Viajantes Interplanetários

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

NOVELA DA HORA

MÃO DUPLA

­­­­­­CAPÍTULO C

Fred Caju outro dia me contou que esteve com o Pedro no dia em que ele saltou. E me dizia: “O bicho era mesmo cabeça dura”. O CFCH em fim fez mais uma vítima...

A bandeira da prefeitura de Arcoverde amanheceu a meio pau, depois da notícia ruim divulgada na noite anterior. O IML só liberou o corpo no dia seguinte, ao ocorrido, às sete horas da manhã. E a FOLHA já estampava na capa uma notícia bombástica para a reputação da Universidade:

FILHO DO POLÍTICO MAIS INFLUENTE DE ARCOVERDE PULA DO PRÉDIO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. CFCH FAZ MAIS UMA VÍTIMA.

A investigação duraria dias. E como o Pedro não era mais aluno daquela instituição a coisa se tornou mais morosa ainda. O que o Caju não me contou, mas fiquei sabendo depois, é que ele foi convocado a depor várias vezes – afinal foi ele a última pessoa que esteve com a “vítima. Naquela madrugada, o legista acharia no bolso do Pedro o mesmo poema que ele havia lido anos atrás no jantar tragicômico, ao qual eu também fui personagem...

****


IDEIA FIXA

Oito horas da manhã corro e pego ônibus

Que está lotado, apertado, eu todo suado:

Mas penso em ti.


Meio dia, saio outra vez atrasado para o almoço

Levo chuva e sol, mas consigo chegar ao restaurante

Onde a fila de antes era menor... Meu Deus!

Mas eu penso em ti.


Volto para a muvuca por volta das treze,

E caminho pelo centro entre putas, anões, gays,

Punks, velhos e os ditos “normais”:

Mesmo assim ainda prossigo pensando em ti.


E no jantar solitário, na minha quitinete, depois

De toda uma via crúcis na volta para casa, ainda

Continuo pensando em ti.


Nem quando durmo tu me escapas,

Por que continuo sonhando acordado:

contigo.

Éeee depois de ler um poema desses, logo de cara, o jantar prometia ser bastante conturbado aquela noite. Pedro estava muito nervoso, não tolerava o Medina. Na verdade desconheço alguém, fora a Carla, que gostasse daquele chato. Mas pela amizade, dela, e pelo pedido do Pedro, me sacrifiquei naquela aventura noturna – que como diria Luis Fernando Veríssimo: “Mais parecia uma roleta russa gastronômica”.

CONTINUA...

sábado, 23 de julho de 2011

NOVELA DA HORA: Capítulo B

MÃO DUPLA

­­­­­­CAPÍTULO B

POR: Oswaldo C. Paes

“Às vezes agente se sente uma merda. Aquela lourinha roçando meu corpo (no ônibus) despretensiosamente, e eu feito um cão enterrado num livro tragicômico que camuflava minha frustração. Sou a personificação do personagem sonhador de Dostoiévski em Noiteis Brancas.” Fora num sábado a tarde antes do jantar que ele chegou para mim com todo esse papo depressivo. Estávamos tomando uma no Bar da Curva – esperávamos minha namorada, na época a Renata, sair da faculdade. O Pedro estava muito para baixo, e como sempre dizia para mim que depois da Carla ele perdeu até o jeito de andar.

Naqueles idos de 1998 já éramos formados, ele em história e eu em odontologia. Pedro dava aulas em uma escola particular na Conde da Boa Vista, e eu arranca dentes podres em uma Unidade do SUS em Camaragibe. Meu amigo por aqueles dias pensava em Voltar para Arcoverde, de onde era Natural, seu pai era um político influente por lá e tinha muita grana – não que meu dever aqui seja fazer fofoca, mas a verdade tem de ser dita – por isso nosso personagem com apenas 25 anos já havia conhecido Itália e França.

****

Odiava a cara que ele ficava quando via a Renata se derretendo toda por mim, dava até vontade de mandar ela ir embora, Não queria ser o melhor amigo de um novo Werther. Solidão é foda! Mas o fato mais importante desses dias é que 3 meses após o casamento da Carla ela havia nos convidado para jantar no AP dela, é que o Medina – marido – havia assinado com uma construtora das boas

- Além de tudo o filho da mãe ainda tem sorte no jogo. No jogo de cintura da vida.

Falava assim entre um gole de cerveja e outro, o cara estava uma pilha de nervos.

- Calma cara. O que tiver de ser será...

Sou o pior cara do mundo para consolar alguém, nunca sei o que falar. Outra vez o filho de uma amiga de estágio, quando eu ainda estava na faculdade, foi preso por porte ilegal de armas e outros bodes. A coitada da mãe com o coração partido veio me pedir um conselho. Putz! falei uma das maiores merdas de todos os tempos: Bem feito, assim ele aprende. Mas vamos deixar isso para lá, a minha história não é o que propus a narrar.

