Viajantes Interplanetários

Mostrando postagens com marcador Fred Caju. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fred Caju. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Tem Marciano na Rede



Aloha! :D

É com imensa satisfação que venho convidar a todos para marcar presença no lançamento do livro "As Tripas de Francis Conceição Por Ela Mesma", do querido Fred Caju, no Casbah Mourisco*, ás 19h. Não dê bobeira e venha garantir o seu exemplar, que está com tiragem limitada de 150 exemplares, todos numerados pelo autor. Além de conferir poesia da melhor qualidade, ao vivo.
Alguns dos poemas do livro disponibilizados,  pelo próprio, no Facebook.











E só para ficar com água na boca, confira os detalhes dessa maravilhosa edição!






Seguem as notícias do lançamento que estão circulando nos jornais da cidade.

 


Fred Caju lança livro com poemas eróticos e políticos

"Os versos se aproveitam da própria rapidez para ironizar o machismo e a opressão - no sexo, na vida e nos amores. A obra começou a ser escrita em 2011, quando, provocado por um concurso poético com o tema "Uma serenata para a mulher amada" ele resolveu fazer um poema questionando a visão da mulher como objeto de conquista. Por meio da persona de Francis Conceição, partiu para criar versos sobre a sexualidade. "O sexo também é político e acredito que, num contexto social tão conservador, bem mais para a mulher que para o homem", comenta o poera, que propõe, na obra, levar "um galão de gasolina/ pro incêndio no patriarcado"."



Confiram a matéria completa aqui:  http://bit.ly/1R8aLev


Pernambucano Fred Caju lança, em Olinda, Coletânea de Poesias.

(...) Fred Caju já lançou em formato digital, pelo selo Castanha Mecânica, os livros Arremessos de um dado viciado (2013),  Sumo de ranço (2014) e Intervalo aberto (2014). Este ano, publicou em edição cartonera Paisagens sépias. O novo livro de poesia é todo feito de maneira artesanal, com papéis especiais, e inclui livreto e adesivo. Como o autor define, "é para ser lido com os olhos e com as mãos".

Confiram a matéria completa aqui: http://bit.ly/1NR5Psg


Como eu não poderia ficar de fora, espero ver todos por lá.
E claro, Francis será convidada de honra para protagonizar um sábado no MilkShake Literário (:


* O Casbah Mourisco fica na Rua 27 de Janeiro, nº 7, Carmo, Olinda -PE. CEP: 53020-020. Próximo a praça de São Pedro. 

 


Mahalo :*







quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ESTUÁRIO



Bem-vindo ao silêncio da terra pisada de conchas e guerras onde se esviscera o veneno azul das mortes macias. Procure algum tronco se sente e se cale deixando que o vento espalhe seu corpo no barro da estrada. Quando a fome vir não tenha pudores do desejo e coma como se esta fosse a refeição última que fazes na terra. Ao sobreviver abra seus ouvidos pra outra travessia e escute os fantasmas do tempo presente converse com eles e se funda ao cenário. Percorra o caminho que o verde farfalha entre as bancarrotas dos tijolos brutos até que seus pés estejam banhados pelo caldo espesso no cais do estuário. Espere que a lua mostre sua silhueta num descortinar breve e inevitável como se esperasse pela tua chegada pra que assim pudesse selar tua partida.

FRED CAJU

domingo, 30 de agosto de 2015

Episódio apócrifo de Pink and the Brain


— Eis aqui a minha nova invenção para dominar o mundo.
— E o que ela faz, Cérebro?
— Induz e reduz a opinião das pessoas para que elas se expressem apertando apenas um botão.
— E funciona?
— Veremos. Pink, sente-se aqui. Isso, não vai doer, muito pelo contrário, será como uma massagem no seu ego.
— Mas, Cérebero, eu acho que…
— Shhh! A máquina já está ligada. Agora me diga, Pink, o que você achou da minha invenção de estreitamento mental?
— Curti.

