Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Celestial



Busque o céu
com singeleza
como uma flor fincada à terra
mas a alçar voo à luz.
Com toda força anseia o céu
infinitamente azul
sem no entanto, deixar de viver, 
o colorido da vida
a diversidade.
Busque o céu
na arte de saber estar aqui 
momentaneamente 
com os olhos fixos no alto.
O equilíbrio entre o real e o inimaginável.
Busca tu, ser celestial
sem perder porém,
as raízes da humanidade.
Até que um sopro
te arrebate,
de repente,
para ser do céu
eternidade.
.
Paula Belmino


domingo, 7 de outubro de 2018

Estrela Distante


Bem longe, 
a voar pelo universo
os olhos buscam 
alcançar uma estrela 
para iluminar a alma vazia
de quem perdeu seu par.

Viaja pelo espaço 
o ser celestial,
anjo das auroras e alvoreceres.
A outra alma, cá na terra
vaga no olhar
em plena escuridão 
como quem procura uma fagulha 
para ao encontrar 
se fazer luz outra vez
na alma desse anjo alado.

Quando o sonho se esvai
a lembrança remanescente
é amarga ferida
é saudade.
E só  quando o anjo se faz aurora
a alma solitária 
recebe o consolo de 
um canto.
Seria anjo
ou pássaro?
Um sussurro, um afago dentro do peito diz:
"- A dor da ausência se ameniza 
na esperança de que as almas se reencontrem 
sob o céu de uma noite estrelada. " 

Paula Belmino 


Hoje meu filho se tivesse nascido vivo faria 14 anos.
Um dia eu e ele nos reencontraremos junto à sua irmã Alice.

Augusto Rômulo  é anjo de luz, de auroras e alvoreceres
é estrela!

domingo, 14 de janeiro de 2018

Gato Estelar




Em nossa casa havia um gato , nada comum aos gatos  que já conhecíamos. Esse amava pular, brincar, receber cafuné, até aqui tudo bem, pois todos os gatos são assim, mas esse era especial e se chamava Pitoco, um gatinho super  fofo e sapeca, metade branca com manchas amareladas quase laranja e um pêlo ouriçado e macio, com uma mancha acima dos olhos lembrando a ponta de uma estrela, e um par de asas ladeando o focinho. Era só você olhar  no seu olhar e se  podia ver o gatinho sapeca voando, e pra disfarçar que podia voar a qualquer hora, saía pulando feito macaco pela casa.
Para as crianças era uma festa brincar com ele, e sua brincadeira preferida era abraçar com as duas patas os braços das crianças e lutar, ele amava lutar com a garra-mão que lhe faziam, a mesma mão que dantes lhe acariciava, e também lhe fazia medo, só pra ver ele rosnar assim como quando estava se alimentando, se alguém o chamasse rosnava feito leão.
Esse gato chamado Pitoco dava sinais de ser de outro mundo, um país distante nas estrelas, país da mesma estrela pintada em sua pelagem, onde vivem outros gatos espertos, pois esse gato amava ouvir poesia. Era só alguém abrir um livro e começar recitar que ele pulava no sofá entre as pernas do leitor e o livro e ficava ali, querendo morder o livro, querendo receber carinho e  ouvir a poesia de forma melodiosa e afetiva.
Um dia, sem mais nem menos, de forma rápida alguém passou e roubou a vida de Pitoco, que nada disse, nem sequer um verso de dor, nem um poema triste, apenas acenou o rabinho e voou.

Agora, quando a gente olha o céu, pode ver entre as constelações, seu rabo macio de gato, feito pêndulo, afastando as estrelas e escrevendo com saudade a palavra: Amor!

E se a gente reparar bem nas noites de lua, poderá  ver o gato pular de uma estrela para outra, ou voar com suas asas macias para uma nova galáxia para brincar.
Só assim poder-se-á  compreender : Pitoco era um ser estrelar!

