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04/05/2026

A esquerda no poder [Robert Wyatt, Billy Bragg]

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 9 OUTUBRO 1991 >> Pop Rock

 

A ESQUERDA NO PODER

 

Robert Wyatt e Billy Bragg assumem-se ambos de esquerda, anti-situacionistas e anti-imperialistas. A diferença principal entre os dois está em que, enquanto Billy Bragg não passa de um músico vulgar, para quem gravar discos se resume a um meio eficaz de fazer passar o discurso contestário, Robert Wyatt é um artista genial, preocupado com o universo em que vive, mas também com a criação de novas formas para a música. O primeiro põe-se em bicos de pés para se fazer ouvir. Ao segundo, basta abrir a boca e soltar a voz trémula, para que os corações caiam a seus pés. Billy Bragg é membro de todas as associações políticas, subscritor de todas as siglas e de todas as campanhas “contra”. Robert Wyatt dedica-se aos copos, à sua mulher polaca, pintora e ativista, à paixão pelo jazz e à gravação de obras-primas em disco. Nas barricadas da rua ou na quietude tensa de uma cadeira de rodas, a luta prossegue, impulsionada pelos sonhos de um mundo que julgam ser o melhor. “Dondestan” e “Don’t Try this at Home” aí estão para o provar.

 

ROBERT WYATT

a queda de um anjo

 Uma imagem com mobília, cadeira

Descrição gerada automaticamente

 

É possível dividir a carreira de Robert Wyatt em dois períodos distintos: antes e depois da queda. O acidente, ocorrido em 1973, durante uma festa, quando, devido aos efeitos perniciosos do álcool, caiu para a rua da janela de um quarto andar, condenou-o para sempre à cadeira de rodas e à condição de paraplégico, e obrigou-o a um corte radical com o passado. Até à data fatídica, Wyatt era o baterista dos Soft Machine, banda que, ao lado dos Pink Floyd, constituía um dos pilares do movimento vanguardista ocorrido em Canterbury, na Inglaterra, nos finais da década de 70.

A formação original dos Soft Machine incluía, para além de Wyatt, Daevid Allen (mais tarde fundador dos Gong), Kevin Ayers (excêntrico, detentor de uma fase inicial de carreira imaculada) Mike Ratledge e Hugh Hopper. Com estes músicos, os Soft Machine gravaram um par de álbuns, em que procedem à fusão inusitada de uma pop tipicamente inglesa com desmultiplicações rítmicas características do jazz.

“Third”, o duplo álbum seguinte, representa o culminar de um estilo demasiado avançado para a época. Neste disco, Wyatt assina e canta a longa melopeia “The moon in June”, na qual estão já presentes os germes da sua música futura. Consumado o abandono dos Soft Machine, demasiado complexos e intelectuais para o seu gosto (ainda cumpriu as sessões de gravação correspondentes a um dos lados do álbum número quatro, enquanto trabalhava já no seu primeiro disco a solo, “The End of An Ear”), Wyatt reúne novos músicos e forma os Matching Mole (tradução fonética do francês “machine molle” – precisamente o mesmo que Soft Machine…). “Matching Mole” e “Little Red Record” são os dois testemunhos brilhantes deixados por esta formação, já com sinais evidentes da futura militância, aqui ainda limitados a uma paródia ao imaginário e iconografia maoístas.

Depois, o momento de viragem. A queda e um futuro obrigatoriamente diferente. Impossibilitado de tocar bateria, Wyatt afirma que o acidente acabou por lhe ser vantajoso: “A estadia no hospital deixou-me livre para sonhar.” O resultado deste corte abrupto com o passado, “Rock Bottom”, é, sem exagero, uma das obras musicais máximas deste século. Mergulho na loucura e no fundo do abismo. Vocalizações patéticas sobre uma eletrónica sombria e obsessiva. Exorcismo traumático da dor. Experiência do limite da solidão humana.

“Ruth Is Stranger than Richard”, o disco seguinte, funciona num registo mais “cool”, constituindo uma série de exercícios alógicos sobre sonoridades tão variadas como o jazz, a música afro-cubana ou o “muzak” ambiental. Fred Frith, Brian Eno e John Cale são alguns dos músicos presentes na sessão. Entre estes dois discos, um “hit” inesperado, com a versão do tema dos Monkees, “I’m a believer”.

