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sábado, novembro 20, 2010

Wilma Rejane - Poema de Deus

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“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nela” Ef 2:10. A palavra feitura vem do grego poieo, pode ser comparada a poema, poesia. Uma obra feita com esmero, como um artista fabricando seu produto. Deus é o projetista Mestre do universo. Somos tão especiais que Ele nos deu a vida, como se estivesse escrevendo um poema. O mais puro e intenso verso de amor. Somos o poiema que nem mesmo o mais nobre escritor sob a face da terra consegue expressar.


Um poema único, nomeado, com musicalidade sobrenatural, como a individualidade de nossas impressões digitais: Cite-me uma igual a sua, e direi que o verso é imperfeito. Impossível. Apesar das Marias, Joãos e tantos outros homônimos, a singularidade impera. Somos poema, derivados do Verbo, que se fez carne. Esse encontro do humano com o Divino entranha-se nas linhas do universo provocando uma santa melodia, a poiema que transcende a objetividade das coisas. O Inexplicável torna-se começo, recomeço, de uma história. O mesmo poema, escrito pela pena de um ágil Escritor.



É que quando nascemos não foi “um anjo torto, desses que vive na sombra que disse: "vai, ser gauche na vida.”. Não, foi o Mestre, autor do poieo, O Senhor do tempo que deu vida às grávidas linhas. Que traduzem não avessos ou margens, mas vitórias. Não somos gauche (acanhados, ineptos), mas o poiema que coroa a criação. O texto que deixando de existir, tudo o mais sai do contexto, perde o sentido.


Deus te fez poema, diferente e único. Não deixe que alterem o texto de sua vida, transformando poiema em papel sem valor, lançado ao fogo, feito cinza. Ainda que rasguem, amassem, risquem a folha de sua vida, machucando-o profundamente, o Projetista tem a fonte. De Suas mãos, vem o recomeço. È só pedir, uma folha em branco. E o poiema resurgirá com mais beleza, em firmes linhas, que jamais poderão ser revogadas: " Bendito seja o Deus e pai de nosso Senhor Jesus cristo que segundo a sua misericórdia nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressureição de Jesus Cristo dentre os mortos" I Pe 1:3. Amém.

Citado: Poema de Sete Faces de Carlos Drummond de Andrade.


Por Wilma Rejane, in http://atendanarocha.blogspot.com

terça-feira, janeiro 27, 2009

Um texto de Agostinho de Hipona


Louvor e invocação

És grande
, Senhor e infinitamente digno de ser louvado; grande é teu poder, e incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te.

Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.

Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes conhecer-te, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer?

Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar outrem. Porque, porventura, deves antes ser invocado para depois ser conhecido? Mas como invocarão aquele em que não crêem? Ou como haverão de crer que alguém lhos pregue?

Com certeza, louvarão ao Senhor os que o buscam, porque os que o buscam o encontram e os que o encontram hão de louvá-lo.

Que eu, Senhor, te procure invocando-te, e te invoque crendo em ti, pois me pregaram teu nome. Invoca-te, Senhor, a fé que tu me deste, a fé que me inspiraste pela humanidade de teu Filho e o ministério de teu pregador.

(Confissões, Agostinho de Hipona)
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Fonte: Jornal Urro do Leão - http://www.urrodoleao.com.br/

sábado, setembro 06, 2008

Dois poemas de Heldai Lemos Ferreira


QUERO SER...

Quero ser um vaso de barro, Senhor.
Carregando o líquido precioso, a Tua mensagem.
Falando do Teu perdão, da Tua paz, do Teu favor.
E da Tua vida, que do amor é a linguagem.
Não quero ser feito de material precioso
Não quero que me dêem valor.
Somente quero ser um meio através do qual
Tu, amado Deus, demonstre Seu amor.
Quero ser um vaso de barro, Senhor.
Para que possa ser mais facilmente quebrado.
E logo depois ser reconstruído,
Dentro do padrão do Oleiro amado.
E a cada dia da minha vida
Mais e mais a ti me “agarro”
Pois não almejo outra coisa, senão
Ser um humilde vaso de barro.



