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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Melancolia




A alma escorre dentro da solidão
e fica imóvel
se ressente, 
sente e sofre 
os pesadelos todos do mundo.
É como se adentrasse o monturo e 
apodrecesse, sem sal da terra
esquecida da vida.
Chora todas as lágrimas 
beirando o precipício
ali onde a ansiedade consome
a solidão sempre faminta
devora todos os sentimentos
e a alma verte dor em seus gritos.
Espera, quase sem esperança
o sal da terra,
a flor branca da paz,
a janela que abra para fora,
o moinho do tempo trazendo vida, 
Em torpor se dilacera solitária
na escuridão, a pobre alma
ansiando a luz que mostre o caminho.




Paula Belmino

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Da solidão de nossos dias



Éramos crianças demais para sermos amigos eternos,  cedo demais pra saber se seria sério nosso amor imortal, ansiávamos por novas descobertas, novos caminhos, tantos sonhos debulhados ao luar. Éramos jovens demais para crer que seria para sempre, as muitas aventuras não nos deixava criar laços, firmar nossos passos, caminharmos em paz. E o tempo promíscuo, roubador de estrelas, nos levou o céu, a lua e os anseios da nossa alma fugaz.
Éramos só crianças, adolescentes, meninos em nossas birras, perdidos em nossos desejos, loucos em nossa vontade de agarrar o mundo quando nos fugiu o chão de nossos pés...
E o tempo voou, o príncipe veio e se foi, virou sapo, ou seria já sapo tentando ser gente, na nossa alma doente desejando plena paixão... e o castelo desmoronou. O tempo passou. O beijo de amor não nos salvou de ganhar fios brancos, rugas e mudanças no corpo e na alba abatida que queria mais e mais.
Éramos apenas desvairados, desesperados num leito emergido de sussurros e paixão, num silêncio que gritava, numa alma em ebulição. Jovens apaixonados, sem medir consequências e nem pensar no futuro ou passado, apenas  mentes cheias de emoção.
Hoje somos vazios, tristes, contritos e frios...
Adeus paixão, foi-se embora o beijo de amor, o perfume de flor de nossas mãos.
Somos apenas solidão.

Paula Belmino
*Fotografia da Alice por Silvia Martins Photography
Alice usa
Dedeka Homewear

sábado, 30 de novembro de 2013

Capítulos de um amor


Procurando resquícios do tempo, alienada num sentimento que nunca mudou, a gente vai vivendo em frangalhos tentando abandonar as lembranças que nunca se apagam, lembranças  que ficaram gravadas em nós.
Se busca encontrar um meio termo, uma explicação pra esse amor indolente que teima em viver dentro do peito, mesmo quando o tempo passou.

Folheando-se as  páginas da vida e  folhas da memória tentando achar uma virgula na história, para parecer  que nada mudou.Mas, o sonho voou, o sentimento ficou latente, pra um dos personagens deste sonho de amor, para quem sofre de saudade, nada, simplesmente nada nunca mudou.
Encontra-se aqui nas páginas amareladas do tempo, pois lá dentro, bem dentro do coração ferido de saudades a paixão nunca se foi.Só ali,  nos capítulos que se vê escondidos se encontram escritos, as memórias de um sentimento que nunca findou.
Entre poesias, livros dessa história o anjo que outrora era mocinho ou bandido, menino e príncipe só nos versos ficou.O tempo pra ele mudou. Ainda que a imagem continue igual, semideus natural, belo e singular, o anjo que  velou prazeres  em noites que ninguém viveu ou imaginou.Só em sonhos, pois já passou tantos anos e resolveu acordar.Voou, mudou, encontrou outro amor.Está lá, lindo, másculo, encantado, arrancando das gentes o aplauso, e quem terá sido o autor?
 Quem arrancara partes deste livro sagrado, desse romance imaculado, dessa história cheia de ardor? Pois para ele a vida continua lá fora, realidade virou. Para a amante, coitada, vive amargurada, escrava de um rio que se banhou.  Continua presa nos escritos, nos resquícios de um  livro, queimando nas chamas de uma paixão doente. Vive compadecidamente  um lindo sonho de amor.
Amor platônico, latente e insano, que inflama quando se pensa, lembrando dos anos que apenas amou...
Loucamente sonha e chama seu nome em pensamento, como se nada tivesse mudado lá dentro dela, mesmo que as rugas e as linhas do tempo provem que não é mais a bela, consta que o tempo passou. Ainda assim teima em  encontrar respostas e iludida  acredita que a beleza que cerca seu anjo são anos a fio de suas lágrimas de amor. Vive ele no céu da poesia e no coração de quem não pode gritar, só lágrimas alimentam sua alma e é por isso que a cada dia mais belo há de ficar.
A amante tristonha e sozinha, apenas lamenta, canta seu triste penar. Escreve linhas com sangue, suor e puros sentimentos para  que,quem sabe um dia, complete-se o livro de uma loucura que viveu, e sonha como que, tal como as pedras se encontram , também possa encontrar quem um dia foi seu.
Ali ela voltaria a ser a rainha, com lindos olhos, pele suave e beijo de mel, e o fim da história deste amor que não se explica seria o céu.Corpo a corpo acasalados, alma na alma intrínsecas e presas sem correntes, seriam dois seres completos, e o livro por certo seria um amor colossal. Um capítulo que não teve começo nem final. Uma história escrita no universo onde dois corações viveriam para serem amantes imortais.

Paula Belmino