Em 1980, cada vez mais preocupado com o agravamento da situação mundial e com os problemas do Terceiro Mundo, Robert Wyatt entra para o Partido Comunista. Em termos de produção musical, a opção salda-se pelo álbum “Nothing Can Stop Us”, paradoxalmente violento e delicado manifesto anticapitalista, onde temas como o tradicional cubano “Guantanamera”, “Strange fruit” de Billie Halliday, o hino estalinista “Stalin wasn’t stallin’” ou a Internacional adquirem uma intensidade a um tempo perversa e demolidora.

A seguir, um mini-álbum com a banda sonora de “The Animals”, documentário que denuncia as atrocidades cometidas sobre os animais, em nome da investigação científica, de mais um single nos tops (“Shipbuilding”, composto especialmente para si por Elvis Costello, a propósito das vítimas da guerra das Malvinas) e um EP, “Amber and the Amberines”, contendo versões de “Biko”, “Yolanda” e “Te recuerdo”, respetivamente de Peter Gabriel, Pablo Milanés e Victor Jara. Depois, Robert Wyatt regressa aos álbuns, com “Old Rottenhat”, preocupado com problemas como a ocupação de Timor-Leste ou a prepotência dos “united states of amnesia”, tornados senhores do mundo.

Para trás, ficavam colaborações com Michael Mantler, Ben Watt e os Working Week, ou a aliança com o ativista dos Specials/Special Aka, Jerry Dammers, e cantores da SWAPO, traduzida noutro single, “Winds of Change” (1985), em que se condena a ocupação da Namíbia pelo exército sul-africano, e uma canção, “The last nightingale”, destinada à angariação de fundos a favor da greve dos mineiros ingleses.

Wyatt acredita realmente que a música pode contribuir para as mudanças do mundo. Pensa, por exemplo, que o concerto de homenagem a Nelson Mandela contribuiu de alguma maneira para a sua libertação, “embora não fizesse desaparecer o ‘apartheid’”. Segue-se o exílio voluntário para o sol da Catalunha, na companhia de Alfie (diminutivo de Alfreda Benge, a quem dedica o tema final de “Old Rottenhat” – “Poor little Alfie”), o reatar de relações com o jazz, à sua maneira – “sou um turista do jazz, não um participante ativo” – e, finalmente, o regresso a Inglaterra e a assunção das origens pop, no novel e notável “Dondestan” (onde estão?” – pergunta, a propósito dos refugiados palestinianos e do Kurdistão). Sempre ao lado desses e doutros refugiados, do mundo e da vida, Robert Wyatt continua a lutar, em combustão lenta. Contra as prepotências do destino e a estagnação do espírito. Nos seus discos a dor é redimida, consubstanciada em liberdade. É o seu testemunho e a sua vingança.

 

BILLY BRAGG

cantor a martelo

 Uma imagem com texto, pessoa, preto, fato

Descrição gerada automaticamente

 

Billy Bragg canta mal, toda a gente que o ouviu o sabe. Mas não é isso que interessa: “Não sou um cantor, nunca serei um Pavarotti, nem sequer um Rick Astley” – reconhece, para logo adiantar: “O mais importante é o conteúdo”. Billy Bragg é militante empenhado do RAR (Rock Against Fascism). Cerra fileiras ao lado da CND (Campaign for Nuclear Disarmament). Faz horas extraordinárias na YTS (Youth Training Scheme). Almoça todos os dias na cantina do YTUR (Youth Trade Union Rights Campaign). Além disso, tem assinatura na GLC (Gas Light Chanticleer) e costuma frequentar o clube privado da SEX (Sociological Entertainment Xenogamy). É aquilo a que se costuma chamar um “camarada”.

De facto, para Billy Bragg, o mundo é uma m***a, resumindo-se a questão essencial à proverbial luta de classes e à exploração dos fracos pelos fortes. Billy, fanático do futebol, não admite contudo a existência de uma linha média. Suporta-a só enquanto esta lhe for comprando discos. A subida ao poder de Margaret Thatcher foi, para si, providencial. É preciso ter um inimigo contra quem lutar, que sirva de estímulo – “É impossível escrever uma boa canção política se não houver o ambiente apropriado.” Com a “dama de ferro” no poleiro, foi-lhe mais fácil fazer álbuns como “Life’s a Riot with Spy vs. Spy” ou “Brewing up” ou “Talking with the Taxman about Poetry”.

