Há um tintilar de taças,
lá fora todos celebram o amor,
cá dentro,
a alma embriaga-se nas lembranças
da paixão indolente,
outrora flamejante
a queimar o corpo,
o torpor, indecente,
suando as mãos,
trêmulas de desejo
pelo teu corpo
agora sagrado,
intocável.
Há um sonho, um desejo
de que o tempo volte
e ofereça o beijo
com sabor de pecado
que nunca se desmanchou
nem perdeu-se e meu hálito.
Este amor sorrateiro
se abateu em mim
e nunca mais se despediu
ainda que a vida siga e
o tempo voe...
Há um louco anseio
de olhar dentro de teus olhos
e poder libertar a minha alma
engaiolada
dentro da tua.
Minha vida caminha a te buscar
presa em teu olhar,
como se pudesse,
ao sentir teu cheiro
e sob o brilho de tua face,
a minh'alma
voltasse a ser quem era.
Há, apenas, saudade,
enamorados sob à lua
ternas confissões,
lembranças dos
lembranças dos
corpos lado a lado
abraçados,
cansados, ritmados
em frenesi.
este amor paixão despedido há tempos
este amor paixão despedido há tempos
mas que inda mora
nestas lembranças dentro de mim.
Paula Belmino
Esta é minha participação no Poetizando e Encantando do blog Filosofando na Vida