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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Que pires!

De vez em quando tenho uns lampejos de expressões que se usavam em tempos e que caíram em desuso. (Com efeito, a riqueza de uma língua consagra-se na constante mutação semântica, fonética e… ortográfica – por muito que custe aos oponentes ao(s) acordo(s) ortográfico(s) e aos que dizem que «fizeram um acordo com a língua de Camões»…)

Bom, mas voltemos aos tais lampejos! Quem se lembra da expressão «pires» que nos anos 50 se usava para referir uma pessoa reles, de baixo nível, pretensioso, boçal? Foi dessa “linda” palavra que veio a também “linda” palavra «piroso» que, na minha opinião, tem uma conotação menos forte que a primeira.


Pois foi essa palavra - pires - que assomou à minha mente quando li a finíssima declaração que o ainda presidente da Comissão Europeia fez ontem ao referir-se ao montante que a Europa enviará para Portugal nos próximos sete anos: "26 mil milhões de euros é uma pipa de massa".



(imagem retirada do facebook)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Baixo nível

(O Trio Maravilha)

Então o dr. Barroso, o inefável cherne, vem a Lisboa armado em carapau de corrida, trazendo na mala seis comissários lá do grande oceanário que deve ser e Comissão Europeia, discutir o futuro deste pequeno e pobre Portugal.

E, como se trata de um assunto por de mais amplo e abrangente, que diz respeito a todos nós, sejamos partidários ou simpatizantes do quadrante A ou do quadrante B, ou C, ou D, o europeísta senhor, que nem mesmo ao fim de dez anos de contacto com a civilização conseguiu perceber e menos ainda interiorizar como as personalidades com responsabilidades de governação de topo devem mostrar-se equidistantes e iguais no tratamento de todos, convidou para essa conferência o senhor presidente – tem sorte por pertencer à mesma familória partidária do dr. Barroso! – o senhor primeiro-ministro e mais uns meninos lá do seu “governo”.

O líder do maior partido da oposição recebeu um e-mail às tantas da noite para se inscrever para poder assistir e ouvir caladinho as bacoradas que cada um dos ilustres convidados nacionais – que os internacionais não conheço minimamente para asseverar da sua qualidade – conseguir atirar ao ar. Quanto aos restantes partidos de esquerda com representação no Parlamento, nem sequer têm permissão para se inscreverem para assistir.

Será este um procedimento democrático? (Salazar, apesar de tudo, conseguiu ser mais coerente: pôs “essa gente toda” na clandestinidade!)

Depois vêm o senhor presidente e o senhor primeiro-ministro – em mais um golpe baixo de publicidade e campanha eleitoral – gritar e barafustar porque o PS não quer entender-se com o “governo” no que ao futuro do país diz respeito…
Muito baixo nível!!

(E fiquei eu tão chocada, quando aqui há anos o grupo da “oposição” lá na “minha” escola convidou o conhecido psicólogo Eduardo Sá – irmão de uma colega lá da dita “minha” escola e pertencente ao tal grupo da “oposição” – para dinamizar um encontro com os professores da escola de cujo conselho executivo eu era presidente sem sequer nos informar da sua vinda …)

Infelizmente o baixo nível é comum aos mais díspares grupos sociais…

sábado, 5 de abril de 2014

Cheiro a fénico

Aprendi com as mulheres lá minha infância que, ao escolhermos na praça, por exemplo, um pargo, devemos  reparar se ele cheira a fénico. E se cheirar, há que recusá-lo em absoluto.

Vem-me à cabeça esta memória de outras eras a propósito do «cherne», aquela espécie de político a quem a mulher, certamente feliz por se livrar dele a tempo inteiro quando foi para a Europa, assim apelidou a partir do poema de O’Neill «Sigamos o Cherne» (que se «lá no assento etéreo a que subiu» ficou a saber disso, deve ter dado umas boas voltas na tumba!)




É que o cherne, ao fim de todos estes anos a boiar em águas turvas e chocas, cheira com certeza a fénico e há que recusá-lo!

Ascendeu aonde ascendeu muito pela pobreza de inteligência, civilidade e de «saber de experiência feito» que grassa, desde o fim da Guerra Fria, entre os políticos da Europa e mais ainda por ter servido nos Açores (o «criado de libré» no dizer sempre sarcástico de Baptista-Bastos) aqueles cafés ao Bush e ao Blair sedentos de irem ao pote no Iraque. E agora, na curva descendente do seu baço reinado europeu, está a lançar todas as redes – ironia de cherne estragado – aqui para a tirinha de terra de onde fugiu com o rabinho entre as pernas clamando que o país estava «de tanga» para ver se apanha distraído este povo de tristes pescadores de carapaus e sardinha e se  atraca a Belém.

