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sábado, 23 de setembro de 2017

La Mer

Não obstante ter-se dado ontem ao início da noite o equinócio de outono, o tempo aqui em Leiria continua a ser de verão ameno durante o dia embora as noites sejam já algo frias - com mínimas de 9 -10 graus.

Hoje o mar estava lindo ali no Pedrogão e havia turistas de países da Europa lá de longe com as suas caravanas estacionadas sobre o mar, desfrutando o nosso belo Sol e a cor azul do nosso mar com aquele cheiro a maresia tão caraterístico  aqui do Oeste.






Não há como não lembrar a belíssima canção francesa...




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ao Verão

Ainda o Verão com a sua aura de beleza luminosa, apesar dos seus dias mais curtos, das suas noites mais frescas, apesar de ser já Setembro.

Ao Verão

De frutas e de azul, que doirada mistura!
Eu já vira este corpo…Aonde, se não fora

a minha juventude? Assim eu a sonhara:
quisera, em sua face, a minha tresmudada!

Quão errado cresci! Outra foi a escultura
que o destino preferiu… - Mas o Verão continua

a criança que fui, paciente, a exumar
o templo da Beleza, oculto ao pé do mar.

(David Mourão-Ferreira, Obra Poética, p. 103)




quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eu temo muito o mar

Eu temo muito o mar, o mar enorme,
Solene, enraivecido, turbulento,
Erguido em vagalhões, rugindo ao vento;
O mar sublime, o mar que nunca dorme.

Eu temo o largo mar, rebelde, informe,
De vítimas famélico, sedento,
E creio ouvir em cada seu lamento
Os ruídos dum túmulo disforme.

Contudo, num barquinho transparente,
No seu dorso feroz vou blasonar,
Tufada a vela e n'água quase assente,

E ouvindo muito ao perto o seu bramar,
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente,
Escarro, com desdém, no grande mar!

Cesário Verde

Este soneto - "Heroísmos" - de Cesário Verde foi-me dado a conhecer pela leitura do livro «Que Importa a Fúria do Mar» de Ana Margarida de Carvalho (os romances desta mulher estão a pôr-me doida este Verão!)

As quadras do soneto fazem parte da epígrafe de um dos capítulos do livro referido e logo me encantaram, embora os tercetos inflitam para o heroísmo dos Descobrimentos portugueses. Talvez por isso a escritora tenha optado por transcrever apenas as quadras para a dita epígrafe.

Ela própria descreve o mar desta forma simbólica, quimérica:

«Porque isso é o que recorda com mais força, e dor, e sufoco. Aquela opressão do mar. Era o seu pesadelo recorrente, aliás. De repente, via-se na praia, pés ma areia molhada, e um mar de cordeirinhos mansos, espuma benigna, vinha roçar-lhe as pernas, só docilidade com sal, mas o caudal engrossava, engrossava, quando a onda regredia ela era arrastada até cair, mãos cravejadas na areia, a ser puxada e engolida no turbilhão doido. (...)


O mar é como tu, mãe. Sem remorsos.» (p. 136)





sexta-feira, 17 de julho de 2015

O que eu gosto deste mar!!

Não há dúvidas quanto ao facto de ter ficado apaixonada pela calmaria e pela temperatura do mar do Algarve desde quando, pela primeira vez o vi e o experimentei vai para 44 anos. 

Nada e criada nos "mares" da Linha, lá na minha praia de Algés dos anos 50, e de Santo Amaro de Oeiras e da Torre, e autodidata da natação, não me vejo de bom grado frente ao mar da Vieira ou de S. Pedro de Muel com as suas águas frias  e aquelas ondas alterosas, apesar de toda a sua beleza imensa.

Há uma semana que estou aqui nesta paz de alma, com a praia aqui por baixo e com aquele mar sereno e limpidamente verde,

                                «Diz-me onde te perdes, p'ra t'ir lá buscar
Meus olhos estão verdes de olharem para o mar!!»

...e daí não passei ainda: "de ter os olhos verdes de olharem para o mar»...

É que eu aprecio mais este mar.... amplo, sem ondas, sempre com a mesma temperatura, sem pedras na areia, sem limos nem algas, sem sobressaltos na entrada, nem recuos na saída... - uma delícia!!!  (especial para  "dondocas" preguiçosas, feito eu.... eh eh eh.....)











domingo, 29 de março de 2015

As cores do pinhal

Que surpresa ver o pinhal vestido de amarelo! Parece-me que nunca me tinha aparecido com este viço todo! 

Lindo de mais - parece-me. Não é o mesmo que ver ao vivo, mas dêem uma espreitadela.
















E depois as dunas - impassíveis, intocáveis.






E o mar. Soberano. Eterno. A lembrar-se de D. Dinis...







domingo, 16 de novembro de 2014

Dia do Mar

Para celebrar aqui o Dia Nacional do Mar, roubei umas fotos aqui, uns poemas ali e uma canção além e pronto! Já está!




(roubadas ao meu amigo António Filipe Matias)


MAR SONORO
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que suponho
Seres um milagre criado só para mim.


