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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

No aniversário de Miguel Torga

Miguel Torga, poeta da força, da fúria, da rebeldia transmontana, da natureza, da vida, do Homem e do seu poder criador, o Orfeu Rebelde, nasceu em 12 de Agosto de 1907 em São Martinho da Anta, Trás-os-Montes. 

Para recordá-lo, deixo aqui este belo poema. Triste, mas belo.



terça-feira, 26 de maio de 2020

Faz cem anos que nasceu Rúben A.

(daqui)


Faz hoje 100 anos que nasceu Ruben A., o mais “secreto” dos grandes autores portugueses. Ruben Alfredo Andresen Leitão nasceu em Lisboa (1920) e morreu em Londres (1975), cidade onde viveu entre 1947 e 1952. (Era primo direito de Sophia de Mello Breyner.)

Aos 7 anos mudou-se de Lisboa para o Porto, ali tendo ficado até aos 19 anos. Quem leu «Os Meninos de Ouro» de Agustina Bessa-Luís reconhece-o numa das personagens da quinta do Campo Alegre. Esse intervalo fora de Lisboa coincide com a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra.

Em Novembro de 1950, já com obra publicada — contos, monografias históricas, uma bibliografia sobre os Arquivos de Windsor, dois volumes do diário, uma peça de teatro e a biografia de D. Pedro V, rei de quem disse ter sido «o primeiro homem moderno que existiu em Portugal» —, e sendo leitor de português do King’s College de Londres, Salazar foi peremptório: «O Autor não pode representar Portugal nem ensinar português.» Não obstante, «o maluco...» (assim lhe chamava o ditador) manteve-se no lugar, que dependia do Instituto de Alta Cultura. Durante esses anos, Ruben A. divulgou na Universidade de Londres autores como Gil Vicente, os modernistas portugueses e Miguel Torga, ao mesmo tempo que fazia conferências em Oxford e Cambridge. Data dessa época a sua relação com T.S. Eliot, de quem viria a traduzir «The Cocktail Party» (1949, teatro).

De regresso a Lisboa, casou com Rosemary Bach (mãe dos seus quatro filhos) e fez uma passagem fugaz pelo ensino secundário. Entretanto, torna-se funcionário da embaixada do Brasil, onde permanecerá entre 1954 e 1972, ano em que foi para a administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Antes de morrer ainda ocupará o cargo de director-geral dos Assuntos Culturais do ministério da Educação e Cultura.

Embora publicasse desde 1949, ano em que deu à estampa o primeiro dos seis volumes do seu diário — «Páginas» —, o essencial da obra literária arranca com a edição de «Garanguejo» (1954), atingindo o cume com «A Torre de Barbela» (1964) e «Silêncio para 4» (1973). Os três volumes da autobiografia — «O Mundo à Minha Procura» — serão publicados entre 1964 e 1968. Depois da sua morte chegou às livrarias o romance «Kaos» (1981), posfaciado por José Palla e Carmo. A obra de historiador é muito extensa, terminando em 1975: «A Acção Diplomática do Conde de Lavradio em Londres 1851-1855». Além dos títulos aqui citados, Ruben A. publicou outros romances, livros de contos, narrativas de viagem, peças de teatro, volumes de correspondência de D. Pedro V e ensaios de investigação histórica.

A 26 de Setembro de 1975, um ataque de coração fulminante impede-o de ocupar o cargo de Senior Fellow no St Antony’s College, de Oxford. Tinha 55 anos e vivia então com Maria Luísa Távora. Está sepultado em campa rasa no cemitério de Carreço, perto de Viana do Castelo.


(Texto de Eduardo Pitta)

Deixo aqui  um texto deste (des)conhecido autor.

O Amor é Inevitável


(O Amor) É inevitável, faz parte da combustão da natureza, é força, mar, elemento, água, fogo, destruição, é atmosfera, respira-se, quando se morre abandona-se, o amor deixa, fica isolado, é um elemento, come-se, bebe-se, sustenta pão, pão diário para rico e pobre, pão que ilumina o forno do amassador, aparece nas condições mais estranhas, bicho que nasce, copula dentro de si mesmo, paira, espermatozóide e óvulo, as duas coisas ao mesmo tempo, amor é assim outro elemento fundamental da natureza, as pessoas vivem tanto com o amor, ou tão alheias do amor, que nem notam, raro percebem que o amor existe, raro percebem que respiram, que a água está, é indispensável, ninguém pode viver alheio aos elementos, ao amor.

