Mostrando postagens com marcador Conselhos Poéticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conselhos Poéticos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, maio 11, 2020

10 Coisas Que Você Precisa Saber Sobre Deus e a Poesia – Leland Ryken

Gustav Klimt

http://monergismo.com/

  1. Deus espera que você compreenda e aprecie poesia.
Esta não é uma declaração tão polêmica quanto parece. Sabemos que Deus espera que compreendamos e apreciemos poesia porque cerca de um terço da Bíblia está em forma poética. Para começar, temos livros poéticos como os Salmos e os Cantares de Salomão. Depois, temos os livros proféticos, em que grandes porções são expressas de forma poética. Além disso, há o livro de Apocalipse, vazado sobretudo em imagens e símbolos. E, ademais, as epístolas estão saturadas de imagens e metáforas.
  1. Jesus é um dos poetas mais famosos do mundo.
Como Jesus nunca se proclamou poeta, não costumamos pensar nele como tal, mas esta é uma omissão. Os discursos de Jesus valem-se muitíssimo da linguagem poética: “vós sois a luz do mundo”; “eu sou o pão da vida”. Adicionalmente, os ditos de Jesus são altamente aforísticos, e a beleza verbal é um elemento eminente da poesia. Assim, se começarmos com o fato de que os discursos e os ditos de Jesus estão entre os mais famosos do mundo, e acrescentarmos nossa consciência de que essas declarações são altamente poéticas na forma, é apropriado pensar em Jesus como um poeta famoso.
  1. A poesia requer “leitura lenta”.
As duas declarações anteriores pretendiam conquistar uma recepção inicial favorável para a importância da poesia na vida cristã, e mais se seguirá, mas todo esse elogio será infrutífero para aqueles que jamais adquiriram a capacidade de ler poesia. A regra mais importante para ler poesia é simples: a poesia requer uma leitura lenta e meditativa. Isso não significa negar que outras técnicas de leitura precisam ser acrescidas à caixa de ferramentas das habilidades de leitura de poesia, mas qualquer um pode compreender poesia ao refletir sobre um poema e viver com ele por dez ou quinze minutos em vez de submetê-lo à leitura rápida que faz parte de nossa vida diária.
Poesia é um modo de pensar e sentir antes de ser uma forma de falar ou escrever.
  1. Todos são poetas em algum momento.
Essa, tampouco, é uma declaração revolucionária, mas, em vez disso, é algo facilmente comprovado. Todos fazemos poesia inconsciente ao longo do dia. Falamos metaforicamente do nascer do sol embora saibamos que ele não nasce de modo literal. Quando alguém faz uma oferta conciliatória, nos referimos a ela acenar um ramo de oliveira, mesmo sabendo que nenhum ramo de oliveira esteja à vista. Por que insistimos em falar metaforicamente? Porque num nível inconsciente sentimos que o discurso poético transmite a verdade efetivamente, e muito mais efetivamente do que a prosa literal.
  1. A poesia não é uma forma artificial de discurso.
A poesia não é nosso modo normal de falar e escrever, mas é importante afirmar que não é um modo artificial de discurso. Na história da literatura, a poesia antecedeu a prosa como forma consumada de escrever na maioria das culturas. O erudito literário Northrop Frye perguntava com razão: “Como isso poderia acontecer se a prosa fosse realmente a linguagem do discurso ordinário?”. Além disso, como particularmente defendia Owen Barfield, a maioria das palavras em nossos dicionários começou como imagens concretas e metáforas. Mais uma vez, não seria este o caso se a poesia fosse inerentemente artificial como modo de falar.
  1. Poetas falam uma linguagem própria.
O sentido das cinco afirmações anteriores é fazer a poesia parecer acessível e familiar. Este é um retrato inteiramente preciso da poesia. É acessível quando a abordamos do modo correto. Entretanto, não se ganha nada ao negar o fato óbvio de que a poesia difere da prosa cotidiana. Poetas falam num idioma poético. Esse idioma consiste primeiramente em imagens e figuras de linguagem. Poetas preferem o figurativo ao literal como modo de expressar a verdade sobre a vida.
  1. Poesia é uma forma de lógica.
Uma coisa que a poesia compartilha com a linguagem do discurso cotidiano é que é uma forma de lógica. A lógica depende de estabelecer relações precisas entre duas coisas. O poeta moderno Stephen Spender escreveu um ensaio memorável chamado “A formação do poema” no qual afirmou que “o desafio apavorante” que o poeta enfrenta é: “Será que consigo pensar sem a lógica das imagens?”. Na lógica da poesia, as imagens do poema hão de ser certeiras para encarnar as experiências retratadas. As comparações que constituem muito do idioma poético têm de ser comparações precisas. Se o luto com a morte de um ente querido é “a hora da passagem”, precisamos ser capazes de ver a precisão do vínculo.
  1. Poetas pensam em imagens e figuras de linguagem.
Poesia é um modo de pensar e sentir antes de ser uma forma de falar ou escrever. Poetas escrevem num idioma poético porque é assim que experienciam a vida e a registram. Precisamos reconhecer os poetas que possuem uma habilidade ausente na maioria das pessoas.
  1. A poesia é concentrada.
Uma das coisas que um poema busca é ser compacto. Como observado acima, isso quer dizer que não devemos ler um poema o mais rápido possível e seguir para nossa próxima atividade. Em vez disso, a compactação da poesia é o que exige de nós uma leitura lenta. Quando o fizermos, ficaremos maravilhados com o quanto um poema expressa num espaço compacto. C. S. Lewis falou das delícias linha a linha que a poesia tem. Ela oferece muito mais por linha do que a prosa. Isso faz parte de seu apelo, mas somente se aceitarmos a premissa da leitura lenta e contemplativa.
  1. A poesia é altamente artística.
Os próprios poetas reivindicam a beleza como seu território. Robert Frost chamava um poema de “uma performance em palavras” – uma performance comparável à do atleta ou do músico, admirada como exibição de habilidade. O poeta devocional vitoriano Gerard Manley Hopkins disse que a forma artística de um poema existe “por si mesmo e por seu interesse até mais do que o interesse de seu significado”. O corolário é que, como leitores, precisamos valorizar a beleza artística da poesia.