Paula Belmino




Hoje nosso domingo não é dos mais felizes, ontem à noite um triste fato nos roubou a alegria. Á noite vindo da igreja nosso gatinho brincava na calçada de minha mãe, enquanto esperávamos a chave para abrir a porta, pois ela esquecera, vim pra casa e deixei a Alice por lá com a tia, primos, quando o pai chega com ela vem aos prantos pois um carro atropelou nosso gatinho Pitoco que amava ouvir poesia, brincar, pular, arranhar e morder de mansinho see machucar as crianças. E essa semana mesmo mostrei ele aqui

Alice ficou aos prantos, e eu não consegui segurar a dor da tristeza, da saudade, da perda de um ser tão iluminado, nosso gato que só trazia alegrias.
Precisei conversar com Alice sobre a morte, a perda e li para ela o poema de Manuel Bandeira: Pardalzinho:


Pardalzinho

O pardalzinho nasceu livre.
Quebraram-lhe a asa.
Sacha lhe deu uma casa,
Água ,comida e carinhos.
Foram cuidados em vão:
A casa era uma prisão ,
O pardalzinho morreu.
O corpo Sacha enterrou
No jardim; A alma ,essa voou
Para o céu dos passarinhos!


Manuel Bandeira




Após todo choro e conversa, ela me conta que ele apenas abanou o rabinho, e eu lhe disse: Com certeza Alice ele lhe deu até logo, pois queria dizer que era muito amado por você e viveu sua vida muito feliz, mas agora como o pardalzinho, Pitoco vai para o céu dos gatinhos e de lá vai ver você feliz com outros gatinhos que aparecerão na nossa casa.
Ela foi ao quarto escreveu na agenda dela e pedi para passar para um papel com um desenho, assim seria uma maneira de superar a dor, e pelo luto, compreender suas emoções e saber assim administrá-las, afinal como tudo na vida, passa!
Restará a saudade e as boas lembranças de nosso Pitoco que amava ouvir poesia

Esse vídeo foi nosso último poema lido para ele, que parece agora nos dizer, que como o gato preto no telhado da Poliana Barbosa ele também iria para um casa-telhado, o céu!




Vejam como Pitoco amava poesia: Era começar a ler e ele vinha ouvir


Olhem bem a farra de Pitoco com a poesia de Sônia Barros




Aproveitamos então a Blogagem coletiva da Lourdes no blog  com a inspiração numa imagem por semana, para o Poetizando e  Encantando, com objetivo de criar, inspirar, interagir, poemar.

Hoje a imagem é essa de dois caminhos, ao fundo uma árvore vistosa e verde ladeada de flores violeta, na qual me inspiro e escrevo o que sinto:
Nosso Pitoco seguiu viagem em um caminho celeste, e agora sobre em árvores durante o dia, corre e brinca com flores violetas de beleza e perfume, e à noite se mostra nas estrelas a piscar e acenar com suas asas!





Participe também!

filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/

sábado, 25 de novembro de 2017

Casulo


Casulo

Sonho acordada
o tempo  quase imóvel,
nessa lembrança viva
feito chama a arder.
O amor em mim cicatriz
numa lágrima  diz
ainda se pode ser livre, e voar
na nostalgia de um beijo ao luar.

O tempo quase invisível,
transporta minha alma
leve feito libélula
na tua mão a pousar.
Enclausurada nessa lembrança
de me ver em teu olhar
me deixar feito flor
no teu colo desabrochar.

Uma libélula livre,
minha alma a sonhar.
a flor de teu amor
encontrar.

Me desperta a lágrima
e a cortina do tempo se desfaz
 resta só o devaneio
apenas minha alma a voar.
Na saudade.
busca tua boca, teus olhos
teu coração:
o casulo
onde minha alma quer descansar.


Paula Belmino

*Foto da Alice na fotografia de Laudiane Lira



Aproveito para deixar essa minha inspiração no desafio
Poetizando e Encantando no blog Filosofando na Vida que tem como objetivo usar a criatividade, unir os blogs, brincar e se inspirar





No meio das pedras nasceu uma flor onde uma borboleta vem pousar.

 A imagem da semana desafia buscar entre as pedras e flores versos, uma imagem fala de borboleta, de flor, a pedra dos obstáculos que eu no poema acima, indico como simbolo a saudade, a pedra como o tempo, a distância, o destino, e a borboleta substituída pela leve libélula, e no casulo onde se formam borboletas, ou almas em flor no amor, que livre por si só,nunca pode ser destruído, nem mesmo o tempo pode apagar, quando verdadeiro.