Ruben A., in 'Silêncio para 4'


sábado, 23 de maio de 2020

Faz hoje 97 anos!

Filósofo, crítico e ensaísta literário associado ao existencialismo, tomou a poesia como fonte preferencial da sua obra. Fernando Pessoa, o Modernismo e Portugal são temas recorrentes nos seus ensaios.

Eduardo Lourenço (de Faria) nasceu em São Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida,distrito da Guarda em 23 de maio de 1923.  

Frequentou a Escola Primária na sua terra natal. Depois ingressou no Liceu da Guarda e terminou os seus estudos secundários no Colégio Militar em Lisboa. Frequentou o Curso de Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra que terminou em 1946.

Assume as funções de Professor Assistente nessa Universidade, cargo que desempenha até 1953. Desde então e até 1958 exerce as funções de Leitor de Língua e Cultura Portuguesa nas Universidades de Hamburgo, Heidelberg e Montpellier. 

Nos anos de 1958 e 1959, rege, na qualidade de Professor Convidado, a disciplina de Filosofia na Universidade Federal da Baía (Brasil). Ocupa depois o lugar de Leitor a cargo do Governo francês nas Universidades de Grenoble e de Nice. Nesta última Universidade irá desempenhar posteriormente as funções de Maître-Assistant, cargo que manterá até à sua jubilação no ano letivo de 1988-1989.

Eduardo Lourenço é ainda Doutor Honoris Causa pelas Universidades do Rio de Janeiro (1995), Universidade de Coimbra (1996), Universidade Nova de Lisboa (1998) e Universidade de Bolonha (2006). Desde 2002 exerce as funções de administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.

Para além dos numerosos prémios com que foi agraciado ao longo da sua vida mercê das obras que escreveu sobre literatura, filosofia e sobre a cultura em geral,  em dezembro de 2011, foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa. 



Fica ainda aqui um pequeno vídeo com mais informação sobre este brilhante autor que, para além de palavras do próprio, conta com as opiniões e testemunhos de outros estudiosos de nome sobre o nosso homenageado de hoje.





domingo, 10 de maio de 2020

«Já tenho treze anos!»



A minha neta fez ontem treze anos e está tão esfuziante que não para de dizer que já tem treze anos! Um orgulho ter treze anos!

E a mim só me vem à cabeça esta musiquinha popular aqui tão bem cantada...




sexta-feira, 3 de abril de 2020

Dia da Literatura Infantil

Ontem foi o Dia da Literatura Infantil, mas não pude celebrá-lo porque estava a celebrar o aniversário do meu blog...

Ora como para mim, todos os dias são dias da literatura - mesmo que seja infantil - aqui fica hoje o meu tributo aos escritores e aos poetas que escrevem para as crianças - sem esquecer a nossa amiga blogger Lídia Borges.

Ainda guardo cá em casa alguns livrinhos de quando as minhas filhas eram pequeninas e, do livrinho «A Guitarra da Boneca» de Matilde Rosa Araújo (grande senhora das belas e poéticas histórias para crianças, que tive o prazer de conhecer), retirei exatamente o poeminha «Minha Guitarra»:

«Chuva de cordas brancas,
chuva de cordas frias,
E eu tenho uma guitarra
cigarra
de som molhado
que agarra
a alegria 
para tocar.
E minhas mãos 
para enxugar
teu rosto amado,
minha Mãe.»

(1983)









(Prenda de aniversário (em 1987) da Madrinha para a minha filha mais nova que, por acaso, faz anos hoje - 3 de Abril.)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

10 anos

Faz hoje dez anos que abri este blog  - para ajudar a ocupar o tempo que me sobrava, apenas dois dias depois da notificação da minha reforma. 

