Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Manoel de Barros



São Paulo - A vitalidade do poeta Manoel de Barros é invejável. Próximo dos 93 anos (completa em dezembro) e apesar das dificuldades auditivas e de visão, ele escreve mais um livro. O teor ainda é um mistério mas, segundo sua primeira e mais fiel leitora, a mulher Stella, trata-se de sua obra-prima. "Manoel escreve à mão, como de hábito, com uma caligrafia muito particular", comenta Pascoal Soto, diretor editorial do Grupo Leya do Brasil, que contratou a obra do poeta mato-grossense - serão 17 títulos e esse inédito, a partir do próximo ano. "Quando recebo correspondência do Manoel, minha pulsação aumenta: são os originais de uma poesia inigualável".


Fonte:
DIÁRIO de Pernambuco. Acesso em: 04 11 2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A Solidão Impõe seu Monopólio



Já que a disputa mercadológica é grande, vou ter que vender meu peixe. Ou melhor, dá-lo. Para o e-mail de lançamento do Monopólio da Solidão, pensei em utilizar o texto O tempo da solidão (disponível em: http://cronisias.blogspot.com/2009/07/monopolio-da-solidao.html); como o texto demorou quatro anos para ser finalizado, achei que ele estaria à altura para divulgar a minha nona coletânea de poemas. Mas pensei bem e nada melhor do que uma conversa sem compromisso, como essa que teremos ao longo desse e-mail.

João Cabral de Melo Neto fala de uma “serventia das idéias fixas” para guiar um poeta. Bom, comigo tudo começou em 2007, quando comecei a escrever o poema Na sua ausência; concomitantemente, estava fazendo a leitura do Assim Falou Zaratustra. Quando eu vi o conselho de Nietzsche dizendo: “foge, amigo, para a tua solidão, para onde sopre vento rijo e forte”, pensei no meu ofício de poeta. Escrever poesia é um meio de evadir-se da solidão, mas não era esse o conselho do filósofo. Eu não deveria fugir da solidão, mas para a solidão. Eu teria que fugir do mundo para dentro de mim. Mas o mundo sou eu.

Eu sou aquele capaz de morrer pela honra, pela redenção, pelo amor. Eu sou a linha de fronteira entre os loucos e os artistas. Eu sou aquela árvore que cresceu no oitavo andar da sacada de um prédio apenas porque o ar-condicionado pingava água destilada. Eu sou o anonimato. Eu sou os miseráveis que estão na quarentena social do capitalismo. E nada do que não seja do mundo está dentro de mim.

E dentro de mim sopra vento rijo e forte; tenho comigo o olho do furacão do que se convencionou chamar de solidão. Ninguém há de saber o que se passa entre os tumultos do meu coração: a solidão impõe seu monopólio em forma de silêncio. O Monopólio da Solidão não falará de mim, falará dos outros, pois como Elizabeth Bishop, é com os outros que me encontro. Mas no final das contas, de quem é a solidão? Na realidade não é de ninguém, pois nós não temos a solidão, a solidão é quem nos tem. Ora, se a solidão tem a todos, estamos no mesmo plano, logo, não estamos sozinhos, temos uns aos outros. Quem dera fosse assim... É justamente dessa solidão que me refiro: de estarmos uns ao lado dos outros sem sequer perceber a presença de outrem.

Se por acaso 5% de vocês dedicarem ao menos 5 minutos de vossas vidas na leitura desse e-book, já terei combustível suficiente para lançar ao menos mais duas coletâneas de poemas. E dessa vez, sinto-me completamente preparado para os meus leitores, podem ler quaisquer um dos poemas, que eu me orgulharei de tê-lo escrito, pois foi feito com tanto suor, com tanta insônia, com tanta luta que posso dizer que todo o caos que vivi foi compensado pela honra de sua leitura.
Devo confessar que o Monopólio não atingiu o meu objetivo. Essa coletânea deveria ter marcado o fim da divisão entre Ednaldo e Fred Caju. Pensei que ao seu termino eu voltaria a ser um, mas não foi o que aconteceu... Mais do que nunca, eu (nós) sou (somos) dois. O Monopólio da Solidão não é de Caju, nem de Ednaldo, é de quem quiser. E quem o receber, não deverá devolvê-lo, pois a saga da solidão em minha poesia, acabou. O sol anuncia a chegada de novos tempos, de novos sonhos.




