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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Quando Chega Junho



Sertão Junino

Gosto de colorido
Das cores de meu sertão
Nas colchas de retalho,
No xadrez, nas fitas do meu cordão.

No vestido de chita
Nas flores da estação
Nas casas de barro pintadas
Das festas, a animação.

Gosto de brincar feliz
Soltando pipa, jogando pião
Nos festejos juninos
Soltar chuveiro e rojão.

Gosto das cores vivas
Do céu pintado de balão
Das bandeirinhas que enfeitam
A noite toda, as festas de meu sertão.

Paula Belmino



E o mês vai findando,muita saudade no coração.
Tempo de refletir, de olhar pra frente, mesmo quando a emoção dos dias idos
nos prende a atenção.

Termino o mês com a poesia de meus poemas  com temática junina que virou E-Book pela Editora InVerso





E um vídeo lindo com meu poema "Juramento Junino" que ganhou ilustração da Duda Weis


quarta-feira, 3 de junho de 2020

Solidão Junina





Nasceu Junho
No peito, canta a saudade
Em sonho atiro o chapéu pra cima
Vejo o céu enfeitado
Salpicado de estrelas.
É noite de São João.
Bandeirinhas bem coloridas
No quintal cruzam a fogueira
Convidam Zé, Maria e Chiquita
Para dançar a noite inteira.
Mas Junho é solidão
Cada um em sua casa
Tempo de introspecção
Acender o amor feito brasa
Mandar ao céu uma oração
O pedido sobe como se fosse balão
Adira a lua e deseja
Que logo mais se faça festa!
Todos juntos a dançar
Xote, forró e baião
Todos a dançar.
É São João
Não há melhor festa que esta!

Paula Belmino

Arte de Alfredo Volpi

domingo, 24 de maio de 2020

É Tempo de Brincar! Semana Mundial do Brincar







É tempo de brincar 

De 23 a 31 de Maio acontece A Semana Mundial do Brincar, uma “mobilização em nível nacional e internacional que convida pessoas envolvidas com crianças e/ou temáticas a elas relacionadas para pensar, celebrar e promover a importância do brincar...

Em meio à pandemia que estamos vivendo, o movimento #AliançapelaInfancia Aliança Pela Infância não cancelou a Semana do Brincar que costuma acontecer todo ano em praças, parques e outros espaços abertos.
Em 2020 será diferente! Brincando em casa e com muita imaginação e participação da família.




O tema de 2020 

Nesta edição, a Aliança pela Infância propõe como tema da mobilização o “Brincar entre o Céu e a Terra“. A ideia chama atenção para a importância de cultivar a imaginação e o devaneio da criança, para que ela possa ser e estar no mundo com criatividade e singularidade.
O manifesto do sensível de 2020 – que em breve estará em todos os canais – lembra do quanto é rico o universo imaginário das crianças:
No território da imaginação há lugar para elefantes cor de rosa e oceanos no quintal de casa em que navegam aventureiros sem pé nem cabeça. Lá estão também os bailes com dinossauros e guerreiras no tanque de areia, e os banquetes de sementes e folhas do jardim. As casas com portas no teto e janelas no chão podem existir apenas com papel e lápis, ou giz e chão, ou de tantos outros jeitos. Existem principalmente porque houve espaço e tempo para que fossem imaginadas. Nesse território constroem-se aventuras e narrativas com caixas de papelão, pedaços de pano, tampas de garrafa, blocos de madeira… e assim vão tomando forma repertórios de possibilidades, impossibilidades e de vida.
Como todos os anos, a Aliança passa, desde hoje, a disponibilizar uma série de materiais e conteúdos inspiradores para apoiar as ações dos aliançados. Não precisa fazer parte de núcleo para desenvolver atividade. Todos são convidados. 



Propus o desafio aos alunos Lagoanovenses e suas famílias a brincar com poesia, um livro, um poema brincante, uma brincadeira por dia .
Deixo o convite aos seguidores a ler um poema, afinal ler é brincar,  e convidar as crianças para brincar de poesia na prática.

Quem participar faz o vídeo ou foto lendo, brincando e posta e me marca ou manda via direct ou mensagem Whatsapp, ou e-mail, deixa o link com a tag #Brincarcompoesia

A cada dia postarei um poema de brincar, para ler e brincar, desenhar, criar um brinquedo.

Vamos participar da #SemanaMundialdoBrincar?

Com brincadeira e leitura, com poesia da infância.







