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sexta-feira, 21 de março de 2008

Daqui e dali... Rui Guerra

FILHO ÉS, PAI SERÁS!

Dizia-me um dia um professor que, para melhor compreendermos os outros, deveríamos tentar antes colocarmo-nos no lugar deles. Só assim seríamos capazes de entender melhor as motivações dos seus sentimentos e actos.
Anteontem foi mais um dia, talvez como um outro qualquer, em que muitas famílias se juntam em paz, harmonia e amor para celebrar a Páscoa, mas chamaram-lhe o Dia do Pai. Como sempre e já habitual, nos dias de algo, o sentido comercial prevalece e, vistas assim as coisas, quase perdem o sentido: - “Não fora um beijo da minha filha, uma mensagem via telemóvel do filho e o dia terminava normalmente!”
Mas, tocou-me a reportagem que uma televisão nos mostrou à noite, na qual um alto responsável policial da zona norte relatava, com um sentimento de profunda tristeza, o registo de vários casos de agressões físicas de filhos a pais, resultado de um estudo realizado na zona de Viana do Castelo, de Janeiro a Fevereiro deste ano.
Impressionaram-me não os números que ele forneceu ao jornalista, mas a atitude profundamente sentida, mais como filho do que como polícia – um homem ligado a uma vida dura dada a poucos sentimentalismos que fez também um sincero apelo a todos os filhos para que estimassem e respeitassem os pais. Pelo menos, enquanto eles se mantivessem entre nós. Fazia-o falando com saudade do seu pai que já tinha partido do mundo dos vivos. Quase a chorar, pedia que tais sistuações de violência de filhos para pais não acontecesssem.
Tentemos nós então viver cada uma destas situações, colocando-nos no lugar dos outros e num outro tempo. Hoje filhos, julgamos apressadamente e violentamos os nossos pais. E quando formos pais, como será?
Pois pensem bem, que a velha sabedoria popular ainda nos dá lições de vida – Filho és, pai serás!
Pensem nisto e uma Páscoa Feliz!

Rui Guerra
(Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Ditadura das Tv´s, sem leitura! Que futuro?

As aulas começaram e entre polémicas e críticas os nossos jovens, regressam aos bancos da escola.
E para quê? Acreditamos todos, que para se prepararem melhor para o futuro e como cidadãos deste pais e do mundo com o seu saber ajudarem a construir um planeta melhor.
Aos que me ouvem dirão uns: verdade! Dirão outros: palavras leva-as o vento! Direi eu: correcto as duas coisas! Mas o que na verdade consubstancia o meu pensar é que um país sem cultura, sem conhecimento, sem civismo e respeito pelo ser humano e pela natureza não tem futuro.
Na verdade, a escola pode e deve ter um papel fulcral na prossecução destes objectivos claramente secundado pela família, onde os pais têm o papel cada vez mais difícil da sua presença ou ausência, a sociedade e a comunicação social.
Mas aos jovens tem que ser incutido o gosto, a vontade, pelo saber e conhecer o mundo que nos rodeia. E aqui lembro o quão é importante a leitura abundante, que lhes permite dominar o entender e o fazer-se entender!
Sem pretensões a mostrar caminhos a quem, por mérito ou não, está nos locais apropriados criando projectos, no sentido de se conseguir esse desiderato tão importante e tão falível na sociedade portuguesa do conhecimento, humildemente proponho em traços gerais, dever fazer-se tudo para alterar essa situação na sociedade portuguesa.
Assim sendo pergunto eu: como pode um aluno assimilar o conteúdo de um texto qualquer de história, geografia ou doutra matéria, se mesmo lendo com atenção, não entende o que leu, quantas vezes mesmo desconhecendo o significado e enquadramento das palavras mais simples? É obvio que por muito que o jovem estude, nunca o resultado será o minimamente desejável.
Em conclusão, a liberdade nos órgãos de comunicação social é imprescindível, mas nem por isso deixo de entender, devem os governos legislar, impor se quiserem, algumas limitações e programações e respectivos horários, que só prejudicam o saudável crescimento dos jovens, devendo também programas (que sei não batem recordes de audiência), mas ajudassem a nossa sociedade, especialmente os jovens, a entender-se melhor em português. E não me venham alguns com o argumento de que os filhos só vêm nas tv´s o que os pais deixam ver, o que também é verdade. Mas só para aqueles pais, cuja vida lhes permite acompanhar os filhos à noite em casa. Todos sabemos que há muitos pais fora, cujos horários de trabalho não lhes permite tal tarefa, daí entendo eu, o estado tem que assumir esse papel fiscalizador, sem dó nem piedade, em prol dum futuro melhor para os nossos jovens, logo para o nosso país.

Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

A figueira das Paulas

Chegamos ao final de mais um ciclo. O Verão a despedir-se e o Outono a anunciar-se. É uma abundância de frutas quantas vezes esquecidas nas árvores campos fora, suplicando a quem passe “tirem-me daqui”. Mas outros tempos estão aí, e hoje é normal ver-se frutos da terra a apodrecer no campo. Dizem uns: "não vale o trabalho!" Na verdade já nada é como antes.
E este entróito meus amigos, serve apenas para vos falar de figueiras e figos, especialmente figos “pingo de mel”. É que por estes dias apanho autênticas barrigadas, dos ditos figos, que estão mesmo à mão de semear, em frente à porta da cozinha e no quintal dos meus sogros. Lá está uma dessas figueiras, que abastece grandemente a família em cada final de Verão. É um consolo e uma fartura. Como se diz. Directamente da árvore para o estômago. Nem mais e sem químicos ou outro qualquer infestante – apenas a árvore, a terra e água ao toro.
Mas os figos pingo de mel, fazem-me sempre recuar no tempo até à minha infância feita de muitas traquinices e ás barrigadas dos ditos figos que as colheitas clandestinas me proporcionavam, naquela grande figueira situada em pleno pomar das “Paulas” entre a casa destes e os Bombeiros.
Assim logo pela manhã bem cedinho, ou então lá para o final de tarde, sorrateiramente me esgueirava e empoleirava, colhendo os maiores e bem madurinhos à esquerda, à direita, onde os meus jovens braços chegassem. Gozava esta aventura sempre sozinho e empanturrando-me todos os dias desses fantásticos fogos. Eram até bem maiores do que todos os outros que então conhecia. O meu pomar era ali, no pomar das Paulas, bem ao "ladinho" dos bombeiros.
E, como um felino, ao mais pequeno ruído ali ficava quieto imobilizado, com o corpo bem colado ao grosso tronco, para melhor me esconder e segurar. Era a empregada das Paulas, que vinha cá fora, ao terraço ou um qualquer empregado agrícola, mas nunca ninguém deu por mim. Excepto quando não fui sozinho e resolvi partilhar este meu segredo com outros amigos. Aí os meus convidados para o banquete não eram amigos do silencio e estragavam tudo. Do mal o menos o capataz corria connosco. Então só havia que deixar passar algum tempo, assentar a poeira do esquecimento porque o capataz tinha mais que fazer outras lides do campo.
Ao fim de uma ou duas semanas, lá estava eu sorrateiramente, agora outra vez sozinho, ao meu banquete de final de Verão – ementa de figos pingo de mel. Por vezes acompanhados com um naco de pão do forno, que momentos únicos da minha infância.
Quantas vezes e como eu não me juntava ao resto do rancho de filhos para o pequeno almoço, lá me chamava a minha mãe da janela e ainda de barriga cheia de figos, dava também uma ajuda ao pequeno almoço familiar.
Esse pomar já não existe o cimento tomou conta desse espaço, mas por sinal a figueira ainda lá continua viçosa e com bons figos. E eu matando saudades na figueira do quintal dos meus sogros.


Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Sacrifícios

Sei que me vou repetir, mas sinceramente nunca será por demais repetir ou salientar aquilo que de bom ainda vai acontecendo País fora.
A situação económica do País, todos sabemos é péssima há já muitos anos a esta parte. Infelizmente não parece dar sintomas de melhorias. Apesar das muitas restrições e reduções no que a despesas públicas respeita, especialmente na sua grande maioria com reflexos na vida de todos nós (mas assumidamente sobre os funcionários públicos deste país), os olhos “justiceiros” dos nossos governantes são os principais senão os únicos culpados das maleitas da Nação.
Posto isto e como é fácil constatar que o apertar do cinto não é para todos e há gente na administração pública que continua a usufruir de todas as mordomias, é sempre de louvar quem delas abdica voluntariamente, em prol do bem comum e da comunidade em geral.
Os administradores do Hospital Pedro Hispano em Matosinhos, que por direito próprio consignado na lei, poderiam ter viatura de serviço, cujo encargo total custaria ao erário público umas centenas de milhar de euros, entenderam aplicar esse dinheiro na aquisição de equipamentos de saúde fundamentais para socorro dos doentes da área da neurologia.

Este é o exemplo claro de que o exemplo deve vir de cima, administradores, gestores políticos etc.

Só assim terão força moral para exigir sacrifícios ao cidadão comum. Doutro modo é como pregar no deserto e as suas palavras ocas apenas causam revolta e tristeza.
Assim o País real não avança porque os cidadãos não acreditam, não confiam nos seus dirigentes.

Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Intempérie
Em má hora neste final de Agosto, abateu-se sobre as gentes do Arco, Seixo e Samões uma triste realidade; uma partida do tempo, num amanhecer de Domingo, surpreendeu a todos com pedras de água do tamanho de ovos, provocando danos materiais nas viaturas que se encontravam na rua e destruindo culturas nos campos. Era granizo em tamanho destruidor.
Um amigo do Arco telefonou-me, falando-me da gravidade da situação nessa aldeia, por solidariedade ali me desloquei, nunca pensando que teria sido diferente do que aconteceu em Vila Flor. Mas, na verdade fiquei incrédulo, nunca tal tinha visto. Tirei algumas fotos e não será demais dizer que relativamente ao olival e amendoal, 70%, 80% da colheita estava no chão, abóboras, melões, maças, ameixas e outros frutos, trilhados das pedradas de gelo caídas do céu, muitos vão apodrecer na árvore, antes da colheita.
Isto é apenas um pouco da realidade constatada no terreno.
Já na povoação cruzei-me com gente conhecida, que estava posso dize-lo, em estado de choque, aliás toda a aldeia assim estava. As pessoas pareciam sonâmbulas deambulando de um lado para outro, profundamente tristes.
Este cenário físico e humano, torna-se mais evidente porque os campos do arco, são talvez das terras que eu conheço, cuidadas com mais carinho e zelo. Vai-se campo fora, não se vê uma erva, toda a terra foi trabalhada, quase sempre sem químicos e quantas vezes com força braçal pelos donos e família, ou através de torna geira e ainda da ajuda de animais.
Toda a zona envolvente ao ribeiro, é um regalo de hortas viçosas e pomares, para sustento da casa. As vinhas e olivais alem de fornecerem toda a família, são também quantas vezes, já com clientes fiéis, ano após ano, um suplemento para a economia familiar, que esta gente laboriosa, já não consegue dispensar.
Assim conseguem ter um nível de vida razoável, porque além de cuidarem do amanho das terras por eles próprios, apenas e tão só nas horas livres, porque todos trabalham em Vila Flor ou arredores. São muito competitivos entre si, mas exemplares no que a trabalho respeita, mas é assim que se toca a vida para a frente. E neste contexto os frutos da terra são-lhe essenciais.
Daí eu compreender hoje bem melhor a relação dessa gente com a terra, e revejo e entendo sobretudo a imagem duma aldeia em estado de choque, na hora, ainda incrédula do que lhes tinha acontecido, no meio de lágrimas e muita aflição.
Hoje volvidos alguns dias, sei que já arregaçaram as mangas. Mas nunca é demais esperar, algum apoio das entidades apropriadas tal como já aconteceu noutras regiões. Espero que se faça justiça porque merecem! Estas são gentes que ainda trabalham verdadeiramente terra e dela colhem os frutos.

Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

domingo, 16 de setembro de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Saúde
Hoje falo-vos sobre saúde. Um dia perguntaram ao Dalai Lama… “o que mais te surpreende na humanidade? "E ele respondeu: - "Os homens… Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde."
Na verdade todos ambicionámos, fortuna, amor e outros bens terrenos. A sociedade actual, cria no ser humano necessidades dispensáveis e dum imediatismo incrível. Esquecemos relegamos para segundo plano, o bem precioso que é a saúde.
Uma ou duas vezes por ano, desloco-me com uma pessoa amiga, a uma unidade hospitalar do Porto. Durante a espera, vou deambulando pelos corredores, cruzando-me com rostos de gentes de todas as idades. Cansado, acabo por me sentar ao lado de doentes em situação de espera. Então aí e duma forma mais atenta, dou comigo a olhar bem fundo, cada um desses rostos, tentando entender o que dizem, a sua linguagem, as suas preocupações e angústias. Na verdade descubro facilmente um traço comum em todos esses rostos. Há entre outros aspectos um que é comum a todos, um semblante de TRISTEZA- lábios colados, pálpebras pesadas, quase fechadas sobre os olhos, que falam em silêncio, onde se lê quais janelas do coração, das preocupações, ansiedade e incertezas, que lhes vão no mais intimo da sua alma.
E vendo esses rostos assustados, penso como seria bom médicos e enfermeiros nada terem que fazer. Por tudo isto e no meio de tantas e tão tristes noticias, que ás vezes recebemos, no que à saúde respeita, não resisto dizer: felizes os que têm saúde, porque quantas vezes não têm noção do bem único que têm.
E quantas vezes e a cada minuto que passa, os horizontes humanos, apenas valorizam a meta bem estar material, somente, quando a saúde nos foge é que lhe damos o verdadeiro valor. Aí sim relegamos então para 2º ou 3º plano, os bens materiais e valores supérfluos, que as Tvs, ou revistas cor de rosa nos vendem diariamente.
Aproveito este espaço, para deixar um apelo aos que tenham por perto amigo ou familiar doente, para que sejam pacientes (sem pieguice), compreensivos e amigos, porque quantas vezes, o apoio amigo e sincero é fundamental na sua recuperação.
Deixo-vos ainda um pensamento, a que me agarro muitas vezes, “é bom ter saúde para ganhar durante o dia e saúde para o gastar à noite”, ou seja saúde para trabalhar e saúde para o gastar e viver dia a dia, sem maiores horizontes.
Felizes os que assim vivem mas com saúde quanto baste!
Caros leitores passem bem e com muita saúde! É o que vos desejo.

Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

terça-feira, 10 de julho de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Podem chamar-me bairrista, regionalista ou nordestino fundamentalista, mas já estou cansado de constatar que a possível realidade prevista em antevisão há mais de 12 ano por um meu amigo editorialista do Terra Quente, é afinal uma confirmação permanente e em crescendo. As cidades médias, sitas ao longo do eixo viário do IP4 (futura A4) têm já um nível de desenvolvimento razoável e com alguma capacidade atractiva sobre determinada população da região (e não só). Os investimentos ao longo desse eixo, continuam a merecer mais atenção e prioridade para a classe politica nacional. Aqui os representantes parlamentares da região, aplaudem (o possivel arranque da A4), (veja-se noticia do blog).
E então o IC5 e o IP2? Para quando?
É que o sul interior do distrito fica algo longe do actual IP4 (futura A4).
Porque não dar prioridade a estes investimentos (IC5 e IP2) em detrimento da A4?
É tão só uma questão de opcção. Porque não afinal? Lá estão os ultimos serem os primeiros(disse o 1ºM Sócrates). E porque será que nunca ouvi responsável algum da cidade-jardim Mirandela, bater-se pela construção rápida do IPC? Ou algum responsável por Bragança falar quase e tão só das ligações rápidas a Espanha e ao Porto pela futura A4? Porque será? Por vezes o peixe morre pela boca! São por vezes os mesmos,que acusam Lisboa de centralismo. Será que também não há centralismo (ou olhar só para o umbigo) das cidades Mirandela e Bragança, relativamente ao resto do distrito?
Já agora, quando porventura algum serviço público ficar no distrito por "generosidade" dos politicos, que tal admitir ao menos a hipótese de um ou outro não ter que ficar em Mirandela, Macedo ou Bragança? Que tal descentralização também para o distrito? Outras terras há no Nordeste Transmontano que ainda fazem parte integrante deste nosso Portugal. Ou será que não? Sei que nem sempre será possível, mas quando for porque não?
Pensem nisso caros Transmontanos da Terra Quente.
Deixo-vos saudações amigas e já agora boas férias.
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Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Quando serão os últimos, os primeiros, Sr. 1.º Ministro?

E nós Transmontanos, impávidos e serenos assistimos, cá do cimo da montanha, à guerra instalada entre amigos da OTA e amigos da margem Sul, para o futuro aeroporto, que há-de, “aqui del rei”, salvar a Nação de todos os males que a afligem hoje. Quem sabe, talvez sobre algum betão ou asfalto para as estradas, que nos faltam e a que temos direito moralmente, há décadas.
Independentemente dos argumentos de uns e outros, que a mim pouco interessam, tal é o momento de descrença que estou a viver, fiquei atónito, e ao mesmo tempo não, com o “jamais” do Sr. Ministro Mário Lino.
Se quiserem, digam que sou fundamentalista, mas primeiro que tudo em Portugal, fale Português, já basta o que não é evitável, por via do actual mundo global.
Então na margem Sul não porque não há gente, não há estradas, ponte, hospitais, escolas, etc, etc! Por outras palavras, além dos euros a gastar no aeroporto, quereria o Sr. dizer, seria necessário gastar também em futuras infraestruturas diversas, de apoio a muita gente, que por via do aeroporto, iria deslocar-se para essa região, pouco povoada ou desenvolvida?
Pois sem com isto querer que entendam, o assumir de alguma forma de apoio, é antes uma critica clara, ao raciocínio, ao pensamento “lógico”, da maioria da classe politica, que não é de hoje ou ontem. Foi assim e continua a ser – se não há gente para quê, fábricas, escolas, hospitais, caminhos-de-ferro? É ou não assim? Claro que é, e quem manda são os números, as estatísticas que resultam precisamente desta forma injusta e não solidária de pensar, de muitos anos. Claro que não havendo coragem de ir contra a maré, contra o implacável poder absoluto dos números (históricos e fabricados, sempre em prejuízo do interior), governos após governos, nuca mais será invertida esta situação. Então assumam duma forma clara e transparente e perante toda a Nação, a vossa estratégia de concentração inequívoca de investimentos públicos, no litoral e grandes metrópoles, sempre, sempre em prejuízo do interior.