Participe também

http://filosofandonavidaproflourdes.blogspot.com.br/2017/11/11-poetizando-e-encantando.html

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Avó sertaneja


Lá no meio do sertão, entre umbuzeiros e aroeiras a avó acorda bem cedo  com o canto do galo e da cotovia, do carcará arreliando a quentura do dia. A avó diz bom dia à natureza, e segue entre a caatinga espinhenta buscando lenha para acender o fogo e fazer mantimentos.
No meio do sertão, a casa de taipa com chão de terra batida, abriga um grande e um pequeno coração, uma avó e sua neta, e o amor entre elas.
Todos os dias juntas, as duas  fazem descobertas entre as miudezas da cozinha: o  milho no moedor para fazer o pão, a fava escaldada já na panela de barro a cheirar ares de terra, e no alguidar escorrendo, os umbus maduros. Quantas receitas farão, que gosto tem o sertão?
Ao pé do fogão à lenha,a avó mexe suas colheres de pau, suas conchas de casca de coco e fumega a comida, feita pela avó, assim feito o sol que lá fora lampeja, e entre as receitas e afazeres da cozinha, a avó vai ensinando a menina a cantar enquanto lava a louça, a rezar e fazer os rituais e ao mesmo tempo  cuidar da natureza, valer-se de esperança enquanto a chuva não vem pra molhar a terra ressequida e ferida pela seca.
Do quintal da casa da avó se avista o mundo, a lagoa e suas garças, o cruzeiro e quem de longe faz uma prece, jogando um pouco da água na como quem benzesse a própria vida de fé e oração.Da porta da cozinha da avó se avia o tempo, se ouve canções de  passarinhos, grilos, ventos de paz.
Enquanto espera o almoço, a menina brinca com pedrinhas, e borboletas embaixo do pé de laranja, e imagina que elas são brinquedos, além de conversar com patos, galinhas e guinés que viram carro, com linhas amarradas a puxar os pedregulhos.
Perto de casa os bichos da criação são sustento e brinquedo, criação de intenso valor, o melhor  alimento para se celebrar nos dia de festa.
A avó varre com vassoura de mato as poucas folhas, e a menina ao ver as folhas voar se imagina voar com elas ao vento. A areia fina do quintal varrida pela vassoura é como areia de um rio que se secou, e as duas  fazem um montinho de areia, como que uma barreira para o dia que a chuva chegue. Avó e a neta anseiam água, esperam o que ninguém sabe...
Num debulhar de versos, num cantar o dia inteiro acompanhando a chaleira que assobia com elas as canções de ninar, a menina dorme tranquila,um cochilo no meio da tarde. 
No velar o sonho da neta, a avó prepara colchas de retalhos, fuxica pedaços de amor, remenda as roupas rotas.  
A avó na sua fé borda a chuva caindo e enchendo rios, benzendo as plantas, aliviando o calor. É tanta água bordada que a avó  até sente em seus bordados um pouco de frio e sede, e entorna a moringa de água para saciar-se.
A avó borda à mão o amor pela neta querida em fios de cor sob a luz da lamparina, mesmo com a vista acinzentada, cansada como a tarde a definhar no horizonte, a dizer  adeus a mais um dia.
É  hora de guardar no chiqueiro galos, guinés e galinhas, é hora de tecer mais histórias, de contar mais segredos, de brincar de adivinhas.
À hora sexta, a avó  benze com mato e fé toda casa, todo espaço que acompanha sua vista da janela, e  guarda também  a alma da neta querida, saúda a vida e a noite que chega pra trazer estrelas e mistérios, fagulhando como o fogo à lenha sempre aceso, ervas perfumadas, luzinhas de esperança.
Na mão da avó, linha e agulha nunca se cansam.
No olhar da avó, uma reza nunca descansa.
Na voz mansa da avó uma cantiga nunca cessa.
Uma história sempre se conta no cafuné.
E a menina deitada no colo da avó, ver a noite pelas frestas do telhado, e às estrelas faz um pedido:
Que esse tempo de paz e terna solidão não seja nunca esquecido!
E a noite adormece as duas, neta e avó entre os sonhos de um generoso inverno.


Paula Belmino

Na foto minha avó Sebastiana que me inspira essa história , e minhas irmãs menores Taise e no Colo Andreia.


terça-feira, 11 de julho de 2017

Se vinhas


Quando penso que vinhas me ver
todas as tardes ao pôr do sol
a alma vibrava em acordes
da mais perfeita melodia.

E o corpo de ternura se embevecia
se despia a te esperar
a alma sempre nua ansiosa
por teus beijos a esperar.

Ao sol se banhava de esperança,
os olhos perdidos ao horizonte,
saber que tu vinhas era o bastante
pra ter o coração em taquicardia
e o sorriso jubilante.

Até que às seis da tarde
uma mensagem ao telefone...

_Não vou mais
Não me espere como antes!



