Viajantes Interplanetários

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sábado, 16 de abril de 2016

.

que venha cunha, temer e seus capangas

que venha aécio, moro e gilmar

que venha serra, alckmim e os pastores do ódio

que venha a mídia, a pm, o diabo

que venha os coronéis e seus capitães do mato.

não existe mais escravo. 

somos todos quilombolas.


- Ricardo Chacal -

quarta-feira, 17 de julho de 2013

TV MARTE NO AR

Skylab recebe Chacal e, num bucólico bate-papo, o letrista fala sobre seus poemas, a importância da arte e suas memórias marcadas pelo movimento da poesia marginal.

Clic na imagem e veja o vídeo

segunda-feira, 22 de abril de 2013

CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS


É PROIBIDO PISAR NA GRAMA

O jeito é deitar e rolar

Chacal


NÃO PISE NA GRAMA

Placa inútil e amarela:
"Não pise na grama."

Amarela
pela ausência de girassóis.

Inútil
porque não tenho os pés no chão.

Fabio Rocha
  

sábado, 7 de julho de 2012

Hoje & Sempre #MilkShake Literário


POBRÁS
(Poesia Brasileira, Pobreza Brasileira)
orgulhosamente apresenta
um produto
que vai pro lixo:
os poetas

Nicolas Behr


Aloha! :D
Faz algum tempo que o MilkShake saiu do cardápio aos sábados... mas um bom filho sempre a casa torna, então vamos degustar! E como entrada, nada como recorrer a um bom e velho prato típico da casa: A Poesia Marginal.
Li recentemente 26 Poetas Hoje, antologia organizada por Heloisa Buarque de Holanda. Foram escolhidos poemas de 26 poetas marginais onde o hoje é datado em 1976. Alguns poetas já tiveram presença carimbada aqui em nossa terra marciana, como Chacal e Torquato Neto. Outros foram pura novidade para mim e foi um prazer imenso descobrir estes poetas e seus poemas “subversivos”.


E em puro clima de ousadia, afirmo que Heloisa foi mais além do que publicar o que as grandes editoras e os críticos estavam a rejeitar. Embora os poetas não estivessem enormemente preocupados com o nariz arrebitado das editoras, desde que entre o público houvesse boa aceitação. Então o que se via eram poemas mimeografados e distribuídos em forma de livretos, gratuitamente.
O livro fez história justamente por ir contra o sistema vigente (pleno período de ditadura militar, AI5) e divulgar os poemas que inspiravam rebelião e inconformismo. De acordo com Calegari, os poetas marginais procuraram se afastar dos consagrados textos poéticos e
procuravam falar da vida imediata, numa linguagem informal, em que o humor e a gíria encontravam espaço. Discorriam sobre amor, sexo, drogas, política, vida familiar. Suas fontes eram as mais variadas: do modernismo à vanguarda concretista, passando pela tropicália. (2010, p.3).

Heloisa cercada por esses poetas tinha munição de sobra para organizar esta antologia e foi o que fez, com a ajuda de Cacaso e Chico Alvim. Separei alguns poemas que gostei para postar aqui, escolhi os menores por causa do espaço. Confiram:


AQUELA TARDE
Disseram-me que ele morrera na véspera.
Fora preso, torturado. Morreu no Hospital do Exército.
O enterro seria naquela tarde.
(Um padre escolheu um lugar de tribuno.
Parecia que ia falar. Não falou.
A mãe e a irmã choravam.)
Francisco Alvim
SHEN HSIU
Havia um monje
Que lustrava a careca
Para que sua cabeça
Fosse como se um espelho:
Refletisse tudo
E não guardasse nada.
Carlos Saldanha

A VERDADEIRA VERSÃO
O medo maior que tenho é de faltar
minha imagem
em teus projetos futuros.
Por isso só te conjugo no pretérito passado.
Antonio Carlos de Brito

Cansados da longa e absurda história
Resolvemos num ímpeto despedirmo-nos
/Calma coração
A poesia reclama paciência/ 
João Carlos Pádua

MEU AMOR DE SOSLAIO
Faz tanto calor no Rio de janeiro
que é bom sentir essa neve
partir de seu olhar 
Luiz Olavo Fontes

&
O fio do sonho é apenas um cabelo.
Mas se ele pinta na cabeça
é bom deixá-lo crescer.
Eudoro Augusto

Quem diante do amor
ousa falar do Inferno?

Quem diante do Inferno
ousa falar do Amor?

