portugal tem mulheres bonitas e cavalos...



Se não (ou)viram ainda, convido-vos a ver ou a rever.

http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2014-11-27-Cavaco-Silva-desafia-arabes-a-visitarem-Portugal

(Faz-me lembrar aquela anedota que se contava na época em que Salazar já tinha sofrido o AVC que o afastou da governação: por vezes, levavam o velho ditador debilitado a dar uma volta de automóvel por Lisboa. Ora um dia atravessaram a ponte sobre o Tejo e disseram-lhe que aquela tinha sido uma das suas grandes obras de que se podia orgulhar; ao que ele terá respondido batendo palminhas: - Ai, tantos popós!!) 

Só que este ainda não sofreu um AVC (que se saiba...) nem está afastado da vida política.

Que vergonha!!!


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Notícias e comentários

«(…) Rui Machete é apenas mais um que não sai pela porta pelo seu pé nem é defenestrado porque Passos Coelho não vê, Paulo Portas não ouve (está sempre muito longe, desesperado a tentar ouvir a chegada dos sapatos milionários de Carlos Slim nesta sua viagem ao México de "sucesso e pêras"... e esperas, acrescento eu). E Cavaco Silva não fala, penando, em fim de carreira, como uma maldição, a autoria da frase mais descortês e cruel que foi dita nos últimos 40 anos sobre um Presidente da República, no caso, Mário Soares: "Vamos ajudar o senhor Presidente a terminar com dignidade o seu mandato." Deus não dorme, dizem os crentes. Mas seja Deus, Osíris ou a Ísis de Machete, alguém está a fazer Cavaco Silva beberricar em colherezinhas o seu próprio veneno: ninguém o ajuda a terminar com dignidade o mandato; não fala, tartamudeia, mastiga em seco, engrola palavras e ideias, dá-se a fanicos, enfim, quem com ferros mata...» (Óscar de Mascarenhas, 1/11/2014)

«Desde que as aulas começaram, pelo menos 5140 professores já mudaram de escola. E a dança das cadeiras parece estar longe do fim.» (2/Nov/2014)

«Os concertos do Tony são a única coisa que me move para sair de casa!» (3/Nov/2014)

«Durão Barroso recebeu a mesma condecoração que Mandela, Walesa e Xanana. E Salazar.» (4/Nov/2014)

«Merkel diz que Portugal tem licenciados a mais.» (5/Nov/2014)

«(…) Vim falar desta frase: “Acreditar que os estudos superiores são o caminho de uma carreira de sucesso é uma ideia errada, da qual devemos continuar distantes, senão não conseguiremos convencer países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados, quanto aos benefícios do ensino profissional.” E vim falar de quem a disse: a chefe do governo alemão. E onde: às associações patronais alemãs. O quê, quem e em que circunstâncias – é disso que falo. Ora, a percentagem europeia de licenciados é de 25,3 e a da Alemanha ligeiramente inferior, 25,1. Para defender os méritos do ensino superior, Merkel diria: “Patrões alemães, temos de fazer um esforço.” Se fosse o contrário, ela diria: “Patrões alemães, já temos licenciados que cheguem.” Mas não, ela trouxe portugueses (17,6 % de licenciados) para a conversa. Só há uma explicação, ela estava a dizer aos seus: “Com essas ilusões das universidades, os cafres não andam a mandar os serralheiros de que vocês precisam.”» (Ferreira Fernandes, 5/Nov/2014)

(sublinhados meus)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Que vergonha!


Até a minha gata se envergonha!


Ainda nem um, nem unzinho dos orçamentos elaborados por esta espécie de "governo" e promulgados por aquela espécie de presidente da República que muitos ajudaram a eleger conseguiu ser feito de acordo com as normas da Constituição da República!

Que fazer? Num país civilizado, sustentado em critérios democráticos e com um povo forte e bem educado e bem formado, já tinham sido todos erradicados (para não dizer corridos).

Mas nós continuamos formatados pelos requerimentos em papel selado dirigidos a Sua Excelência muito respeitosamente e ficamos à espera do deferimento. Indefinidamente...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Dia das Mentiras

Com a cambulhada de mentirosos que integram aquela espécie de governo que nos calhou na  rifa das eleições, o dia das mentiras cá em Portugal podia ser celebrado quase dia sim, dia também. Mas hoje, que é o Dia das Mentiras mesmo,  merecem uma homenagem especial. 

Prémio «O Mais Mentiroso da Legislatura»














Chega assim, não vos parece?
Num país verdadeiramente democrático, estes senhores 
estariam já demitidos!

(imagens retiradas do Google) 

domingo, 9 de março de 2014

Talvez F...

De mais! Indescritível a minha estupefação ao ouvir há pouco, no telejornal, o senhor presidente com o seu ar mais cândido e a sua voz mais doce – como quando viu as vaquinhas dos Açores a sorrirem de felicidade – a perguntar-se (não dei conta do contexto em que o fez) naquele seu martelar das palavras com medo que alguma lhe falte: «Eu não sei o que se há de fazer para passarem a nascer mais crianças!...»

Por elegância, não vou aqui repetir os apodos com que mimoseei o senhor presidente e a sua dúvida transcendente. Questionei-me apenas sobre quantos filhos o senhor presidente e a sua augusta esposa teriam tido se auferissem cada um deles os míseros 485 euros brutos, ou se estivessem desempregados com ou sem direito a subsídio de desemprego, sem casa própria, sem empregadas em casa, sem subsídios de/nem férias, sem carros nem motoristas, etc. etc. etc.