Paula Belmino

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Poesia da Saudade





Hoje amanheci poesia
Lágrima e saudade
Nostalgia.
Vi na estrada a paisagem, o sertão em estiagem
Cedo bem cedo, Deus tocou a mim, 
como passarinho cantando alegria
Paz na alma minha.
Passeei pela passado, nas lembranças da aurora da minha vida
na solidão da manhã , amordaçados os barulhos da cidade, 
Voei na imaginação sonhei estrelas, me fiz verão
Vi entre as árvores crescidas, eu menina a brincar
Vi em meus sonhos os amigos, um em especial lugar
Da escola as lembranças, o rir, o conversar, 
senti perto ainda seu cheiro, senti seu carinho, o largar horas a tantos planos de futuro
Saudade era em mim o lugar.
Hoje amanheci poesia e pelos livros me li, no caminho me perdi a lembrar
Saudades dos tempos de outrora
Dos amigos, da infância, de quem eu fui
Agradeci a Deus por tudo 
e as mãos agora debulham versos de gratidão
Pela saúde, pelas amizades, pelo cuidado em todo tempo.
Eu que era menina, hoje olho da janela da vida, as crianças a brincar
E aqui em palavras indizíveis registro o espetacular:
A saudade é espaço e tempo
É mais que sentimento, é voltar a quem e onde se amou
É viver de novo o sonho e a realidade deixar de chorar.
Saudade é vida que segue trazendo o tempo que se despediu pra não mais voltar.


Paula Belmino

domingo, 14 de agosto de 2016

Um dia... Um Pai


Um dia um pai avô... Um cafuné, um balançar de rede, um pilar café.
Nestes dias tudo era mais colorido, as flores no quintal, besouros e maribondos, borboletas e lagartas de fogo no pé de laranjeira e as pequenas hortas em cima de um jirau perfumando a manhã de cheiro verde, anunciavam a paz e a vida.
Um dia ao seu lado e a vida se movia em estrondosa felicidade, o puxar água no cacimbão e deitar sobre as pedras do quarador que anunciavam varais de roupas estendidas e a cerca de varas secando roupas, sonhos, brinquedos.
Ao seu lado as noites eram curtas pra caber tantas histórias e sonhos e mesmo nos dias rotineiros, dias e noites eram os mais encantados, os mais verdadeiros, os mais enluarados, cheios de lendas e fábulas... Ao pé de sua cama eu o idolatrava porque só em sua voz haviam heróis e fadas madrinhas, príncipes e princesinhas, ora crianças pobres de roupas rotas, ora com vestidos que cabiam o mar e todos os peixes, o sistema solar e todas estrelas, as flores de todos jardins.
A vida era silenciosa feito meio dia, onde o cochilo na rede era indispensável e trazia ao engenho cantigas e cordel, o som do rádio, o fogo fagulhando o abanador de palha predizendo as orações da tarde.
Um avô que sabia tudo de mim. Um mago que entoava canções de ninar para eu dormir.
Um Pai avô que não se vai nunca dentro de mim... Porque é feito um anjo bom que vela e acalanta, é como inspiração que canta, é feito passarinho que dá sinal de paz.
Saudade de um amor que nunca se vai, o tempo não apaga, a distância não explica, o som da solidão não é capaz de fazer vazio um coração que ressoa as gargalhadas e o fantasiar, o cantarolar cedo e ao meio dia. Um sonho doce que foi ter o melhor avô do mundo e que foi tão cedo ao alto encontrar-se com Deus, mas que fica aqui na aba do coração, nos dedos a escrever poesias, no sobrenatural dom de imaginar versos de amor.Um Pai avô que é para sempre, eterno em afeições, posto que é puro amor... Imortal!!!


Paula Belmino

Quanta saudade de meu pai avô Nico, das histórias que contava, das canções que pra mim entoava antes de eu dormir e para poder me alimentar, ele tocava uma lata, cantava assoviava, brincava.
Levantava cedo pra fazer o café, pra pegar ovos das galinhas, uma só minha pra eu brincar e tomar gemada, já que eu era a neta primeira, a menina franzina, cheia de sonhos, a mais amada.