Embora não o encare como um poço de virtudes, aderiu ao Labour Party – “Tem no seu seio tantos reacionários que se fica a pensar se não se terão enganado na escolha do partido.” Mas, como em tudo, é preciso escolher, escolheu o que lhe pareceu melhor. “Madonna usa os ‘soutiens’ pontiagudos, eu uso o Partido Trabalhista. A diferença é que o partido é mais sexy.” O sexo é, de resto uma das suas principais preocupações. No álbum acabado de sair, “Don’t Try This at Home”, um dos temas intitula-se, sem ambiguidades, “Sexuality”. Diz assim: “Safe sex doesn’t mean no sex, it just means use your imagination” – para, de seguida, agitar a bandeira do Maio de 68 e do amor livre: “Sexuality – strong and warm and wild and free, sexuality – we can be what we want to be.” Não está mal visto.

O que faz correr Billy Bragg, fundador da Red Wedge, uma agremiação de músicos pop de que fazem parte músicos como Gary Kemp, dos Spandau Ballet – presença um pouco suspeita, a deste neo-romântico da treta; mas, como Billy faz questão de frisar, “quer queiramos quer não, temos que trazer as classes médias do mundo connosco” – e Paul Weller (The Jam, Style Council) destinada a apoiar o partido nas eleições? Quer dizer, para além de, como ele próprio diz, “ter relações com raparigas de muitas nações”, vibrar com o futebol e, como todo o bom inglês, beber litros e litros de chá?

“Quando da greve dos mineiros, não fui muito bem recebido” – resmunga, sentido. “Perguntaram-me o que é que estava a fazer ali, de guitarra em punho. Respondi-lhes que era eu quem atraía os jovens de 18 anos e lhes chamava a atenção para ouvir aquilo que eles, mineiros, tinham a dizer. Fiz-lhes ver que é esta a minha profissão.” Billy Bragg, porta-voz das minorias, devia ser eleito. Já.


Billy Bragg - Don't Try This At Home

Robert Wyatt - Dondestan

23/12/2019

Robert Wyatt e o regresso dos reis [Balanço 2003]


Y 26|DEZEMBRO|2003
2003|música

Robert Wyatt e o regresso dos reis

Robert Wyatt, Rickie Lee Jones, John Cale, Lou Reed, June Tabor, Nick Cave, Richard Thompson. Os clássicos. Todos eles lançaram excelentes álbuns ao longo do ano. Têm em comum, além de pertencerem a uma geração (ou gerações, Rickie e Nick são um pouco mais novos, ela tem 49, ele 46) que percorreu três décadas (alguns, quatro…) de música popular, algo que se pode definir como “classe”. “Classe” que se caracteriza pela intransigência no que respeita à cedência aos imperativos comerciais da indústria discográfica. De todos eles se pode falar com propriedade de uma “obra” coerente, fiel a princípios regidos exclusivamente pelos respetivos percursos existenciais. Nos anos 70 dos múltiplos absurdos e exageros, nos 80 espartanos e infernais, nos 90 das tecnologias-que-tudo-fazem mantiveram intacta a integridade artística sem deixarem de incorporar nos seus trabalhos, ajustando-os às necessidades próprias, essa panóplia de adereços e muletas que a modernidade (que é sempre hoje…) colocou à sua disposição.
            É isso que os distingue dos novatos, por mais espampanantes que os discos destes últimos aparentem ser. Uma visão pessoal e intransmissível, por vezes incómoda para os espíritos e ouvidos condicionados pelos sons massificantes que o mercado ciclicamente atira para a trituradora, que os anos vão depurando, pulindo ou aguçando, consoante as curvas e os precalços da vida.
            Wyatt, o baterista de “free jazz” que transitou para o psicadelismo de Canterbury dos Soft Machine, e desceu aos infernos para se descobrir e redimir numa solidão de criança com a lucidez de um velho mago. Cale, o minimalista emperdenido, discípulo do guru La Monte Young, violista raivoso dos Velvet, o classicista perverso que condensou a raiva de forma tão violenta como ataca as notas do seu piano. Lou Reed, seu companheiro de armas nos Velvets, o monstro absoluto que reduziu a música ao ruído e eletricidade puros em “Metal Machine Music”, colheu as flores do mal e cheirou os aramas da morte, para finalmente escalpelizar o sofrimento e o “mal de vivre” sob o manto de ópio, álcool e traças de Edgar Allan Poe. Cave, o pregador dos evangelhos da decadência, do vício e do naufrágio, disseminados nos Birthday Party e transformados em espiritualiadde negra nos Bad Seeds. Thompson, o pessimista dos amores e do desespero sem cura que aprimorou numa guitarra que jamais cortou as ligações que a prendem à terra desde os tempos dos Fairport Convention. Tabor, a voz mais profunda da folk britânica que, álbum após álbum, vem redefinindo a palavra “tradição”. Rickie Lee Jones, uma das vozes e escritas mais consistentes do “songwriting” americano, sempre em busca desse equilíbrio, por natureza percário, entre pop, jazz, experimentação e o registo de vivências interiores (curiosamente, busca paralela à de Wyatt, com a diferença de que este tombou desamparado no fundo e teve que se reconstruir a partir da dor absoluta, sentado numa cadeira de rodas banhada por Deus e pela loucura, em “Rock Bottom”).
            Qualquer deles percorre um longo caminho, deixando-nos as etapas, os triunfos, as perdas, até mesmo passos em falso. Tiveram e têm o tempo como aliado. Único a permitir que nele se construa a intemporalidade. Lançaram preces e maldições. Construíram cidades, jardins e templos. Auto-estradas onde a emoção toma o freio nos dentes e becos onde o silêncio parece ser a única resposta. Mundos que devem ser lidos e ouvidos de fio e pavio para a história ser comprendida como um todo. Servem ou deveriam servir de exemplo aos mais novos. Os “melhores do ano” são, afinal de contas, os “melhores de sempre”.

