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sexta-feira, novembro 08, 2024

Revista De Higgs: Nasce um novo periódico focado em ficção científica e fantasia cristã

 

 Pelas mãos dos editores Eduardo Y. Nishitani e João G. Moreira, é com prazer que assistimos ao surgimento de uma nova revista, a De Higgs. Voltada para os temas de ficção científica e fantasia cristãs, a revista publica também poemas, entrevistas e resenhas. A revista circula no formato eletrônico, e é gratuita.

São palavras do editor executivo, Nishitani:

De Higgs nasce do sonho de glorificarmos ao Criador do Universo com nossos dons e talentos, principalmente no campo da escrita.

Nós da equipe da De Higgs estamos jubilosos pelo resultado e honrados pela presença dos autores que estão conosco na histórica edição inicial. Os diversos estilos de textos que tivemos o privilégio de degustar com os olhos superaram nossos anseios. Contos, entrevista, meditação, poema... enriquecem essa primeira edição.

Essa revista digital demonstra nossos ideais, de que podemos consagrar dons, talentos, abstrações artísticas... ao Infinito e Eterno. Uma das metas é, juntos, explorarmos as fronteiras da ficção científica e/ou da fantasia, para expandirmos as formas de espalharmos as profundas verdades cristãs.

Acreditamos na força (que a Força de Deus esteja conosco) da união (que não faz apenas açúcar) que a revista pode proporcionar: unidos, desenvolvermo-nos para criar textos inspiradores. Cada novo escritor cristão que surge é mais um que espalha sementes do Reino. E ambicionamos alcançar o número 2 do De Higgs, seguindo na velocidade e trajetória traçadas pelo Senhor dos Exércitos, aspirando ultrapassar a exosfera. Convidamos a todos: viajemos imaginariamente utilizando papel, caneta, lápis, PC, tablet, smartphones... rascunhando, desenhando, compondo, lendo, escrevendo, relendo, anotando, frisando... com todos os gêneros e subgêneros da ficção científica e/ou fantasia, sempre com viés cristão.

Caso haja discordâncias de opiniões, lembremos de uma das frases do Agostinho de Hipona: "No essencial, a unidade; na dúvida, a liberdade; em tudo, a caridade." 

A revista está aberta para a receber textos (contos, mas também crônicas, resenhas etc.) para avaliação e eventual publicação nos próximos números. O edital está sendo preparado. Se você é autor, fique atento.

Nesta primeira edição, há contos, crônicas e devocional, além de poesia e uma entrevista com o escritor e editor Sammis Reachers.

Contato com o editor: eduardonishitani@gmail.com

Para baixar o seu exemplar pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


quarta-feira, janeiro 17, 2024

Programa Conversa de Missões #181: Sammis Reachers - A escrita como ferramenta de evangelização e mobilização missionária


No dia 04/12/2023 participamos do Programa Conversa de Missões, apresentado por Sylvia Maia de Souza. O programa, a cada segunda feira, entrevista pessoas envolvidas com o esforço missionário da igreja brasileira. O programa é uma iniciativa do DEM Congregacional e também da AMTB.

terça-feira, janeiro 28, 2014

J.T.Parreira entrevistado por Brissos Lino - 40 anos do Manifesto pela Nova Poesia Evangélica

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Entrevista publicada pelo blog Salmo Presente, do escritor e poeta lusitano Brissos Lino, com nosso professor João Tomaz Parreira.
Cumprem-se, dentro de dias, quarenta anos sobre a publicação do Manifesto por uma Nova Poesia Evangélica (NPE), simultaneamente no Brasil e em Portugal. Este documento histórico foi assinado no país irmão pelos poetas Joanyr de Oliveira, brasileiro (já falecido) e João Tomaz Parreira, português, e em Portugal também por Brissos Lino.
É tempo de fazer um balanço. Daí a longa entrevista a João Tomaz Parreira.

Entrevista de José Brissos-Lino (c)
Como historiaria o percurso da Nova Poesia Evangélica (NPE) em Portugal e no Brasil, a partir do Manifesto publicado em 1974, em conjunto com o poeta Joanyr de Oliveira?
Dê-me uns minutos para procurar nos meus arquivos da correspondência. Nada melhor do que este parágrafo de uma das cartas génese do Movimento, que me endereçou o poeta Joanyr, em Fevereiro de 1974. “Honrou-me sobremaneira a sua aquiescência em que lancemos um Manifesto, ou outro qualquer pronunciamento conjunto, em favor de uma Nova Poesia Evangélica” Os meus verdes anos deslumbraram-se e entenderam a proposta do poeta já consagradíssimo que era o Joanyr de Oliveira, que entreviu um intercâmbio criador entre poetas de inspiração religiosa, com o rótulo de poetas cristãos evangélicos, sobretudo modificador do discurso poético até aí vigente, modernizando-o, tornando-o fruto da criação constante e contínua porque a “poesia é negócio sério” e não apenas o versejar por “dor de cotovelo”, nas expressões humoradas de Drummond de Andrade.
Assim, o que resultou do Movimento e da Antologia de suporte que editamos, no Rio de Janeiro, foi um árduo trabalho que foi ganhando estrada com poetas novos, nesse tempo, como Brissos Lino (que assinou na primeira hora o Manifesto em Portugal), a Clélia Mendes, o Samuel Pinheiro e outros mais tarde no Brasil e no nosso país. Não posso esquecer aqui e agora, porventura, um dos mais próximos seguidores dos considerandos desse Manifesto, evidenciando a sua poesia no século XXI, o poeta Rui Miguel Duarte. Por isto considero que o Manifesto foi utilíssimo e continuará sendo, e cito aqui dois ou três nomes de poetas de confissão evangélica do Brasil, sabendo que há outros cujos nomes não me ocorrem agora: Samuel Costa, Rosa Jurandir Braz e, o mais jovem, Sammis Reachers, poeta e antologista, também esforçado e excelente editor de Poesia.

