Quando a distância impede o abraço
Os corpos colados,
O rosto a se roçar
Sentir o cheiro do pescoço amado
O afago dos cabelos do outro a nos tocar,
A alma se sente vazia,
Pois abraçar é energia
É como se a gente trocasse de lugar.
Na distância, os corpos afastados,
O rosto encoberto
É impossível tocar,
As mãos não mais se apertam,
A alma saudosa, inquieta,
Sente falta do abraço apertado, e
Tristonha reclama:
Abraço e festa!
E feito um consolo
O abraço diferente de mostra
Ganha nova forma
e com voz da razão declama:
Não se pode afastar quem se ama!
Então, ainda distanciados,
Os olhos sorriem e se encontram,
Afeto na voz canta saudade
E se faz ternura nas linhas da face.
O corpo inteiro fala,
Balbucia, abrace!
De um novo jeito
Modo abraço remoto.
Em tempos de distância:
Uma ligação, um bilhete, um afago,
Um poema lido, uma oração ofertada,
Tudo isto é abraço!
E se os olhos se encontram, sorriem
E nossa alma, com a alma amada
Pelos olhos se abraçam!
Paula Belmino