1° Desafio : Ler o poema abaixo e brincar de fazer bolhinhas de sabão


Bolhas

Copo e canudo,
um pouco d' água e sabão,
e eis ai a bolha
a borbulhar,
leve como o vento,
feito folhas a bailar.
Molha a mão da criança.
Depois voam ao vento
Junto com as folhas,
as coloridas bolhas,
encantam o olhar.
Bolhas de sabão,
pedaço de infância.
Quando menos se
espera, estouram
E desaparece no ar.

Paula Belmino

No livro Poesia de Botão



As crianças Alana de Parnamirim-RN e Theo de Pelotas -RS já estão participando lendo e brincando em casa de poesia







2º Desafio -Ler o poema e brincar de Amarelinha




Brincar de Amarelinha

Pra brincar de amarelinha
Risca-se um diagrama
Com o dedo na areia,
Ou giz na calçada,
Faz quadrados em cadeia.

De uma ponta à outra,
Pular num pé só.
Até chegar à asa
Sem pisar na risca
E nem na pedra da casa.

Joga de novo a pedra ao léu,
Mas se cair na linha
O jogador perde a vez
Vence quem chega primeiro,
faz o percurso com rapidez.

Mexe o corpo sem cansar,
Na asa a criança pisa os dois pés
E se imagina voar.
É coisa de criança
Brincar de ir ao céu a pular.


Paula Belmino

A Laura Eduarda de Mossoró já está brincando, leu e recita aqui lindamente explicando a brincadeira


Vamos brincar de poesia?

















sexta-feira, 22 de maio de 2020

De longe, Um abraço. Dia do Abraço


Quando a distância impede o abraço
Os corpos colados,
O rosto a se roçar
Sentir o cheiro do pescoço amado
O afago dos cabelos do outro a nos tocar,
A alma se sente vazia,
Pois abraçar é energia
É como se a gente trocasse de lugar.


Na distância, os corpos afastados,
O rosto encoberto
É impossível tocar,
As mãos não mais se apertam,
A alma saudosa, inquieta,
Sente falta do abraço apertado, e
Tristonha reclama:
Abraço e festa!


E feito um consolo
O abraço diferente de mostra
Ganha nova forma
e com voz da razão declama:
Não se pode afastar quem se ama!

Então, ainda distanciados,
Os olhos sorriem e se encontram,
Afeto na voz canta saudade
E se faz ternura nas linhas da face.
O corpo inteiro fala,
Balbucia, abrace!
De um novo jeito
Modo abraço remoto.


Em tempos de distância:
Uma ligação, um bilhete, um afago,
Um poema lido, uma oração ofertada,
Tudo isto é abraço!

E se os olhos se encontram, sorriem
E nossa alma, com a alma amada
Pelos olhos se abraçam!


Paula Belmino

domingo, 17 de maio de 2020

Poesia para acordar



Poesia nos acorda pra dentro
afaga o coração
faz a gente brincar e sorrir
e deságua em nós os sentimentos.
A poesia espanta a dor
e aformoseia os sentidos
é pouso, ninho, alimento.
A poesia é suspirar de manhã

e anoitecer a sonhar
Da infância é brinquedo
para o adulto é amparo e desabrochar.
A poesia é a visão do mundo
 de fora e de dentro
é saber olhar
é a utopia, é sonho, 
é o encanto a nos despertar.


Paula Belmino


E nesse encanto trago hoje a poesia de Eloí Bocheco, com este  encantador  livro que brinca com o tempo, fadas, bichos, cantigas, e traz à tona brincadeiras esquecidas e memórias inventadas.

A poesia de @eloibocheco acompanha a infância da Alice, e desperta a minha, já tão distante .
Alice guarda com afeto o livro “ Tá pronto seu lobo?” E outros poemas e hoje lê dele dois poemas
Um deles:

CAVALINHO DA ALVORADA

Meu cavalinho
só sai na alvorada.
Em outro horário,
bate a pata, empaca,
vira estátua de luar.
Nem com reza braba
sua teimosia acaba.
Com meu cavalinho
vou pelas estradas
à procura de sementes.
Escolho as sementes aladas,
pois nascem mais depressa
e tenho pressa
de replantar o planeta.