Mas, perante a expressão abstrusa que se espelhou na cara do senhor presidente de pura estupidez e pretensa ignorância, veio-me à mente o refrão daquela canção dos primeiros anos do Pedro Abrunhosa, sabem? Talvez F… 




segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Magia

Não sei de que nos queixamos! Temos governantes verdadeiramente mágicos! Senão, vejam.

Cavaco sacou uma coelho da cartola.




E agora é a vez de Coelho fazer o seu passo de mágica e tirar um "cherne" da cartola...




Que outras magias nos irão cair em cima?!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

As 50 sombras de Cavaco



O senhor presidente - logo seguido pelo senhor Catroga dos «pentelhos» - deve ter aproveitado as férias de verão para ler a trilogia de «As 50 sombras de Grey». Vai daí, chega à Suécia - país com a tradição de grande liberalidade em termos de sexo! - e trata de chamar o pessoal de «masoquistas».

"Surpreende-me que em Portugal existam analistas e até políticos que digam que a dívida pública não é sustentável", afirmou o senhor presidente."Só há uma palavra para definir esta atitude: masoquismo", disse.

Ainda balbuciou mais umas quantas baboseiras (que podem ler aqui) que não cabem no âmbito deste texto.

O senhor Catroga - que decerto também leu a referida trilogia nas férias de verão - veio em defesa do senhor presidente afirmando que concorda com as suas palavras e que os «masoquistas» são típicos. (mais bacoradas destas aqui)

Ora perante tais afirmações proferidas por figuras tão eminentes como as referidas, não se estranhe que comecem a aparecer nos hipermercados de renome brinquedos como os que a seguir apresento talvez até com 50% de desconto em cartão...





 


(imagens da net)

Ai, ai!!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Valha-nos a Senhora da Agrela!


Não obstante estar já à espera (porque eu cá sou como «o outro» que nunca se engana e raramente tem dúvidas) esta foi a cara com que fiquei ontem ao jantar depois de ouvir o admirável, notável e improvável discurso do senhor presidente!

É que aguentarmos mais dois anos de cortes absurdos nas vidas de todos nós à exceção dos boys que vivem à sombra de S. Bento e de Belém e, já agora, à sombra dos estilhaços do BPN, não sei se dará para aguentar!

E apelar para quem se ninguém nos pode valer? Só se for mesmo a Senhora da Agrela que nos valha! E mesmo essa é pouco provável que o faça ou que tenha poder para tanto!

domingo, 21 de julho de 2013

O Salvador da Pátria


Que castigo lhes/nos reservará logo o senhor presidente?!
 

domingo, 7 de julho de 2013

Irrevogável


Se fosse numa prova de exame, este exercício de escolha múltipla estaria muito mal elaborado porque todos as hipóteses são verdadeiras não havendo lugar a distratores, mas no nonsense que é o momento atual da política portuguesa tudo é possível e todas as hipóteses são verdadeiras e distratores a um tempo.

Para o dr. Paulo Portas, irrevogável foi mesmo "ir ali e já volto" e, mesmo junto daqueles que verdadeiramente votaram nele, ele fica efetivamente muito mal visto. Fez umas birras e agora volta para o governo como se nada se tivesse passado.

A não ser que, como disse há pouco o patrãozinho Nuno Melo, o dr. Paulo Portas tivesse usado a palavra irrevogável sem ter mentido porque saiu de ministros dos Negócios Estrangeiros e volta na figura - triste figura, digo eu - de vice-primeiro-ministro.
 
Dá-me vontade de pedir emprestado aquele poema de Pessoa "Autopsicografia" e apresentando-lhe todas as desculpas possíveis, parafrasear e escrever assim:


   O político é um fingidor.
   Finge tão completamente
   Que chega a fingir que é dor
   A força com que nos mente.

E todas estas paráfrases e perífrases e perifrásticas e esquemas periférico que aconteceram ao longo desta semana  bem como irrevogável e irreversível desfecho que se adivinha só acontece devido ao peripatético presidente que temos.



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Marchas de Lisboa

Hoje eu pensei em...

Expressar a minha tristeza pelo facto de os turcos terem a coragem e a força de vir para as ruas dias e dias ininterruptamente manifestando o seu desagrado pelas políticas do seu governo; 

Expressar a minha tristeza por ver que os gregos vieram para as ruas mostrar a sua não concordância com o encerramento da rádio e da televisão públicas, forçando assim o derrube do seu governo;

Enquanto este povo a que pertenço e que já «deu novos mundos ao mundo» se acobarda amedrontado perante todas as demonstrações de menosprezo e de achincalhamento por parte de um “governo” de garotos impreparados e indiferentes que hoje corta, amanhã despede, hoje desdenha, amanhã vinga-se, sem que ninguém de indigne, se agite, se revolte forçando os tiranetes a sair. Não admira que aquele senhor que está a fazer de presidente da República afirme paulatinamente que não há instabilidade social.

Pensei em confessar a vergonha que senti ao ver o dito senhor em Estrasburgo a culpar a Europa pela destruição do país, como se fosse a Europa que mantém este “governo” em funções a deitar por terra tudo o que foi conseguido ao longo dos últimos 30 anos. Pena não haver por lá quem lhe responda à letra.

Pensei em lamentar todas estas situações e outras, mas… não devo…
… porque hoje é noite de Santo António, de manjericos, de sardinhas assadas e de marchas em Lisboa. 

E deixo aqui algumas especialmente dedicadas aos meus amigos bloggers de longe: a Catarina, o António Cambeta, o Duarte, a Teresa, e a todos os que amam Lisboa.