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sábado, janeiro 18, 2020

Dois poemas de Jesiel (Jese) Carlos Ferreira


QUANDO MATEI UM EVANGELISTA

Ele era uma boa pessoa
Mas era muito chato
Ele atrapalhava os meus negócios
Porém me avisava do perigo
Era um dia de domingo
Ao entardecer
Antes das 6 pm
Antes de bater o sino
Não sabia que eu era disto
Uma raiva entenebrecida
Nunca imaginei fazer aquilo
Era um dia de domingo
Ele era o meu amigo
Um irmão
Peguei-o pelo pescoço
e asfixiei-o,
num golpe mata-leão.
Foi perdendo as forças
até que caiu desvaído.
Os outros vinham
e lhe perguntavam,
mas ele nada respondia.
Estava caído ao chão
Com a mão gelada
E o coração parado
Sem reação
Sem nenhum respiro
Era minha culpa
…e não tinha desculpas.
Eu não imaginava ter feito aquilo
Era uma tarde de domingo
Ele era meu amigo
Um irmão
Agora sou culpado
Um fratricídio
(Acho que o nome é isso)
Que nem Caim
Sou um assassino
Eu queria correr
…mas para onde?
Em qualquer lugar
vão me reconhecer.
Com sangue nas mãos
Um sangue inocente
Agora estou marcado
Serei um fugitivo
De Deus,
do diabo
e da polícia.
Perdão, Senhor!
Perdão, Senhor!
Estou arrependido
Não era para matar
Não era minha intenção
Então vi um milagre acontecer...
O golpe não foi tão forte
E o coração voltou a bater
E ele se recobrando
aos pouquinhos,
e devagarinho
foi se levantando,
e me disse:
Eu te perdoo,
não faça mais isso!
Que alívio!!
Quase mato meu amigo
Quase viro um assassino
Nunca imaginei fazer aquilo
Era uma tarde fria de domingo
Antes da Catedral da Fé
badalar o seu sino.
Quase que mato o Evangelismo.



AOS QUE CHORAM...

"Hoje muitos choram, mas não desistem de viver
Hoje muitos choram sorrindo"
(Trecho da música "Muitos choram"
da banda Rosa de Saron)


Limpem as lágrimas por enquanto
Uma vez que já tem algo melhor preparado
Hoje são muitas coisas que nos fazem chorar
e poucas que vêm nos consolar.
Hoje são muitas decepções
Muitas traições
Feridas abertas
Corações amargurados
Muitos lutos
Mas animem-se!
Pois aquele que nos ajuda,
venceu o mundo.
Choramos…
porque esperávamos mais de nós.
Choramos…
porque esperávamos mais das pessoas.
Choramos…
porque esperávamos que elas ficassem um pouco mais.
A lágrima é cônjuge da dor
Não são todas aquelas aflições da vida?
Mas vejam!
Vem chegando o dia de sermos consolados
Essas águas, que caem pelo rosto
e que correm como um riacho fluente,
têm os dias contados.
A gota quente, dos olhos vermelhos,
não mais minará.
Já que no céu,
​​​ela não entrará.


Leia mais textos do autor em sua página no Recanto das Letras, AQUI.

terça-feira, janeiro 16, 2018

Quatro poemas de Jesiel Carlos Ferreira


O ateu e Deus

Diz o ateu no seu coração:
- Não há Deus

Diz Deus no seu trono:
- Eu criei o ateu

O ateu diz:
- É tudo obra do acaso

Deus diz:
- Eu fiz a alva e o ocaso

O ateu diz:
- Cadê Deus?!

Deus diz:
-eu sempre estive aqui

O ateu diz:
- Eu conquistei tudo sozinho

Deus diz:
- Eu abri o caminho

O ateu diz:
- Eu sou o sujeito

Deus diz:
- Você é o predicado

Diz o ateu:
- Jesus era apenas um revolucionador

Deus diz:
- Eu sou o seu Salvador,
Se você acreditar!!



Minha Bússola, Meu Sextante

Tu és o meu guia, a minha direção
Não sei dar um passo sem ti
Sozinho sou um bêbado errante
Ébrio na rua vacilante,
Tentando voltar para o lar.
Porém contigo, é tudo mais seguro
Nos dirigindo no mastro aí em cima
Nos livrando das marés e das procelas
És o meu sextante em meio ao mar
És a minha bússola na perdidão da floresta
Minha estrela alva na amplidão do deserto
És o Pastor de Israel
Que pega a ovelhinha
Com medo no colo
E leva para dentro
Dos portais eternos.



Um túmulo para Leônidas

Dois homens
Dois valentes
Dois varões de guerra
Dois líderes
Com os quais
Seus 300.
Duas faces
Dois nomes
Leônidas e Gideão
Cada qual - uma missão -
Lutar contra uma multidão...
... Um número sem igual
Um com esperança na sua própria mão
O outro num Deus de salvação
Lugares e tempos diferentes
Mas semelhantes em uma luta desigual.
Palcos:
Grécia:
... Caminho das Termópilas.
Israel:
... Vale de Jezreel
Possíveis cemitérios
De um embate
De uma ilha contra o mar
De uma agulha contra o palheiro
Da lua contra o céu
Do maior opondo-se contra o menor;
Moral das histórias:
Em Termópilas:
... Jazigo de um ponto de resistência.
Em Jezreel:
... Onde Deus deu a vitória para seu povo.



ESCALA RICHTER DA VIDA

Se olharmos bem a nossa vida
É um sobe-e-desce nas emoções.
Os amontoados dos dias (como uma escala gráfica)
Correm por uma linha.
Longe de ser retilínea,
Mas cheia de irregularidades
E oscilações.

Como um hesitante eletrocardiograma
Monitorando um atacado coração;

Ou como um sismógrafo,
Com a caneta vacilante
Em cima da escala Richter
Sentindo um abalo na imediação;

Ou um médico com sua letra trêmula
Prescrevendo no receituário de papel;

Ou até mesmo um raio riscando o céu;

Assim é a nossa vida como num parque de diversão
Para cima e para baixo:
Longe de girar num infantil carrossel,
Mas dentro de um carrinho
Na perigosa montanha russa.
Dentro dos dias,
E eles nos vão carregando para o fim
Alguns dias são de vitórias outros de derrotas
Outros de alegria e outros de tristezas
O sobe-e-desce vai dando os sabores
Deixando marcas e cicatrizes:
E o importante é não largar a fé,
Vencer às turbulências
Para que no final se pegue o troféu.


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