05/11/2019

ROBERT WYATT - Cuckooland


Y 10|OUTUBRO|2003
música|robert wyatt

voando sobre um ninho de cucos


Irónico, apaixonado, solitário e solidário, reconciliado com a vida. Assim é Robert Wyatt, um dos resistentes dos anos 70 que insiste, a cada novo disco, em nos atirar à cara uma obra-prima. A última chama-se Cuckooland – metáfora de um mundo cada vez mais dominado pela solidão.

Aos 58 anos, Robert Wyatt é um dos mais respeitados músicos da atualidade. O seu novo álbum, “Cuckooland”, junta mais um pedaço de genialidade a uma obra que começou no free jazz, prosseguiu com a aventura psicadélica dos primeiros Soft Machine e nas desfocagens pop dos Matching Mole e, finalmente, cicatrizou as feridas do infortúnio numa carreira a solo de que se não conhecem pontos fracos e da qual resultou uma das obras-primas deste século, “Rock Bottom”.
            Wyatt, o ideólogo e o esteta, o Che Guevara da música popular e o humanista terno, traça a rota de uma viagem solitária ao mesmo tempo capaz de sublimar a nostalgia do passado e de se projetar num futuro ao qual continuam a não faltar motivações. Acima de tudo, em “Cuckooland” ressalta a ideia de um homem e de um músico que soube adaptar-se e transcender a mudança dos tempos, e desatar os nós de si próprio, ao seguir as correntes de uma lógica feita de humor, inteligência e emoção. Não é jazz, nem pop, nem canção de autor – pelo menos das que estamos habituados. É o fascinante mundo de Robert Wyatt, o ex-baterista que continua a marcar a cadência dos corações que lutam.
            O Y conversou, via telefone, com ele, percorrendo de A a Z tópicos relacionados com o disco e com a sua personalidade.

            ARTE
            Cirurgia plástica

            BENGE (Alfreda), sua mulher, autora da capa e das letras de “Cuckooland” – a nova capa é diferente das pinturas ilustrativas que a sua mulher desenhou para os álbuns anteriores…
            Não sei como ela faz. Neste álbum desenhou uma coisa mais hieroglífica.

            CORNETA – tocou pela primeira vez este instrumento no novo disco, mas os teclados continuam a soar bastante “cheap”
            É uma trompete que se pode tocar dentro de casa, uma trompete íntima. Quanto aos teclados, usei material novo da Yamaha para fazer uma espécie de jacuzzi onde mergulhei as canções.

