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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

hai kai dos dias de chuva

a calçada é
suja, os homens de bem
andam pela rua

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Escorpião chá

no
não amor
o escorpião chá
das calças curtas
trota largo
seus gestos justos
e campea nomes para si
cria seus pais
ele é o outro
então não há
e por não querer ser pista
de seu motivo
andarilha mofo nas cidades
angaria rodas
e lambe fino o asfalto
o capus pra moto
engendra no calor
a pele
as rodovias da pele
[
a cada grão
mais casta de amor
mais velha em estribilhos
]
ela craquelando no corpus
da estação
sua vida de seriado
escorpião
peça em temporada
perfila e petala a não palavra
a que não quer
ser pedra posta
um perfume
não silencia

sexta-feira, 11 de junho de 2010

desgasto

os dias vão
se afunilando pela única janela
sem grades da tarde encarcerada

pipa metálica de calda airada reluzente

um superpersônico

vermelha,
a cozinha chupa brasas do poente
suspiramos o que arde nas máquinas

garras atrasadas nos
escombros da encosta
crua

gaviões que remontam cílios garbosos no
que há de humano desses galhos secos,
nossos pés são o caminho
arredondando cacos de passado
na pele adocicada das engrenagens
de montar mares.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Patriarca quebradiço

Me despeço consumiço
sorrateiro e rato
do patriarca quebradiço
com quem andei pimenta na primeira pedra de montanha
trilhei o derrapo da voçoroca
e dormi com ganso quando montei cabana
.
A ponta da sua pá que dobra
Fez barreira pra desalagar a chuva
Quebra noz de madeira
Ladeira paulistana de rolimã
Férias da manhã com mel
Palmeira de terra oca, maná
Tacho culto a sopapo, zinabre
.
Cachorro na bancada faz sermão de creolina
Foto bonita quadro e cuco
Ética de prataria
Gato machucado comendo tinta preta da oficina
.
Que me deu carro fusca
e bicicleta grande
Me ensinou responder fruta
de garfo e faca no calar de barra
Calor de tarde na calçada
da cidade velha
agradando a vizinhança velha
no portão de volante do velho
.
meu avô

.

Sorocaba/Rio, novembro de 2009/fevereiro de 2010

domingo, 11 de abril de 2010

Uirá

e eu que já tinha cagado
vi com o sol seu primeiro raio de sombra

é um cigarro que racha
qualquer coisa que entorta
uma curva de montanha
rosada roxa e lilás de sombra
foi um raio preto
nasceu com o café e o doudo
espasmo do que não o é

tendões de araucária
sendo harpas de um
manto dourado de cidade
a cidade de breu e ouro
que é o cristo estilhaçado de andaimes

quem escala um cristo novo
quem queima o sabão em pedra
dos meus corações aflitos
corações de osso musical

magrezas de olhar farto
palma ampla

e as noites sempre começarão
deixando vago o colo sem mãe
de matriarcado de pindorama
sem mãe

matriarcado sertanejo
abrindo estacas
no terreirão de pedra
calça sandálias em
um cão carpinteiro
fagulhas de um latino cego
sabedor de um manto cego

tudo é essa cordilheira árabe
esse manto mouro amordaçado
herança velada de um latido cego
raio de sombra
invenção de sol tardia
luz verbo zero


à Uirá dos Reis, e ao seu impressionante "An".

quinta-feira, 11 de março de 2010

Vida Bárbara

Andava admirada por jovens profetas e performava
como um amor antigo. Na quadriculado justo dos
casacos coadjuvou vidas, pôs vergalhões em
flores, manteve, por rodopios, longe o cheiro
podre do que já morria.
Cantou odes de sua extensão geográfica, deu
quilos grátis de alegria a quem passasse triste.
Uma manhã de buzinas, de bexigas purulentas, ela
atendia dúvidas de peregrinos e os olhava
disfarçada de desejo, seu desejo era por si.
Vida imensa, mesma.
Sorria goles de cerveja, flanava o desabrigo da
calçada. Criou mitologias cubanas e deus, deixou
fiéis e foi embora com quem tem sapato
mas "quem tá de sapato não sobra
não pode sobrar"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O cobre das pombas