Como diz a canção:

«10 Anos é muito tempo
Muitos dias, muitas horas a cantar
10 Anos é muito tempo
Deste tempo inteiro que eu vos quero dar.»

Ironicamente aqui me encontro ainda - e curiosamente a tentar ocupar o tempo que me/nos sobra nestes abomináveis tempos de clausura instituída por inimigo invisível e comum que nos quer tolher a vida.

De qualquer forma, aqui estou a celebrar estes dez anos do meu blog, com as suas/minhas mais de 2900 publicações e a agradecer os milhares de comentários e de visitas de quem por aqui tem passado.





domingo, 7 de abril de 2019

Il faut savoir encore sourire...

E, entretanto, tantas datas que deveriam ter sido celebradas… e eu sem vontade.

No passado dia 2 cumpriram-se nove anos sobre o nascimento do «picosderoseirabrava» - e eu nem uma palavra…

No dia 3, a minha caçulinha entrou sorrateiramente nos quarenta – e eu nem uma palavra…

Ontem foi o meu aniversário, o primeiro em cinquenta e dois anos, que passei sem o Homem da minha vida – como poderia eu dizer alguma palavra?

É tão difícil!

E, no entanto, é como diz a canção:

«Il faut savoire encore sourire
Quand le meiller s’est retiré (…)»

«Et devant le bonheur perdu
Il faut savoir cacher ses larmes (…)»

« Il faut savoir cacher sa peine
Sous le masque de tous les jours (…)»

« Il faut savoir rester de glace
Et taire un cœur qui meurt déjà (…)»

«Il faut savoir garder la face (…)
Il faut savoir mais moi

Je ne sais pas!»




terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Hoje é o aniversário do Rei!

Elvis Presley nasceu em 8 de janeiro de 1935. Faria hoje 84 anos.

E eu, fiel aos meus hábito, deixo aqui mais um pequeno tributo ao Rei. 

Atendendo a que não posso - não devo - lembrar todos os anos o «Are you lonesome tonight?» que é a minha preferida de todas as que ele cantou - deixo uma bela canção de 1956 que também sempre me encantou - «Love me tender»

(Sou uma romântica, que se há de fazer?!...)



sábado, 10 de novembro de 2018

Mais um lugar comum...


A internet está cheia de lugares comuns. Não desses em que estais pensando “viver um dia de cada vez”, “dar a volta por cima”, “é complicado”, “basicamente”, “então é assim” – e tantos, tantos outros.

O lugar comum a que hoje me refiro é de outro teor. Nos blogs e no facebook, pululam mensagens de real e profunda tristeza que dizem: «Pai, partiste há [tantos] anos…» ou «Faria hoje [tantos] a minha querida mãe/o meu querido pai partiu…»   

Temos, de facto, uma enorme necessidade de expurgar a saudade, o vazio que nos ficou na alma (e no espaço físico que é bem mais visível) e por isso expomo-los aos olhos de todos, talvez com a esperança de que as palavras carinhosas de retorno nos aliviem o coração (ou nos envaideçam o ego, sei lá!)

Pois hoje é dia de ser eu a vir aqui plantar mais um desses lugares comuns: a minha mãe foi, de certo, a pessoa que mais marcou a minha vida e, se bem que tenha partido inesperadamente há trinta anos, nem por um só dia deixo de me lembrar dela. E tantas vezes, ao fim da tarde, sinto aquela vontade de lhe telefonar como fazia todos os dias quando a deixei sozinha em Sintra para finalmente vir viver a minha vida de mulher casada.

Pois é: faria hoje anos – muitos, mas não posso esquecer que tão cedo partiu…

Parabéns, mamã. Tenho muitas saudades tuas.




terça-feira, 6 de novembro de 2018

No aniversário de Sophia



Nascida no Porto em 6 de novembro de 1919, faria hoje 99 anos a voz helénica que sempre se elevava contra todas as injustiças do seu tempo.

Aqui fica um dos seus poemas sempre belos e atuais.

Com Fúria e Raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Aquilino Ribeiro (1885-1963)

E porque passam hoje, 13 de setembro, 133 anos sobre o nascimento do grande autor de O Malhadinhas, deixo aqui o excerto de um texto de Baptista-Bastos sobre o grande Homem que foi Aquilino.



