na fagulha
no buraco da agulha
eu /amofino/ vou ali
ser fogo explodindo moto-serras
ser pente na cabeleira da floresta
fernando cisco zappa
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
de lira
dawkins enlouqueceu
no seu laboratório
de tanto labor, laboreceu
e sua razão, enquanto nega, quer ser deus
não um deus qualquer
mas sim um deus que quer a totalidade do real e ele,
richardiscípulo do cientificismo moderno
não percebe que deus está
não está
em nenhum lugar
deus não existe
deus é lírico
e caminha pelos campos de lírios a delirar e canta,
com todos os sons,
que a vida, (ouçam essa detentores do poder!)
a vida não é dí vida nem dividida
é dú vida
é diva!
abraços ternos,
cisco zappa
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no seu laboratório
de tanto labor, laboreceu
e sua razão, enquanto nega, quer ser deus
não um deus qualquer
mas sim um deus que quer a totalidade do real e ele,
richardiscípulo do cientificismo moderno
não percebe que deus está
não está
em nenhum lugar
deus não existe
deus é lírico
e caminha pelos campos de lírios a delirar e canta,
com todos os sons,
que a vida, (ouçam essa detentores do poder!)
a vida não é dí vida nem dividida
é dú vida
é diva!
abraços ternos,
cisco zappa
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terça-feira, 7 de julho de 2009
corpo ex.ame
.
.
.
o corpo é corda roldana roda viva
{? dorme ! acorda ?}
esculpe na pele
dolores auroras cicatrizes
o corpo cópia
cópula anúncio fantasia
propaga fúteis enganos
apropriada propaganda
entre.tem os corpos nos shoppings
nas vitrines das acadêmicas lojas
com cápsulas de êxtase
vende saúde
a saúde das bactérias
das sojas
dos naturais conservantes
a saúde dos bacilos das criações da ciência
o corpo morde mastiga engole
engorda a indústria das vitaminas
o corpo geme torto e direito
transformista
modelo e manequim
global e platinado
maliciosamente oco
em deliciosa casca muscular
magro de verbo e carne
o corpo corporifica artifícios
anuncia o infinitamente novo
esconde o infinitamente precário
o corpo vive os efeitos do instantâneo
em busca de um pretenso futuro
sem defeitos
voa
pena que já não anda
sustenta
envergadura pequena
frágil
some
no canto da cela
no espaço da vida
encerra
em cena
ária decomposta
transita entre ondas e matéria
sai
entra em transe
em garrafa
o corpo gênio
corpo músculo sem sangue
campo de conflitos com receituários prontos
território das mais confusas emoções
quanto mais confusa menos vivida
quanto menos vivida mais desperdiçada
corpo índice e indício
princípio e precipício
(feixe de carbonos cruzados
atados às ancas do tempo)
há alma?
será que ainda sente o animal tão presente?
tão so.mente
a mente sistemática do tempo capital estabelece o corpo capital
produz acelerados enxames de símbolos comercializáveis
e corpos descartáveis
sem equivalências
que não se trocam com nada
e
esse é tão simplesmente um tempo
um dos nossos tempos
e
uma mente
ávida por corpos
ansiosa por se reproduzir
fernando cisco zappa
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o corpo é corda roldana roda viva
{? dorme ! acorda ?}
esculpe na pele
dolores auroras cicatrizes
o corpo cópia
cópula anúncio fantasia
propaga fúteis enganos
apropriada propaganda
entre.tem os corpos nos shoppings
nas vitrines das acadêmicas lojas
com cápsulas de êxtase
vende saúde
a saúde das bactérias
das sojas
dos naturais conservantes
a saúde dos bacilos das criações da ciência
o corpo morde mastiga engole
engorda a indústria das vitaminas
o corpo geme torto e direito
transformista
modelo e manequim
global e platinado
maliciosamente oco
em deliciosa casca muscular
magro de verbo e carne
o corpo corporifica artifícios
anuncia o infinitamente novo
esconde o infinitamente precário
o corpo vive os efeitos do instantâneo
em busca de um pretenso futuro
sem defeitos
voa
pena que já não anda
sustenta
envergadura pequena
frágil
some
no canto da cela
no espaço da vida
encerra
em cena
ária decomposta
transita entre ondas e matéria
sai
entra em transe
em garrafa
o corpo gênio
corpo músculo sem sangue
campo de conflitos com receituários prontos
território das mais confusas emoções
quanto mais confusa menos vivida
quanto menos vivida mais desperdiçada
corpo índice e indício
princípio e precipício
(feixe de carbonos cruzados
atados às ancas do tempo)
há alma?