Para isso ele faz de tudo. Manipula opiniões sobre a excelente actuação do “governo”; encomenda relatórios sobre a "recuperação" da nossa economia e sobre a famosa "saída à irlandesa"; opina sobre tudo e manda recados e bitaites cá para dentro em nome da Europa.

Como os insanáveis “governantes”, deputados, apoiantes e puxa-saco da maioria e como os media em geral, também este cherne estragado está apostado em denegrir e desacreditar o partido que tem fortes probabilidades de ganhar as próximas eleições legislativas. Então, lembrou-se de levantar umas ondas de areia do fundo do mar atirando mais uma atoarda sobre o ex-governador do Banco de Portugal, elemento daquele partido, querendo enredá-lo no infame e torpe escândalo do BPN, criado pelas gentes do seu próprio partido e do qual se quer agora afastar, vá-se lá saber porquê!...

Se, de facto, já em 2002, ele estava preocupado com o crescimento daquele «polvo» de águas sujas, tinha obrigação, enquanto primeiro-ministro, de formalmente questionar o governador do BdP sobre se seria verdade «aquilo que se dizia sobre o BPN», alertar a Assembleia da República e até o Presidente da República. Mesmo sem o ter feito, o dr. Barroso, se tivesse querido jogar limpo, teria apresentado estas surpreendentes revelações que agora se lembrou de vir relembrar aquando da realização das comissões de parlamentares de inquérito sobre o assunto, coisa que não fez.

Este cherne fede! Cheira a fénico! Há que recusá-lo!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Magia

Não sei de que nos queixamos! Temos governantes verdadeiramente mágicos! Senão, vejam.

Cavaco sacou uma coelho da cartola.




E agora é a vez de Coelho fazer o seu passo de mágica e tirar um "cherne" da cartola...




Que outras magias nos irão cair em cima?!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cambada de desbragados!


Todos nos lembramos bem do criado de libré – o meu muito apreciado Ferreira Fernandes chamou-lhe mordomo, mas a figura do «mordomo» é séria e fina de mais para qualificar semelhantes badamecos. Mas afirmava eu que estamos todos bem lembrados do criado de libré que, aqui há uns anos, serviu uns cafés ao Bush e ao Blair nos Açores e que depois a mando destes seus patrões jurou a pés juntos que o Iraque estava minadinho com armas de destruição maciça. E a troco disso livraram-no de chefiar um governo fraquinho e também de coligação com o irrevogável Portas e mandaram-no para chefiar a Comissão Europeia (ao que a Europa chegou!) não sem antes ele gritar a plenos pulmões que «o país estava de tanga».

Pois foi este ilustrado senhor que no passado sábado veio a um qualquer fórum de empresários realizado em Vilamoura e, certamente encomendado pelos seus congéneres deste “nosso” “governo”, lançou mais umas tantas barbaridades pela boca fora do género: «Portugal tem de cumprir os passos previstos» pela troika e acrescentou que «o recado é válido para todos» incluindo o Tribunal Constitucional (imagine-se o atrevimento!). E no fim, em jeito de conclusão, deixou esta pérola: «Quando as pessoas começam a duvidar, começam a vender dívida pública portuguesa, os juros começam a aumentar e lá temos outra vez o caldo entornado.» Uma expressão de tom elevado que em tudo define a personagem que a proferiu.

Temos de admitir que os “nossos” políticos são de facto pessoas que, além de muito bem formados, bem dominam os níveis da nossa formosa língua portuguesa, espacialmente o nível popularucho que, garanto-vos, não consta da Gramática do Professor L. Cintra… Temos igualmente presentes expressões deste nível de língua preferidas pelo “nosso” primeiro, desde o famoso «que se lixem as eleições!» até ao «Está a sair-nos do lombo», ao «Não estamos a pôr porcaria na ventoinha» e a culminar o «Para trás mija a burra» com que respondeu a uma idosa na campanha eleitoral do mês passado.

Perante uns “governantes” assim desbragados que nos apodam de tudo o que é mau, que nos desrespeitam, nos ignoram, nos vilipendiam, que governam à nossa revelia e contra nós, estamos de facto muito mal entregues!