Por Fred Caju

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Épico de Sousândrade ganha versão integral


São Paulo - Quem lê o futuro se condena ao esquecimento. Joaquim de Sousa Andrade (1833-1902), ouSousândrade, dizia-se decepcionado por saber que seria lido 50 anos depois. Ele se referia à sua obra maior, O Guesa, poema épico de 13 cantos e 176 estrofes, cujo protagonista é um ser errante, em travessia pelo continente americano - seu destino é ser sacrificado por especuladores em Nova York. Apesar da importância, o livro só foi editado em edição fac-similar, de pequena tiragem. Agora é a primeira vez, desde o fim do século 19, que ganha edição integral, com a tipologia da época e sem a reprodução em fac-símile.

Editado pelo selo Demônio Negro, da Annablume, O Guesa (382 págs., R$ 75) será lançado hoje, na Casa das Rosas, em São Paulo, com a presença do poeta Augusto de Campos, que assina o prefácio. Em parceira com o seu irmão, Haroldo, Augusto escreveu Re-Visão de Sousândrade, que resgatou a obra do poeta maranhense nos anos 1960. Coautor com Julio Plaza de Reduchamp (Demônio Negro), que ganha nova ediçãoapós mais de três décadas, Augusto, de 78 anos, falou sobre O Guesa.



Fonte: DIÁRIO de Pernambuco: < http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/09/22/indice.asp> Acesso em 22 09 2009 as 7hs e 26min

sábado, 19 de setembro de 2009

Resenha


SELETA DA LITERATURA VISCERAL DE LARA – diga-se de passagem Visceral de vísceras mesmo! -Por quê? É só ler um pouquinho, para perceber que o poeta realmente desarraiga de suas entranhas todos os seus sentimentos despejados em: Poemas, Contos, e Crônicas. Digamos que tratam-se de várias facetas, as quais poderão agradar o sujeito leitor com os suas várias nuances.
Há tempos não paro e devoro um livro tão rápido como venho devorando esse. Talvez seja a curiosidade de conhecer mais um poeta, talvez seja mesmo a carência de escritos viscerais como esse.
Com a leitura desse livro (que doarei para outro amigo poeta, disseminando assim a informação. Sem deixar de adquirir outro exemplar, alias com o próprio autor. Já que essa edição é patrocinada pelo mesmo), não poderia deixar de lembrar-me do velho Bulk* e afirmar com F em Caps Lock que: A POESIA MARGINAL NÃO MORREU! E como diria P. Lemiski: Marginal
é quem escreve à margem,
deixando branca a página
para que a paisagem passe
e deixe tudo claro à sua passagem.

Marginal, escrever na entrelinha,
sem nunca saber direito
quem veio primeiro,
o ovo ou a galinha.
Com mais essas publicações, e outras que já vi circulando aí do Autor (Lara) fica provado uma coisa: Chico Scince está mais certo do que nunca:
“Um passo a frente e você não está no mesmo lugar”.

D.Everson

*Henry Charles Bukowski foi um poeta, contista e romancista americano. Sua obra obscena e estilo coloquial, com descrições de trabalhos braçais, porres e relacionamentos baratos, fascinaram gerações de jovens à procura de uma obra com a qual pudessem se identificar.

sábado, 22 de agosto de 2009

Leite Derramado - Resenha

LEITE DERRAMADO, não se trata de um grande livro na literatura atual. Apesar da algazarra – provocada pelos críticos e o bom e velho marketing – em livrarias espalhadas pelo Brasil, Chico não traz a poética de Budapeste em seu novo romance. Não podendo ostentar a alcunha maior que apenas o adjetivo de bom, o livro deve ter decepcionado alguns leitores sedentos por Best-sellers. Narrando suas memórias – e que memórias – Eulálio Montenegro d’Assumpção às vezes nos confunde quando começa a se atrapalhar com a sua própria linhagem. “E falo devagar, como quem escreve, para que você me transcreva sem precisar de taquígrafo...”, Na verdade não sei se era a intenção, mas o leitor acabará mesmo se confundindo. Beira o criativo quando o narrador discorre o mesmo fato com outras conotações e situações, não deixando, no entanto de ser enfadonha a repetição de como ele conheceu sua esposa. Em fim, ao fim do livro chega-se a conclusão de que algo está errado, acabando sem mais nem menos deixando o leitor esperando algo mais.
(D.Everson)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Patativa do Assaré - Ave Poesia



Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, nasceu em 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré-CE.
Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de “patativas” porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.
Filho de pequenos proprietários rurais, Patativa inspirou músicos da velha e da nova geração e rendeu livros, biografias, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro. Também pudera. Ninguém soube tão bem cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza.
Como todo bom sertanejo, Patativa começou a trabalhar duro na enxada ainda menino, mesmo tendo perdido um olho aos 4 anos. No livro Cante lá que eu canto cá, o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que “para ser poeta de vera é preciso ter sofrimento”.

Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Desde os 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, “já disse tudo que tinha de dizer”. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome.