            DEATH (morte)
Ah, isso… Está sempre a acontecer, não é? Mas não normalmente às pessoas que gostaríamos… (risos). Não me preocupa, graças a Deus, é algo que não se pode separar da vida, da mesma forma que não se pode separar a noite do dia. Alguns poetas falaram da quantidade de pequenas mortes que antecedem “the big one”. De qualquer forma, depois de morrermos, a vida continua…

            ENO (BRIAN) tem uma participação neste disco simbólica. Em “Tom Hay’s fox” deixou-o tocar apenas a “última nota”…
            O escritório de Brian fica perto de minha casa e um dia passou por lá de bicicleta. É um tipo muito “low tech”. A presença dele no disco é difícil de definir... É um entusiasta… Durante as gravações decidiu de repente que queria viajar até ao Brasil, a seguir fez um “tour” de bicicleta pelo Sul de França. De qualquer forma foi uma participação valiosa. Quanto a essa “última nota”, foram na verdade duas ou três, embora lhe tivesse dado inteira liberdade para tocar a última (risos). É uma nota linda!

            FOREST tema de “Cuckooland”. Uma valsa enigmática
            Inspirei-me numa melodia da Europa Central, na fronteira entre a Polónia e a Checoslováquia, uma região recheada de memória de florestas. Escolhi um compasso de valsa por ser uma cadência tipicamente europeia, introduzida no continente pelos ciganos, antes de se tornar uma dança respeitável para os músicos clássicos. A floresta tem duplo sentido: pode ser um local maravilhoso mas também onde se escondem as vítimas, pessoas perigosas… E lobos… Um local de magia. Branca e negra.

            GILMOUR (DAVID) guitarrista em “Forest”
            Conheço-o há anos, tocámos juntos nos mesmos sítios [quando os Soft Machine e os Pink Floyd formavam o par de bandas mais importantes da pop psicadélica em Inglaterra]. Voltei a encontrá-lo há dois anos, quando o convidei para tocar num festival que organizei em Londres. No final perguntou-me se estava interessado nos seus serviços…

         HIROSHIMA tema da faixa “Foreign accents”
            O bombardeamento de Hiroshima constituiu o supremo ato de hipocrisia pelos poderes ocidentais, numa altura em que hoje tanto falam nos perigos das armas de destruição maciça. A ideia de que só os outros povos têm essa responsabilidade e as nações ocidentais não, é de um racismo absoluto.

            IRAQUE em “Lullaby for Hamza”
            … Que antes se chamava Mesopotâmia. Entre o Iraque e o Irão situa-se o berço da civilização ocidental. As pessoas falam de Roma e na Grécia quando, na verdade, as primeiras civilizações nasceram na Mesopotâmia, na Pérsia, etc. Só este facto já é sufi ciente para que o Ocidente tenha um pouco mais de respeito.

         JOBIM (ANTÓNIO CARLOS) autor de “Insensatez”, adaptado por Wyatt à língua inglesa
            A bossa-nova é um dos géneros musicais com mais pontos em comum com o jazz. Uma das poucas músicas exteriores aos EUA que fascinaram os músicos americanos, em parte, devido ao facto da língua portuguesa, falada nas antigas colónias, por exemplo, ter desenvolvido musicalmente um leque harmónico que se ajusta bem ao jazz. Adoro a sofisticação do português da América Latina, bem como o espanhol de Cuba ou da Argentina. Mas essa riqueza é única no Brasil. Tentei enfatizar essa beleza harmónica. Depois, achei sempre que a voz de Karen Mantler se parece um pouco com a de Astrud Gilberto e quis verificar se era verdade (risos). Infelizmente não consigo cantar em português. É difícil. “Insensatez” é a única palavra nesta língua que consegui usar até agora!

            KAREN (MANTLER) filha de Carla Bley, com quem Wyatt tocou numa série de álbuns. Adora mesmo esta família, não é verdade? E já agora, o que é o “Karenotron” que vem mencionado na ficha técnica?
            Adoro esta família, exatamente. Sempre me dei bem, com os pais dela [o trompetista Michael Mantler]. Carla escreveu canções maravilhosas, por vezes arrepiantes. E foi uma honra trabalhar com Michael Mantler e ver crescer a sua filha, nos últimos 30 anos, até se tornar numa música adorável. Penso que somos ambos influenciados pela sua mãe.
            O Karenotron é um Mellotron onde foram inseridas apenas cassetes com a voz de Karen. Pedi-lhe para cantar uma escala inteira, que depois alarguei, nos graves e nos agudos, para registos mais bizarros. Tudo tocado num teclado, como num Mellotron.

