Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SÉRIE POETAS BEZERRENSES





Santa é minha vida 

Que se quer é vivida 

E sempre ignorada por todos sobrevive ao caos

Cara é minha alma

Que de tão clara vive na escuridão

Forte mesmo é o meu corpo

Que nunca pensou em desistir

Nada mais me falta

E apesar de tanto medo

Eu sei que a morte não será o meu fim.


J. Marcelo Barbosa

terça-feira, 21 de maio de 2013

PROMESSA DE CAMPANHA


Vou tentar fazer uma poesia
Para a população bezerrense
Que por aqui vivem e moram
As vezes com sutaque da terra
Hora conversando de um jeito diferente
Se parecendo mais com o povo recifense
Gente que por lá vivia e depois voltou.

Vou tentar fazer uma poesia
Para esse povo trabalhador
Que nos fins de semana se acomodam nos templos
Outros nas budegas, bares, praças
Pros que também ficam em casa
Vão ai meus versos de pouco valor
Versos simples e com muito amor.

Recordando sempre daqueles belos dias
Onde caminhava pela praça da matriz
subindo e descendo ladeira feito um infeliz
Cumprimentando até quem eu não conhecia
Pensando sempre no que eu mais queria
Se era ser poeta, um simples bebado ou um crente
Deixar nessa cidade uma marca só minha e que fosse diferente.

Me peguei apenas pensado
Quando me dei conta estava arrudiando
Lá pela subida do fórum que vai dar na santa
Aquela estátua de anatomia um tanto duvidosa
Olhei pra ela e me pergutei:
Aonde foi que eu errei?
Não consegui ver ali nem paz nem esperança.

Passei pelo tempo que ainda hoje me mantem vivo
Abri os braços, senti o vento dei um belo sorriso
E mesmo sabendo que por aqui o futuro ainda é muito pouco
E que tem gente que se aperreia
Muda de cidade e se afugenta
Resolvi ficar por aqui
Pois é muito gostoso de se ouvir uma promessa de campanha.

Já teve cidadão de cara limpa e alma lavada
Que além de se preocupar com a educação e as escola
Abriu a boca e prometeu
Trazer para a cidade uma fabrica bem modesta
Não ia faltar emprego, ninguém viveria de esmola
O nosso candidato tava era falando
Da fabrica sede da coca-cola.

E que ninguém depois me venha com críticas
Ou me chame de mentiroso
Porque faz muito pouco tempo que outro apareceu
Se dizendo melhor do que os outros
E que tudo o que falava depois cumpria de verdade
Disse que estava assim com o Governador
E que ia trazer para Bezerros um mini porto de suape.

Trabalho de contrato, o mesmo disse que desaprovava
Eita homem pra falar bonito
Acho que era por isso que no comício
O vice candidato da chapa dele nem falava
O Homem prometeu olhando para a platéia
E sem perder seu jeito único no meio do discurso
dentro dos primeiros quatro anos realizar um concurso público.

Eita que depois disso eu já sabia
Que ele seria eleito, seria o futuro prefeito da cidade dos Bezerros
Como de fato aconteceu
E agora por onde eu passo é o povo tudo contente
Tem gente de Saíre, Camocim, Caruaru, Gravatá
Tem gente que para não me deixar perder o verso
Quer sair até de catende e aqui vim morar.

Jesus Cristo e agora como é que vai ser?
Onde é que vai caber tanta da gente?
E como vai ficar a vida nessas outras localidades?
Ninguém pensou nessa possibilidade
É nessas horas que me pergunto quem é que ganha
Nas promessas de campanha
A fabrica da coca-cola ou o mini porto de suape?

J. Marcelo Barbosa

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

SÉRIE POETAS BEZERRENSES

Só Assim Você Sobreviverá


Uma faca, uma fé... o braço sempre forte

Solidão, sem você saem rabiscos despercebidos
O pensamento voa longe
Já faz tempo, muito tempo
Ao invés de lágrimas, amargura
Doia o peito, existia um vazio
Nossas escolhas, os teus caminhos
Ao meu redor, gemidos vindos do além
Quanta gente desesperada
Vidas sofridas, destruidas
Finas agulhas penetrando nossa carne
Já faz tempo, há muito tempo
Ouvia histórias, ouvia gritos
Se eram sonhos, eu já não acredito
Não tenho fé nem muita força
As lâminas de mental complementam o meu braço
As loucuras dessa vida complementam minha vida
Faz com que minha existencia tenha sentido
Hoje é só mais uma madrugada, onde minha alma procura abrigo
Nessa estrada, nossa caminhada segue em busca de um sentido
E se não tiver futuro?
Olho pro passado e lá não quero mais viver
Eram tempos duvidosos
Eu se quer tinha você
Minha estrada, meu caminho
Eu apenas caminhava e em pensamentos você me seguia
Eu sempre te levava
Eram sentimentos que ninguém mais sentia
Eu estava longe, eu estava perto
Mais ninguém entendia
Se eram sonhos, eu já não acredito
Realidades tão banais
Celebridades presas numa tela virtual
Eu já não me sinto bem, não me sinto mal
Saudades dos bons tempos
Até tinha um pequeno temporal
Uma fogueira, fogo de fogueira
E uma tribo inteira festejando mais uma nova estação
No presente, uma tempestade
Não é dor, tão pouco amor
Pensamentos que se perdem no meio da cidade
Sentimentos que nos prendem quando nos querem juntos, quando nos querem distantes
Não se faz necessário tentar entender
Basta tentar, tentar querer
Ler um livro, um poema ou alguns versos
Viver em um universo onde só exista você
Basta querer, querer tentar
Viver assim, só assim você sobreviverá.

J. Marcelo Barbosa

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Canção dos Ventos

(Poema dedicado ao amigo e irmão David Galindo)

Hoje, estou eu descobrindo novos caminhos
E aos poucos plantando minhas poucas sementes
Pessoas por mim passam e com muito carinho
Expõem o que de mais íntimo existem em seus corações e mentes.

Hoje, estou eu a explorar o teu olhar
Camadas e mais camadas de pura percepção
Coisas que existem e estão ao teu alcance
Corre, vai atrás, segurar bem firme com uma de tuas mãos.

Com a outra mão, tenta mudar o mundo
Seja artista e ao mesmo tempo uma parte do espetáculo
Quando possível, tente ser todo o espetáculo
Seja apenas luz ao invés de estrela.

Vai, deixa de bobagem, me chama de teu irmão
Cuidemos sempre um do outro
E também uns dos outros
Cuidemos de tudo aquilo que nos faça bem.

Vem, caminha ao meu lado
Deixa pra trás teu pouco passado de fome e sede
Deita teu corpo pelo mundo
Vamos nos unir através do caminho da simplicidade.

A felicidade se expande em todas as direções
É inevitável tentar fugir dela
A dor em toda sua aquarela
Tanto intimida como acomoda.

Escolhe a dor, e ainda assim estarás prestes a ser muito feliz
A felicidade é inevitável
Esquece, você jamais poderá fugir dela
Ela está dentro de você, e nada poderá mudar isso.

Tenta outro verso, outra rima
Mesmo que nada pareça fazer sentido
Em algum momento tudo se encaixará.

Mude as estrofes, troque o sim pelo não
tente falar tudo o que sente em duas linhas.

Saiba que você conseguirá!!!

Mesmo que te falte assunto, idéia, razão
Mesmo que pra tí tudo acabe aqui
Em um outro dia, em um outro lugar
Você voltará e simplesmente continuará...



J. Marcelo Barbosa*


*poeta bezerrense