Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 9 de março de 2011

"SOBRETUDO" D'ALMA CONTRA A CHUVA ÁCIDA DO COTIDIANO

Considerações acerca do que foi, do que é, e...do Carnaval que nunca vai mudar.



Por: Wagner Mopho


No Brasil (graças a deus), se aproximam as festividades de Momo. Ora é

justamente em tão abençoada época que os ânimos entram em ebulição, contam-se nos dedos os jovens que não manifestam um empenho como que extracorpóreo em se misturar a turba hílare que pulula. Quanto aqueles, cujo acumulo dos dias não permite acompanhar a efervescência juvenil, dão vivas a saudade do seu tempo de viço momesco. Com exceção de alguns credos (que encerram em si suas próprias práticas carnavalescas) todo o país se mobiliza em função do tão amado carnaval. Mas deixemos um pouco de lado o carnaval, que foi lembrado aqui, apenas para nunca ser esquecido. Pois bem, avaliemos a questão das instabilidades sociais no Brasil e a respectiva reação da juventude (o que seria como mudar o rumo da conversa de cúelhos* para bigodes de índio) e tracemos um paralelo entre essa questão e os recentes acontecimentos em países do Oriente. As manifestações que ora se sucedem nesses países, o Brasil já as viveu.

A questão que desejo edificar aqui (e para tanto não me abstenho de dar o devido desconto as possíveis falhas de analogia, ao comparar uma manifestação cultural a um movimento de insatisfação social) é: Porque a juventude brasileira, outrora tão combativa, está em apatia em relação aos acontecimentos políticos e econômicos que permeiam seu presente, e que terão sérias conseqüências em seu futuro? Faço esse questionamento, não na intenção de elitizar a parcela da mocidade que de fato ainda guarda a consciência de causa e efeito dos atos estatais, principalmente no que tange a juventude, muito menos na querência de diminuir aqueles que por direito não manifestam interesse por tão pouco convidativos capítulos de nossa recente historia. Questiono sim, em meio a devaneios de pretensiosas pretensões, para entender porque em países do Oriente cuja tradição de opressão data dos tempos de antanho, a parcela jovem da população, principalmente os estudantes universitários, está de forma efetiva a abalar os alicerces dos sustentáculos das abstrações do poder que oprimem seu povo, mesmo sendo os combatentes nascidos e educados em um ambiente, onde a simples contestação causa as mais terríveis conseqüências, estes estão oferecendo o peito e a alma em prol de um único ideal: Democracia. Por que então, em um país como o nosso que conquistou com sangue suor e lágrimas suas liberdades democráticas, a indiferença corrói nossos jovens quando o assunto é a realidade presente e futura do sistema político-econômico do país?

É certo que aqui não tento comparar os países do Oriente cujo fato democrático a muito é tido como utópico, com o nosso, que goza de uma democracia já um tanto quanto madura, e de sólido alicerce. Não é essa a idéia, é antes sim, fomentar a dúvida do motivo pelo qual no Brasil multidões juvenis em euforia só se encontram unidas em prol de uma crescente cultura de utilidade e gosto duvidáveis ( não me refiro ao carnaval, deus me livre!! ) e aqui faço juízo de valor. Tomei de modelo no início do texto o carnaval como ilustração e não como exemplo de inutilidade jamais me referiria a tão portentosa manifestação da cultura de um povo como inútil. Refiro-me a uma cultura de massa e fugaz, que é capaz de mobilizar multidões e nutrir um comercio bastante lucrativo que não sustenta outra intenção, que não alienar mais e mais para lucrar mais e mais.

Cada geração tem suas manifestações, compreende-se então, que essa geração reflete os movimentos evolutivos da sociedade, por esse motivo, não é “boa” nem “má”, é apenas reflexo da sociedade globalizada (no caso da geração atual) e como tal é manifestação histórica de um mundo guiado pela lógica do capital. Concluo que os tempos idos de luta no Brasil refletiram também um momento histórico, e que este, não deve ser lembrado com nostalgia somente pelo fato da nova geração não estar afinada com aquela. A juventude de hoje é a juventude do Brasil, assim como aquela prole aguerrida de outrora também o era, nada além do momento histórico as separa. Não há porque se diminuir uma pela grandeza da outra ou acrescentar aquela o que falha nessa, há sim, que se viver o tempo histórico e deixar que a própria historia faça “justiça” no porvir ( e fará (já está fazendo) ). E por falar em tempo lembro-me que é tempo de carnaval, portanto não há tempo pra mais nada. Com licença!!