segunda-feira, dezembro 17, 2012

Natal: Deus se faz Poeta! - por José Roberto Prado

Pablo Picasso - O Poeta
Poetas são artesãos da palavra. Como nas outras artes, o artista parte do desejo de expressar-se e de sua imaginação. Com o que tem às mãos – o comum, o simples – maneja com habilidade (do Latim “ars”) até transformar em algo sublime, admirável, belo.
De todas as matérias primas, a palavra é, por excelência, a mais rica e misteriosa condutora de pensamentos e sentimentos.
A capacidade humana de verbalizar, junto com a consciência, é o que nos distingue dos animais e nos torna imagem e semelhança do Criador. Foi Ele, na eternidade, que primeiro expressou-se por palavras.
A poesia é divina.
Divina, compartilhada, mas não espontânea. Não basta juntar aleatoriamente palavras numa frase. É preciso trabalhar arduamente até que as palavras sejam capazes de expressar com lógica e beleza os mais profundos sentimentos. Todo artista imprime a si mesmo em sua obra. A arte é a forma mais elevada de comunicar quem somos.
As narrativas bíblicas natalinas são poéticas. Prosa e poesia se entrelaçam intimamente para expressar o mais belo de todos os poemas divinos: o Filho que se faz gente. O Criador que literalmente entra, encarna, sua obra. O sonho louco do artista é concretizado, ou melhor, humanizado numa pequena vila da Galiléia…
Mistério. Gente, palavra, poesia sempre foram mistério.
João, o pescador-poeta, no primeiro capítulo de seu Evangelho, apresenta o Filho como verbo, Palavra, logos de Deus que se faz gente e habita entre nós (Jo 1.14). João, pastor-discípulo descreve a si mesmo como “aquele a quem Jesus amava” (13.23), vê a Deus como poeta!
Amor e poesia sempre andam juntos.
E é das mãos, lábios, mente e coração de João – poesia é coisa visceral – que recebemos o verso: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Único…” (3.16). Poesia de amante… Em Cristo, Deus demonstra a intensidade de seu amor escandaloso por nós.
Cristo é poema de Deus. Em outras palavras, Deus imprimiu a si mesmo em Cristo.
Percebemos a poesia de Deus nas narrativas natalinas de Mateus e Lucas. Elementos singelos, personagens comuns, animais, elementos típicos de uma pequena vila do interior são magistralmente moldados por Deus para escrever sua história na nossa história. Não mais uma história, mas “a” história que dá sentido a toda História.
O Filho Amado é a peça do quebra-cabeça divino que abre nossos olhos para compreender toda o Cosmo. Ele é a pedra angular que sustenta toda a catedral. A Palavra que interpreta todas as outras. Jesus, no Hebraico, significa “Deus Salvador”.
Todo poeta lança mão de recursos estéticos para comunicar sua idéia. A cadência das palavras, a rima, a seqüência das idéias. E foi assim. Nas palavras, no olhar, no caráter Deus estava expressando-se a si mesmo no Filho.
Na poesia como na música, até mesmo o silêncio comunica.
Antes do nascimento de Jesus, Deus se calou por quatrocentos anos! É como se o escritor divino, como os poetas, usasse da reclusão para sua criação. De outra perspectiva, o silêncio nos faz atentos, cria expectativas. O que fará Deus? Malaquias é o último profeta; depois dele, ninguém mais disse: “Assim diz o Senhor!” Nunca Deus havia se calado por tanto tempo… Mistério e poesia caminhando de mãos dadas na narrativa natalina.
Foi Gabriel, o mensageiro celestial, que rompe o silêncio de Deus e anuncia à jovem virgem: “Você dará à luz um filho e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande, chamado filho do Altíssimo… Ele reinará para sempre…”. Maria creu.
Fé, coragem e poesia se encontram.
Fé é a capacidade de interpretar a vida como sendo poema de Deus.
Desde o mais simples ao mais radical dos acontecimentos, como nascimento ou morte, todos, sem excessão, fazem parte da ação deliberada da pena do Artista.
Assim como o raciocínio está para a leitura, a fé está para vida.
Sem fé é impossível agradar a Deus, pois sem fé é impossível decodificar SUA mensagem: Cristo, salvador, redentor, Senhor de tudo.
Jesus nasceu!
Inclua um pouco de poesia no seu Natal.
Leia os relatos do Evangelho e ouça, por um momento, o coro celestial cantando: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede seu favor” (Lc 2.14). Olhe para o menino que nasceu em Belém com os olhos da fé e deixe que sua mente seja treinada pela esperança.
É nascido o príncipe da paz! Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo! Reconciliando você com Ele. Creia… celebre, descanse, adore.
Eu lhe desejo um Feliz Natal, com toda carga semântica e poética que estas simples palavras possam suportar.
Shalom!
Visite a página do autor: http://www.teleios.com.br

