Aprendi com as mulheres lá minha
infância que, ao escolhermos na praça, por exemplo, um pargo, devemos reparar se ele cheira a fénico. E se cheirar, há que recusá-lo em absoluto.
Vem-me à cabeça esta memória de
outras eras a propósito do «cherne», aquela espécie de político a quem a
mulher, certamente feliz por se livrar dele a tempo inteiro quando foi para a Europa, assim apelidou a
partir do poema de O’Neill «Sigamos o Cherne» (que se «lá no assento etéreo a
que subiu» ficou a saber disso, deve ter dado umas boas voltas na tumba!)
É que o cherne, ao fim de todos
estes anos a boiar em águas turvas e chocas, cheira com certeza a fénico
e há que recusá-lo!
Ascendeu aonde ascendeu muito
pela pobreza de inteligência, civilidade e de «saber de experiência feito» que
grassa, desde o fim da Guerra Fria, entre os políticos da Europa e mais ainda
por ter servido nos Açores (o «criado de libré» no dizer sempre sarcástico de
Baptista-Bastos) aqueles cafés ao Bush e ao Blair sedentos de irem ao pote no
Iraque. E agora, na curva descendente do seu baço reinado europeu, está a
lançar todas as redes – ironia de cherne estragado – aqui para a tirinha de
terra de onde fugiu com o rabinho entre as pernas clamando que o país estava
«de tanga» para ver se apanha distraído este povo de tristes pescadores de
carapaus e sardinha e se atraca a Belém.
Para isso ele faz de tudo.
Manipula opiniões sobre a excelente actuação do “governo”; encomenda relatórios
sobre a "recuperação" da nossa economia e sobre a famosa "saída à irlandesa"; opina sobre tudo e manda recados e bitaites
cá para dentro em nome da Europa.
Como os insanáveis “governantes”,
deputados, apoiantes e puxa-saco da maioria e como os media em geral, também este
cherne estragado está apostado em denegrir e desacreditar o partido que tem fortes
probabilidades de ganhar as próximas eleições legislativas. Então, lembrou-se de
levantar umas ondas de areia do fundo do mar atirando mais uma atoarda sobre o
ex-governador do Banco de Portugal, elemento daquele partido, querendo
enredá-lo no infame e torpe escândalo do BPN, criado pelas gentes do seu próprio
partido e do qual se quer agora afastar, vá-se lá saber porquê!...
Se, de facto, já em 2002, ele
estava preocupado com o crescimento daquele «polvo» de águas sujas, tinha
obrigação, enquanto primeiro-ministro, de formalmente questionar o governador
do BdP sobre se seria verdade «aquilo que se dizia sobre o BPN», alertar a Assembleia da República e até o Presidente da República. Mesmo sem o ter
feito, o dr. Barroso, se tivesse querido jogar limpo, teria apresentado estas
surpreendentes revelações que agora se lembrou de vir relembrar aquando da realização
das comissões de parlamentares de inquérito sobre o assunto, coisa que não fez.
Este cherne fede! Cheira a
fénico! Há que recusá-lo!