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23 agosto, 2013

Invento


Vento
Quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior

Alma
De flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor

Vento
Que varre os segundos
Prum canto do mundo
Que fundo nao tem

Leva
Um beijo perdido
Um verso bandido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar

Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

Vento
Que dança nas praças
Que quebra as vidraças
Do interior

Alma
Que arrasta correntes
Que força as batentes
Que zomba da dor

Vento
Que joga na mala
Os móveis da sala
E a sala também

Leva
Um beijo bandido
Um verso perdido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar

Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar


Vitor Ramil

...

Um som que encanta num dia solitário, entre ventos e costuras, no sul do mundo.

16 maio, 2011

A ilusão da casa



As imagens descem como folhas
No chão da sala
Folhas que o luar acende
Folhas que o vento espalha

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens descem como folhas
Enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei

As imagens se acumulam
Rolam no pó da sala
São pequenas folhas secas
Folhas de pura prata

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens se acumulam
Rolam enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei

As imagens enchem tudo
Vivem do ar da sala
São montanhas secas
São montanhas enluaradas

Eu plantado no alto em mim
Contemplo a ilusão da casa
As imagens enchem tudo
Vivem enquanto falo

Eu sei
O tempo é o meu lugar
O tempo é minha casa
A casa é onde quero estar
Eu sei


Vitor Ramil
Foto: No pátio de mim. Campeche. Florianópolis.

Hoje, tantos ontens. Amanhã? Tudo ainda. Quero encontrar minha casa. Vamos?

11 março, 2011

À beça

Dia de sair
Ir naquela idéia radical
Tudo o mesmo, nada sendo igual
Tudo pra valer

Dia de sair
Ritmo daqueles de viver
Tudo exato e fora do lugar
Tudo pra durar

Com que roupa eu vou
A tudo que você me convidou?
Mais que um pano novo
Eu quero pôr
Um novo à beça
À beça, à beça

Com que roupa eu vou?
Mais que o velho o novo já gastou
Mais que um pano novo
Eu quero pôr
Um novo à beça
À beça, à beça, à beça

Dia de sair
A palavra dita assim no mais
Tudo bem pensado, sem pensar
Tudo pra valer

Dia de sair
De dizer verdades por dizer
Versos sobre a areia à beira mar
Tudo pra durar

Com que roupa eu vou
A tudo que você me convidou?
Mais que um pano novo
Eu quero pôr
Um novo à beça
À beça, à beça

Com que roupa eu vou?
Mais que o velho o novo já gastou
Mais que um pano novo
Eu quero pôr
Um novo à beça
À beça, à beça, à beça

Com que roupa eu vou?
Com que roupa eu vou?
Dia de sair
À beça!


Vitor Ramil

Foto: Dia de felicidade. Campeche. Florianópolis.
E assim caminharmos pela vida: juntos...

04 agosto, 2010

Invento

Foto: Estética do frio. Porto Alegre. RS.

Vento
Quem vem das esquinas
E ruas vazias
De um céu interior

Alma
De flores quebradas
Cortinas rasgadas
Papéis sem valor

Vento
Que varre os segundos
Prum canto do mundo
Que fundo não tem

Leva
Um beijo perdido
Um verso bandido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar

Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

Vento
Que dança nas praças
Que quebra as vidraças
Do interior

Alma
Que arrasta correntes
Que força os batentes
Que zomba da dor

Vento
Que joga na mala
Os móveis da sala
E a sala também

Leva
Um beijo bandido
Um verso perdido
Um sonho refém

Que eu não possa ler, nem desejar
Que eu não possa imaginar

Oh, vento que vem
Pode passar
Inventa fora de mim
Outro lugar

Vitor Ramil


30 junho, 2010

Livro aberto


Foto: Enquanto você não vem. Florianópolis.
Essa cama imensa consumindo a noite
Esse livro aberto como alegoria
O abajur perdido em sua luz
Essa água quieta desejando a sede
O controle girando no ar
A TV remota em sua fantasia
Uma alegria que não vai passar
Se você vier

Esse teto frágil sustentando a lua
Esse livro aberto como uma saída
O tapete e seu plano de vôo
O lençol revolto antecipando o gozo
Essa velha casa de coral
Essa concha muda que o meu sonho habita
A paixão invicta que não vai passar
Se você vier

Esse rádio doido de olhos valvulados
Esse livro aberto como uma sangria
Esse poema novo sem papel
O papel que cabe aos meus sapatos rotos
O meu rosto que o espelho não vê
A janela imóvel em seu desatino
Esse meu destino que não vai passar
Se você vier

Esse quarto agindo à minha revelia
Esse livro aberto como uma indecência
O desejo é um naco de pão
A ilusão exposta em tanto desalinho
Uma tecla insiste em bater
No relógio o tempo é uma saudade tensa
E essa cama imensa que não vai passar
Se você vier


Vitor Ramil



hoje... passamos várias estações, e juntos... uma promessa, uma carícia, um beijo em teu sonho distante.

09 janeiro, 2009

Semeadura

Nós vamos prosseguir, companheiro
Medo não há
No rumo certo da estrada
Unidos vamos crescer e andar
Nós vamos repartir, companheiro
O campo e o mar
O pão da vida, meu braço, meu peito
Feito pra amar.

Americana Pátria, morena
Quiero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
No pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar
Vento e luar

Nós vamos semear, companheiro
No coração
Manhãs e frutos e sonhos
Pr'um dia acabar com esta escuridão
Nós vamos preparar, companheiro
Sem ilusão
Um novo tempo, em que a paz e a fartura
Brotem das mãos

Americana Pátria, morena
Quiero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
En la pampa, mi poncho a volar
Esteira de vento e luar
Vento e luar

Minha guitarra, companheiro
F ala o idio ma das águas, das pedras
Dos cárceres, do medo, do fogo, do sal
Minha guitarra
Tem os demônios da ternura e da tempestade
É como um cavalo
Que rasga o ventre da noite
Beija o relâmpago
E desafia os senhores da vida e da morte
Minha guitarra é minha terra, companheiro
É meu arado semeando na escuridão
Um tempo de claridade
Minha guitarra é meu povo, companheiro

Americana Pátria, morena
Quiero tener
Guitarra y canto libre
En tu amanecer
No pampa, meu pala a voar
Esteira de vento e luar
Vento e luar.



Semeadura - Vitor Ramil


Foto: Tessituras. Florianópolis.

patiodotempo.blogspot.com

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"e o mundo é meu, o mundo é seu, de todo mundo..." Zeca Baleiro