Depois de férias involuntárias, a coluna finalmente retorna para as quintas marcianas. E para que não aja mais férias involuntárias, oremos: em nome do pai, em nome do filho. Rá! Quem está ligado nos próximos lançamentos da boa poesia, já deve ter matado a charada dos ilustres que estão participando do CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS de hoje. Apresento o pai, Benedito da Cunha Melo; e o filho, Alberto da Cunha Melo. Enquanto aguardo anciosamente pela compilação, deixo vocês com os próprios:
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A meu filho Alberto
Se sou teu pai, e me julgo
pai maior, nessa honraria,
honra igual tenho em ser teu
irmão menor na poesia.
(Benedito da Cunha Melo)
O PRESENTE
O que hoje recebes
e não podes pegar, guardar
em panos e papéis laminados,
é imperecível,
presente onipresente.
Estás com ele na chuva
e não temes que se desfaça.
Estás com ele na multidão
e não o escondes dos mutilados.
O que não existe para os homens
deles estará protegido,
o que os homens não vêem
não poderão espedaçar.
Eis o que não te denuncia
porque não tem face
nem volume para ser jogado no mar.
Eis o que é jovem a cada lembrança
porque não tem data
e série, para envelhecer.
O que hoje recebes
não pode ser devolvido.
(Alberto da Cunha Melo)