         MADAME “Cuckoo madame”, tema central do álbum
            É realmente um cuco, as pessoas não acreditam! Alfie [Alfreda Benge] escreveu este poema ao ver um cuco fêmea à procura de um sítio para pôr os ovos e depois partir. Após uma reação normal de agressividade, por pensar nos cucos como vítimas, acabou por meditar em como, de facto, é estranha a vida de um cuco – não conhece nem os pais nem os filhos e parte sozinho para África, todos os anos. Que vida solitária! Deve haver uma razão evolucionista para explicar este comportamento. Algumas teorias explicam que é por não haver cucos machos sufi cientes para ficarem a tomar conta dos mais novos…Toda a gente conhece alguém parecido com um cuco…

         NEITHER HERE…” + “…NOR THERE” as duas partes distintas em que Wyatt dividiu o disco, separadas por uma faixa de silêncio.
            Porque existe uma banalidade nas identidades que nos são atribuídas, nacionalistas ou religiosas. O que é que isso significa no mundo moderno? Um mundo em que tudo é regido por uma economia global.
            Depois, era para ter saído como um CD duplo, mas era muito caro, daí ter optado por essa separação, com um intervalo de silêncio, e aproveitar o dinheiro para dispor de mais tempo no estúdio.

            OLD EUROPE Paris, o romance entre Miles Davis e Juliette Gréco…
            Adoro a velha Europa, sou um velho europeu, sem que isto signifique qualquer atitude de patriotismo. É mais um sonho romântico sobre uma Europa cosmopolita, cheia de nostalgia e fantasmas simpáticos (outros menos…) mas ainda na dianteira, no que diz respeito à “avant-garde”, a novas ideias e a recetividade, mesmo em comparação com a cultura americana. Acaba por não fazer sentido a divisão entre uma Europa “velha” e outra “nova”, divisão só possível nas cabeças de políticos amnésicos e de jornalistas condescendentes…
            Tanto eu como Alfie estivemos em Paris durante a adolescência. É uma cidade maravilhosa onde descobri uma quantidade de coisas. Tudo o que existe sobre esta cidade nos filmes, nos discos ou em poemas é verdade. É uma cidade viva, com o drama e os estímulos que descobri, por exemplo, nos livros que li sobre Picasso.

            PIANO que toca em solo absoluto no tema “Raining in my heart”
            Pertence a Phil Manzanera, gravei-o no apartamento dele. É um instrumento curioso, arcaico, dos anos 30, a imitar “art nouveau”. Pedi ao Phil para o gravar, limpámos-lhe a poeira… Tem um som estranho que adorei…

            RATLEDGE Mike, ex-companheiro nos Soft Machine. A questão que todos pretendem ver respondida: que é feito de Mike Ratledge?
            Tornou-se um empresário de sucesso. No ramo de anúncios para TV. Aproveitou os lucros obtidos com os Soft Machine para entrar no negócio, com o seu sócio, Karl Jenkins [outro antigo membro do grupo]. Foram eles que ficaram com todo o dinheiro dos Soft Machine. E quero dizer mesmo “todo”!

            SETEMBRO, 11
            Essa data tornou-se famosa, como todos sabem, por ser o dia em que os americanos puseram no poder o general Pinochet, nos anos 70, e também o dia em que Salvador Allende foi assassinado pelo exército fascista a soldo dos EUA.

            TRICKLE DOWN a faixa mais jazzy do álbum.
            Sim, mas um jazz anacrónico. O baixista disse que nunca tinha feito um disco com swing… É notório que sinto uma nostalgia pelo jazz de há 50 anos, adoro swingar mas ao mesmo tempo procurei voltar o conceito do avesso. Os címbalos e a secção rítmica são o acontecimento principal, enquanto os solos são como fragmentos espalhados, relegados para segundo plano.

            VIDA
            A vida?... Sssimmm… bem… nunca esperei saber alguma coisa sobre ela. Tenho três netas e a esperança de que as próximas gerações endireitem as coisas. Sinto-me impressionado ao ver como pessoas atacadas e pressionadas por todo o lado continuam a conseguir divertir-se e a ter uma vida boa, sejam vietnamitas, palestinianas ou ciganas. Às vezes pergunto-me porquê, mas suponho que tudo tem a ver com uma força extraordinária. Seja qual for o local e as circunstâncias, há sempre algo que consegue nascer e crescer. Mesmo num deserto. Mesmo num muro.