LUSITÂNIA
Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.

(roubados a Sophia de Mello Breyner)



(roubado à Dulce Pontes)


Se bem que goste muito mais da versão original (quem diria, não é?!)




domingo, 2 de novembro de 2014

Barcos da Vieira

Não resisto aos barcos de pesca da Vieira. Fazem parte do imaginário da minha infância. 
Fiquei, tinha os meus sete anos, absolutamente marcada pelo colorido, pelo tamanho que me parecia desmedido, pela quantidade de remos que os movia, pela alta quilha viking dos barcos que, cheios de homens, se faziam àquele mar alteroso e medonho. 

E aquele vigor brutal das mulheres que, com os seus canos de lã, e com uma força que iam buscar não sei onde, entravam mar adentro para puxarem, com a ajuda das juntas de bois, as redes e os próprios barcos. Não esqueço o barulho do mar e a toada dos homens e das mulheres (que ainda sou capaz de trautear) naquele trabalho ingente de tirar os barcos do mar, cheinhos de peixe!

Eram assim.





Agora restam as miniaturas. E, mesmo a essas, dificilmente resisto.  Vi-as na Junta de Freguesia.






Também são o ex-libris da praia.



Apetece relembrar o poema

«Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal...»


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Olá, Agosto!

«Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno» - dizia todos os anos a minha avó. E, se estivermos com atenção, os dias já começaram a tornar-se um tudo nada mais curtos.

Apesar de o tempo de hoje também não ter sido, nem de perto nem de longe, tempo de Verão ou de praia, deixo aqui uma imagem poderosa do mar numa bela praia deste lindo país que é o nosso.

Serão capazes de adivinhar de que praia de trata?




sexta-feira, 16 de maio de 2014

Azul, azul, azul



Azul, azul, azul, o mar fraqueja
Em orlas brancas pela praia fora.
Só esse som, alegre e antigo, rumoreja
No lúcido silêncio desta hora.

O mais — quietude, e no horizonte ralo
Um nevoeiro ou bruma ou ilusão
Que é como que um inútil intervalo
Do amplo azul que céu e águas são.

Sossega em mim, de ver, de ver, de ver,
Essa intranquilidade, a mágoa antiga
Que vem de se sentir viver,
Que vem de não poder querer
E de não ter uma alma nossa amiga.

Ah, mas essa dor,
Cheia de consciência do mutável
Da pobreza da vida e do amor
É tão antiga como o mar
E tem marés,
Cessa para recomeçar
Mais uma vez.

(9 - 3 - 1935
Fernando Pessoa)

domingo, 20 de abril de 2014

A ver o mar

Hoje deu-nos para ir ver o mar. Que lindo estava o mar! E uma constante atração, o mar.


«Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!» 



Pode não ser a bela Ponta da Piedade, mas bela é também...









Promontório de lendas e de mitos



De construções antigas 





Mas se não vos desse uma "dica" não saberiam do que tenho estado a falar... Ou saberiam?




A onda do McNamara é que não estava lá...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Saibo-me a sal...

Hoje:

«O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.»

(A. Gedeão)


É que fomos espreitar o mar que estava mesmo muito furioso e, juntamente com o vento forte que se fazia sentir, levámos, mesmo à distância, com os salpicos da água e da espuma na cara. 

Vejam como a fúria do mar tem engolido as praias! 


Pedrogão

Pedrogão

Praia da Concha

Penedo da Saudade

Junto ao Farol de S. Pedro


«Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.»

(F. Pessoa)

sábado, 11 de janeiro de 2014

Descubram as diferenças!

Não passou ainda uma semana e hoje já não se dava conta de nada!

Num dia de quase Primavera, o mar hoje em S. Pedro estava lindo! Azul, brilhante e algo convidativo. 

Vejam que diferença!







Na semana passada esteve assim.






A casa do poeta Afonso Lopes Vieira é sempre a primeira a oferecer o «brando peito às salsas ondas»...


«Meu sangue é português,
minha pele é morena,
minha graça a Saudade,
meus olhos longos de escutar sem fim
o além, em mim...

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar»


De "Ilhas de Bruma", Afonso Lopes Vieira


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Há mar e mar...

E este mar que de Norte a Sul nos acaricia e lambe como cordeirinho a sua mãe, fonte de toda a nossa vida e história, espelho da nossa dor e das nossas alegrias, corola de toda a nossa poesia, hoje, ali no recanto do poeta do país lilás, das ilhas de bruma, esteve assim.












(imagens retiradas do facebook)


(...)
Mar tenebroso!
Mar fechado e rugoso
Sobre um casto jardim adormecido!
Mar de medusas que ninguém semeia
Criadas com mistério e com areia
Perfeitas de beleza e de sentido!

Vem a sede da terra e não se acalma!
Vem a força do mundo e não se doma!
Impenitente e funda a tua alma
Guarda-se no cristal de uma redoma.
(...)


(De “Ode ao Mar”
Miguel Torga, 1946)


E para verem melhor a fúria do mar, ainda acrescento um pequeno vídeo.