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sábado, 12 de junho de 2010

Conhecer para descrer e renascer para ser

A medida que conheço
venho sentindo uma impotência muda
Uma vontade de gritar o poema mais sublime e horrível que houveháhaverá
Sabendo de antemão sua impossibilidade

Como um ganso tento alcançar as águias
Como a chuva evaporo antes de inundar o solo estéril
Como a fome não mais existo quando saciado
Como o tempo sigo desmanchando as coisas
Como o espaço percorro aleatoriamente em abertura


Permito, assim, a aparente solidez do mundo
Lanço um olhar indolente trágico
Lambo as feridas da repressão por uma civilização
Chacoalho os estandartes ingênuos de tudo aquilo que foi abrigo ao frágil homem
Guilhotino o ser enquanto gozo nas entranhas dos entes
Entre ente e ente estupefato ouço o não-silêncio

Termino o poema de encontro ao seu inicio
Mas o percorro em espiral:
Mudo

sexta-feira, 12 de março de 2010

Atrasado de Improviso

Chego tarde na minha própria poesia.

Saudoso lia as vezes lampejos;
outras muros de paciência lógica,
organizados disciplinadamente.

Ambos são gotejos de mim.

Assim afastado deste derramar-se pouco a pouco
venho atrasado gotejar o gotejo que não foi.
Na data que se faz presente e não no 12 que passou,
deixo mais uma vez um pouco de
meu sangue
bailar dos dedos
conexões mentais
pensamentos abstratos
um tempo a menos que serei
E a consciência de ter sido feliz,
frustrado e como um cristal interpretado.

Nas incontáveis e desconhecidas arestas
desse gotejar acontecido.