              -Fred Caju-

domingo, 16 de agosto de 2015

Traçado



Uma grafóloga quis me desvendar pelo que escrevo. Como eu sou amador, entreguei um monte de folhas de A4 impressas com poemas, cronicontos e piadinhas que ainda não sei como usar oficialmente em algo escrito. Não, não — ela me disse escondendo o riso com delicadeza — não é o conteúdo do que você escreve, mas o seu riscado no papel. Me senti um idiota por não usar a dedução ou ter consultado o dicionário. Grafologia: análise da personalidade dum indivíduo por meio do estudo dos traços de sua escrita. Ouvi o que ela me disse sem espanto. Já havia lhe deixado tudo escancarado desde que girei a maçaneta e não soube o que fazer com os meus olhos.
Levei muitos puxões de orelha por recusar uma grafia enlaçada. As professoras sempre colocavam-me caderninhos para melhorar o traço. Sempre achava que imitar um desenho para escrever não era minha praia. Nos exercícios de caligrafia prestava mais atenção na tipografia do enunciado da tarefa do que na letra cursiva a ser copiada. O desenho da escrita em fluxo sempre me lembrava as horas dentro da escola. As computadorizadas eram o mundo lá fora. Notava as variações em rótulos, manchetes, placas & anúncios e ficava investigando as diferenças entre os tipos. Busquei criar um traço que se assemelhasse às letras dos impressos.
Quando abri o Microsoft Word 95 pela primeira vez, uma flor explodiu nos meus olhos. Algo no meu sangue começou a fervilhar. O barulho do teclado não estava imitando a Nona de Beethoven enquanto eu digitava? Tive que me esforçar para poder pressionar as teclas com a vista fixa na tela. Ver a letra surgir com o som. Com o contato. E não importava o quão rápido eu quisesse ser com o teclado. Cada toque só aconteceria após um intervalo. A pausa: o silêncio: a poesia. Não sabia exatamente como eu teria que alinhar as escolhas da vida para que aquele encantamento permanecesse. Mas sabia que era ali que eu deveria estar. Pressionando teclas como quem coloca, uma a uma, as marcas digitais no papel.

Fred Caju

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O segundo estômago do poeta


  
  Houve um tempo qu’eu me sentia aflito quando não conseguia tirar algum poema do papel. Eu tinha tudo em mãos: as palavras certas, a vivência, a observação, o sentimento. Mas nada. Dias e dias inteiros ocupados para resultados medianos.

   Quando eu era criança — e a indústria de engarrafamento de água mineral ainda não tinha fincado sua bandeira no subúrbio — bebíamos água filtrada. Em dias de limpeza ou troca de vela, nem adiantava correr com o copo para a torneirinha. Havia todo o aparato: filtro, água, copo, sede. Não importava. Era preciso esperar a filtragem.

   Com o poema também é assim. É preciso ruminá-lo antes de colocá-lo no papel. Quando o poeta não faz a filtragem, a impressão que fico é que ele comeu alguma coisa estragada e está com uma puta caganeira.

   A quem interessar possa, elenco meu top 3 dos sintomas dessa diarreia: 1. percepção imediata do que o poeta anda lendo (na melhor das hipóteses é um sinal que lê pouco e se impressiona fácil; na pior: cara de pau mesmo); 2. poemificação de qualquer coisa (dos males, o menor: é um indício que ele tem uma vida de poucos eventos; e como caroço no angu: incapacidade de lidar com o insondável); 3. tendências biográficas (pelo lado bom: são rastros de uma arrogância mental sadia de quem acha que vive muito; pelo pior lado: cegueira na alteridade).

   Mas no final das contas, como tudo começa com T e o mundo vai se acabar em merda mesmo, o segundo estômago serve apenas para fazer um cocozinho mais modelado, discreto e confortável ao cu. Há quem diga que bosta tem que feder, então... Joga tudo no ventilador logo.

