Prefiro não dar a minha opinião acerca do conteúdo do livro.
Gostei de ler e já sabia, à partida, que não deveria estar à espera de um grande género literário, já que este livro visa não a leitura recreativa, mas algo mais.
Só li agora o livro porque o quis ler temporalmente longe do mediatismo que envolveu o caso e das reacções intempestivas e coléricas que até há alguns meses eram indissociáveis deste caso. Toda a gente tinha uma opinião sobre o que aconteceu a Maddie.
Hoje as pessoas parecem esquecer-se que um dia uma menina inglesa desapareceu no Algarve. E que pela sua condição de estrangeira recebeu mais atenção do que qualquer outra criança até aí dada como desaparecida. Pelo menos já não é tema obrigatório da chamada "conversa de circunstância".
Não gosto de livros verdadeiramente comerciais, que apenas visam publicitar esta ou aquela pessoa, nem de livros que foram claramente escritos com o único propósito do lucro. Repudio os pseudo-escritores que decidem auto-intitular-se de "escritores" só porque decidiram pegar numa notícia polémica e escrever sobre ela.
Exactamente ou não, com ou sem rigor, não interessa. Porque apenas pretender vender a "banha da cobra" e ganhar dinheiro. Não penso que este seja o caso. E essa foi uma das razões que me levou a querer ler o livro.
Porque penso que será o relato de um homem que digna a sua profissão, que a honrou, e que se sente injustiçado e impedido de continuar a sua carreira, deixando assim sem solução uma histórica trágica. E sem o deixarem trazer ao de cima a verdade.
Sinceramente, o que mais me levou a ler o livro foi o facto de querer compreender melhor o lado ligado ao Direito, minha área, que não conheço, mas que comigo trabalha no sentido da Justiça. Porque os casos chegam-me depois da actuação deste órgão de segurança. Porque acho que não são devidamente valorizados e porque queria conhecer o seu modo de actuação. Principalmente num caso tão inédito e em que tudo o que era mostrado via meios de comunicação podia ser deveras dissimulador dos esforços realmente conduzidos pelos órgãos de investigação.
Li o livro e gostei de o ler. Só espero que a verdade um dia seja trazida ao conhecimento de todos e que os culpados pelo desaparecimento desta criança - não por ser inglesa, não por ter sido em Portugal, não por ter pais médicos e aparentemente influentes, mas por ser uma criança - sejam punidos.
E sobretudo que a partir deste caso nunca mais uma criança desapareça sem o mesmo esforço ser movido para a encontrar, independentemente da sua raça, idade, religião ou nacionalidade.