terça-feira, julho 10, 2012

A poesia da mística e a mística da poesia



A poesia da mística e a mística da poesia, é um excelente artigo de Vinicius Mariano de Carvalho publicado originalmente na revista Horizonte, editada pela PUC Minas Gerais. Um agradável alimento teórico para os poetas e leitores deste blog.


Resumo 
Este texto apresenta algumas reflexões sobre os elementos poéticos presentes no discurso místico, ressaltando quais as características fundamentais desses textos, desde um ponto de vista da poesia. Ao fazer isso, o texto também pergunta quais seriam os elementos místicos da poesia. Se se pode falar de uma poética da mística, poder-se-ia também considerar uma mística da poética? Considerando-se que o discurso místico é resultado de uma experiência com o sagrado, haveria uma experiência transcendente também expressa na poesia considerada profana? O procedimento adotado para a depreensão dessa poética da mística é a análise literária de alguns poemas da tradição mística, de um salmo bíblico e de um texto de um poeta não comprometido com uma tradição religiosa específica. O resultado da análise é percebido como uma possível poética da mística. Por outro lado, o aspecto transgressor da linguagem presente na poesia é apontado como sendo expressão da mística da poesia. 

Para baixar o texto ou ler online, CLIQUE AQUI.

domingo, maio 06, 2012

Cristianismo e Literatura



Rodrigo Silveira
http://bibliotecaimbb.blogspot.com.br 

C. S. Lewis*, ao ser questionado sobre se Teologia é Poesia, respondeu que não (o texto da resposta está contida do livro O peso de Glória). No entanto, não há dúvidas de que idéias teológicas podem ser veiculadas sob a forma literária. O próprio C. S. Lewis utilizou a ficção para transmitir idéias teológicas bastante relevantes e profundas. As Crônicas de Narnia são um belo exemplo de como a Literatura pode exprimir mensagens bíblicas de uma forma simples e didática. Além das Crônicas, é possível ressaltar dentro da obra de Lewis o conto O Grande Abismo e sua Trilogia Espacial.

A Bíblia mesmo usa em diversas vezes a Literatura para expressar as verdades a respeito de Deus e de sua relação com o homem. Conforme o comentarista das Escrituras:

"Repetidas vezes, o Antigo Testamento irrompe em poesia. Até mesmo as suas narrativas são ornadas aqui e ali com uma parelha de versos, ou com uma seqüência mais longa de versos para ressaltar qualquer fato memorável (...), e esta é a forma que, de modo predominante, suas profecias assumem. Embora os Salmos formem o corpo principal de poesias nas Escrituras, (...) eles mesmos estão cercados por poesia e estão arraigados numa tradição poética longa e popular" (Kidner, Derek. Salmos 1-72: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1992)