Tenham a coragem de nos dizer, de cada vez que nos visitam (todos os políticos dos partidos que são ou já foram poder): - meus Senhores, vão-se governando com o que têm, porque aqui há pouca gente, (há poucos votos?), racionalmente falando, não é viável este ou aquele investimento nesta região, sabem como é, ainda por cima cada vez há menos gente! (a desertificação). Digam-nos cara a cara, e jamais (não “jamais”), façam promessas repetidas, de cada vez que cá vêm!
Há muitas regiões do País, que se desenvolveram extraordinariamente, por via de investimentos públicos ou privados. E tenho a certeza, não possuíam mais potencial atractivo que as nossas terras, nem gentes mais capazes, porque com os que cá estão, e os muitos que viriam, seríamos certamente capazes, de criar uma região mais rica mais competitiva e capaz de produzir riqueza bastante, para acarinhar os filhos da terra e acolher outros que a demandassem.
Tenham a coragem de cumprir com a frase “os últimos serão os primeiros”, então talvez o destino destas terras, não seja no futuro, uma qualquer coutada de caça, turismo natureza, ou enorme parque natural, para alguns se passearem nos seus 4/4, ou passarem um fim de semana na sua cabana de campo, vindos de uma terra qualquer do litoral.
A verdade dos números é enganadora, porque são apenas consequência da (má) vontade dos homens, que injustamente e ao longo das décadas, abandonaram politicamente a região, investindo aqui tostões e no litoral milhões. E assim, os filhos da terra chorosamente foram partindo, engrossando os números (estatísticas) de outras paragens, em prejuízo da sua terra.
Daí a minha descrença no futuro, oxalá esteja enganado…

Rui Guerra
(Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

terça-feira, 12 de junho de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

O EXEMPLO DEVERIA VIR DE CIMA

Um fim de semana com imensas emoções de carácter cultural, religioso, familiar e desportivo, deixou-me indeciso e confuso neste inicio de semana, daí a diversidade dos assuntos, de que me ocorre falar-vos, o melhor é começar, logo se vê…
Na sequência daquela conversa sobre a Língua Portuguesa, vem mesmo à medida o seguinte: Acompanhando eu a minha esposa em compras ocasionai, que felizmente não aconteceram, e já vos digo porquê, entramos numa loja de roupa para criança, aparentemente de fabrico não nacional. Enquanto por ali deambulava, apercebi-me na publicidade em diversos cartazes coloridos, com 2 ou 3 rostos sorridentes e as seguintes frases: “Hace Amigos” e “Making Friends” e…e o quê? Isso queria eu, mas nada mais consegui ler. Por acaso sei o suficiente em castelhano e inglês para entender, e se não soubesse, a publicidade poderia não atingir o objectivo e não conseguir motivar-me o suficiente para comprar.
Ainda bem que a minha esposa nada comprou para a minha filhota de 8 anos, porque nada de jeito e à sua medida encontrou, mas também e em boa verdade, só lá haviam de comprar espanhóis e ingleses, não merecem compras de portugueses casmurros como eu.
Será que as marcas portuguesas com mercado no exterior, também publicitam os seus produtos em português, ignorando a língua dos locais?
Sou pouco viajado para ter certezas, mas não acredito.
E a propósito falando de viagens: É que o grande o maior exemplo deveria vir de cima, não lá do alto, porque Deus até andou bem atarefado com os seus devotos, todo o fim-de-semana, mas de seres humanos que não são mais do que nós, apenas deveriam sê-lo em responsabilidade, exemplo e conduta cívica. Ou será que os senhores deputados e outros políticos desta nação julgam-se do outro mundo, pois que com o tão apregoado défice, desemprego, funcionários pouco produtivos, etc., etc.?...
Afinal tantas lamúrias para justificar o aperto em que anda toda a nação, desde há vários governos, serve de pretexto para toda a classe política, apontar o dedo acusatório, quais bodes expiatórios de todas as enfermidades da nação.
Mas são estes mesmos senhores deputados e outros afins, autores por vezes de discursos inflamados de bem servir a nação pela causa pública, que abandonam o parlamento, deixando-o sem quórum e antecipando a seu bel-prazer o já antecipado fim-de-semana pascal. Porque é que a vossa tolerância de ponto teve início quarta-feira e não quinta-feira como os demais?
Sejam pois consequentes e coerentes os actos e as vossas palavras. Doutro modo as vossas palavras serão vento que passa e cai por terra algum respeito que o povo ainda vos tem, meus senhores. E já nem falo das faltas constantes ao parlamento dos principais responsáveis partidários.
E quando o exemplo deveria vir de cima, olhamos e vemos um vazio cada vez maior. Assim a democracia está enferma, pode até morrer e vocês serão os seus carrascos.