«Para Aquilino Ribeiro, a questão essencial do homem sempre foi a questão da liberdade. E a relação do grande escritor com Portugal teve em constante cuidado a ausência dessa dimensão e a exigência de um compromisso moral em combater essa ausência. E, também, na defesa da razão, na crença no progresso e no poder da palavra. A obra vasta, poderosa e singular do autor de A Casa grande de Romarigães constitui o mais fascinante quadro poliédrico da realidade portuguesa. Na História, nas fontes medievais, nas ficções, nos ensaios, nas polémicas ele procurou uma espécie de «modernidade» sem deslocação temporal que identificasse a passagem do catecismo religioso para as diversas outras formas de autoritarismo concebido como a mais atroz forma de atraso.

É um momento sem par na cultura portuguesa, em que a ética do empenhamento se associa à estética funcional do trabalho literário. A vastíssima galeria d personagens aquilinianas é uma avaliação do que somos e do que fomos. E o que impõe a distinção desta obra a todas as outras, suas contemporâneas ou precedentes, é a poderosa persuasão de cada um seguir a sua consciência e de não desistir de conquistar a sua própria liberdade. (…)

O grande autor desta biografia-crítica [O Galante Século XVIII – Textos do Cavaleiro de Oliveira] passou a vida a correr riscos, a afrontar os poderes, a denunciar a mentira, a fustigar a hipocrisia. Desprezava os escreventes de vários matizes que desonravam a Imprensa e a literatura. Quando foi imperioso, colocou de lado a pena e empunhou o trabuco. (…) As relações de domínio tão bem expressas por Aquilino, podem ajudar-nos a refletir acerca da natureza do poder e da tendência do poder (qualquer que ele seja) para o autoritarismo. É preciso, pois, não temer o tirano. É preciso protestar contra a servidão. É preciso resistir: resistir é uma forma superior de sobrevivência, e sobreviver é permanecer enfrentar as contínuas tentativas de degradação da condição humana.

Aquilino Ribeiro ensinou-nos a liberdade.»

Baptista-Bastos, Julho 2008

sábado, 1 de setembro de 2018

Parabéns, António Lobo Antunes!

António Lobo Antunes, o nosso melhor escritor vivo, (digo eu...) completa hoje 76 anos de vida e não para de publicar romances.

Acabei há poucos dias a leitura de "Para aquela que está sentada no escuro à minha espera" e só vos digo que é um belo pedaço de literatura! Um emaranhado de memórias, de pedaços de vida de uma quantidade de personagens dado pelo pensamento silencioso de uma narradora que sofre da doença de Alzheimer e que não fala mas observa e recorda - sem nunca se perder o fio à meada, sem alguma vez deixar um fio solto. Um espanto de corrente de pensamento que não nos deixa interromper a leitura e que, embora algo deprimente, termina num imenso jorro de luz. 

Muito bom! (como todos os outros romances que dele li)

Pelos longos anos de vida plena que tem vivido e pelos muitos milhares de páginas de excelente escrita com que nos tem premiado, parabéns, António Lobo Antunes!




quarta-feira, 23 de maio de 2018

Parabéns, Professor Eduardo Lourenço!




O Professor Eduardo Lourenço, grande pensador, filósofo, ensaísta, conhecedor da cultura e da literatura portuguesas, figura ímpar da cultura portuguesa e europeia, completa hoje 95 anos.

Como “prenda de aniversário”, a produtora Longshot resolveu convidar o realizador Miguel Gonçalves Mendes «para dirigir uma equipa de exigência cinematográfica que, num ambiente de extraordinária beleza (Bussaco) pudesse captar a essência do extraordinário pensamento do ‘ator de si próprio’, Eduardo Lourenço.»

O “Labirinto da Saudade”, adaptação da obra homónima, é um ensaio documental narrado pelo próprio Eduardo Lourenço que percorre os espaços da sua memória e da própria história e identidade portuguesa, em busca da resposta do que é, afinal, isto de se ser português.