De madrugada


Era madrugada...
As luzes de casa apagadas, a lua encoberta pelas nuvens...
Porém o escuro não era absoluto, pois era possível identificar todos os objetos da sala. Caminhei até a janela e olhei a cidade com suas luzes acesas, luzes de várias cores, formando vários desenhos.
Eu contemplava aquela bela vista com todas as luzes da casa apagadas, afinal, a luz dos outros era suficiente.
Foi quando Deus me mandou escrever e precisei acender a luz da sala e, mesmo sem perceber, passei a fazer parte daquele espetáculo de luzes. Deixei de ser apenas um espectador, passei a ser um participante...
É muito bonito e gratificante ver as luzes dos outros brilhando. Fiquei por muito tempo observando a beleza do brilho de pastores, músicos e amigos. Contemplava com admiração (como ainda hoje contemplo), mas Deus me tocou e mostrou a necessidade de acender a minha luz, de ir ao trabalho, de usar os meus dons. Eu creio que se todos fizermos a mesma coisa, o Senhor verá uma cidade cada vez mais bonita e nós como luz do mundo levaremos a salvação a muitos corações necessitados, aflitos, ansiosos de conhecer o Caminho a Verdade e a Vida que levam ao Pai.
E minha oração a cada dia é que, por mais forte que sejam as luzes, ao nascer do sol elas passem desapercebidas, para que ninguém se glorie.

terça-feira, abril 08, 2008

Dois textos em prosa poética de dois de nossos grandes poetas


GESTO HERÓICO

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Mário Barreto França

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A sineta bateu convocando o colégio, a sala estava cheia, o Diretor egrégio e antigo mestre entrou, ninguém o reparara. Falavam de uma falta grave! Alguém roubara da bolsa de um aluno a clássica merenda e o castigo era grande, uma surra tremenda, vinte varadas. Qual seria o desgraçado que iria suportar o braço desalmado do velho Diretor aplicando o castigo? Talvez fosse um aluno ou um bedel antigo. Havia tanta gente ali, humilde e pobre e a aparência final muita miséria encobre. Enorme burburinho enchia toda classe:

- Silêncio – Brada o mestre – Aqui ninguém mais fala!

- Houve uma falta grave, um roubo, e é oportuno que eu lhes diga claramente que esse tão mau aluno, que cometeu tal erro, há de pagar bem caro, bem caro estão me ouvindo? E o que eu mais reparo é ver que foi debalde o esforço de ensinar-lhes caminho do bem, da retidão, mostrar-vos que se deve vencer por força de vontade e que acima de qualquer febril necessidade se coloca o dever. Mas eu vejo que essas virtudes, não orientam mais as vossas atitudes.

O murmúrio aumentou, todos se entreolharam e numa singular atitude calaram, como para mostrar a força que os fazia, solidários na dor, na culpa ou na rebeldia.

Mas num canto da sala, humilde, magro e pálido, levantou um menino. O seu aspecto esquálido bem claro demonstrava a miséria sem nome que lhe vibrava no olhar, as convulsões da fome e num gesto de quem se vota a um sacrifício, como um santo a sorrir no instante do suplicio confessa:

- Diretor, tinha uma fome cega e por isso roubei o lanche do colega, fiz mal, ninguém tem culpa é verdade o que digo, estou pronto, portanto, a sofrer o castigo.

E seguiu cabisbaixo em direção do estrado em que todo faltoso era sentenciado e o rude diretor lê o código interno:

- O aluno que roubar um lanche ou um caderno, nas costas levará vinte fortes varadas.

E isso dizendo, despe as costas maceradas do pequeno réu, vibra o primeiro açoite, um gemido se ouviu como um grito na noite, outra pancada estala, as pernas do garoto começam a tremer dentro do calção roto e o seu olhar voltado ao azul da imensidade parecia implorar um pouco de piedade e uma onda de horror, de revolta e protesto, brilhava em cada olhar, vibrava em cada gesto.

Nisto um jovem robusto e com porte de rico, levanta-se resoluto e diz:

- Eu vos suplico que permitais senhor que eu sofra o seu castigo, a merenda era minha e ele foi sempre amigo, mas se é lei, que se cumpra a lei.

E sobranceiro seguiu para o lugar do pobre companheiro, tirou o paletó, curvou-se resignado e deixou que o castigo em si fosse aplicado.