Eloí Elisabete Bocheco 


Conheçam a obra desta grande poeta , adquira os livros dela para ler com as crianças.


sexta-feira, 15 de maio de 2020

Contemplação



Sombras escuras
Cercam a alma,
Invadem e aprisionam.
São sombras do  medo
Fantasmagórico,
A impelir, a causar pânico,
A escurecer a visão.
Nessa fumaça de incertezas
Ninguém sabe do futuro
Escapa-se num instante frágil 
Beijado ao hálito da morte, 
Tão próximo, e corriqueiro
deixando a humanidade refém.
Só resta uma delicada esperança,
Uma breve  fé,
Impulsionando o cuidado,
de si e do outro.
Ao observar-se além do véu da escuridão
 que se assola sobre o mundo
pode-se enxergar a esperança.
Ela tem asas transparentes e finas, 
Feito uma libélula a voa e se esvair.
E a fé é como um cristal fino e delicado
a qualquer ruído se despedaça.
As duas: esperança e fé
Fogem ante as sombras do medo
e para resgatá-las,
Deve-se olhar com firmeza o céu
que nunca sentiu medo algum,
jamais temeu nenhuma tempestade,
E sempre renova-se num novo olhar,
Mais claro e mais azul.


Paula Belmino


Um poema para participar da Blogagem coletiva do Coisinhas da Chica

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Casa de Consertos- Eloí Bocheco



Dica de Livro:
Casa de Consertos Eloí Elisabete Bocheco ilustrado por Walther Moreira Santos Editora Melhoramentos
Para aprender que a literatura também ajuda a consertar a alma! Paula Belmino





“Sempre que chegam as férias, a menina Olímpia vem ficar com os avós. Os dias são cheios de aventura no casarão, que parece de bruxas, cheio de lugares encantados. O casarão é o mais antigo da rua, cheio de esconderijos e um sótão que dá pra ver a cidade toda, o mar, a ponte.
Junto ao casarão fica a marcenaria do tio Jairo, da Olímpia, onde o pai da criança também trabalha . O quintal da casa é grande e cheio de goiabeira O casarão tem varanda, tem corredores , muitas portas e uma delas dá pro corredorzinho e leva a Casa de consertos, onde a avó conserta brinquedos.
A avó Sofia já anda devagar se apoiando em móveis, e conta muitas histórias aos fregueses ou sempre recomenda "remedinho literário " para as dores da alma.
Sofia era enfermeira até se aposentar, agora conserta brinquedos e recita versos, aconselha a neta.
Olímpia tem boas lembranças do pai para quem gostava de ler , e se foi para as estrelas. Agora com a avó Sofia vai sonhando e imaginando o mundo através das histórias por trás de cada personagem ou brinquedo que chega à casa de consertos, soldadinhos de chumbo, cavalinho azul, bailarina de caixinha de música, bonecas que são mais que brinquedos, sai histórias de vida.


Um livro para falar de infância, das relações familiares, de amizade, de história e da importância de se construir memórias por meio dos livros.
Inspirador e poético , o texto apresenta diálogos entre a menina e seu pai, sua avó e o tio, além das muitas conversas com fregueses ao telefone ou em passagem pela casa de consertos que são pura nostalgia e saudade, aulas para a humanização."



Ouçam um capítulo da história





Para comprar o livro:

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Os bicos das aves.





Quando Deus criou as aves
Um bico, para cada uma inventou:
Bico pequenino para pássaro comer sementes,
Bico oscular para o belo beija-flor.

Fez também bicos curvados
Fortes, para a águia e o gavião
Aves rapinantes
A dilacerarem bichos do chão.

Cada um com sua função:
Bico-lanças das garças para pescar,
Carniceiros como o do urubu
E bicos de pato e flamingo para filtrar.

Desde o bico do pica-pau a quebrar madeira
 João-de-barro a construir casa,
Até o bico da colorida arara
dentro da árvore a buscar sementes e larvas.

Criou Deus bicos diferentes
Tudo belo e singular.
O do tucano, bico frugívoro
Para com frutos o alimentar.

Furtar-cor, e grande o bico
Destaca-se entre as aves.
Tucano quando bate asas,
Leva no bico, o pôr do sol pelos ares.

Paula Belmino 

Minha sobrinha me enviou essas imagens la de Goiás, me deu tanta saudade de ver essas belas aves, que criei este poema.

domingo, 3 de maio de 2020

Maio, mês do amor




Trago flores de amor pra você
A flor mais querida,
A oração vertida,
O cuidado de um coração.
Em Maio,
Quando se derramam as mãos
Em trabalho árduo,
No ser mãe,
Exala-se o sonho alcançado,
Guiado por anjos o desejo consentido.
Em Maio, na data festiva, confirmo:
És sonho em meu peito!
É verdade o teu cheiro!
É meu consolo, meu abraço de paz!
Em Maio, quando todos se preparam
A comemorar o mês das mães
Eu todos os dias declaro:
És a flor mais bonita no jardim do meu ser!
Em Maio, todas as flores se abrem
Só para te receber.