*Pêlos da região do períneo

sábado, 9 de outubro de 2010

"SOBRETUDO" D'ALMA CONTRA A CHUVA ÁCIDA DO COTIDIANO

O Dom de ser Casmurro

Voltei!...

De fato, assiduidade não é o meu forte. Mas vamos lá, prossigamos. Hoje, por motivo que me foge a razão, resolvi falar sobre uma obra literária que muito me fascina, e acredito que a muitos outros. Dom Casmurro é uma obra encantadora, não apenas por lançar visão sobre as idéias e costumes de uma sociedade aristocrática em uma cidade com tantas controvérsias como o Rio de Janeiro do século XIX, mas também pela inovação do autor em estabelecer uma relação intimista com o leitor, quando, por exemplo, quebra a quarta parede. Juntando-se a esses pequenos aspectos e vindo somente a acrescentar a obra, está o que considero o maior mistério da literatura nacional, quiçá do mundo:

Capitu!!? Fez de nosso malfadado Bentinho, um homem corroído pela dúvida, por de fato ter agido conforme as suspeitas do narrador. Ou pelo contrário o narrador se fez casmurro pela inconstância de seu caráter? Trocando em miúdos, Bentinho carrega em sua casmurrice um par de córneos?

Pois bem, a intenção não é resolver tal mistério, até porque creio eu não se poderá obter essa resposta a menos que se reúna o pó do Bruxo do Cosme Velho, e se lhe aplique alguma mágica que lhe reanime a genialidade. A intenção é antes sim, fazer uma reflexão curta sobre o tema, dado que há muito assunto nesse assunto. Nota-se na obra uma grande parcialidade, posto que os acontecimentos sejam narrados a luz dos olhos do principal interessado em acreditar na traição de Capitu.Eu pessoalmente estou propenso a crer na inocência desta, pois, nota-se ainda na adolescência dos dois um certo destempero emocional em Bentinho, uma certa inconstância de caráter. No episodio do dandy por exemplo, isto esta bem claro:

CAPITULO LXXIII / O CONTRAREGRA

[...] Ora, o dandy do cavalo baio não passou como os outros; era a trombeta do juízo final e soou a tempo; assim faz o Destino que é o seu próprio contra-regra. O cavaleiro não se contentou de ir andando, mas voltou a cabeça para o nosso lado, o lado de Capitu e olhou para Capitu, e Capitu para ele; o cavalo andava, a cabeça do homem deixava-se ir voltando para trás. Tal foi o segundo dente de ciúme que me mordeu. A rigor, era natural admirar as belas figuras; mas aquele sujeito costumava passar ali, às tardes; morava no antigo Campo da Aclamação, e depois... e depois... Vão lá raciocinar com um coração de brasa, como era o meu! Nem disse nada a Capitu; saí da rua à pressa, enfiei pelo meu corredor [...]

CAPITULO LXXV / O DESESPERO

[...] Corri ao meu quarto, e entrei atrás de mim. Eu falava-me, eu perseguia-me, eu atirava-me à cama, e rolava comigo, e chorava, e abafava os soluços com a ponta do lençol.[...]

[...]Da cama ouvi a voz dela, que viera passar o resto da tarde com minha mãe, e naturalmente comigo, como das outras vezes; mas, por maior que fosse o abalo que me deu, não me fez sair do quarto e Capitu ria alto, falava alto, como se me avisasse; eu continuei surdo, a sós comigo e o meu desprezo. A vontade que me dava era cravar-lhe as unhas no pescoço, enterrá-las bem, até ver-lhe sair a vida com o sangue... [...]

Em minha opinião, deve se levar em consideração o papel do AGREGADO. Credito em grande parte a José Dias a culpa por Bentinho ter se tornado Casmurro. Explico. Na ânsia, e vendo a possibilidade de ir ter ao velho mundo, na condição de acompanhante de Bento, se este fosse estudar fora e não ao seminário, José Dias via em Capitu um grande entrave a este intento e procura da forma mais discreta e subserviente possível, que é bem seu estilo fazer com Bentinho o que Bentinho lhe pedira que fizesse com sua mãe: Plantar-lhe uma idéia, e arrancar-lhe a antiga. Bentinho ao perguntar ao agregado como vai Capitu recebe a seguinte resposta:

[...]-Tem andado alegre, como sempre; é uma tontinha. Aquilo enquanto não pegar algum peralta da vizinhança, que case com ela...