Dois livros do Antigo Testamento, em especial, são compostos por poemas, os Salmos e Cântico dos Cânticos. No Novo Testamento, os evangelhos mostram que Jesus freqüentemente lançava mão de um tipo de texto literário chamado "parábola" de forma a ilustrar vários de seus ensinamentos. Segundo Bailey: "As parábolas de Jesus são uma forma concreta e dramática de linguagem teológica que força o ouvinte a reagir. Elas revelam a natureza do reino de Deus e/ou indicam como um filho do reino deve agir" (Bailey, Kenneth. As parábolas de Lucas. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 14). É bastante significativo que Jesus tenha usado a Literatura como forma preferencial de exposição das verdades do Reino de Deus, considerando que Ele é o modelo de Mestre para os cristãos. Nesse sentido, os ensinamentos de Cristo apontam para o fato de que determinadas idéias teológicas só podem ser bem expressas literariamente.

A propósito, poderíamos trazer um grande número de exemplos de obras literárias que veiculam importantes idéias teológicas: A Divina Comédia de Dante aborda aspectos da soteriologia e da doutrina do pecado; O Paraíso Perdido de Milton fala sobre a natureza do mal e da idéia de rebelião contra Deus; vários do romances e novelas de Tolstói e Dostoiévski tratam de assuntos bastante afetos à doutrina cristã. Dostoiévski, nesse sentido, acreditava que a arte literária tinha uma missão cristã relevantíssima em seu contexto ao se contrapor ao niilismo ateísta nascente na Rússia do século XIX, decorrente da importação das idéias revolucionárias européias.

A eficiência da arte literária para expor e divulgar idéias teológicas pode ser exemplificada pelo relato de Muggeridge citado por Philip Yancey em seu livro Alma Sobrevivente:

" No início da década de 1970, Malcolm Muggeridge ouviu, para sua surpresa, que membros da elite intelectual da União Soviética, ainda sobre o regime comunista, estavam experimentando um reavivamento espiritual. Um dissidente russo que vivia exilado na Inglaterra disse-lhe que virtualmente todo escritor artista ou músico de renome estava explorando questões espirituais. Muggeridge relata: 'Perguntei-lhe como aquilo poderia estar acontecendo, dados os esforços de lavagem cerebral anti-religiosa sobre os cidadãos e a ausência de literatura cristã, inclusive os evangelhos. Sua resposta foi memorável. Ele disse que as autoridades esqueceram de suprimir as obras de Tolstói (1828-1910) e Dostoiésvki (1821-1881), as mais perfeitas exposições da fé cristã dos tempos modernos.'" (Yancey, Philip. Alma sobrevivente. São Paulo: Vida, 2004, p. 128)

Com isso, Yancey nos mostra que a preocupação de Dostoiéski com a missão cristã da literatura não foi em vão, pelo contrário, agiu significativamente na vida de muitas pessoas ao longo de várias gerações.

Um outro livro de Philip Yancey, Muito mais do que palavras, mostra como os mestres da Literatura influenciaram os escritores cristãos. Lá é possível verificar como o pensamento de autores como Eugene Peterson, de Madaleine L'Engle e do próprio Yancey foi influenciado por artistas como John Donne, Flannery O'Connor, Ray Bradbury, J. R. R. Tolkien. O fato de que a Literatura possui esse poder de influência sobre a cosmovisão dos leitores gera uma responsabilidade para o cristão: não desprezar essa forma de arte.

De fato, os textos literários têm a capacidade de expressar as verdades da fé de um modo tocante, inspirativo e instigante. Por isso, é preciso ler e fazer Literatura para a glória do Senhor. Tendo isso em mente, iniciaremos uma nova série de posts em que reproduziremos algumas obras importantes da Literatura brasileira e mundial dedicadas a inspirar o louvor a Deus e à reflexão sobre importantes temas do Cristianismo. A maioria de textos reproduzidos será de poemas em razão das limitações próprias do formato de um blog, porém ocasionalmente será possível reproduzir também pequenos textos em prosa. Esperamos que todos se sintam inspirados e motivados a fazer a cada vez mais a vontade de Deus por intermédio dessas obras memoráveis.

*Aproveite para baixar o artigo 'Cristianismo e Literatura', de C. S. Lewis. O artigo foi traduzido por Gabriele Greggersen, e está em pdf. Para baixar, clique AQUI.

quarta-feira, março 14, 2012

Horácio: Arte Poética



Hoje, aniversário de nosso grande poeta Castro Alves,  é comemorado no Brasil o Dia Nacional da Poesia. Em homenagem ao dia, e para proveito de leitores e poetas que nos leem, publicamos aqui o famoso texto de Horácio,  A Arte Poética.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...