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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sufrágio semântico

John Pitre - The Doll House
Primeiramente, abstraindo o eu.
Sofrer, sentir, saber, sentimentos...
As palavras são passíveis de paixão
Quando se aprende a semântica
Todas as letras juntas confundem
Confundem o espírito que lê melhor
Corrige cada erro e absorve verdade
Introduzida na trama vivencial
A ironia é figura para instigar a fé
Fazê-la duvidar de si mesma, perdida.
O gavião que antes incitara o medo
Sob a afiada mão da linguagem
Hoje áptero vaga faminto, é como pó
As nênias que escuta, o angustiam mais
É hora de cair nos braços da morte!
Não é claro sob artifícios paradoxais
É vertiginoso entre as antíteses
Cada dia mais fervilhante na mente
Quando os pontos se unem, dores!
Insignificados das Insignificâncias.

sábado, 13 de agosto de 2011

Das cores das flores

O que somos além de flores num jardim de enunciados?
Nosso retrato se iguala ao de um ser observado numa jaula
Os pés se agregam ao chão como raízes impostas
Somos vistos de uma janela como fantoches hostis
Nosso spleen flui numa cadeia insinuante de versos
Por trás de rimas nem sempre há poesia, nem música
Em nossa face um azul que muda de tom, transformação
Quando os joelhos se reduzem à humilhação por nada
Concluímos frases contextuais, tentando persuadir
Afinal quem somos numa terra de pleonasmos voadores?
Somos apenas flores de um jardim misterioso, morremos.


John Pitre - Over Population

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Soneto sem açúcar - "rebeldia"

(Rock 'n Roll sur les Quais de Paris  by Paul Almasy) Singela homenagem ao Dia do Rock´n Roll!

Quem me dera vir à boca apimentada
Palavra doce substituindo velha fala
Consertar erro brusco, letra que resvala
Magou-me não saber versar cobla rimada

Os velhos talvez fizeram poesia cantada
Que de consoante a dor puderam fitá-la
Atravessaram anos e trevas sem mudá-la
Ainda não contemplo em mim tal retomada

Os sonhos fazem buscar ritmo na calçada
Fiz música falando deles chamada Cilada
Era música sem efeito, por mim cantarolada

Versos são pra mim hoje, estima derrubada
Por ondas modernas inevitáveis, jogada
À razão, não atribuo donos, fico controlada

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Versos que não explicam nada, fingem

( Imagem do Google)


Os gritos da enfurecida verdade

Vindos do velho elo de insânia

Redundante a palavra invade

O inópito coração que finge



Como o artista na noite da cidade

Que pensa ser artista, finge...

Relutantes da real soberania

Rasga o rasbico lânguido, finge



Deseja a amásia sem felicidade

Ao amor uma ode repentina

Longe o mar, com dor doce, finge!

Sem o amor a noite invade.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

(res) Piração

(Imagem by Google)

Virou a meia noite, vem fria

O pé esquerdo tocando o chão

O azar comendo a sorte ria,

Envravada na história a ilusão

A tonalidade rubra da magia

Tacitamente toca na mão

Já deixando a garrafa vazia

É dia de sorte! Talvez não.

Na encruzilhada a vela cria

Torpe vagarosa, vil intenção.


O desejo de amor vai no dia

Apele para os santos, João!

Pegue a pinga lá da esquina

Flerte com o destino então


Ébrios, puritanos, a vadia...

Até os símbolos do Panteão

Cuidado com a tal bruxaria

Amaldiçoando sua inspiração!