Manuel Halpern, o conhecido crítico de cinema, diz o seguinte acerca do filme: «Lídia Jorge faz de telefonista, Siza Vieira de barman, José Carlos de Vasconcelos de amigo. Em O Labirinto da Saudade, cada um desempenha o seu papel. E estes são apenas alguns exemplos. Porque neste inesperado elenco de atores de ocasião também fazem parte Ramalho Eanes, Jorge Sampaio, Pilar del Rio, Gonçalo M. Tavares, Ricardo Araújo Pereira, Gregório Duvivier, entre outros. O próprio Eduardo Lourenço vagueia por aquele mundo onírico, que funciona como uma viagem dentro da sua própria cabeça.» (…)

Acerca do filme, o homenageado, na sua imensa simplicidade, disse: «Nunca imaginei na minha vida ser ator de mim próprio. Obrigado, Miguel. Isto foi uma das grandes surpresas da minha vida, tudo isto. Que não sei bem o que é: uma espécie de ficção – uma ficção encantatória – diria, para me dar algum releve antes de me ir embora. Ou uma espécie de requiem.» (…) «Tudo foi uma ventura. Uma aventura sobretudo para uma pessoa, como eu, que nunca procurou a ribalta nem gota dela.»

O filme vai passar em antestreia hoje, dia 23, pelas 21 horas na RTP1. Não percamos!

https://www.comunidadeculturaearte.com/o-labirinto-da-saudade-documentario-sobre-eduardo-lourenco-estreia-na-rtp1/


quarta-feira, 9 de maio de 2018

Für Elise, a minha neta

A minha neta Elisa fez hoje onze anos. Na escola e a estudar para o teste de Ciências que tem amanhã lá se lhe passou o dia.

A prenda da avó lá lhe foi ter e no fim de semana iremos às compras - vaidosices de mulheres...

Entretanto, aqui fica uma prenda "cultural" para a homenagear, explicando que foi por isto (e pela Eliza Doolittle do filme My Fair Lady) que ela tem o nome que tem - Elisa.







sexta-feira, 13 de abril de 2018

Mais uma Carneiro de peso...

Montserrat Caballé, nasceu em 12 de Abril de 1933 em Barcelona. Mais uma Carneiro de grande nível...

Fez ontem 85 anos, mas abandonou o palco aos 80 anos.

Nunca poderemos esquecer a maravilhosa canção Barcelona espetacularmente interpretada pela famosa cantora lírica e pelo espantoso Freddie Mercury cantada pela primeira vez em Maio de 1987 durante uma festa no "Kou Club" em Ibiza para comemorar a aprovação de Barcelona como sede das Olimpíadas de 1992. 

Seria a última vez que Freddie cantaria em público.





domingo, 8 de abril de 2018

Nascido a 8 de Abril

Vejam como o mês de Abril produz gente de valor e de arte!

Jacques Brel, (1929 - 1978) o poeta cantor belga dos idos de 50/60, nasceu em Bruxelas, num dia 8 de Abril, há já 89 anos. 

A sua canção mais conhecida foi, sem dúvida, Ne me quitte pas, uma pungente canção de amor, publicada em 1959, motivada pela sua separação de Suzanne Gabriello, cantora e atriz com quem o cantor manteve uma ligação amorosa.





Esta lindíssima canção de amor correu mundo e foi recriada por cantores de renome como Edith Piaf, Frank Sinatra, Barbra Streisand, Ray Charles, Maysa, Michael Jackson, Celine Dion, Nina Simone, e sei lá mais por quem...


Deixo aqui a versão de Sinatra, que muito me encanta. E a versão portuguesa, por Simone de Oliveira, com letra maravilhosamente adaptada pelo poeta David Mourão-Ferreira, a qual vai transcrita em baixo.

Espero que gostem.