Paula Belmino


Fotografia Naline Joele

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Embrionários do afeto




Carícias fecundas
geraram a humanidade.
Fomos feitos pelo toque.
Somos embriões do abraço
e do afeto.
Há uma relação entre criador e criatura
Afinada loucura, que nos refaz,

O carinho, o amor.


Em solidão,
Confinamento,
Buscamos afetuosidade,
Entregues à dependência
do outro, para sermos um só.
Cafuné no outro, no ego
para afagar a própria alma.


Como sempre foi:
Homem e Criador,
Bicho e árvore,
Corpo e espírito,
Unidos pelas emoções
pelo toque,
Para nunca se perder
a essência da criação.


E acariciados, reencontrarem-se
sempre,
Embrionários pelo afeto.


Paula Belmimo


segunda-feira, 13 de abril de 2020

Caçadora de Borboletas






Acordo cedo com o canto do galo no quintal, e os passarinhos fazendo festa em minha janela. São pequenos pardais e colibris, rolinhas e pombos a rulhar, quem sabe um galo de campina desgarrado de seu bando, numa melodia afinada a chamar o sol.
A luz chega ao meu quarto, entra pelas frestas das portas, e das janelas, e por cima de meus olhos, abre as fendas de uma noite em pesadelo ou ansiedade. A luz e a cantoria da passarada iluminam minha alma e me convidam a ir para fora.
Escorrego-me entre os lençóis, espreguiço-me ainda cansada, piso o chão com firmeza de quem sabe está tudo bem, apesar do caos dentro de si. E com a alegria de viver a primavera, arrasto-me para sair da penumbra.
Jogo água nos olhos cansados, e aperto-os bem, é preciso abrir a visão para o que me espera logo ali. Ponho os óculos e saio, e eis que no quintal a pequena Buganvília florida, sobre ela apresenta-se um gracioso balé de flores a dançar com o vento a se abrirem às muitas borboletas, umas estampadas, outras bordadas, amarelas, alaranjadas, pretas e brancas. É quase impossível dizer qual delas é a mais bela.
 O sol queima minha face, esquenta minha cabeça, mas o vento da manhã refresca a minha alma e me perco ali, a voar com as borboletas, leve e feliz.


Esvoaço-me com asas de sonho, enxergo as cores e as formas das flores, em contraste com o céu azul claro, um quadro mágico que pincelo, enquanto me imagino ser o fruto seco no galho, onde o pequeno pássaro alisa sua asa. Já não sou mais eu, sinto-me também ser fruto,  e de repente, já sou ave.
Devaneio, ora sou folha a farfalhar no telhado, ora sou ave a piar, sou vento a dançar e também sou a cor azul



Fecho os olhos por um instante, como quem não quer acordar do sonho,e ao abri-los prendo a atenção  no pistilo da pequena flor que se abriu. Está ali o que mais me torna feliz: a borboleta a brincar de ser flor e folha a voar, beija e ama, esvoaça e pousa. Leve bailarina de vestido colorido a enfeitar o jardim.


Só assim o dia amanhece, e me despertam passarinhos, galos de campina e a luz da manhã. Canta dentro de mim o terno sonho de ser como as borboletas, leves e livres. Por  isso vou à caça delas todas as manhãs onde meu olhar cansado pode avistá-las, mesmo tendo a certeza que as almas das borboletas  sempre se acasulam em mim, e quando o sol rompe a aurora, elas abrem as asas e fazem panapaná para sair por entre meus olhos de volta ao jardim.

Paula Belmino


sexta-feira, 10 de abril de 2020

Redoma







Recolhem-se do próprio ego,
Humildemente aceitam-se
Renegados,
 Na incapacidade do eu,
De superioridade abstraída,
Guardam-se, despem-se,
No próprio íntimo emudecem
Voltam ás origens, tessituras,
Reflexão prevista
O que mais importa na vida?
Do avesso se pegam
Desconectados das riquezas
e  da supérflua vaidade,
Apenas resguardam-se
No sonho que é estar em casa,
Ao lado de quem se ama,
À deriva dos sonhos
Em  redoma, se mostram pequenos,
Cacos de vidro,
De volta ao útero do mundo
Numa bolha, bem guardados,
Deixando-se serem soprados,
Talvez por outros ventos de sorte
Que tragam a paz, a vida,
E seres humanamente melhores.

Paula Belmino