Segue abaixo o Trailer Oficial do filme "Patativa do Assaré - Ave Poesia" que relata a vida do poeta popular, com imagens e recitações do próprio Patativa.



terça-feira, 14 de julho de 2009

Poemas do S(ó)l - Livro de D. Everson

Texto da orelha do livro "Poemas do S(ó)l"

Poder apresentar esta obra representa para mim um grande desafio. Primeiro, porque sinto a obrigação de manter a qualidade demonstrada pelo Autor, ao longo de sua obra. Segundo, me sinto no dever de transmitir ao futuro leitor o que esta obra traz consigo e a que se propõe.
Para mim, ser poeta é conseguir perceber o que há de belo no mundo real, da vida cotidiana, e ser capaz de transcrevê-lo em palavras simples da nossa língua. E aqui está um bom exemplo: Poemas do S(ó)l.
Neste livro, D. Everson transcreve as percepções da vida de alguém que vive: o poeta. Seus sentimentos, angústias, amores e ironias estão presentes nesta obra.
Como o próprio Autor coloca:
“O que vale não é o que pensa o poeta,
E sim o que sente quem lê o poema”.
Espero que a cada poema lido o leitor possa deparar-se consigo mesmo, com sua vida e tudo aquilo que ela traz.
Acredito que só assim, poderemos entender a alma daqueles que escrevem.
Poemas do S(ó)l nada mais é do que o retrato daquele que o escreveu.
Este livro é, antes de tudo, um provocador. Provocador de sensações e sentimentos que só podem ser sentidos quando estão em linguagem cognoscível como esta.
A todos uma excelente leitura!
Filipe Melo


Segue o link para download do livro completo:

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Passaros Proibidos

Em 1976 em um presídio chamado “Liberdade”

Nos tempos da ditadura militar, os presos políticos uruguaios não podiam falar sem licença, assoviar, sorrir, cantar, caminhar rápido nem cumprimentar outro preso. Tampouco podiam desenhar nem receber desenhos de mulheres grávidas, casais, borboletas, estrelas ou pássaros.
Didaskó Pérez, professor, torturado e preso por ter idéias ideológicas, recebe num domingo a visita de sua filha Milay, de cinco anos. A filha traz para ele um desenho de pássaros. Os censores o rasgam na entrada da cadeia.
No domingo seguinte, Milay traz para o pai um desenho de árvores. As árvores não estão proibidas e o desenho passa. Didaskó elogia a obra e pergunta à filha o que são os pequenos círculos coloridos que aparecem nas copas das árvores, muitos pequenos círculos entre a ramagem:
– São laranjas? Que frutas são?
A menina o faz calar:
– Shiiiiiihhh.
E em tom de segredo explica:
– Bobo. Não está vendo que são olhos? Os olhos dos pássaros que eu trouxe escondidos para você.

domingo, 28 de junho de 2009

Homenagem a Paulo Leminski

Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Poeta praticamente dês da pia deixou uma obra sem precedentes, no entanto segundo o Mestre em Literatura Álvaro Marins “procurar estudar qualquer aspecto da obra de Paulo Leminski é como procurar o fio de Ariadne no labirinto de cretense habitado pelo Minotauro. E verdade seja dita até nas bibliotecas universitárias que freqüento é difícil encontrar algo mais que alguma coletânea perdida, e tão surrada quanto um livro velho de sebo".
Em 1958, aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou o ano inteiro. Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras. Leminski casou-se, aos dezessete anos, com a desenhista e artista plástica Neiva Maria de Sousa (da qual se separou em 1968).
Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista. Em 1965, tornou-se professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, e também era professor de judô.
Classificado em 1966 em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna. Casou-se em 1968 com a também poetisa Alice Ruiz, com quem viveu durante vinte anos. Algum tempo depois de começarem a namorar, Leminski e Alice foram morar com a primeira mulher do poeta e seu namorado, em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano, e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos: Miguel Ângelo (que morreu com dez anos de idade, vítima de um linfoma). Eles também tiveram duas meninas, Áurea (homenagem a sua mãe) e Estrela.
De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário. Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras.
Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 e lançou o seu ousado Catatau, que denominou "prosa experimental", em edição particular. Além de poeta e prosista, Leminski era também tradutor (traduziu para o castelhano e o inglês alguns trechos de sua obra Catatau, a qual foi traduzida na íntegra para o castelhano).
Músico e letrista, Leminski fez parcerias com Caetano Veloso e o grupo A Cor de Som entre 1970 e 1989. Teve influência da poesia de Augusto de Campos, Décio Pignatari, Haroldo de Campos, convivência com Régis Bonvicino, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira, Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes, Wally Salomão, Antônio Cícero, Antonio Risério, Julio Plaza, Reinaldo Jardim, Regina Silveira, Helena Kolody, Turiba, Ivo Rodrigues.
Publicou o livro infanto-juvenil ‘’Guerra dentro da gente’’, em 1986 em São Paulo. Entre 1987 e 1989 foi colunista do Jornal de Vanguarda que era apresentado por Doris Giesse na Rede Bandeirantes.
Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Além de escritor, Leminski também era faixa-preta de judô. Sua obra literária tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos.
No último dia 7 completaram-se exatamente 20 anos que perdemos o Polaco Louco, a 7 de junho de 1989. Poetas de Marte não poderia deixar de fazer uma homenagem a esse singular "samurai dos Haikais". Fiquem com o vídeo "O tempo e o Vento" ou "Polaco Loco Paca", produzido por Claúdia Buchwitez.