O sol não podia mais
comia a gordura rápida
do alto planeta inteiro

uma calculadora praguejava
seus salários que não davam conta
na mesma sombra
onde passarinhos de capuz
limpam um jardim antigo

cavadores se fantasiam
e correm tubos de uma névoa grossa
sob o chão macio

guardas e xamãs
brigam por tabaco
e seus olhos pintados
não veem o ninho de cobre
onde a videira canta seu mantra

pombas marcham sobre a grama
e os piolhos das penas
alimentam o terreno
eles são à prova de seus planos
e fazem desse barro branco
o palanque para seu silêncio


[03/02/2010, jardim da Casa de Rui Barbosa | Rio de Janeiro]

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Autopoiese

.....................................escaravelho que valha a casca

..........................................carneiro com a lã já tecida

..........................cigarra rompendo as costas do ruído

.

......................................nada abate o sol que reina

............................nem aspira denso o asfalto gratuito

.

......................................mas algum florir ainda se espera

.................................a si

..............................como empilham favos os favos

..............................oitavados

...............................para serem

.................................vagos

....................................sua própria metalurgia

.

.......................................quanto é o enquanto?

.......................................quanto aguarda

.

.................................o pássaro pulmão de lata

.....................que desata a condição de guardião

...................................................................do limo?

..............................água e pedra que se fazem limo

.......................................escuras quão escuros são

.............................................do pássaro os poros

.................................em seu marrom de brilho

.

heyk, 22 e 23 de novembro de 2009, rio

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A rua tempo (editado)

Na Voluntários passo
como eles
voluntário

prendo o familiar do umbigo
invento romances bailarinos

mais que marginal
imaginário
ser a terceira margem do rio

**

Ao quererem-se nos Inválidos
invalidam-se e somem

e os sonhos bons
quem dera os fosse
são segundos

os primeiros
neles e no tempo
se acanham

e perduram
e perduram
e perduram

**

Os muros da escola atentos ao cego que voa
Nuvem bailarina no mar de eutanásia dos tempos

**

A Passagem aberta
doce
de portais de amêndoa

em raios da hora nova
é nos novos arranhões

o sono solda
tempos breves

e outubro passa
como música
no ônibus

poemas fruto das ruas Voluntários da Pátria, Inválidos e Passagem do Rio de Janeiro | parabéns ao poema dia, post n° 500

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um de oito

Álcool de ogiva salpicando cica
em todos os olhos
e amanhece paixão

Mesmo sonho de banana
decascando o cru da carne química

aurora verde do último degrau
nos pormenores do paredão de pedra

espelho verde aquarela

e a terra volta no barrigar pra cima

sábado, 11 de abril de 2009

Sóis

Sóis, poemas meus, desenho do Philippe Bacana, prefácio e co-capa do Victor Meira (que também fez o banner aqui da casa), selo Peri Go de literatura descartável. O lançamento foi nessa terça e trago em primeira mão na internet o começo da história.
.

.

.

.....................síndrome no tempo nu

...................pela mesma orelha em que

.................escorria vento

................... agora começaram a grudar

...............palavras

.

.....................e aspas de sobrancelha

................ intercalam

.................colisões

.

.

.....................no hoje

.....................e

.....................no......petróleo

................................club

...............................qualquer

.

....................os ditos demoram

.....................................mitos

....................................para

............................... serem

...................esquecidos

.

.

.

.....................desgoles da orla gasosa

.....................destalhes

.

..................... tremia com a revoada que

....................................................vinha

.

......................trapejava

.....................regorgia

.

......................angariei novas formas

.............................................formigas