- você irá a essa merda de jantar? Se você não for eu também não ponho os pés lá.

A Carla havia nos convidado para comemorarmos a contratação do Medina. E Pedro puto chamava o jantar de merda e muito mais..., no entanto dizia tudo isso da boca para fora, a verdade era que ainda estava muito magoado e não havia digerido essa história de ter que conviver com o seu grande amor casada com outro.

- iremos!

- ok! Assim me despeço dela de uma vez por todas e volto para o interior, ou, para qualquer outro destino que meu pai queira.

Poxa não queria perder meu brother, mas esse jantar iria render história que eu sabia. E rendeu!

CONTINUA...

terça-feira, 19 de julho de 2011

NOVELA DA HORA

Olá, me chamo Oswaldo, sou aluno de administração da UPE-Universidade Estadual de Pernambuco. A convite dos amigos do blog venho aqui testar o meu dom literário para novela. A muito tempo que sigo tentando escrever um (romance/novela) e acho que dessa vez vai rolar. Dependendo da aceitação das pessoas publicarei um e-book ao fim do último capítulo. Abraço a todos e divirtam-se com a história de Pedro. Postarei os textos conforme a história for se desenvolvendo na minha cuca, pelo menos a cada dez dias tentarei jogar um capítulo aqui.
Obs: Os textos foram corrigidos por minha pessoa, no futuro revisarei melhor, peço desculpas pelos futuros erros ortográficos.

MÃO DUPLA
­­­­­­CAPÍTULO a

Caminhou mais uma vez Guararapes a fora, paquerando as rosas vermelhas que não poderia lhe dar. Era mesmo um romântico, o velho violoncelista apaixonado pela estrela mais brilhante daquela cidade erigida entre mormaço e poesia. ­­
As capitais sempre foram um sonho para aqueles que saem de casa sem saber onde pousar as asas. Ele tinha asas, havia aprendido a cair a pouco tempo, mas sabia voar.
Comprou a mais bonita rosa e caminhou Praça do Diário a fora, ele estava mesmo apaixonado. Como era proibido se apaixonar naqueles tempos incertos. Tudo era só ela – pontes, ônibus, cinemas, céu azul de Recife. Tinha apenas uma certeza: apanhar estrelas era uma coisa muito perigosa, se o sujeito não estivesse preparado queimaria as mãos, queimaria a alma, incendiária o coração.
Parou no meio da Ponte Joaquim Cardozo, ninguém saberá o que fitava em meio aquela paisagem tão recifense, pontes e rios, entretanto era fácil saber o que se passava naquela cabeça enquanto esteve estanque durante alguns minutos.
Pedro atravessou a rua e adentrou na livraria, por mais que se esforçasse ela não escapara um minuto de sua cabeça: era sua obsessão do momento, a bela atriz da hora, tirando a roupa para um outro alguém no camarim da vida. Ter apenas sua amizade, para ele estava se tornando uma tortura, digamos cômica. Era como se tentassem matá-lo de cócegas, por que a memória dela era sempre sinal de um sorriso em seu rosto, e, de um baticum em seu coração vagabundo.
***
Conhecera Carla em uma festa na faculdade em meados de 1993. Ela a priori não lhe chamara a atenção. O tempo, no entanto, inimigo dos inocentes veio lhe apontar um destino cruel: aquela menina que ele havia rejeitado – por que “era” feinha – entrou na sua vida como um furacão, e mudou tudo de lugar.
– Ah! Como eu era tolo...
Me dissera um dia em 1998 quando nos encontramos em Roma. Meu amigo havia conhecido meio mundo, mas nada lhe havia chamado tanto sua atenção como Carla.
– Tão branca Carla... Tão pura...
Carla se casou pouco tempo depois de acabar a faculdade. Um dia tão feliz e ao mesmo tempo tão triste. Quando ela viu o amigo chorando em meio aos convidados pensasse, quem sabe, na amizade que aquele tinha por ela. Amor também é uma forma de amizade, a maior. Mera ilusão.
– Sempre disse que não viria ao meu casamento, e olha só para você agora, banhado em lágrimas. Falava essas palavras abraçando-o.
– Sabes como te quero bem. Espero que ele te faça a mulher mais feliz do mundo. Finalmente terás o rebento com que tanto sonhastes.
– Te amo! E sabe que sempre vou te amar, meu irmão mais bonito e querido.
Vê-lo naquela fila, cumprimentado a noiva era cruel. Um chorava de alegria e outro de tristeza. ********************** desculpe a pausa, não pude conter as lágrimas também. Fui seu único confidente por muitos anos, juro que não é natureza boa ser um baú. É quase o peso de um ataúde, que leva embora segredos para a eternidade. Por isso resolvi escrever este diário, a história daquele sujeito, talvez o mais comum que conheci, merecia ser contada.
CONTINUA...