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Brissos Lino e J. T. Parreira em Santiago do Cacém, no Verão de 1975.


Considera que este Manifesto ainda permanece actual? Porquê?
Sim, actualíssimo. Verifico como leitor de poesia dita religiosa evangélica, ao longo destes 40 anos, que continua a haver um deficiente entendimento do que deve ser o discurso poético, a que regras de criatividade obedece, tendo em conta a estética moderna do trabalhar a palavra. Nesse Manifesto, a dado passo, diz-se o seguinte: considerando “que o apego a escolas ou correntes estéticas ultrapassadas vem comprometendo de modo muita vez irremediável o nível da poesia, notadamente a de conteúdo religioso e particularmente a da mensagem evangélica”.
Isto ainda acontece hoje e pior, como os meios ao dispor dos “poetas” ou, melhor dito, versejadores, são inúmeros, os blogues, os sites, a globalização da internet, piora a circunstância da má poesia. Dizia-se também que o “pieguismo” e o “derramado sentimentalismo”, “não dignificam a Arte”. Em 1974 como em 2014.
O citado “pieguismo latino”, citado no Manifesto, está definitivamente ultrapassado?
Não. Apesar de tudo, parece fazer parte do nosso ADN, e não anda longe da apreciação secular que Miguel de Unamuno fez de nós, ao chamar-nos “País das almas do Purgatório”.
Pensa que ainda faz sentido utilizar hoje, quarenta anos depois, a designação de “poesia evangélica”, uma vez que não parecem conhecidas designações como “poesia católica, ortodoxa ou muçulmana”?
Excelente pergunta. No decorrer destas quatro décadas tenho pensado nesse rótulo e verificado a falta desse enquadramento. Mas antes de chegar à resposta directa, deixe-me rodear a questão. Recentemente li um texto do poeta Octavio Paz sobre literaturas de fundação. Ele chamou, indirectamente, claro, a minha atenção para o facto de, quando se diz poesia chilena ou mexicana, estarmos perante um rótulo geográfico. O que deve contar são as tendências estéticas e intelectuais, como o Criacionismo ou o nosso Modernismo, por exemplo, como movimentos artísticos. Entende? Assim, “poesia evangélica” é um rótulo religioso, que pode ser decepcionante se o leitor não entender o discurso poético do autor, é um rótulo “geográfico”, se quisermos, que demarca uma região na inspiração poética e da formação religiosa do autor.
Todavia, “poesia evangélica” só subsiste se resistir a uma análise da teologia evangélica, e nenhum de nós ao escrever um poema “dito evangélico” vai buscar os tomos da teologia, seja ela de Karl Barth ou Rudolf  Bultmann, ou até as resoluções teológicas de Jonathan Edwards, ou as teologias calvinista e arminiana, para configurar os seus versos. Eu poderia, se quisesse, fazer um poema “budista” ou com raízes nos upanixades. Mas não seria honesto da minha parte nem me vejo a escrever poesia “assim”. Respondendo simplesmente à sua pergunta: hoje já não faz sentido nenhum. A linguagem poética e o fazer “poieticamente” o poema é que o devem definir. Agora que existem poetas evangélicos e católicos e muçulmanos, todos sabemos que existem.

