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29/09/2021

Romantismos e amor [Roberto Carlos]

 
CULTURA
DOMINGO, 13 MAR 2005
 
 
Crítica Música
 
Romantismos e amor
 
Roberto Carlos
LISBOA Pavilhão Atlântico. 11 de Março, às 21h30.
Sala cheia.
 
O amor e o romantismo preencheram, como não podia deixar de ser, a maior parte do reportório de Roberto Carlos na primeira das suas duas apresentações no Pavilhão Atlântico. É aí que o “rei” prende os corações, ao cantar “o amor na sua forma eterna”.
O espetáculo, designado “Para Sempre”, também o título do seu mais recente álbum, não desiludiu. A abertura do “show” foi hollywoodesca, só com a orquestra a tocar uma rapsódia de temas do cantor. Quando este apareceu, vestido de branco como é seu hábito, o pavilhão veio abaixo. As “Emoções” que se seguiram, extravasaram do palco para a plateia. “Eu te amo, te amo, te amo”, “Amor perfeito” e “Café da manhã” seguiram a mesma via de romantismo à flor da pele. “Detalhes” foi intimista, com Roberto Carlos a acompanhar-se a si próprio no violão. “Ilegal, imoral ou engorda” entrou no funk e “É proibido fumar” foi ainda mais longe, ingressando nos domínios do “hard rock”, com solo de guitarra elétrica a condizer.
Às primeiras notas de “O calhambeque” o delírio instalou-se. Mesmo se a voz era por vezes abafada pela orquestra, o “swing” desta canção querida por todos manteve-se intocável. Logo a seguir veio “O Cadillac”, irmã-gémea de “O calhambeque”, e veio literalmente um Cadillac vermelho resplandecente para o meio do palco, no único dos adereços da noite. A balada “Acróstico” antecipou mais uma rapsódia, desta feita de vários temas românticos cantados de enfiada que citam constantemente as notas e o tom de “Emoções”.
A sequência, composta por “Pra sempre”, com “todas as palavras saídas do mais fundo do coração”, “Força estranha”, “Cavalgada”, É preciso saber viver” e “Despedida” preparou o terreno para o final apoteótico, com “Jesus Cristo” a ser cantado em pé por milhares de gargantas. Enquanto os sons orquestrais se prolongavam ainda, Roberto Carlos, o “rei”, veio à boca de cena distribuir rosas às primeiras filas da assistência. Os dois “encores” passaram com “Coimbra”, “Amada amante”, “Amigo” e “Um Milhão de Amigos”. As 12 mil pessoas que não se cansavam de pedir ainda mais uma foram verdadeiramente amigas de Roberto Carlos. O amor transbordou.

Doze mil prestaram vassalagem ao "rei" no Pavilhão Atlântico [Roberto Carlos]

CULTURA
DOMINGO, 13 MAR 2005
 
Doze mil prestaram vassalagem ao “rei” no Pavilhão Atlântico
 
DOIS CONCERTOS EM LISBOA
 
Meia hora antes da hora marcada já uma pequena multidão se dirigia apressada para o pavilhão, ávida de ver o seu ídolo
 
Para as doze mil pessoas que na sexta-feira encheram o Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Roberto Carlos é mesmo o maior “cantor romântico”, capaz de encher os corações de júbilo e nostalgia. Ontem à noite, o concerto repetiu-se.
            No primeiro concerto, a faixa etária prevalecente era constituída por veteranos mas também se viam alguns casais de jovens que em casa ouviam Roberto Carlos através dos discos que pais têm em casa. Para todos, o cantor brasileiro representa uma espécie de trovador eterno das coisas do amor e é por essa razão que não faltaram ao encontro.
            Edite Botelho, 52 anos, bancária, é fã “incondicional”, desde a juventude, Edite é mãe de Carlos Sampaio, que entrou numa das edições televisivas do “Big Brother dos Famosos”. Esteve quase, quase, para chamar ao filho “Roberto Carlos”. “Só não foi porque o meu ex-marido não deixou”. “Emoções” e “Detalhes” são as suas canções preferidas do “rei”. Maria do Carmo, 57 anos, é a “primeira vez” que vem a um concerto do seu ídolo. Também é fã desde tenra idade. Elege “As baleias”, “Café da manhã”, “Amada amante” e “Jesus Cristo” como as músicas preferidas. Catarina, 28 anos veio “mais por causa da mãe”, gosta da música porque é “romântica”. A mãe, de 55 anos, veio “recordar tempos antigos”.
            David Oliveira, 23 anos, designer, conhece Roberto Carlos “desde pequenino”, quando ouvia o cantor em casa dos pais e dos avós. “Traz uma certa nostalgia”. Gosta de “O calhambeque” e “Café da manhã”.
            Mas o que explica o sucesso deste cantor já sessentão, entre mais novos e mais velhos, é a empatia que se cria em palco, como se cada canção fosse cantada em particular para cada um de quem as ouve, numa espécie de segredo partilhado que resiste à passagem dos anos. Manuel Penedo, 47 anos, tinha “seis anos” quando ouviu Roberto Carlos pela primeira vez. “Foi em 1966, lembro-me do campeonato do mundo e de o ouvir cantar nessa altura”. Gosta de todas as músicas mas sobretudo de “O calhambeque”. Antónia é secretária, tem 46 anos e “há mais de 30” que ouve o cantor. “A minha tia ouvia sempre e eu habituei-me a gostar, de ‘O calhambeque’ e daquelas coisas...”. Jorge, 51 anos, empresário, apenas teve “uma deceção muito grande, da última vez” que Roberto Carlos atuou em Portugal, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. “Só atuou na segunda parte e as canções eram só extratos”.
            Durante a concerto a loucura instalou-se, com o público a cantar em coro algumas canções. Alguns, mais impacientes, gritavam a pedir a canção que faltava no seu diário pessoal de recordações.
            No final, um brilhozinho de felicidade faiscava nos olhos de todos. “Foi o máximo” era a expressão mais ouvida. As canções são “todas bonitas”, diz Tina Cruz, 52 anos, empresária. “Fartei-me de chorar. Como ele disse, há momentos tristes em que se cantam coisas alegres, hoje revivi todo o meu passado, estive triste e alegre ao mesmo tempo, no final acabou bem porque consegui chegar ao pé dele e levar uma rosinha.”