Pronto. Estava ali plantada a semente, ou, e mais corretamente germinada a semente.

[...] Estou que empalideci; pelo menos, senti correr um frio pelo corpo todo. A notícia de que ela vivia alegre, quando eu chorava todas as noites, produziu-me aquele efeito, acompanhado de um bater de coração, tão violento, que ainda agora cuido ouvi-lo. Há alguma exageração nisto; mas o discurso humano é assim mesmo, um composto de partes excessivas e partes diminutas [...]

Nada cresce mais forte no coração de um homem que uma idéia plantada, principalmente se encontra solo fértil. E se esta mesma idéia lhe lança ambigüidades sobre a veracidade das palavras e dos atos daquela (e) que lhe jura amor e para o (a) qual vão todos os seus pensamentos (e isto é tanto mais verdade quanto mais forte é o platonismo do amor) então se terá em cada mínimo detalhe, motivo para um duelo de morte. E mais tarde quando escrever as “reminiscências que me vierem vindo”, não poderei o fazer de outra a não ser aquela em eu me resguarde e justifique a dor do meus atos guiados pela duvida, de forma que para não dar de cara comigo mesmo e meus erros, encontre alguém para culpar.

Eis que canso. Façamos assim no próximo encontro, uma vez já tendo avaliado o personagem Bentinho segundo a minha ótica, passo a analisar Capitu. È, bem que eu sabia que era muito assunto dentro de um assunto. Não pude me encurtar. Até a próxima.

Wagner Mopho

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"SOBRETUDO" D'ALMA CONTRA A CHUVA ÁCIDA DO COTIDIANO


O Conteúdo dentro da Falta

Por:Wagner Mopho


Na ânsia de escrever algo, que por essência fosse interessante para uma coluna (que confesso, não sei exatamente sobre o que devo versar) encontrei-me em meio a um dilema. As vésperas da publicação, e diante de tão árdua tarefa, me vi as beiras da inanição literária. Remexia e tornava a remexer no baú do imaginário, que nada mais continha que não fotografias encardidas das mesmices do cotidiano.

Desistirei pensei, não posso dar movimento a pena, que no caso (e esse detalhe não me escapou) transformara-se em letrinhas comportadas e bem dispostas sobre uma plataforma. Contudo mesmo assim me era alheia a capacidade de dar-lhes preção, de forma achar a exata combinação. Parecia mais difícil que discutir religião fumando um baseado com o papa. Enquanto devaneava sobre a incompetência de dar vazão a razão, tive o que se me assemelhou a um choque com o que de fato procurava. Sofri uma epifania. Ali estava a idéia, como que nua, a se insinuar para mim, para que eu pudesse da forma que bem entendesse explorá-la, deflorá-la até. Não pude deixar de olhar com interesse o fato de justamente vir da ausência de idéias, pode-se dizer ausência de inspiração, de vir justamente dessa falta, o conteúdo. Nesse ponto então me surgiu outra idéia, a visão de atividade na inércia, de existir dinâmica no nada. Impressiona-me porque tendo partido de coisa alguma, a pena (no caso as teclas) encontra(m) agora a cominação de caracteres que se alinham perfeitamente a uma idéia que inexistia. Ora se de fração do nada se extrai movimento, pergunto-me então se do nada não se pode surgir tudo?

....! Devo parar, porque já abstraio.

No mais foi assim que consegui chegar até aqui, espero da próxima não cair nas veredas do devaneio outra vez. Propus-me a fugir do cotidiano usando a escrita como ferramenta, mas nessa carreira desabalada com que comecei, acabo por parar num hospício.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"SOBRETUDO" D'ALMA CONTRA A CHUVA ÁCIDA DO COTIDIANO

Metamorphose do Mopho

Ora, ora, ora!! Então aqui estamos, pois bem. Para aqueles que me desconhecem sou Wagner ou Mopho ou ainda Wagner Mopho, como preferirem. A contar da próxima sexta, estarei escrevendo mui dedicadamente para esta coluna. Temas? Serão os mais diversos possíveis por quê? Por que gosto da liberdade em todos os seus aspectos e acredito que ela deva estar presente (ao menos na intenção) em tudo que fazemos.

Até lá então!!! Fico na expectativa sobre o primeiro tema que escreverei.

Penso cá comigo... qual será .......talvez .... esse... ............. contudo ................ah!!...... não não ............e..........re...................de........

Por: Wagener Mopho