será que ainda sente o animal tão presente?
tão so.mente
a mente sistemática do tempo capital estabelece o corpo capital
produz acelerados enxames de símbolos comercializáveis
e corpos descartáveis
sem equivalências
que não se trocam com nada
e
esse é tão simplesmente um tempo
um dos nossos tempos
e
uma mente
ávida por corpos
ansiosa por se reproduzir
fernando cisco zappa
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domingo, 7 de junho de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
sartriana
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o ser humano é um ser
sem relação com o que não pode conhecer
o ser humano é
pelo que pode conhecer
o ser humano é em relação a uma ignorância original
e tem uma relação profunda com esta ignorância
insiste sobre a presença do ser
que não pode alterar
insiste sobre a construção
mas não age para compreender
não vive, pressente
tem pesadelos com o futuro
a verdade é uma história do ser
a verdade desaparece com o ser humano
o ser
então
cai
na noite sem data...
fernando cisco zappa...
sem relação com o que não pode conhecer
o ser humano é
pelo que pode conhecer
o ser humano é em relação a uma ignorância original
e tem uma relação profunda com esta ignorância
insiste sobre a presença do ser
que não pode alterar
insiste sobre a construção
mas não age para compreender
não vive, pressente
tem pesadelos com o futuro
a verdade é uma história do ser
a verdade desaparece com o ser humano
o ser
então
cai
na noite sem data...
fernando cisco zappa...
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terça-feira, 7 de abril de 2009
sábado, 7 de março de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
interno
internei-me
às próprias custas e descontados dias
no consultório da minha almargura
na porta
a placa manuscrita anuncia:
não saio nem ensaio
deixe-me sem anestesia
em dor fina
dentro
ensimesmável
__ meu corpo agora é a montanha mágica do meu tratamento __
enlouquecido
aquecido pelo esquecimento de tudo
criminoso da própria guerra
dividido pela terra
nesta vida que eu encolhi
comendo endívias e dados
endividado
mas impiamente feliz
em reza
silencioso de terços
imprecioso e indiogente
(nas manhãs visto
inospitaleira roupa
tecida com fibra de trepadeira lenhosa
que marca interna e inteiramente meu corpo
abre a fera
minha represa rompida)
inospitaleira roupa
tecida com fibra de trepadeira lenhosa
que marca interna e inteiramente meu corpo
abre a fera
minha represa rompida)
internei-me
não a procura de curas
nem a procura de remédios
nem é coisa de tédios
internei-me por ruptura
a procura de uma nova tessitura
que despaute minha rotina diária
que quebre a mediocrediária bolsa dos dias
que desopile meu rim
par e ente de todos os líquidos
internei-me para copular com o silêncio das frases
comer no útero das coisas
tocar o ovular plurivitelino dos sentidos
e sair
com todo humor de meu impuro e inexato corpo
dessa mesmíssima merda
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belorizonte, infernando...
fernando cisco zappa
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
prosa quando arboriza é poetisa...
um broto de idéia nasceu ali entre a axila e o seio esquerdo
aquele corpo branco arborizou-se sem alvoroço
arvoreou-se!
as sombras vultuosamente estenderam-se pelas calçadas
adornaram pedras
rabiscaram desenhos minerais
o corpo destravou-se da pele-casca
fez crescer uma dúvida acima das sombras
incerta, nem curvilínea, nem mesmo reta
a dúvida se alojou em um galho na altura do umbigo
ali ficara
como coisa irrigada
amparada por uma colônia de microseres
dispostos a decompor todas as certezas
uma a uma / dia a dia
em diálogos íntimos com o vento
resistiram como se pássaros fossem e nesse adejar
sussurraram poesias sobre a transitoriedade das coisas
e quando tudo virou
galhos folhas seiva síntese
nas costas
por toda ela
em um dia de fevereiro
nasceram flores amarelas
a tergiversar verões enamorados por primaveras
sem que ninguém se desse conta
a não ser os encantados e aqueles descontados que ninguém conta
aquilo que um dia foi idéia semente
que brotou
que arborizou-se
infloresceu
virou fruta
ganhou luz singular
a cor vermelha:
deram-lhe o nome abreviado de prosa
a mais pro-saborosa prosa
fernando cisco zappa
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aquele corpo branco arborizou-se sem alvoroço
arvoreou-se!
