Monteiro Lobato em suas frases disse de seu desejo de escrever livros em que as crianças morassem neles, e creio que o realizou na sua maior e mais conhecida obra : o sítio do Pica-pau amarelo com seus personagens fantásticos e que gera amor e polêmicas quando trata de preconceito com pessoas negras, num tempo em que a diversidade era ainda mal comentada e discutida, onde reinava o maior sobre o menor, o que sabe mais, e a inclusão nem existia,e se ver impregnado talvez de modo a crítico à mercê da interpretação d ecada um como nos personagens Burro, que de burro não tinha nada, era muito inteligente e na personagem da tia Anastácia que por ser negra vive apenas na cozinha.Não seria no entanto as fábulas de Lobato sensíveis a se pensar nessa predileção de modo a fazer as pessoas da época rever conceitos e ideias?
Mas não quero aqui levantar nenhuma discussão ou questionamento e só citei aqui após ler alguns textos que vagam em outras concepções sobre o autor, meu foco pelo contrário é dizer da grande paixão pelos livros em que eu vivi, falar das doces aventuras através dos livros de Lobato que vivenciei, e que ainda mais virtuosos se tornaram com a televisão colocando em pauta, e que eu sempre queria ser a narizinho ou a Emília nas brincadeiras com as amigas e por sinal era apaixonada pelo pedrinho lindo da primeira fase da Tv Tupi, acho. Lembro bem de minhas visitas á biblioteca de nossa cidade, os livros numa esteira de palha e as coletâneas do autor em prateleiras bem limpas e arrumadas, um cheiro de magia e encantamento, livros que traziam lendas, costumes, brincadeiras e avó que gostava de contar história, boneca Emília que falava pelos cotovelos, um sabugo de milho muito inteligente e que viajava nos livros por lugares distantes. Era um sonho ler a obra de Monteiro Lobato e conceber ideias novas, argumentos, desenvolver o repertório e atrever-se a imitar Narizinho e Emília pelos passeios ao sítio.
Hoje sou mãe e nunca esqueço das lindas histórias e apresento a Alice assim como posso cada personagem e história, bem como aos meus alunos que também são apaixonados pelo sítio e sua turma.
O dia nacional do livro ganhou um marco para se lembrar desse belo escrito, mas o lema do autor quando diz fazer livros moradias, e que seja assim todo dia, rotina, hábito, mais que ler apenas uma vez, mas ler, reler, ver , atrever-se, pensar, repensar interpretar o que leu e começar outra vez, brincar com o livro, morar nele em asas, liberdade, casa e coração, tendo a oportunidade de apresentar nossa história, cultura, as boas práticas, um reino de multidão de ideias aos pequenos, amigos, crianças de toda parte. Livros que marquem e que possam mudar a realidade.
Alguns lindos livros que li e ainda recordo o cheiro, a aventura, o suspense, a alegria
E alguns trabalhos em sala de aula com minhas crianças
Sítio do Pica-pau Amarelo
São doces os bolinhos de Tia Anastácia
Dá medo as sapequices do saci
A cuca quer pegar Narizinho,
E vive enfeitiçando o Pedrinho.
No sítio do pica-pau amarelo
Todo dia é dia de fazer o bem.
Numa viagem ao reino das águas claras
Emília quer ser nobre também.
Pra conhecer o príncipe escamado
Narizinho vira rainha
Emília se torna marquesa
Que boneca mais espertinha!
A boneca espoleta
Casa com o marquês de rabicó
Depois que ganhou vida
Emília vive numa alegria só.
No sítio do Pica-pau amarelo
Dona Benta conta suas histórias
Conta e encanta os netos
Vive de glória em glória.
Lá o burro é inteligente
Lê sem demora:
Contos, cantigas ou versos.
Lá no sítio a imaginação aflora.
Desde as invenções de Visconde
Tudo passa a ser fantástico.
Sitio do Pica-pau amarelo
Que grande espetáculo!
Livros cheios de histórias mágicas,
O mundo doce de
fato
com cor e sabor de infância
Inventado por Monteiro Lobato
Paula Belmino
Um poema de minha autoria para homenagear a data e essa obra fabulosa de Monteiro Lobato!