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Considera conveniente e adequado que a Arte e a Cultura comportem uma carga ideológica ou filosófica em si mesmo? Pensa que devem ter uma agenda, ou o poeta limita-se a expressar apenas o que é e o que sente?
Boa questão, conveniente para os dias de hoje em que há agendas para tudo. Se entendo a sua pergunta no que concerne à “carga ideológica”, se o escritor, designadamente o poeta, escrever em função dela, corre o risco de estar a ser panfletário, seja em que área for. Os poetas da era soviética, com o realismo socialista, foram-no em muitos poemas. Alguns dos poemas do nosso Ary dos Santos, são-no. Poderia citar outros da poesia portuguesa da resistência ao fascismo.
Já quanto à “filosófica”, essa carga pode estar ligada à cosmovisão do poeta sobre o Mundo e o Ser. Vejam-se as Elegias de Duíno, de Rilke, os sonetos de Walter Benjamin.
De facto, para lhe responder sinceramente, no sentido que julgo ter dado à pergunta, o poeta não deve ter “agenda”, que não seja a Humanidade, as experiências do Ser, e, se for religioso, a relação necessária do Homem com Deus, exprimindo o que sente em relação ao que vê, transformando o seu olhar em poesia.  Platão disse-o, um dia, de outro modo: a poesia é a passagem do não-ser para o ser. Esta é a agenda.
Desde a publicação da sua primeira obra poética em livro – “Este rosto do exílio”– em 1972, o que mudou na sua poesia e porquê?
O modo e o tempo de abordar as mesmas questões. Deixe-me dizer-lhe, de uma maneira não intelectual nem filosófica, que foi a idade. Tinha 25 anos, embora esse poemário tenha inserido os poemas que julguei maduros para esse tempo. Acho hoje, sem falsas modéstias, que o desejo da estreia não obliterou preocupações literárias e líricas com o que, numa resposta anterior, já respondi. Esse livro, em 1972, apontava já para o desejo de uma “Nova Poesia Evangélica”. É costume os poetas rejeitarem os seus livros de juventude, eu não, porque são pontos de partida de uma linguagem poética e um modus facciendi que se dirige para um Ponto Ómega, para usar uma expressão de Teilhard du Chardin, que se atinge com a morte.
Em matéria de influências literárias, Joanyr reclamava-se de Lorca, Drummond, Neruda e outros. Que influências literárias mais importantes tem consciência de ter sofrido?
Muitas. Aquelas que refere na sua pergunta, também as tive e continuo a beber nessas fontes. Claro que existem algumas mais importantes do que outras. Foi muito importante para mim e para a poesia que pretendia escrever, o ter descoberto em 1972, Ezra Pound e Ruy Belo. E os nossos poetas da Poesia 61. Mas já desde 1965 que lia Pessoa e Sá-Carneiro. Outro poeta que me ajudou a crescer, foi o José Gomes Ferreira. E o discurso inovador da poesia do corpo da Maria Teresa Horta. Obviamente que ainda hoje procuro acompanhar todos os poetas de Antologia da nossa Literatura.
Por incrível que possa parecer, o meu 25 de Abril na poesia dita “evangélica”, deu-se uma semana antes quando, em Lisboa, comprei numa livraria de Campo de Ourique e li de um fôlego: “Defesa da Poesia”, de Shelley, uma obra teórica, só depois vieram os românticos ingleses, já que falei em Shelley. Hoje, aos 66 anos, navego muito nas águas mediterrâneas da poesia italiana e espanhola, Umberto Saba e Ungaretti e todos os poetas da Geração del 27 sem excepção. De resto, um dos meus livros “Contagem de Estrelas”, de 1996, decorreu de uns versos que li de Gerardo Diego em Salamanca.

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Nos seus poemas J. T. Parreira lança mão de temas bíblicos e clássicos de forma recorrente.
Sim, porque, como sabe, a maior parte dos meus poemas têm uma religiosidade que advém da minha formação protestante, evangélica. Um pastor baptista muito conhecido nos meios da juventude, escreveu há dias que sou o único poeta arminiano que ele conhece (risos). Reparou, e é verdade, que não fujo a incluir na religiosidade também os clássicos, especialmente os poetas gregos e o latino Virgílio.
Assim como de temáticas ligadas à cultura contemporânea. Nota-se que o seu universo passa por poetas, escritores, artistas plásticos, bailarinas, actrizes, cantores e artistas do século vinte.  
Sim, obrigado por essa exegese, que eu resumiria em duas palavras: procuro ser universal, nos assuntos que toco. Não sei se o consigo inteiramente, mas tento. E faço-o sempre sob a égide de uma frase teórica, mas tão simples quanto definitiva, do poeta norte-americano Wallace Stevens: “O assunto do poema é a poesia”.
Todavia sente-se uma atracção especial pela temática do holocausto nazi na sua poesia. Passados mais de 60 anos sobre os factos, ainda se sente impactado pela matéria.
Sinto, de facto. É costume dizer-se “para que a Terra não esqueça”, é mesmo o título de um livro sobre o Holocausto.  Mesmo agora, como sabe, passado mais de meio século, foi publicado um documentário filmado por Alfred Hitchcock em 1945, aquando da chegada dos americanos a alguns campos de concentração, mesmo àqueles pouco falados, mas onde a visão dos cadáveres era atroz. Esse filme vai ser lançado em 2015. Pude vê-lo no Youtube com o horror nos olhos.
Esse impacto vem da juventude, foi uma temática que me apanhou na minha ingenuidade quanto ao Homem que não deveria ser o lobo do Homem. Os crimes da Alemanha Nazi, a sua história, Adolfo Hitler, a II Guerra Mundial foram leituras imensas que fiz nos meus dezassete anos. Sobretudo o que se relacionava com aShoah e a horrenda dizimação de 6 milhões de judeus, sobretudo as crianças judias.
Sei que a guerra é a continuação da política por outros meios, mas os Holocaustos não, são o retorno ao crime cainita numa escala planetária.