Não me vás deixar
importa esquecer
trata de esquecer
o que há-de passar
esquecer o tempo
dos mal-entendidos
e o tempo perdido
em busca do vento
esquecer de vez
o que sem parar
nos tenta matar
com tantos porquês
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Por mim te darei
pérolas de chuva
dum país sem chuva
que nem água tem
deixarei tesouros
depois de morrer
para tudo te encher
de luzes e de ouro
um reino farei
onde a murmurar
de sempre te amar
só tu serás rei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Não me vás deixar
inventar-te-ei
palavras que nem
se podem escutar
e falar-te-ei
de quem por amor
destrói o terror
de todas as leis
e a história de um rei
morto de pesar
por não me encontrar
também encontrei
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Já mesmo se viu
do fundo de um mar
que nunca existiu
o fogo brotar
acontece enfim
um campo queimado
dá um perigo mais grave
que o melhor Abril
e ao cair da tarde
vão-se misturar
sob o céu que arde
tantas cores aos pares
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Não me vás deixar
nada te direi
nem chorar já sei
vou ali ficar
dali te verei
dançar e sorrir
e escutar-te-ei
a cantar e a rir
até me sentir
sombra de uma sombra
que há na tua mão
sombra do teu cão
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar






sábado, 7 de abril de 2018

A Taça de Chá

(daqui)


O luar desmaiava mais ainda uma máscara caida nas esteiras bordadas. E os bambús ao vento e os crysanthemos nos jardins e as garças no tanque, gemiam com elle a advinharem-lhe o fim. Em róda tombávam-se adormecidos os idolos coloridos e os dragões alados. E a gueisha, procelana transparente como a casca de um ovo da Ibis, enrodilhou-se num labyrinto que nem os dragões dos deuses em dias de lagrymas. E os seus olhos rasgados, perolas de Nankim a desmaiar-se em agua, confundiam-se scintillantes no luzidio das procelanas.

Elle, num gesto ultimo, fechou-lhe os labios co'as pontas dos dedos, e disse a finar-se: --Chorar não é remedio; só te peço que não me atraiçoes emquanto o meu corpo fôr quente. Deitou a cabeça nas esteiras e ficou. E Ella, num grito de garça, ergueu alto os braços a pedir o Ceu para Elle, e a saltitar foi pelos jardíns a sacudir as mãos, que todos os que passavam olharam para Ella.

Pela manhã vinham os visinhos em bicos dos pés espreitar por entre os bambús, e todos viram acocorada a gueisha abanando o morto com um leque de marfim.

A estampa do pires é igual.

(Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1')




Porque Almada nasceu num dia 7 de abril, faz hoje 125 anos.


(daqui)

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sete rosas vermelhas

Recebi hoje estas sete lindas rosas vermelhas.

Uma por cada década de vida...




Vamos ver se dá para receber ainda mais uma por outra década... Ou estarei a pedir de mais? 

«É acreditando nas rosas que as fazemos desabrochar.»

Anatole France

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Oitava temporada

Até parece que vou falar das novelas da TVI com as suas intermináveis temporadas. Mas não! 

A oitava temporada é aqui no meu blog... Quer isto dizer que ando aqui há já oito anos a "moer-vos o juízo" e estou para continuar, com altos e baixos, sei lá até quando.

E, a propósito da "oitava", lembrei-me daquela anedota muito velha, do tempo dos discos pedidos na rádio . Era o programa «Quando o telefone toca» - quem se lembra? «Senhor Joaquim Pedro, posso dizer a frase? (era a frase publicitária) Posso pedir um disco?»

Ora um dia, telefonou para lá um senhor a pedir para tocarem o disco «oitava». Mas o Senhor Joaquim Pedro não conhecia esse disco e teimava: «será mesmo oitava? Não conheço! Pode cantar um bocadinho para eu ver se conheço?»
E aí, o ouvinte, tímido, cantou: «Oitava na peneira, oitava peneirando, oitava no namoro, oitava namorando»...

Para vos avivar a memória e para celebrar a entrada na minha oitava temporada, aqui fica este belo forró nordestino de Waldemar Henrique (anos 40 do século passado) pela voz do célebre Luiz Gonzaga.




sábado, 24 de fevereiro de 2018

David Mourão-Ferreira



(24 de fevereiro de 1927 – 16 de junho de 1996)

Faria hoje 91 anos.

Em jeito de homenagem, fica aqui mais um dos seus extraordinários poemas.


Casa

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior do que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores, cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que sem voz me sai do coração.

(David Mourão-Ferreira, Infinito Pessoal, in Obra Poética, 2006.)