No demasiado azul
se comovia,
E se achava em infinita graça
A estrela alva.
Era de auroras e amanheceres
E prateava o espaço
Dias e noites, azulada.
À noite, no entanto se entristecia.
Era luz e piscava,
Mas sentia falta do azul.
Seu sonho era mesmo
viver para sempre
um cerúleo infinito.
E num desses desejos,
sonhando acordada
enquanto a noite salpicava
estrelas diversas,
Deu voltas na Via Láctea
E cismou de nunca mais ver o céu escuro.
Precipitou-se além-céu
E caiu no oceano,
Contínuo, sereno, azul,
E virou estrela das águas.
E seu sonho se realizou:
Sempre azular,
Estrela alva do mar.
Paula Belmino
Ilustração de Danda Trajano