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Porque escreve poemas? O que pretende transmitir (se é que pretende), ou limita-se a “sentir com a imaginação”, como dizia Pessoa?
A resposta mais fácil à sua pergunta, seria seguir o que disse Pessoa. Também, mas tal como o Alberto Caeiro, escrever poesia, “ser poeta” é uma maneira de estar sozinho, todavia com o coração no Mundo, e aqui “Mundo” deve ser lido como humanidade e Criação Divina. Concluo a resposta, usando o verso final do poema que citou: “Sentir, sinta quem lê!”
Fazer Poesia, para si, trata-se essencialmente de um exercício de natureza espiritual, estética ou de outro tipo?
Dê-me alguns segundos para pensar, não vá eu contradizer-me (risos).
Em primeiro lugar, o exercício estético já contém em si algo de espiritual. Já Plotino que era um místico, no Século III integrou a Estética, cujo nome não se conhecia ainda, como uma parte da Teodiceia. E, digamos, fez a Teologia do Belo, isto é, da sensibilidade ao Belo, à beleza do universo que canta a grandeza de Deus. Desde o século XVIII, quando o vocábulo apareceu, que “estética” significava simplesmente a teoria da sensibilidade. Ora, em segundo lugar, a sensibilidade reside mais na área do espírito do que no corpo, no que concerne à Arte.
Sim, para mim, trata-se de um exercício de criação literária espiritual e estético. Penso ter respondido à sua pergunta. Ah, desculpe, não escrevo poesia com qualquer “outro tipo” de intenção, muito menos a de vender.
Como vê a edição e a divulgação da poesia actual e dos poetas portugueses de hoje no nosso país?
Numa palavra que é um lugar comum, a poesia, a edição de poesia em Portugal, é “o parente pobre”. São as edições de autor, as pequenas editoras, as marginais, que vão fazendo muita coisa pela Poesia. Falta em Portugal uma editora carismática como a “City Lights”, de S. Francisco, do poeta Lawrence Ferlinghetti.
No nosso país, comparo a essa, as editoras Cotovia e Assírio& Alvim. Mas as aquisições feitas pelos grandes grupos editoriais estão a destruir tudo, no que respeita ao “parente pobre”. O que é que os economicistas da Leya, por exemplo, percebem de Poesia, ou mesmo de Literatura séria? Mesmo atribuindo os prémios a autores que continuam “ desconhecidos”, mas compreende-se, isso dá jeito à redução do IRC.
Como operário da língua portuguesa, o que pensa do tão polémico AO/90?
Penso como muitos – será a maioria? – dos escritores e poetas portugueses que é um “Aborto Ortográfico”.  Para o AO/90 só pode haver uma resposta curta e grossa.

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J.T.Parreira, Lisboa, 1947. Poeta.
6 livros de poesia (Este Rosto do Exílio,1973; Pedra Debruçada no Céu, 1975; Pássaros Aprendendo para Sempre, 1993; Contagem de Estrelas, 1996; Os Sapatos de Auschwitz, 2008; e Encomenda a Stravinsky, 2011 ).
E-books na web: “Falando entre vós com Salmos: Cânticos Davídicos” , “Na Ilha Chamada Triste”, “Aquele de cuja mão fugiu o Anjo”, “Quando era menino lia o Salmo Oitavo”, “Nove Penas para Sylvia Plath” e “As Crianças do Holocausto”, entre 2010 e 2013.
Um ensaio teológico (O Quarto Evangelho-Aproximação ao Prólogo, 1988) e participação em Antologias.
 Escreve na revista evangélica “Novas de Alegria” desde 1964. Na juventude escreveu poesia e artigos no suplemento juvenil do jornal “República”, entre 1970-1972, sob a direcção de Raul Rego.
Apresentou comunicações, fez conferências e palestras sobre a Estética na Comunicação Escrita, a espiritualidade em Vergílio Ferreira, Fernando Pessoa, Bocage e Albert Camus, na primeira década do Século XXI.
Prefácios em livros de poesia.
Recebeu as insígnias de Doctor Honoris Causa, em Letras, pela Universidade Sénior de Setúbal, em 2010.
Está representado no Projecto Vercial, a maior base de dados da literatura portuguesa.

sábado, setembro 01, 2012

Entrevista com o Poeta e Pastor Carlos Nejar


       As letras e a Palavra sob a ótica de Carlos Nejar
Originalmente publicado em http://pibnet.com.br
Carlos Nejar, casado com Elza Nejar, pai de 4 filhos, pastor há 2 anos na Comunidade Evangélica do Deus Vivo, no Rio de Janeiro. Procurador de Justiça aposentado é poeta, ficcionista, crítico e ocupa a 4ª cadeira na Academia Brasileira de Letras. É autor de vários livros internacionais e cerca de 50 títulos publicados no Brasil.
O que Jesus representa em sua vida?
Tudo. Ele vive sem mim, mas não vivo sem Ele. Rick Warren expressou com felicidade, citando Cl 1.16 - "Pois todas as coisas, absolutamente todas nos céus e na terra, visíveis e invisíveis começaram, Nele e Nele encontram seu propósito". Ainda mais que só podem chegar a Deus Pai, através do Filho, Jesus. Por remir todas as raças, crenças e nações, como diz no Apocalipse. O Cordeiro, o único digno de abrir o Livro da Vida e da Eternidade. Há que viver a Palavra que se revela em vida e plenitude.