domingo, 31 de maio de 2009

Sousândrade - Biografia

Nascido em 09 de julho de 1832, na vila de Guimarães, termo da então comarca de Alcântara no Estado do Maranhão, Joaquim de Souza Andrade ou Sousândrade, como o poeta gostava de ser chamado, possui uma obra poética original e inovadora para sua época, embora ainda bastante desconhecida do público. Durante anos, seus poemas ficaram esquecidos, sendo resgatados a partir de 1950. Sousândrade era filho de comerciantes de algodão, produto de grande exportação na época e que tinha o Maranhão como sua principal fonte de produção. Por isso, teve condições financeiras de estudar na Europa onde graduou-se em Letras pela Universidade de Sorbonne (Paris), além de ter cursado nessa mesma cidade o curso de Engenharia de Minas. Durante esse tempo de estudos na Europa, viajou para outros países, entre eles Portugal, Alemanha e Inglaterra. Nesses, entrou em contato com a poesia de grandes poetas como Baudelaire, Cesário Verde, Hördelin, Keats e tantos outros, o que influenciaria na formação de suas obras.

Em 1870, fixou residência nos Estados Unidos, pois sua filha foi estudar no Sacred Heart em Nova Iorque. No período de 1871 a 1879 foi secretário e colaborador do periódico O Novo Mundo, dirigido por José Carlos Rodrigues em Nova Iork (EUA). Voltou para São Luís no final do reinado de Dom Pedro II para lecionar no Liceu maranhense, comemora com entusiasmo a Proclamação de República. Participou ativamente da política naquele estado, sendo ativista da causa republicana.

Republicano convicto, em 1890 foi presidente da Intendência Municipal de São Luís – MA. Realizou a reforma do ensino, fundou escolas mistas e idealizou a bandeira do Estado. Foi candidato a senador, em 1890, mas desistiu antes da eleição. No mesmo ano foi presidente da Comissão de preparação do projeto da Constituição Maranhense.

Sua poesia contém algumas características da geração romântica, como a presença do nacionalismo e da nostalgia da terra querida, aliadas a uma forte preocupação social. Embora, alguns críticos classifiquem sua obra como pertencente à geração condoreira, ela possui elementos da poesia modernista, entres eles reflexões sobre a modernidade e a vida nas grandes cidades, valorização da cultura popular.

Sobre sua poesia, o poeta Augusto de Campos afirmou: "no quadro do Romantismo brasileiro, mais ou menos à altura da denominada 2ª geração romântica (conceito cronológico), passou clandestino um terremoto. Joaquim de Sousa Andrade, ou Sousândrade, como o poeta preferia que o chamassem, agitando assim, já na bizarria do nome, aglutinado e acentuado na esdrúxula, uma bandeira de guerra." Foi um poeta extremamente inovador para seu tempo, cuja obra apenas recentemente passou a ser estudada.

Publicou “Harpas selvagens”, em 1857, e "Harpa de Ouro" (1888/1889), porém sua obra mais importante é o longo poema “Guesa”, publicado enquanto Sousândrade ainda estava nos Estados Unidos. Obra que foi sucessivamente ampliada e corrigida, "Guesa" utiliza recursos expressivos, como a criação de neologimos e de metafóras vertiginosas, que só foram valorizados muito depois de sua morte. Faleceu em 21 de abril de 1902, no Hospital Português, em São Luís. Os originais de suas últimas produções tornaram-se papel de embrulho nos comércios da cidade.



Ouvi dizer já por duas vezes que o Guesa Errante será lido 50 anos depois; entristeci – decepção de quem escreve 50 anos antes.” (Sousândrade, 1877).




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


MELO, Sálvio Fernandes de. Sousândrade: Poesias. Brasília: Thesaurus, 2005. 16 p. (Coleção Divulgação – Incentivo à Leitura, Série Escritores Brasileiros, n 16).

OUTROS.