Quando a ultima vasgarda estalou como um ai nas costas ensangüentadas do inesperado herói, o pequeno poupado abraçou seu protetor amado, beijou-o humildemente e disse-lhe baixinho, num gesto fraternal e cheio de carinho:

- Foste meu salvador, meu nobre e bom amigo, pois sofreste por mim as dores do castigo, que mereci bem sei, mas não agüentaria, dada a minha profunda e crítica anemia. Fui culpado de tudo e nunca o desejará, suplico-te perdoa a minha ação ignara, eu saberei ser grato ao bem que me fizeste, implorando ao Senhor a proteção celeste, sobre ti e o teu lar, na certeza em que o mundo será em tua vida um roseiral fecundo e onde eu me encontrar exaltarei o estóico e sublime esplendor desse teu gesto heróico. Nós somos neste mundo uns míseros culpados, criminosos, infiéis e cheios de pecado, roubamos nosso irmão, o próximo enganamos, perseguimos o justo e a trânsfuga exaltamos e tudo que é de mau fazemos sem piedade para satisfazer a nossa perversidade. Por isso, o Mestre amigo, que sofreste por mim as dores do castigo, recebe o meu afeto humilde, mas sincero e a minha gratidão profunda, pois te quero exaltar em meu ser e em toda minha vida, nessa consagração de uma alma agradecida, que vê no teu amor e em teu suplício estóico, a glorificação de um sacrifício heróico.



O meu Cristo!

Thiago Rocha

Neste mundo há muitos Cristos, de muitas formas, de várias cores e de vários tamanhos, Cristos inventados, Cristos moldados, Cristos tristes, Cristos desfigurados.
Há Cristos para cada gosto, cada objetivo, cada projeto.
Há o Cristo das belas artes, um motivo como tantos outros para expressar uma forma ou exibir uma escola, pelo próprio homem criada. É o Cristo só para se ver, analisar ou criticar, para exaltar o autor, o seu talento, sua invencionice.
Há o Cristo da literatura, da prosa, do verso, da fama, do estilo famoso, do bestseller. É o Cristo de pretexto, que serve de texto dentro de um contexto, que ajuda o seu autor a faturar mais, ser mais lido e procurado.
Há o Cristo das cantigas, deturpado, maltratado e irreverentemente tratado. Aparece na crista das ondas, estoura nas paradas. É cantado nos salões e circula aos milhões como mercadoria para enriquecer a muitos. É o Cristo de algibeira, fabricado como produto de consumo.
Há até o Cristo do cinema e do teatro, sucesso absoluto de bilheteria. É a expressão da arte moderna fazendo a caricatura do maior personagem da história. É o Cristo musicado, martirizado, encenado. É o Cristo para o espetáculo, para os olhos, para os ouvidos, para o lazer, para a higiene mental.
Há o Cristo do crucifixo, de pedra, de mármore, de madeira, de metal, de ouro e até mesmo de cristal. É o Cristo para a aparência, para o colo da mocinha, para o peito piloso do rapaz excêntrico. É apenas ornamento ou simples decoração, embora, alguns lhe prestem culto, ele não vê, não ouve e não entende.
Há, também, infelizmente, o Cristo de certos cristãos que ainda o tem no túmulo, e ainda conservado na tumba dura e fria. É o Cristo que não vive porque os seus adoradores ainda estão mortos, sem despertar para a vida nova, a vida do próprio Cristo, da qual, ainda, lamentavelmente, não se apossaram.
O meu Cristo não é nenhum desses! O meu Cristo é o Filho de Deus que nasceu, cresceu e sofreu, foi condenado à morte e sepultado por causa dos meus pecados. O meu Cristo não ficou preso na sepultura escura! Ele ressuscitou, subiu ao céu e reina à direita do Pai!
O meu Cristo é cultuado, admirado e adorado porque está vivo e bem vivo! Meu Cristo vive nas parábolas que proferiu! O meu Cristo vive nos ensinos que deixou! O meu Cristo vive nos atos que realizou! O meu Cristo vive nas almas que salvou!

O meu Cristo vive, não tenho dúvidas, porque o meu Cristo vive em mim!

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