Qual é sua relação com a Palavra de Deus?
Minha relação é total! É o centro. A Palavra nos purifica e nos salva. Cremos através de ouvir a Palavra de Deus, assim, a Palavra é o princípio e o fim de nossa fé. O centro da ComunidadeEvangélica do Deus Vivo, na Urca a qual sirvo com o Ministério, é a Palavra de Deus.

Como poeta, qual sua análise dos livros poéticos da Bíblia: Salmos, Eclesiastes e Cantares?
Os Salmos nos falam da glorificação a Deus -"tudo o que tem fôlego louve ao Senhor"; Cantares fala do amor entre Jesus, o noivo e a Amada, a Igreja fiel; o Eclesiastes nos põe diante do tempo que passa, a sabedoria de viver em Deus. Ainda estamos no antes, vendo os sinais do depois: "Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro; e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço. E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.6-7).

A internet é um risco para literatura impressa?
Não. Completa com nova instrumentação. O único risco é o da burrice ou ignorância, que não vêm, felizmente, da técnica sabiamente utilizada. É como a pá, o arado e o trator.

O que representa a honra em fazer parte da Academia Brasileira de Letras?
A Casa de Machado é o privilégio de conviver com grandes inteligências, algumas geniais - deste País. E presidentes, ministros, embaixadores, educadores e a maioria, grandes criadores de nossa literatura. A corrente de Machado pugnou pelos escritores e Joaquim Nabuco, pugnou pelas personalidades eminentes. Há ali um constante diálogo de cultura, sejam nas conferências abertas ao público nas terças, seja nas publicações, sejam nas duas bibliotecas, ambas primorosas. E o importante: A Academia se abriu para o povo. E o povo para a Academia, hoje a mais valiosa entidade cultural da América Latina.

Como está a academia hoje?
Tem avançado no tempo, para que a poeira não a enterre. E a imortalidade, como afirmava Sartre, deve voltar-se para a vida. Cícero Sandroni foi um grande presidente, com visão institucional. Atualmente o Ministro Marcos Vilaça dirige a instituição e é um homem voltado para o coletivo e a modernidade.

50 livros publicados, cada um deles é especial, certamente é como se fosse um filho, mas fale de um em especial?
Sim, os livros não são apenas nossos filhos, muitas vezes são nossos pais. Nascemos deles. Mas há um que amo sobremaneira e está esgotado – Todas as fontes estão em ti. Foi editado em 2000 pela Eclesia e ganhou o prêmio do melhor livro religioso do ano, em S. Paulo. Fala da vinda de Jesus (mantidas as distâncias) - é o meu Cântico dos Cânticos.
Tenho novidades editoriais: a primeira é “A Poesia Reunida” pela Ed. Novo Século, de São Paulo, “História da Literatura Brasileira”, ampliada até autores atuais, pela ed. Leya; a publicação até junho de “Os Viventes”, em 3ª edição, com mais de 300 novas criaturas, formando uma espécie de Comédia Humana em miniatura. Trabalho há mais de 30 anos essa obra, sempre em progresso. Penso que agora é a versão definitiva.

Como foi a chamada de Deus para ser um pastor?
Passei vinte e seis anos na Igreja de origem presbiteriana (Igreja Cristã Maranata) e ali Deus já me usava com graça na Palavra. Dali desliguei-me fraternalmente, depois que em 11 de janeiro de 2008, pela Igreja da Assembléia de Deus, Tabernáculo de Israel, fui ungido. Havia sinais há mais de dois anos, prenunciando a unção e eu protelava. Antes, em sonho , recebi de Deus o nome do Ministério - Ministério do Deus vivo, que assumi na plena alegria de servir.

Qual é o seu autor brasileiro preferido?
Na nossa literatura, para mim, há Machado de Assis e depois, Guimarães Rosa, de Grande Sertão Veredas. Poetas, Drummond, João Cabral, Jorge de Lima e Cecília Meireles.

Qual é sua opinião sobre as recentes declarações de José Saramago sobre a Bíblia?
Na capa do Jornal de Letras, de Lisboa, de 21 de outubro de 2009, lê-se “José Saramago – o peso de Deus!”. E Deus não é peso para quem o conhece ou aceita. Ao contrário, leva sobre si todo o nosso peso, infortúnio, enfermidade. E é quem nos liberta e restaura. E digo isso por experiência própria. Não é a soberba humana ou a petulância que o tocam. Está acima dos conceitos. Acima da luciferina inteligência. E Saramago não deixa de ser um predicador às avessas. E por mais que vocifere ou raciocine, não mudará Deus num til. [...]

Qual é seu maior sonho?
Estar com Deus, o dia mais jubiloso, Aquele que é meu Amigo e é fiel. Antes, guerrear pela Palavra, para que o maior número de vidas sejam salvas. Quero subir com uma multidão, fazendo com que Deus alcance também os grandes deste mundo. Já dei há muito o primeiro passo - como ensina Rick Warren - os demais são de Deus em nós.