Fred Caju

domingo, 28 de setembro de 2014

Um copo que cai



Juro que quando cheguei já estava assim: estilhaçado no piso da cozinha. Os cacos não me impedem de ver, porém, que ainda há um copo naqueles escombros. Redobro minha atenção ao chão estrelado de vidro. Ando de ponta de pés; sou um bailarino russo em ação. Junto os fragmentos do vidro e procuro, em vão, por reflexos no cristal. Também estou destruído. Manuseio cacos pontudos e farelos de lâmina com as mãos. Filetes de sangue já me escorrem entre os dedos. Mas não há dor ante o quebra-cabeça impossível de remontar o copo a partir do que sobrou. Não se escreve um poema sem sangue.

Fred Caju

sábado, 20 de setembro de 2014

.


quando teus olhos magros
me devoram o decote

quando tua barba falha
me percorre o cangote

quando teus dedos longos
me concebem o toque

quando teu bafo quente
me engravida palavras

quando teu pau pedrado
me completa nas valas

quando teu gozo trôpego
me derrama mais vida

quando teu corpo parte
sem qualquer despedida



Fred Caju

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

segunda-feira, 16 de junho de 2014

INTER-(OU ASTRO)-NAUTA

Ele não gostava muito da rua,
gostava de viajar para a lua.

A sua viagem é bem arriscada,
pois a sua conexão é discada.

Sonhava em ser um astronauta,
enquanto vivia de internauta.

Ele necessitava de um abrigo,
pois faltava-lhe algum amigo.

Ele queria conhecer o espaço,
um ET para lhe dar um abraço.

No computador, era um mestre,
só não via um extraterrestre.

Ele gostaria de ser abduzido,
para, enfim, ser reconhecido.

Achava que poderia ser legal,
se vivesse no espaço sideral.

Sempre será alegre ao sonhar,
porém, triste quando acordar.

Enquanto isso, seu maior amor
ainda é seu amigo-computador.

Fred Caju

  

sábado, 22 de fevereiro de 2014

ORAÇÃO PARA AS PAREDES

Todas as manhãs virava um padre,

ele era feliz com a sua loucura.
Quando o sol despertava seu dia,
ele incorpora sua outra postura.
Gritando que salvaria o rebanho,
lia alto as sagradas escrituras.
Ninguém queria ouvir da palavra,
logo, bradava em elevada altura.
Falava aos seus fiéis-fantasmas,
dizia que sabia qual era a cura.
O passado do velho era sinistro,
por isso buscava a sua redenção.
Faz a reza para as suas paredes,
o seu público era só imaginação.
Esse senhor não via outra saída,
necessitava se dedicar à oração.
Dizia ao seu público imaginário:
“deus é a nossa única salvação!”
E assim, o padre esquizofrênico,
marcha sozinho com a sua missão.

Fred Caju

sábado, 28 de dezembro de 2013

Última postagem do blog Sábados de Caju


Hoje também encerro minhas atividades no Poetas de Marte, agradeço por tantas experiências compartilhadas. Grande abraço à equipe do blog. Nos vemos por aí.
   

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

TESTEMUNHO DO TESTAMENTO


Sinto-me em completo débito com a herança contracultural e alternativa da poesia. O cânone também me deixou marcas importantes. Nunca administrei essas duas frentes como opostas, porém recorri a um erro aceitável para todo jovem empolgado.

Achei que o grande lance seria juntar as glórias da academia com as independentes. Ledo equívoco. Esse negócio de gozar com o pau dos outros não é rock pra ninguém. Mais vale morrer na praia. Por mais tentador e fácil que seja, seguir uma manada vitoriosa não garante a partilha dos louros.

Hoje percebo que o melhor jeito de dar continuidade ao erário herdado não é expondo os diamantes, mas tentando polir a latão. Todo Aquiles tem um calcanhar vulnerável e justamente lá que a coisa é interessante.

Ao invés de repetir fórmulas (inclui as “não-fórmulas” também), mais honrado é evitar os mesmos tropeços. Essa é a essência do aprendizado. Não adianta seguir as pegadas de ninguém, o caminho é sempre diferente para cada pé.

Em terra que se tem dono não há muitas alternativas. Ou você fica permanentemente protegido mas de olhos baixos ao mandatário ou você toma o terreno por assalto. No segundo caso é bom conhecer as fraquezas e reconhecer que você também tem um calcanhar exposto.