as sombras vultuosamente estenderam-se pelas calçadas
adornaram pedras
rabiscaram desenhos minerais
o corpo destravou-se da pele-casca
fez crescer uma dúvida acima das sombras
incerta, nem curvilínea, nem mesmo reta
a dúvida se alojou em um galho na altura do umbigo
ali ficara
como coisa irrigada
amparada por uma colônia de microseres
dispostos a decompor todas as certezas
uma a uma / dia a dia
em diálogos íntimos com o vento
a descortinar um balé cromático
as folhas dançaram em queda enigmáticaresistiram como se pássaros fossem e nesse adejar
sussurraram poesias sobre a transitoriedade das coisas
e quando tudo virou
galhos folhas seiva síntese
nas costas
por toda ela
em um dia de fevereiro
nasceram flores amarelas
a tergiversar verões enamorados por primaveras
sem que ninguém se desse conta
a não ser os encantados e aqueles descontados que ninguém conta
aquilo que um dia foi idéia semente
que brotou
que arborizou-se
infloresceu
virou fruta
ganhou luz singular
a cor vermelha:
deram-lhe o nome abreviado de prosa
a mais pro-saborosa prosa
fernando cisco zappa
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domingo, 7 de dezembro de 2008
elamável
(
Ela brincava com os olhos, desenhando sonhos no céu.
a fotografia era sempre um grande desacontecimento,
um esquecimento alquímico,
um arranjo de memórias:
da desmemória dos fragmentos químicos, biológicos e sensoriais de minh’alma.
Ela é a arma que me fere e abre um ângulo diferente na lente da minha percepção.
eu brinco com tudo e Ela vestia-se sempre de forma a romper a estrutura do meu olhar.
Ela rompia com a forma, rompia a própria idéia/força/conceito de forma.
Ela raiava com o sol e desmanchava-prazeres e arranhava as cicatrizes românticas da história. Ela é um lugar/mundo.
) ... (
sô amantino virou o olho devagar e a boca suavemente acompanhou o movimento.
cuspiu uma gosma entretonspretas, ergueu a cabeça e confessoltou a estória:
essa menina-moça (Ela) vêi com a noite sem sono de minha’dona.
eu no largo da noite sonsa ouvi us gritos cumpriiiidos e mandei minha’dona saí atrás pravê q’era... a menina-moça tava nu mato, chorôrando, sigurando u ventre cumoquem sigura ôro pra marreco num robá.
foi assim sô, assinzinho que Ela aninhou com’agente... iiih... isso têm muitas luas de contecimento... Ela era minina-moçazinha... e hoje inté dói a saudade daqueles óinhos... ouça só o sinhô: essaminina serve uma ingrata distância pra gente,
se'Ela parecê qui dinovo vô marrá Ela naquele pé de laranja brava otravez.
)
fernando cisco zappa...
.
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Ela brincava com os olhos, desenhando sonhos no céu.
a fotografia era sempre um grande desacontecimento,
um esquecimento alquímico,
um arranjo de memórias:
da desmemória dos fragmentos químicos, biológicos e sensoriais de minh’alma.
Ela é a arma que me fere e abre um ângulo diferente na lente da minha percepção.
eu brinco com tudo e Ela vestia-se sempre de forma a romper a estrutura do meu olhar.
Ela rompia com a forma, rompia a própria idéia/força/conceito de forma.
Ela raiava com o sol e desmanchava-prazeres e arranhava as cicatrizes românticas da história. Ela é um lugar/mundo.
) ... (
sô amantino virou o olho devagar e a boca suavemente acompanhou o movimento.
cuspiu uma gosma entretonspretas, ergueu a cabeça e confessoltou a estória:
essa menina-moça (Ela) vêi com a noite sem sono de minha’dona.
eu no largo da noite sonsa ouvi us gritos cumpriiiidos e mandei minha’dona saí atrás pravê q’era... a menina-moça tava nu mato, chorôrando, sigurando u ventre cumoquem sigura ôro pra marreco num robá.
foi assim sô, assinzinho que Ela aninhou com’agente... iiih... isso têm muitas luas de contecimento... Ela era minina-moçazinha... e hoje inté dói a saudade daqueles óinhos... ouça só o sinhô: essaminina serve uma ingrata distância pra gente,
se'Ela parecê qui dinovo vô marrá Ela naquele pé de laranja brava otravez.
)
fernando cisco zappa...
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