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"Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará sem dúvida com alegria, trazendo consigo os seus molhos"(Salmos 126.6). Não viemos para a derrota, viemos para fazer a diferença. Não viemos para ser cauda, mas cabeça. Louvado seja o Senhor, por isso!

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Entrevista para o Selmo Vasconcellos

Selmo Vasconcellos é escritor, poeta, antologista e ativista cultural. Ele mantém a página literária semanal intitulada LÍTERO CULTURAL no jornal Alto Madeira, de Porto Velho, RO,  desde 1991. Conheço o Selmo desde antes de minha conversão, quando mantinha correspondência literária com ele e vários outros promotores culturais por esse Brasil à fora. Selmo também mantém um blog dedicado a entrevistar escritores, poetas, editores, pintores e artistas em geral, a Antologia Poética Momento Lítero Cultural. Até o momento, já foram 387(!) entrevistados. Tive a honra e o privilégio de conceder uma entrevista ao amigo Selmo, entrevista esta que republico abaixo.


Sammis Reachers é poeta e antologista. Tem 33 anos (Niterói, 09/05/1978) e reside em São Gonçalo, RJ. 
Autor conhecido no meio alternativo brasileiro, começou a publicar na adolescência, em jornais culturais, fanzines e alternativos, quando editava o fanzine Cardio-Poesia. Possui poemas publicados em antologias e sites literários. Autor de três livros e organizador de seis antologias. Ganhou o Prêmio Capital Nacional (categoria Poeta), ofertado pelo jornal O Capital, de Ilma Fontes, no ano de 2005. No mesmo ano, a vida de Sammis sofreu uma reviravolta: o antes ateu e anarquista se converteu ao Evangelho. Hoje Sammis publica e promove a poesia cristã/evangélica, através de blogs, redes sociais e livros.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever? 

Sou o que se poderia chamar de um editor, pois já organizei diversas antologias, e alguns livros, dentre os quais dois pequenos e-books com a poesia do grande poeta lusitano J.T.Parreira. Editor também pelos blogs, como o Poesia Evangélica, que existe desde 2006 e é dedicado a divulgar a produção dos autores evangélicos de ontem e de hoje. Nestes anos, já são mais de 280 autores ali publicados. Edito ainda os blogs Liricoletivo (um blog colaborativo de poetas evangélicos) e Mar Ocidental, este mais ‘secular’, onde divulgo alta poesia, traduções, ensaios, crítica, resenhas, etc. Escrevo no O Poema Sem Fim, que é um blog/projeto de obra em aberto, também um tanto experimental em sua proposta. Além dos blogs literários que edito, mantenho/colaboro em diversos outros blogs com o intuito de compartilhar boas informações, principalmente entre os cristãos evangélicos. Gosto também de fotografar, embora seja apenas um aprendiz de amador.


SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário?



Meu pai sempre teve uma certa quantidade de livros. Estavam-me sempre à mão, e em criança eu folheava aqueles volumes, aqueles títulos que eu não entendia, e me indagava sobre o que todos aqueles livros falavam. Aquilo era um ruído constante para minha paz... Com o tempo, passei a devorar as enciclopédias da casa, e a fome de saber detonou(-me). Em pouco tempo queria ler aqueles homens de quem falavam as enciclopédias de meu pai, queria ler as milhares de páginas de Proust, queria ser Alexander Von Humboldt... Queria descobrir coisas como Volta e queria ser um tal de Byron. Tudo era pretexto para a criança ler: querendo ser um arqueólogo como Indiana Jones, lia tudo de história que encontrava; querendo ser um cientista como os dos desenhos animados, lia tudo de ciência. O que não sabia, perguntava a meu pai. Até que chegou o dia em que ele começou a responder: ‘isso, filho, eu não sei’. E aí, após o primeiro susto (pois poderia existir algo que meu pai não soubesse?), eu vi que a biblioteca da casa ficara pequena, e eu precisaria de mais e mais livros, mais e mais informação para saber tudo que queria, para conhecer todos aqueles e aquilo de que as enciclopédias traçavam o breve retrato. E muita leitura acaba puxando a escrita...
Já escrevia na infância pequenos contos, ficções científicas.
Poesia comecei a escrever na adolescência, numa fase de revolta, depressão e mesmo algum niilismo, influenciado pelo veneno de Nietzsche e companhia, e audições de rock’n roll. Passei por grandes transformações, de ateu para cristão! Cheguei a pensar em parar de escrever. Pois isso tudo representou uma grande batalha mental, existencial, difícil até de verbalizar. Havia aprendido a desprezar o cristianismo, por não conhecê-lo em sua essência, em seu viés bíblico, verdadeiro. Minha busca por conhecimento era nada mais nada menos que a simples busca por Sentido. Mas um dia encontrei no Cristo que havia renegado o Sentido que buscava desesperadamente em livros e livros, em religiões de todo o globo, em filósofos de toda a monta... Na época não conhecia as maravilhosas apresentações do cristianismo feitas por autores como C.S.Lewis (de As Crônicas de Nárnia) e o recentemente falecido John Stott, além da apologia de um William Lane Craig (que já botou no bolso, ou pra correr, ninguém menos que Richard Dawkins), por exemplo (autores que recomendo a seus leitores). Mas enfim, continuei e continuo a escrever, e como dito acima, acabei me tornando um promotor da literatura, ofício que aprendi ainda jovem com pessoas como você, Eduardo Waack, Ilma Fontes, Rosemary Lopes Pereira, Touché...


SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados ? 



De minha autoria já publiquei (sempre em formato de e-book) A Blindagem Azul e Uma Abertura Na Noite (poesia). Selmo, depois de muitos anos estou retomando a velha veia experimental com o lançamento de meu mais novo livro, CONTÉM: ARMAS PESADAS - Ode à Alteridade.  Mas de que se trata, com título e subtítulo já tão (ou tão pouco) sutis? Esta é uma história de ação? Sim, um talvez épico sujo. Pois há muito de triller cinematográfico aqui, nesta ficção poética, belicosa história de amor, de perdições e redenções. O discurso poético praticado é experimental: fragmentário, interativo. É um livro para ser lido online, um exercício amplo de hipertexto ou hiperliteratura, um livro que entre as interatividades propostas chega a possuir capítulos secretos (como fases bônus num jogo de videogame). Mas quanto ao teor e o conteúdo total dos experimentalismos, você precisará ler o texto para descobrir. E há muito a ser descoberto. Vocês podem ler mais sobre o livro, e o livro em si, clicando AQUI.
Tenho em gestação ainda um volume reunindo inéditos e poemas esparsos publicados na internet, este para impressão, aguardando finalização na gaveta.
Organizei também diversas antologias: Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa (mais de 80 autores de Portugal, Brasil e África, de Camões até aqui); 3 Irmãos Antologia (com poemas de Joanyr de Oliveira, Gióia Júnior e J.T.Parreira); ÁGUAS VIVAS 1 e 2 (antologia de poetas evangélicos contemporâneos); Antologia de Poesia Missionária; e ainda SABEDORIA: Breve Manual do Usuário(uma antologia de frases e citações). Todos os livros citados estão disponíveis para download gratuito (basta clicar sobre os títulos). Disponibilizo tudo pois acredito na democratização maciça do Conhecimento, pois amei o conhecimento um dia, e sei bem o que é querer e não ter condições de acesso ao ser amado. Tudo o que escrevo, todo o meu trabalho está aí, gratuito. Graças a Deus por isso. Baixem, leiam, compartilhem!


SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias ?



Escrevi em certo trecho de meu blog-poema O Poema Sem Fim, que ‘a Dor é o evento fundacional de toda a Poesia. As flores vieram depois’. E assim é. Portanto, escrevo não apenas, mas melhor, quando dói. Mas quanto ao tempo, a todo momento pode me sobrevir um verso, uma ideia: ando sempre com minha pequena caderneta, pois já perdi muita coisa no turbilhão mental, sem ter como registrar.


SELMO VASCONCELLOS – Quais os escritores que você admira ?



Admiro dezenas de poetas grandes e pequenos, não caberia citar tantos aqui. Gosto muito da poesia épica. Admiro a Literatura, como ente maior, como hipercriação coletiva humana. Filhote de enciclopédias, leio de tudo, e em tudo há algo que se pode salvar. Ou nos perder...
De todos os escritores, aprecio sobremaneira Jorge Luis Borges, pelo sonho, pelo amálgama literalmente alquímico que ele alcançou, de concisão, precisão, ilusão, pelos temas fantásticos, pela vertente de erudição que ele trilhou (transitando das Highlands escocesas à Pérsia, da Islândia ao Industão...). 


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?



A mesma mensagem que, imagino, a grande maioria de seus entrevistados deu, o conselho inescapável: leia, leia, leia. A internet revolucionou a cultura, ao levar praticamente toda a cultura humana, de um só golpe, a todo lugar. Acabei de ler a Divina Comédia somente pelo celular, nos momentos vagos no trabalho, nas ruas. E vou retomar O Paraíso Perdido, de Milton. Isso é apenas um exemplo. Se leio um texto de um erudito como Umberto Eco, posso consultar a todo momento a Wikipédia para saber quem são os nomes citados, posso ver em tempo real cada pintura, cada obra de arte citada, apenas com uma busca no Google. Há vinte anos isso era impensável. Isso é uma revolução assustadora, e muitos estão tão anestesiados por ela que nem a percebem mais. Posso avançar dez anos em menos de um. A faca e queijo estão 24 horas por dia em minhas mãos.
Leia os mestres, os mestres da poesia e também da prosa. Leia os clássicos. Leia os revolucionários, os experimentais. A Poesia que não se renova engorda e soçobra no lago estagnado das Letras. Não seja você um cadáver no fundo do lago. Saiba de filosofia, pois sem ideias e conceitos, a Poesia está fadada a falar de flores e de amores baratos. Consuma e seja consumido pelas artes plásticas; assista a bom cinema, a ‘filmes cabeça’, por mais insuportáveis que lhe pareçam no início. A poesia explodirá deles, diante de seus olhos, a qualquer inesperado momento.