Ninguém me ama
ninguém me quer
ninguém me chama de Baudelaire
Isabel Câmara

uma
palavra
escrita é uma
palavra não dita é uma
palavra maldita é uma palavra
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa
Chacal

nunca viajei de avião
mas muitas vezes estive no ar
um desinteresse marcante
uma marcação latente
uma dor de dente
uma paixão fulminante
Charles






Tenho certeza que alguns desses poetas foram/são inspiração para muitos ainda hoje. Por isso mesmo o título nunca deixará de ser atual.
E Em tempos de Castanha Mecânica, Heloisa disponibilizou em seu site a Antologia! Divirtam-se aqui.

Mahalo:*
@Lycintra


CALEGARI, Lizandro Carlos. Notas sobre a poesia marginal brasileira. Revista Litteris, Rio de Janeiro, n.4, mar. 2010. Disponível em:  <http://revistaliter.dominiotemporario.com/doc/notassobreapoesia.pdf> Acesso em: 5 jul. 2012.

Imagem: Site - Heloisa Buarque Holanda -

segunda-feira, 16 de abril de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

DA RESISTÊNCIA:


Sou de uma geração utópica. Nasci em 1951. Vivi o movimento estudantil e o movimento hippie de 17 a 21 anos. Nunca consegui me desvencilhar dessa mania de mudar o mundo. Talvez por me sentir desconfortável na camisa de força da gramática e querer reinventar o jeito de se expressar e se comunicar com as pessoas, talvez por querer tomar pra si a luta contra as injustiças do mundo. 

Sei que minha vida toda se pautou por essa tentativa de fazer as coisas do jeito que acho melhor. Isso começou com a utilização de meios artesanais – mimiógrafo – para publicar meus poemas, depois distribuídos de mão em mão. O que era um projeto para ter autonomia na realização e distribuição de um trabalho, acabou por virar exemplo de independência do processo tradicional do livro.

O mundo institucional nunca me atraiu. Creio que ele é o responsável por essa merda que aí está.

Mas respondendo mais objetivamente se a poesia é uma forma de resistência, acredito que sim. O fato do poeta recriar a linguagem, torna-o um exiled on main street, uma pessoa para quem as regras e os cânones devem estar sempre sendo questionados e ultrapassados. E isso, é claro, contamina a forma de ver, pensar e agir no mundo. Em contextos muito conservadores e repressivos, essa característica básica do poeta se exarceba, tornando o poeta um combatente na linha de frente contra ditaduras e tiranias diversas. No mundo mercantilizado que vivemos, o poeta deve estar focado na luta desesperada em busca do humano em todas as relações. E talvez a melhor arma seja justamente a poesia, a música, a dança, as artes em geral, que transtornam, subvertem a lógica do capital e do consumo desenfreado e recola o ser humano diante das suas emoções profundas e seu básico instinto.


CHACAL
     

domingo, 27 de novembro de 2011

HISTÓRIA E/OU ESTÓRIA: SÓ QUEM NOS VIU E/OU NÃO EM OLINDA PODERÁ AFIRMAR OU DESAFIRMAR


 Por: D.Everson

No último sábado (26/11/11) em meio às ladeiras da Cidade Alta, Olinda, tive a honra de bater um papo muito descontraído com poeta Chacal, figura carimbada no grande álbum de nossa poesia. Pense num cabra sem frescura. Falamos de futebol, Carnaval e claro: poesia. Ainda tive o prazer de conhecer a poetisa Maria Rezende, assim como a escritora Veronica Stigger e seu marido o poeta Eduardo Sterzi. Todo esse aumento de meu patrimônio de amizades se deu graças ao convite que a Renata Santana me fez: aparece no Sesc Santa Rita que vai rolar um recital massa por lá as 21h, ainda bem que eu aceitei o convite, lamento não ter conseguido me comunicar com o poeta Fred  Caju com certeza ele iria engrossar o caldo dessa noite bacana. Mas deixando de leriado vou mandar aqui uns endereços eletrônicos onde é possível se conectar a poesia do Chacal:
Aí vai um poema, porque eu não sou de ferro e já falei de mais:

prezado cidadão

colabore com a lei
colabore com a light
mantenha luz própria

(Chacal)

sábado, 20 de março de 2010

O OUTRO

só quero
o que não
o que nunca
o inviável
o impossível

não quero
o que já
o que foi
o vencido
o plausível

só quero
o que ainda
o que atiça
o impraticável
o incrível

não quero
o que sim
o que sempre
o sabido
o cabível

eu quero
o outro


-Chacal-


(De BELVEDERE (1971-2007). Rio de Janeiro: 7 LETRAS; São Paulo: COSACNAIFY, 2007)