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quarta-feira, fevereiro 23, 2022

Três poemas de Adelino Alves Bonfim



UM CHORO NO CARNAVAL

 Uma lágrima escorre

do rosto pintado

da dançarina havaiana.
Quem esperava, não veio.
Será que se perdeu
nas nuances do caminho?
ou não quis vir
pois encontrou
dançarinas mais belas?
O choro quase contido
se mistura a música alegre
mas ninguém nota
cada um vive seu mundo
e o dela 
está quase caindo.
Ensaia alguns passos da dança
mas não sabe que passos
dará na sua vida
se vida tiver ainda
se ele não aparecer.
Volta para casa chorando
e por entre as lágrimas
vê a mãe no portão
esperando!
Um sorriso

um abraço
e uma frase:
-Jesus te ama!


RARIDADES

“Olhos que olham são comuns, olhos que veem são raros!”
J. Oswaldo Sanders 1902-1992
Escritor e Missionário Neozelandês

São raros, os olhos que enxergam
os demais olhos apenas...
olham!
São raros, os ouvidos que escutam
os demais ouvidos apenas...
ouvem!
São raras, as mãos que ajudam
As demais mãos apenas...
apertam!
São raros, os abraços que confortam
Os demais abraços apenas...
abraçam!
São raras, as vozes que dizem verdades
As demais vozes apenas...
dizem o que queremos ouvir!



PÁSCOA, UM PÃO PARTIDO AO MEIO

Um pão
partido ao meio
repousa esquecido
na mesa agora
vazia!

Quem o partiu
partiu de repente
deixando dois corações
crédulos,
fiéis
e ardentes!

O partidor de pães
companheiro do caminho
ensinou,
confortou
abençoou
e agora foi embora.


Cleófas e o amigo
voltam correndo
o caminho já palmilhado
em busca do Messias
que estava com eles
e eles não sabiam!
Ah... como seus corações ardiam!


Seu coração ainda arde?


Mais poemas nos blogs do autor: http://opoetabonfim.blogspot.com/



terça-feira, agosto 21, 2012

Dois poemas de Mário Ribeiro Martins


DOIS CORAÇÕES. 

Quando nós pelas curvas dos caminhos
Andarmos lado a lado bem velhinhos
Não teremos sequer um só desejo.

Os nossos dias idos de paixões
Serão lembrados por dois corações
Que se esgotaram sempre no festejo.

E com nossos cabelos já branquinhos
Seguiremos enfim de tal maneira,
Que terminando nossa bel carreira,
Veremos bem de perto nossos ninhos.

E muitos dirão: Estes dois velhinhos
Passaram docemente a vida inteira
Plantaram sempre nela uma roseira
Que lhes deu flores e não deu espinhos. 



O CARNAVAL 

A festa do Rei Momo está presente, 
Por toda parte é visto o carnaval. 
A miséria moral da nossa gente 
Vai fazê-la chorar na hora final. 

A festa do Rei Momo está presente, 
Ó Senhor Deus, tu és mais que banal, 
Para esse povo vil, tão indecente, 
Que insulta, zomba e faz de ti um mal. 

Ó Deus, se tu mandasses Cristo agora, 
O que faria essa gente nesta hora, 
Vil, descrente, imoral, no mundo atroz? 

Ó Rio, depravado, inconsolável, 
O teu povo diria, miserável, 
Ó Corcovado, caia sobre nós. 

Do livro MISCELANIA POÉTICA (Recife: Acácia Publicações, 1973). 

Leia muitos outros textos do autor aqui: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=mariorm

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Carnaval, poema de J.T.Parreira




Carnaval


Caras para tudo
suportando as máscaras
caras de Entrudo
gastas
pouco a pouco
o siso
retomando as caras
e o tédio, perdido o riso.

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

O Carnaval, poema do Rev. Jerônimo Gueiros




O Carnaval


Carnaval! Empolgante Carnaval! 
Festa vibrante!Festa colossal! 

Festa de todos: de plebeus e nobres, 
Que iguala, nas paixões, ricos e pobres. 
Festa de esquecimento do passado, 
De térreo paraíso simulado... 

Falsa resposta à voz do coração 
De quem não frui de Deus comunhão, 
Festa da carne em gozo desbragado, 
Festa pagã de um povo batizado, 

Festa provinda de nações latinas 
Que se afastaram das lições divinas. 
Ressurreição das velhas bacanais, 
Das torpes lupercais, das saturnais 

Reino de Momo, de comédias cheio, 
De excessos em canções e revolteio, 
De esgares, de licença e hilaridade, 
De instintos animais em liberdade! 

Festa que encerra o culto sedutor 
De Vênus impúdica em seu fulgor. 
Festa malsã, de Cristo a negação, 
Do "Dia do Senhor" profanação. 

Carnaval!Estonteante Carnaval! 
Desenvoltura quase universal! 

Loucura coletiva e transitória, 
Deixa do prazer lembrança inglória, 
Festa querida, do caminho largo, 
De início doce, mas de fim amargo... 

Festa de baile e vinho capitoso, 
Que morde como ofídio venenoso, 
Que tira do homem sério o nobre porte, 
E gera o vício, o crime, a dor e a morte. 

Carnaval!Vitando Carnaval! 
Festa sem Deus!Repúdio da moral! 
Festa de intemperança e gasto insano! 
Trégua assombrosa do pudor humano, 

Que solta a humana besta no seu pasto: 
O sensualismo aberto mais nefasto! 
Festas que volve às danças do selvagem 
E do africano, em fúria, lembra a imagem, 

Que confunde licença e liberdade 
Nos aconchegos da promiscuidade 
Sem lei, sem norma, sem qualquer medida, 
Onde a incauta inocência é seduzida, 

Onde a mulher, às vezes, perde o siso 
E o cavalheiro austero o são juízo; 
Onde formosas damas, pela ruas, 
Exibem, saltitando, as formas suas, 

E no passo convulso e bamboleante, 
Em requebros de dança extravagante, 
Ouvem, no "frevo" , as chufas e os ditados 
Picantes, de homens quase alucinados, 

De foliões audazes, perigosos, 
Alguns embriagados, furiosos! 
Muitos, tirando a máscara, em tais dias, 
Revelam, nessas loucas alegrias, 

A vida que levaram mascarados 
Com a máscara dos homens recatados... 
Carnaval!Perigoso Carnaval! 
Que grande festa e que tremendo mal! 

Brasil gigante, atenção! Atenção! 
O Carnaval é festa de pagão! 
Repele-o! Que te traz só dor e morte! 
Repele-o! E inspira em Deus a tua sorte. 



Fonte: Blog O Temporas, O Mores!
via http://www.monergismo.com

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