POEMAS


Poietiké

Se a poesia é faca e é forca
a poesia também é mortalha
é a plúmbea bala que estraçalha
o coração sol-crispado de Lorca
é a flor que ofende e enfurece o canalha...

Ela incorporou o feio ao discurso,
a poesia é Lírica e também é Porca
linda deusa que hoje admite a falha

É algo inútil, é uma Vida, é um monte de tralha
é uma dose de palavras que na goela do papel
o poeta emborca

é banco de areia onde - cansado do oceano -
um desesperado encalha.


Carta aos Derrotados

Aos derrotados de todas as idades, tempos e lugares:
Jesus já venceu por nós

Aos que escrevem poemas de amor
na língua morta
de um país que já não existe:
Continuemos Poesia contra os muros,
Jesus já venceu por nós

Aos mutilados e deixados pra morrer
em Waterloo e Stalingrado,
Roraima e São Paulo, na próxima esquina,
nos porões das (in)direitas ditaduras
ou nas sibérias comunistas,
no miolo efervescente da multidão
ou nos últimos últimos últimos bancos
das Igrejas:
Olhemos para o alto,
Jesus já venceu por nós

Aos apunhalados enquanto dormiam
por um dos cem milhões
de Judas que Satanás
comissionou e infiltrou
nos mais improváveis meios, famílias e lugares:
Perdoemos,
Jesus já venceu por nós

Aos que sempre ou apenas
numa única hora errada
(apenas)
deram as costas:
Ele é o nosso Grande Perdão
pois Filho do único Onibenevolente;
Jesus já venceu por nós

Aos que nas malfadadas todas
as tantas e tantas e tantas vezes
roubaram e estupraram,
mentiram e abusaram,
traíram e assassinaram;
àqueles e àquelas prostituídos e travestidos,
aos viciados em substâncias, jogos ou pessoas,
aos cães de todas as estirpes,
aos extirpados, a todo aquele
que habita e palmeia
o fundo frio do poço:
Arrependamo-nos, arrependamo-nos, arrependamo-nos
e creiamos:

Em Cristo Jesus somos mais que vencedores.



Águia D'Aurora

A fumaça que sobe de minha choupana incendiada
Tece uma cicatriz na aurora
Me perdoe, mas incendeio baús de passados e amarras
Para voar livre para Ti, Amanhecer

A criança em mim (meu lastro e terna antítese)
apertou o Botão de Alarme
Da minha vida
E esse barulho, como um ranger de trilhos
É meu coração que explode

Meu tempo finda e
Eu aposto
todas as minhas fichas,
Todos os meus ossos
Em Ti

Escapei ainda ontem
Da vila de Maquiavel-dos-Mortos:
- Oh Cristo, eu vim
Em busca de tua Engenharia de Revolução

Diploma-me

Mata-me

Ressuscita-me
Ressuscita-me

Ressuscita-me


Uma Rosa para Kierkegaard

Eu trago uma rosa para Kierkegaard


Kierkegaard que não viu Hiroshima


Que, vista, 

Explodiria com ela


E deixaria um apócrifo

Contra a América cristã


Eu trago uma rosa em nome de Cristo e
Quero encontrar-te
Senhor Soren
Quero nomear meu filho assim, Soren

Teu semblante triste eu trago do berço,
Quero teu ímpeto libertário
Para denunciar nossas incongruências
Nossos nadas (trans)feitos doutrina, 
Adaptação e contentamento

Eu quero teus saltos
Pois tenho asas e um teto
Que me prende de usá-las
(e um mundo a alcançar para Cristo)

Ah, Soren, com o perdão da truculência
Quero dar uma banda
No coro dos contentes
E deitar todos de pernas
Para o ar

-Quem sabe, de um 
Outro ângulo,
Finalmente não enxergam 
Os não alcançados?


Trago uma rosa para ti, para mim
- Para a multidão de nós

e laços -

Oxalá a realize


Paz Verde

Criança amiga do sol,
sozinha no mato,
feita soldado do verde
sob as insígnias dos girassóis...

Corre, vigia, ri,
exulta
(seu corpo é
nau anil alada
por 7.000 asas)
nos campos criados por Cristo.

Sua avó lhe instruiu em todo o Evangelho
e sua imaginação hoje voa, só porque o pastor lhe disse:
"O melhor de Deus ainda está por vir."

Seu sorriso e inocência são uma afronta,
eles bradam ao mundo e seu Satã,
num silêncio de supereloquências:
"Consumam vocês suas ba(le)las e logros. 
EU NÃO ESTOU SOB O JUGO DO SEU JOGO."


Corre, criança verde de sol.

Atente e veja:
um fim
sempre tem lado avesso.
Ou seja:
um fim
nunca deixa de ser um começo.

Materializando

Um tropeço:
o que pro teu pé
é impedimento
pro resto da carcaça
é arremesso

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