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segunda-feira, maio 24, 2010

Dois poemas de Diogo Sanches

*

Ligado na Videira

É outono nos corações
As folhas caem
E o tempo de outrora,
A beleza das rosas,
Desbotou sem pedir licença

O choro de nanquim deixa rastros
Feridas que tatuam o viver
Pois é o vácuo o maior destruidor
No império do vazio não há Água, há tormenta

Mas as lágrimas a escorrer
Vêm regar o deserto da dor
E onde a esperança ressecou
Brota a semente do amor

E o ramo permanece...
É perene, não perece
Sua glória aparece
Quando o teimoso da aridez
Este cavaleiro sem finesse
Prova que sem espada pode até haver guerra,
Mas sem outono não existe primavera.


Do galho da esterilidade surge a flor,
Ligado na Videira sou um com o meu Senhor



O amor é...

Cela que aprisiona o vazio,
É o calor que congela todo o frio
Soldado da guerra da renúncia
Sombra que persegue o perdão
Palhaço que desarma a bagunça
O espinho que arranha a maldade
Vício no prazer da liberdade
Espelho que emagrece todo ego...

Pétala rebelde no outono
Primavera que se humilha ao deserto
Sol do meio-dia no verão
Mãe que se atira no inverno
Maestro do concerto da espera...
Vaidade que se orgulha da impotência
Caravela que descobre a inocência
Dor na cruz por quem não merecia...


Visite o blog do autor:  http://notasepoesias.blogspot.com/

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