Fred Caju
   

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

POEMA SACADA: UM PÉ NO DOMÍNIO PÚBLICO


Cuidado. São poucos os eurekas que realmente são exclusivos neste largo mundo. Malabares com palavras não é, em absoluto, sinal de voz própria. São raríssimos os que conseguem deixar sua marca em poemas sacadas.

Costumo dizer que todo mundo tem uma ótima estória para contar, não apenas os prosadores. Claro, o capricho é maior e melhor na mão de quem trabalha com narrativas. Os poetas de insight também não escapam dessa condição.

Ou você acha que realmente apenas você vê uma ema dentro do poema? Abre parênteses. Não sei quem já escreveu sobre isso e nem vou pesquisar — já me basta saber que não fui o único. Fecha parênteses.

O poema sacada é um gênero que adoro de coração. E com a mesma intensidade odeio os praticantes que vivem fazendo biquinho quando olham algum floreio semelhante ao seu. Você não inventou a pólvora, meu bem.

Outra coisa mas ainda a mesma coisa: não acredito que a sacada apenas se baste por si própria. Acho que esse tipo de poema não precisa aparecer necessariamente num jogo de palavras e sintaxes. É algo maior. Se quiser um exemplo me diga você mesmo de quem você se lembra quando te falam em gauche?


Fred Caju
   

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

PALAVRÓRIO


Se eu tivesse moral riscaria para todo o sempre a palavra “inspiração” dos compêndios poéticos. Mas poetinha provinciano que sou, faço apenas um apelo: usem “provocação” ao invés da palavra que me recuso a repetir.

Vê que da hora: “fulanx hoje está provocadx”. É, houve algum incômodo, um ser humano saiu da inércia e agora está com todo veneno. Mas não seria trocar seis por meia dúzia? Não. É só abrir o Aurélio, que tem moral de sobra: “desafio, estimulação, incitação”.

Ou vai me dizer que você tem sangue de barata e volta pra casa sem reagir? E ainda digo mais: é possível, sim, ir atrás de uma provocação, tipo abrir um jornal e descer o farrapo no fascismo midiático. Acho mais digno que esperar por um pôr-do-sol em Itapuã.

Temo que esse apelo possa aumentar o número de polemistas de Facebook... Mas como não disponho de moral, me arrisco em manter o pedido. Pretensiosamente considero a causa nobre.

E ainda aproveito esse espaço para pedir também que não confundam “simplicidade” com “superficialidade”. Tampouco “clássico” com “sacro”. Muito menos “porcaria” com “vanguarda”. E, sobretudo, “Ednaldo” com “Edvaldo”.


Fred Caju

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

OS DEUSES NO ALTAR


Consta-se nos autos que o ofício do poeta é pouco remunerado e que para se viver de literatura é necessário atingir o panteão. No momento não vou discordar, mas pensemos: se existem livrarias luxuosas, eventos superfaturados, edições caríssimas, mídias especializadas, incentivos e editais públicos... Por que a barra pesa mais para quem escreve? Por hora só pensemos a respeito. Já é grande coisa.

Sobre estar no panteão também é necessário pensar. Do pouco que conheço sobre entidades sobrenaturais, a maioria já sujou os pés de poeira. Quando os homens os inventaram foram cúmplices em sua ascensão. Os que se assemelhavam à imagem dos criadores, hoje são hegemônicos. Ou seja, ninguém chega a um altar sem se misturar ao pó.

A imagem do aureolado poeta nada mais é que um desserviço à poesia. A única luz que se precisa para escrever um poema é a da energia elétrica e só se estiver no escuro. Mas como pagar a conta de luz?

É necessário tirar os deuses do altar. Recolocá-los ao chão. Destruí-los caso não se adaptem. Iluminação de cu é rola. Vá você fazer fotossíntese. Enquanto não se dessacralizar o ofício, a subnutrição continuará. E é assim mesmo como diz o Miró: “nessa hora o coração do poeta se apaga”.


Fred Caju