Rui Guerra (Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Daqui e dali... Rui Guerra

Milhões e Tostões

Se o mar está a destruir as praias de Cascais e Caparica, também a terra abateu debaixo da linha-férrea. Esta cedeu e o comboio caiu ao Rio Tua.
São duas notícias de primeira linha na comunicação social nacional.
A primeira, menos badalada, mas teve a presença de um ministro que, acto imediato, disponibilizou milhões e, foi mais longe afirmando que, depois das obras, a praia de Cascais seria a melhor praia urbana da Europa.
Na segunda infelizmente houve mortes a lamentar, teve meios de busca à americana, não esteve presente nenhum ministro, mas sim o governador civil. Quanto ao mais, só dúvidas e reticências.
Ou seja, dois exemplos, um em Cascais, ao lado de Lisboa, outro no Tua, longe de quase tudo, e em ambas as situações a natureza resolveu contrariar a acção humana, mas com respostas diferentes: - Para as praias de Cascais e Caparica são anunciados milhões no dia seguinte, para a linha do Tua, encerra-se a via-férrea. Claro também com o pretexto da futura barragem da EDP no rio Tua.
Se a construção desta avançar inviabilizando definitivamente a via férrea, mesmo assim, se houver arte e engenho, poderão os concelhos ribeirinhos, retirar do futuro espelho de água criado pela barragem, algumas mais valias turísticas e até financeiras, se bem negociados com a EDP, promotora da obra. Poderão assim os concelhos de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Murça e Alijó, ter uma palavra a dizer nesse sentido. Mas se a via-férrea do Tua, se mantiver com o actual traçado, inviabilizando assim a barragem, continuará em aberto a sua futura exploração, numa perspectiva de desenvolvimento turístico, aproveitando as belezas naturais do seu percurso. Se assim for e a acontecer tal desiderato, nenhum concelho fronteiriço da linha-férrea do Tua está preparado para, desse hipotético desenvolvimento turístico, colher dividendos. Está sim bem preparada para o efeito, a cidade de Mirandela, que sendo final de linha, significaria ocupação hoteleira, da restauração, e até a realização de excelentes negócios, na venda dos produtos regionais de todo o nordeste transmontano, nos comércios da cidade, abertos inteligentemente para o efeito, de segunda a segunda.
A terminar e em termos gerais, até concordo parcialmente com o ministro das obras públicas, em fechar o que não é rentável, embora esse não deva ser o único principio orientador dos deveres do estado em facultar, a melhor qualidade de vida possível, aos cidadãos. Mas com base nesse principio, pergunto-lhe então: qual a rentabilidade para os cofres do estado ou empresa pública sob sua tutela, resultante da manutenção mesmo que artificialmente e a custo de milhões, das praias de Cascais e Caparica? Para essas obras há milhões de imediato, assim evita-se o desagrado, de uns quantos portugueses figuras de capa de revista, podendo estes continuar a usufruir de praias à porta das suas mansões.
Afinal não é só João Jardim, que cria e mantém praias artificiais, Só que fica mais barato, não é necessário trazer areia de Marrocos.
Mas digo-lhe ainda Sr. Ministro, eu vi com estes olhos que Deus me deu, e durante quatro anos da minha vida, em que fui utente semanal da linha do Douro e Tua, esta ser completamente abandonada e desinvestida. O serviço prestado, era cada dia pior que o anterior, sabe-se lá, se resultado duma estratégia de debandada dos utentes, para à posteriori justificar o encerramento, por isso hoje mais que ontem, será difícil a sua recuperação. Se tomar banho diariamente, um simples duche resolve uma manhã mais apressada, mas se estiver quinze dias sem se lavar, já custa mais ficar limpo, só de escova e bem rija.
Razão tem o Presidente Eugénio, ao menos uma vez que seja, sejam solidários de coração aberto, e sem olharem a números e estatísticas, com este interior, que também é Portugal.

Rui Guerra
(Do programa Tribuna Livre, emitido semanalmente na Rádio Ansiães)