Viajantes Interplanetários

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sábado, 6 de maio de 2017

Homo sapiens


Pretensioso, o Homo é só um primata nu 
Porém se alastrou no planeta como peste
Mas, diferente da fauna, roupa ele veste
De preferência não come alimento cru.

Contudo, a consciência lhe traz agonia
Estressado, todo tempo consulta a hora
Deseja achar que controla tudo, e adora
Crendo, se mais tempo tivesse, mais faria.

Inventou o pesadelo, tal como a cerveja
Dissoluto, vai pregando uma vida austera
Diz gostar da paz, embora guerreiro seja.

Mesquinho, mas neste Planeta marca era
Nada fala, mas se acha do bolo a cereja
Da mal a pior, neste planetinha impera.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Gullar

Quando um poeta morre, uma estrela aparece
Fixa e transcendente no vasto firmamento
Será o cosmos reconhecendo no momento
Este bardo falecido que resplandece?

Então lá, Ferreira Gullar tomará assento
Onde por certo brilhará quando anoitece
Quando, na noite, vai colhendo sua messe
Espalhando poemas sujos pelo vento.

Porém o bardo fecundo não se vai, apenas
E deixa trabalho que pra todos cai bem
Os versos homéricos e as rimas pequenas.

Mensagens, todas obras de Gullar contém
Exaltadas umas, outras de feições serenas
Contudo, inspiradas e brilhantes também.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Solucionática

Existe uma lenda tribal africana, a qual conta que pai, avô e filho estavam num pequeno barco prestes a afundar no caudaloso Okavango. Apenas o pai sabia nadar e podia salvar um dos restantes: seu próprio pai, ou seu filho. A sua consciência lhe dizia que ambos eram igualmente importantes, mas ele salvou seu próprio pai. O velhos, naquela tribo, eram depositários de toda a sabedoria e, sem eles,  a própria tribo perderia sua identidade e estaria fadada a desaparecer.


Hoje as coisas são diferentes na tribo internética, então fiz um soneto que esclarece como aconteceu recentemente na África quando um homem branco, seu filho e seu pai foram encurralados por um leão feroz e faminto:


Perigo de morte a todos naquele grotão
Encurralados os três no interior do mato
Pois faminto a espreita estava um leão
Pai, o menino, o avô com medo de fato

Como fazer? Alguém seria sacrificado
Para que se salvassem os outros dois
Seria o avô querido ou o filho amado?
Qualquer solução dor causaria depois

O pai, aos céus, fazia pungente oração
Pedindo resposta para tal problemática
Porque parecia inviável qualquer opção.

Não via como podia empregar uma tática
Mas de repente ouviu-se a voz do ancião:
Salve o menino, ele conhece informática!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Réquiem para um polímata

A humanidade segue seu rumo normal, produzindo homens também normais como eu e grande parte dos que vivem neste planeta. Mas, as vezes, por um capricho que foge a nossa compreensão, surgem vultos acima de todos, que fazem sombra aos comuns mortais.
Foi assim no passado, como é assim no presente, dentre os bilhões de seres que por aqui trafegam, uns poucos, bem poucos, se enquadram na categoria de gênios.
Tive a ventura de conhecer, trabalhar e conviver com um prócer do quilate de gênio: o polímata RODOLFO RODRIGUES BARCELLOS, que ontem nos deixou. Barcellos, como sempre o chamamos, oficial da Força Aérea, era um exímio profissional de aviação que deixou marca por onde passou; violonista talentoso; conhecedor profundo da teoria musical: autodidata, fluente em inglês, falava e escrevia como fora sua primeira língua; excelente jogador de xadrez; poeta inspiradíssimo; escritor de ficção científica; espírito generoso; blogueiro prolífero; sujeito amigável, super inteligente; arguto; franco; cético; filósofo; bem humorado; fantástico contador de casos; tranquilo e muito mais. Era meu guia, se é que se pode dizer assim. Escreveu o prefácio de meu primeiro livro.
Foi-se o Rodolfo Barcellos, porque a morte é a única e indelegável certeza desta vida. Hoje nosso planetinha azul ficou mais pobre e bem mais triste, e Érato tem menos um vate a sua disposição para os vagares idílicos de seus versos.
O espaço que esse amigo ocupava estará para sempre vazio. Vai, meu amigo! com a calma a reflexão e o espírito inquisitivo que sempre te acompanhou! Nós ficamos aqui nesta dimensão aguardando o dia que também seguiremos esse caminho que ora se inicia para você. Aos seus familiares, nossos sentimentos.

Jair & Brandina.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A merda continua

De Brasília emana o grande cheiro,
Lá onde o maldito caldeirão cozinha,
Não se sabe se da privada ele vinha,
Entretanto, embostece o país inteiro.

Tornou-se esta nação fedido bosteiro,
Que duma fatal catástrofe se avizinha
Entre merda e o político não há linha,
Mas um entrelaçamento verdadeiro.