* Fotos lembranças as únicas que retratam o rosto de meu avô Galdino Simões, imagem esta que é guardada a sete chaves em minha memória

terça-feira, 9 de agosto de 2016

De Tudo que a alma é






Sou dos mares 
a mais aconchegante sensação
A vida a desfiar-se em conchas
Pequenas pérolas 
Mar em agitação.
A brisa a soprar no rosto
Dos ventos a renovação
Que trás a mudança
Sementes a caírem no chão
E transformam-se em mudas 
Flores que brotam em perfeição.
Sou do tempo os minutos contados
Cada segundo roubado
Cada instante sagrado
Desde o canto do galo
Aos grilos no jardim a criquilar a noite toda
Numa melancolia que causa dó
Sou o mais pequeno raio de sol.
Sou do tempo a morna ânsia de deter
Esvaindo-se no horizonte ao dia nascer
E retornando em esperança esse tempo de guardar.
Sou a viva fé de nunca falhar.
Sou o silêncio que grita
E emudece o que fere, sobrando em lágrimas
Choro estampado que diz em versos tristes 
o quanto se poderia amar.
Silêncio e ais
Ambivalências que sente e retrai
Amor, saudade, dor e paixão
Sou solitário coração.
Memória que guarda resquícios de um beijo
Abraços intermináveis que curaram uma alma
Hoje longe de quem a ama leve e fugaz.
Depois de você
São lembranças de um amor remoto que nunca se esvai.

Paula Belmino

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sobejo de Amor




Sou de flores e folhas
Sou pó de estrela
Sou rastro de areia
Sou vento que passou
Saudade que fere e deixa a boca sedenta
De um beijo que sobejou.
Sou sorriso entranhado
Alma levada
No céu de tua boca
E nos olhos que roubaram minha paz
Sou amor guardado
Paixão que dorme
Só enquanto esse tempo se desfaz.

Paula Belmino



De nossa inspiração na moda vintage, leve, descontraída com as peças da Lecimar que traz conforto e todo requinte para deixar a mulher brasileira bonita valorizando suas proporções,a final beleza não se dita, se valoriza, se realça e se faz notar na maneira de ver a diversidade, o perceber cada pessoa como ela é , mais que por dentro que por fora e nas imperfeições e diferenças se evidencia a essência de cada beleza á parte.
Esse look com Legging em neoprene deixa o look informal e casual e pode ser usado também com outras peças e tanto para dia como para noites. A bata com estampa de renda e a manga ciganinha e decote redondo valoriza o colo e  com toda delicadeza transmite ar de leveza para os dias com temperaturas amenas 
Confere só:




Esse conjunto pode ser encontrado na loja virtual da Lecimar

Eu uso:

Blusa estilo bata em Viscoplus super confortável cód. 1700394.8
Leging CÓD. 1700386.8
sapato Via Marte

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tua Mão na Minha





Mais um conto de amor, uma história para ler vivenciando cada sentimento, cada passeio, voar no passado, no presente e na poesia fazer a ponte entre sensibilidade e alma, sonho e realidade, vida e dor, pois que a morte é presente e sempre nos prega peças, deixa marcas, leva de nós o que amamos.
Recebemos o livro Tua mão na Minha de Elói Bocheco que foi mais que uma breve leitura, é alimento, é comer palavras e sentimentos, é revirar a mente do avesso e se fazer nessa história doce poesia inspiradora.
Ao ler essa linda história minha alma e minha Alice viajamos com a menina Dúnia, personagem principal do conto, que de balde na mão vai fazer os mandados da mãe, carregando água do poço, inventando histórias, conversando com os bichos, sentindo a brisa de leve no rosto, atenta á natureza em festa, sempre feliz a brincar, catar pedrinhas, deixando a água do balde derramar-se na terra quente, fazendo canoa de folhas e navegando no rio, enchendo os cabelos de peixes coloridos.
Ler faz relembrar, viver, voltar ao que se viveu recordar... Recordei então que eu assim como a menina da história também andei muito por estradas de terra aqui na minha cidade durante a infância tanto com minha mãe, como sozinha a caminho da casa de avó, na minha delicada fragilidade de menina, amada e a neta preferida e primeira da avó, minha mãe que criava para a mãe verdadeira trabalhar de dia á noite sem parar. Eu vivia assim como Dúnia ás voltas pelo quintal , brincava com folhas, flores, pimentas, não havia rio, no fundo do quintal uma lagoa com garças e pássaros a voar, a cantar, e no quintal um poço fundo onde maribondos pousavam, cachorros d'água e cágados viviam a nadar. Do poço também carregávamos água para ajudar a lavar roupa, limpar a casa, tomar banho.
Do quintal da avó, trago doces lembranças: o cheiro de café fresco pilado e torrado no terreiro, terreiro esse que era enorme e eu assim como Dúnia fugia para não varrer, pois gostava mesmo de imaginar, de voar nas histórias que meu avô contava ao pé da cama. Ele balançando a rede com os irmãos mais novos todos dentro a dormir, e eu, a menina franzina de conto e conto a se encantar, sonhar, ser feliz.
Um tempo de paz, de flor, de sonhos e quimeras, nascentes para aquecer um coração que se pusera a chorar... De saudade, do quintal, dos pássaros, do colo da avó, da voz doce que me falava, dos cafunés que como na palma da mão Dúnia e a mãe viviam a brincar... Da mão de minha avó lembro os cafunés, o cozer ( simpatia para nervo triado) quando machucávamos o pé, o braço, ela era procurada para fazer as simpatias e benzedeiras, o cozer com flor de mato, agulha e linha dizendo no seu linguajar popular construído na cultura em que vivera.
Ela perguntava: - O que é que eu cozo?
A gente respondia:
Carne triada, nervo rendido e osso torto.
E assim cozia dizendo em oração:
- Com o poder de Deus e de São Virtuoso tudo isso eu cozo!
E assim a dor passava, os nervos se curavam, o machucado desaparecia, sem médico, sem remédio, só a mão suave e a fé, a voz doce e crente, e a presença constante e milagrosa que nos acudia com carinho e afeto em panos quentes.

