Viajantes Interplanetários

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS

Unidos por um objeto e separados por uma crase. Assim estão os dois poemas dessa quinta-feira de chuva na Região Metropolitana do Recife que estrelam o CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS. Mauro Mota e José Paulo Paes:

A BENGALA

Nem o passeio nas ruas
do bairro da imigração
quando rosa rosamente
sobre ela fecha-se a mão;
nem sua ponteira de aço
e ouro de lei do castão,
nem a aposta serventia,
tanger o cão e ser cão.
Nada compensa a bengala
da perdida condição,
do exílio da galharia,
do verde da floração,
do ramo onde o passarinho
cantava sua canção.
Fino enxerto ambulatório,
tenta replantar-se em vão,
e é arrancado novamente
cada vez que toca o chão.


(Mauro Mota)



À BENGALA 

contigo me faço 
pastor do rebanho 
de meus próprios passos


(José Paulo Paes)
   

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CONFRONTOS E CONFLUÊNCIAS

Bom, hoje a coluna não é nem de confronto nem de confluência (será?). Particularmente, não gosto de domingos. Mas tá aqui dois possíveis programas: uma esticada na praça ou uma pause em alguma sessão de cinema. Quem vai acompanhar a gente nessa viagem é o Mauro Mota e a Cida Pedrosa. Como adiantei, não há nenhum embate direto entre os poemas, só queria homenagear dois que gosto muito. É só um confronto de programas (de índio), por mim domingo é dia de haicais mesmo!


DOMINGO NA PRAÇA
(Mauro Mota)

Na praça, este domingo
não é de hoje: é antigo.

O banco, o lago, a relva
para onde é que me levam?

Ai, dezembro de acácias,
esta praça não passa.

E esta gente depressa
(a moça e a bicicleta)

passa para deixar-se
um pouco nesta tarde.

Ai, dezembro de acácias,
este cheiro, esta música...

Sou, domingo na praça,
um momento o que fui.

CINEMA AOS DOMINGOS
(Cida Pedrosa)


A moça espera o rapaz na porta do cinema
O transeunte passa, olha a moça
Sorri por entre dentes


A sessão começa e a moça espera o rapaz
O transeunte passa, olha a moça
Um olhar por entre olhos


A sessão termina e a moça espera o rapaz
O transeunte passa, olha a moça
Um olhar por entre pernas


O vendedor de confeitos se retira
A moça não mais espera o rapaz


O transeunte passa, os dois se olham
Um olhar por entre coxas 


O rapaz espera a moça na calçada do cinema
    

sábado, 5 de junho de 2010

CAJUS

        
As mãos da moça
nos cajus
ordenha-os
sem feri-los,
ordenha-os
tão de leve
como se para o Deus Menino retirasse
leite das ovelhinhas do Presepe.


Mauro Mota


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E não esqueça! Todo sábado, uma nova overdose semanal de cajuína: Sábados de Caju