Brazucas no exterior envergonhados,
Aos estrangeiros não têm explicação,
Por essa cagada em todos os lados.

Se bosta fosse bala e político canhão,
Garanto-lhes, eleitores acomodados,
A bem da pátria faríamos a revolução.

domingo, 8 de maio de 2016

Nossa Alma

Nossa alma essa entidade tão passiva
Quando silenciosa nosso corpo habita
Certamente com seus dotes ela cativa
Outra alma que lhe pareça mais bonita.

Talvez numa relação um pouco lasciva
Na qual a nossa preciosa alma acredita
Essa bonita interação tão discreta viva
Sob nenhuma norma até então escrita.

E, nada disso nos deixa amargurados,
Somos veículo que alma anda apenas
Por mais que tal não tenhamos anelado.

Porque se as almas não são pequenas
E que nós estejamos de vida animados
As relações corpo/alma serão serenas.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Tiradentes diria:


Queríamos altos desígnios para o país
Sacrificando até própria vida para isso
Libertar esta pátria do garrote, eu quis
Contudo sucedeu-me um povo omisso.

As vezes pergunto: O que foi que eu fiz
Criando para os lusos aquele reboliço,
Tentando desligar a Colônia da matriz
De acordo a devaneio de meu toutiço?

Agora não adianta chorar as pitangas
O povinho merece o governo que tem
Esta petezada é o rebotalho da ganga.

E a fina essência da escória também
O qual afana do povão e ainda manga
Pouco ligando pro futuro que não vem.

terça-feira, 19 de abril de 2016

À redenção dos nativos


Hordas de bárbaros navegantes lusitanos
Ousando cruzar mares nunca navegados
Jactaram-se ao verem seres “subumanos”
Envergando pouca roupa ou até pelados:

Deus os fez para que nos sejam escravos
Incapazes, que vão nos servir no trabalho
Acontece que índios são guerreiros bravos
Driblaram aquele luso navegante paspalho.

O explorador que só moleza e ócio queria
Índio rebelde e determinado aí encontrou
Nada do que o tolo lusitano dizia ele fazia

Depois, o guerreiro no mato se homiziou
Infernizando a vida do europeu em razia
O português inútil quase à terrinha voltou.

Mais um record brasileiro


O “Guiness Book” registrou o maior lançamento de cuspe a distância: 
Na câmara federal, um deputado cuspiu da extrema esquerda e conseguiu atingir a extrema direita no plenário.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Acróstico

O metalúrgico era esperança linda
Prometia-nos só probidade e lisura:
O meu mandato a corrupção finda
De tal modo como o povão procura.

E o Pindorama vai melhorar ainda
Respeitante a administração pura
Conosco a incúria não é benvinda
Onde o PT vai, não existe aventura.

Resto de corrupção que aqui havia
Representa para nós muito desafio
O corrupto sentirá severa antipatia.

Mas piorou, agora o roubo é um rio
Petezada vai afanando em demasia
E da justiça não se ouve nem um pio.

terça-feira, 12 de abril de 2016

A megera não larga o osso


Apegou-se ao Alvorada, a incompetente
Morre incrustada no poder se preciso for
O poder corrompe, ainda mais essa gente
Confesso, político assim me causa terror.

Refém da própria incúria e da necedade
É um carcinoma que deverá ser extirpado
Incluindo esses energúmenos da lealdade
Apenas desse jeito o país será libertado.

Senhora que jamais o executivo exerceu
Ela ao poder foi alçada pelo sapo barbudo
Assim, ao mais alto cargo ela ascendeu
Contaminada pelas maracutaias, contudo.

Hoje, mal pendurada, a mocreia balança
Aos bilhões pros vis deputados ela lança
Nunca se fez tamanho afano e lambança

De uma incompetência assustadora e vil
Ousa achar que a crise não lhe compete
Um dia culpa um, noutro a culpa é de mil
Mas se algo der certo, dela será o confete.

A rainha da cocada preta se acha, a rufiã
Refestelada no Alvorada, tal uma estrela
Alguém já lhe disse: não terá um amanhã
Inclusive, todos pela costas querem vê-la.

Nas suas noites mal dormidas ela delira
Hoje o congresso não me tratou tão bem
Acho que eles cansaram de tanta mentira
Depois, por certo vão me cassar também.

Agora devo pegar aquela afanada grana
Comprarei todos com auxilio do Luladrão
O que não quiser a bufunfa é um sacana
Contudo terei uma maioria na minha mão.

A estratégia será: é dando que se recebe
Dou a grana e o corrupto curva a espinha
Assim como pássaro na minha mão bebe.
Parlamentar é somente um trombadinha.

Reiterando que daqui ninguém me deleta
Eu, entretanto, a vontade do povo ignoro
Tento, por todos os meios, dobrar a meta
A menos que tudo dê errado, daí eu choro.