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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

E mais...


Na verdade, apesar de haver vários pontos de partida e imensas rotas, no nosso país até parece que o Caminho apenas começa no Porto, na Sé.
É a partir daí que se começam a ver as setas amarelas nos postes, nos passeios, no chão, nos muros e os símbolos da concha a indicar o caminho. Além disso é a partir daí que se começam a ver outros peregrinos. A maioria a pé, carregados de mochilas e apetrechos de caminheiro. Existem também fontes com água, igrejas e cemitérios às carradas. 
Não sei explicar esta magia, este sentimento, mas o Caminho é introspetivo e é no Caminho que conseguimos organizar a cabeça e ver tudo mais claro, pensar em resoluções, tomar decisões…
Embora não conheçamos as pessoas por quem passamos, existe no ar o companheirismo, a solidariedade e todos se cumprimentam e soltam palavras de incentivo. Pois o Caminho não é fácil. Passamos por muitas pessoas a arrastar-se, cheias de bolhas nos pés, dores nos joelhos, a coxear e até de muletas. Um enorme sacrifício que por fé, por desafio ou por outra razão qualquer, tantos se dispõem a fazer..
Já em Espanha, encontramos imensos grupos de portugueses e era sempre uma festa. Em chegados à Praça do Obradoiro, as línguas que se ouvem, são dos quatro cantos do mundo. Aquela praça e aquelas ruas à volta estão frenéticas de vida. Ao fundo ouvem-se gaitas de foles, à esquerda um grupo abraça-se, a direita um casal beija-se, uns deitam-se a descansar, outros meditam, outros apenas observam à sua volta.
É a praça onde todos os caminhos vão dar…



Sé do Porto



Leça da Palmeira

Algures num milheiral

Esta não necessita legenda

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Viana do Castelo

Viana do Castelo






Baiona

Baiona

Vigo










Uma espécie de almoço de peregrino :)


No café do PEPE onde levámos uns abraços que nunca mais esqueceremos...

Praça do Obradoiro em Santiago de Compostela

À chegada

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Ei-lo

O pinheiro manso:


Hoje não me disse grande coisa até porque nem tempo tive para olhar para ele. Pareceu-me ouvi-lo sussurrar que as minhas favas guisadas com ovos escalfados eram as melhores do mundo. Fui a correr cozinhá-las, mas já vi que o tipo é muito mentirosos pois cá em casa, além da minha pessoa, ninguém gosta.. :(

domingo, 28 de maio de 2017

Boa tarde Célia

Disse-me uma vez uma das filhas da vizinha da frente que eu fui criada como menina fina e não sabia nada da vida. A Célia, que não vejo há anos, havia já casado pois engravidara ainda adolescente e vivia longe mas tinha vindo visitar os pais. Ora, eu buzinei à Célia não sabendo de quem era o carro que estava estacionado em frente da minha garagem, a mesma onde eu queria entrar e não conseguia porque a Célia lá tinha deixado o carro.
Depois da buzinadela a Célia saiu disparada do portão, parecendo que estava do lado de lá à espera que eu buzinasse para soltar o leão que estava dentro dela. Eu, quando a vi dirigir-se a mim com o cabelo encrespado, o ar tresloucado e a lingua afiada deixei-me ficar à espera, dentro do carro. (Ai não!) Bom, a Célia parecia que tinha ali muita coisa entalada e falava sem respirar. Sim, a Célia, que eu lembrava-me, a que tinha em criança a aparência de um gato assanhado e selvagem, que nunca vinha à rua brincar nem falava com ninguém, mas ali, naquele dia, a lingua soltou-se-lhe e ela falou, falou, falou. De tudo o que disse e que o meu escudo filtrou, ficou-se-me na memória, que eu estava a buzinar-lhe porque fui criada como uma princesa, sim, eu que tinha tido tudo, até uma bicicleta e vestidos aos folhos, eu tinha era a mania que era fina, agora buzinar aos outros, vejam lá bem.
O meu maxilar inferior foi descaindo e ficando boquiaberto  por não compreender que raio de conversa era aquela, eu nem me lembrava que se tive ou não vestidos aos folhos e fiquei sem palavras, o que enervou ainda mais a Célia.
A vizinhança veio à rua e a Célia teve então todos os olhos postos em si com muita atenção, boquiabertos por a ouvirem falar. O trânsito ia-se acumulando atrás de mim que me encontrava no meio da estrada à espera de poder entrar em casa e alguém tentou acalmá-la para que tirasse o carro. Ela lá caiu em si e, a deitar fumo dos pneus, lá arrancou a cento e duzentos à hora e a gesticular ainda até deixarmos de a ver.
Pedi desculpa, entrei na garagem, saí do carro, respirei fundo e pensei: "Boa tarde Célia"

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Minas e armadilhas

Amigos dos animais e das pessoas, quando virem este sinal, tirem um saquinho do dispensador e apanhem os cocós dos vossos bichinhos. Não deixem os passeios, a relva e os locais onde as crianças brincam cheios de minas e armadilhas escondidas ou não e prontas a explodir em alguém perto de si. É que alguém distraído pode pisar, esborrachar, tentar limpar aqui e ali e não conseguir, deixando todo um rasto de cocós por aí e ainda fica com o carro, o calçado e a garagem onde põe o calçado de molho a cheirar muiiitttooo mal.


segunda-feira, 29 de abril de 2013

Gaja Maria enfermeira parteira




Mamãe e Papai foram de fim-de-semana.
Gaja Maria e maridão ficaram encarregues de alimentar a bicharada de papai que mais tarde vai parar aos seus pratos, isto é, galinhas, patos, coelhos….
Isto de viver no campo é muito giro mas enfrentar não sei quantas galinhas doidas esfomeadas e a correr para nós e ainda ficar com os pés cheios de bosta, é giro, mesmo giro… Além disso eu não quero saber de mortes nem de “despenagem” nem de esfaqueamentos, a bicharada vai parar à minha arca e eu… tenho de a comer não é??
Nos entretantos, estava uma galinha para “parir” uns 13/14 ovos e cujo parto estava previsto para Domingo, altura em que Papai já havia regressado.
Mas no sábado de manhã, deu-se o parto prematuramente.
Mãe galinha ficava toda nervosa e eriçada cada vez que eu tentava chegar perto.
O que fazer??
Mamãe foi peremptória ao telefone: “Tirar galinha e pintos da caixa para o chão e dar-lhes de comer para não morrerem.
Boa!
A galinha atirava-se a mim a cada aproximação e só não rosnava porque as galinhas não rosnam. Deixei passar + 2 horas. Entretanto, muni-me de apetrechos como luvas, óculos e casacão e determinada, parti para a minha difícil missão.
Pequei na galinha pelas asas, tirei os pintainhos para o chão (correram logo para a comida), pousei a galinha e pirei-me a correr. Observei. Havia 2 muito pequenos e fracos a cambalear. Voltei atrás para os colocar debaixo da mãe para esta os aquecer e levei logo uma bicada. Perante tal ataque cerrado, tive de retroceder. Acabaram por não resistir, tadinhos.
Sobraram 11 e aqui está a família feliz.
(Nem me falem em comer galinha, tá?)