A história de Eloí Bocheco, trás à tona todo romantismo e poesia escondida na alma de quem viveu o amor, o viver ao lado da pessoa amada e a perdeu e agora guarda nas memórias o afeto e a saudade que nada mais é que a eternidade ramificada no corpo e alma de nosso ser
A história: Tua mão na minha é toda minha, nela me vi, me retratei, emoções a navegar, fui lida pela autora tão distante e sem nenhum conhecimento de minha vida, mas é esse mesmo o papel importante da leitura e da escrita, visitar histórias, mover lembranças, verificar sentimentos e torná-los registros de belas histórias e cenários.
Dúnia nesse conto lindo de Eloí sofre uma grande perda, a mesma dor que vivi quando menina, a primeira perda do avô maravilhoso que tive, e me trouxe o triste silêncio de não mais poder ouvir histórias encantadas, o afago e o carinho ao tom de cantigas e canções, e tempos depois a triste perda de minha avó, que silenciou como passarinho, sem sofrer, sem dar adeus. Apenas partiu e no céu foi morar, deixando no nosso coração uma memória afetiva eterna com tanta coisa para lembrar
Hoje vó Sebastiana é um pontinho no céu, uma estrela singular, a mais brilhante, um pássaro a cantar... Como a mãe de Dúnia, uma luz, um reflexo no firmamento
A voz suave e melodiosa, que cantava as mais lindas canções de ninar, agora do alto com os anjos junto com a mãe de Dúnia, as duas com tantas outras mães e avós, velando pelos seus com estrelas a plantar, com aves do céu a pastorear.
Este conto é simplesmente: Uma poesia na minha lágrima!
E a saudade no meu olhar!

Paula Belmino


Para saber mais do livro:

Em uma antiga brincadeira infantil, a menina Dúnia encontra um modo de elaborar a dor e o desamparo de uma grande perda. Descobre que pode continuar brincando o jogo infantil que aprendera com a mãe que partiu. Brincaria pela mão da avó que transmitira a brincadeira à família. A personagem tira do imaginário o ponto de apoio para continuar caminhando, porque a vida e o jogo "Tua Mão na minha" continuam, apesar de tudo.
Uma história sobre o poder de cura das palavras brotadas da imaginação e dos afetos. ( quarta capa)


TUA MÃO NA MINHA
Autor: Eloí Elisabete Bocheco
Categoria: Infantojuvenil
ISBN: 978-85-60967-48-3
Comprimento: 27 cm
Largura: 21 cm
Peso: 0,175 kg
Número de páginas: 28
Conheça mais da autora
Visite e curta sua página https://www.facebook.com/sbocheco/timeline

























Eloí Elisabete Bocheco é formada em Letras pela Universidade de Passo Fundo-RS e pós-graduada em Alfabetização e Metodologias de Leitura. Atuou como alfabetizadora, professora de Língua Portuguesa e Literatura, trabalhou como animadora da biblioteca escolar, foi coordenadora do ensino de língua e literatura, dentre outras atividades ligadas ao ensino.