            WELLER (PAUL) guitarrista em “Lullaloop”
            Alfie já tinha composto o tema, o único feito todo no estúdio e o primeiro inteiramente da sua autoria, quando Paul apareceu, só para cumprimentar (também vive ao nosso lado). É uma das vantagens de ter um estúdio no mesmo local onde vivem celebridades. As pessoas podem pensar que é uma colaboração estranha mas temos um “background” semelhante. Ambos nos rotinamos a cantar a música negra dos anos 50 e 60.

            YOU (TU). Como se sente, agora que está a completar 40 anos de carreira?
            Satisfeito por ainda estar aqui, até porque não tenho tido muito cuidado (risos). Fico cansado mais facilmente mas, à parte isso, as coisas estão melhores do que alguma vez estiveram. Os músicos com quem trabalho são bons, a Alfie ajuda-me e eu ajudo-a a ela, estou numa editora ótima… Tive sorte por ter chegado a uma situação em que me sinto confortável.

            ZZZZZZZ (DE SONO)
            (risos) Sim, absolutamente, é a minha atividade preferida. Muitas pessoas dizem que o sono não passa de uma preparação para as atividades do dia. Para mim, é o contrário. Atividades diárias como comer, reproduzirmo-nos ou dizer ‘olá’, são reparativos para o verdadeiro propósito da vida que é cair ditosamente no sono.


valsa para um homem só

As primeiras notas de “Just a bit” poderiam pertencer a uma versão para funeral de “Música no Coração”. E é disso que se trata. As palavras, aquelas palavras que noutras gargantas soariam a lamentos de um velho senil mas que caso de Wyatt irrompem como emanações de uma personalidade que sublimou a dor e a solidão, fazendo delas seus amigos íntimos, pulsam como os batimentos de um coração ferido. “I’m as mad as any hatter, I feel safer touching wood” canta, sobre o tal jacuzzi de sintetizadores que banham e afogam cada sílaba num dilúvio de melancolia. Como quase todos os discos do ex-Soft Machine desde “Rock Bottom”, desprende-se da música uma tristeza feita em partes iguais de ternura, lucidez e resignação. Acompanhado por músicos como Annie Whitehead e Karen Mantler, Wyatt encarrega-se, como vem fazendo a partir de “Ruth is Stranger than Richard”, a partir o jazz aos bocadinhos, cada um deles correspondente a um pedaço de espelho que apenas reflete uma parcela de uma verdade mais vasta. Naipes de sintetizadores girando no Ocaso, saxofones do princípio do século, valsas da Europa romântica onde Miles Davis corteja Juliette Gréco, uma inusitada intromissão guitarrística de rock-vaudeville de Paul Weller, a par dos habituais disparos (sem o estampido de manifestos como “Nothing can Stop Us”) contra o imperialismo e a injustiça, tudo encaixa no lugar que este homem determina como sendo o certo, ou seja, o seu, por mais que diga estar “Neither here..” e “…Nor there”.
Os cucos são aves solitárias. Ao escutarmos de lágrimas nos olhos (porque a Beleza tem que ter este efeito nas almas dos que estão vivos), esta voz que parece volatizar-se por trás das nuvens, este oceano de melodias que limpam e redimem de uma vez por todas as banalidades que infestam a pop, imaginamos a figura de um homem dobrado sobre os seus sonhos, medos e esperanças, sentado à mesa, sozinho, a beber chá, no meio de um prado outonal. Mesmo na orla da floresta, como a de “Forest”, onde se escondem estranhas maravilhas mas também as vítimas e os lobos – valsa definitiva dos génios e dos loucos, marcha dos anjos decaídos. Mas anjos, apesar de tudo.
Um dos discos do ano.

ROBERT WYATT
Cuckooland
Hannibal, distri. Edel
10|10

18/04/2018

Os (meus) melhores 186 álbuns de sempre



Fernando Magalhães
24.04.2002 160400

POP

AMON DÜÜL II - Yeti (1970)
AMON TOBIN - Supermodified (2000)
ANTHONY MOORE - Flying doesn't Help (1979)
ART BEARS - Hopes and Fears (1978)
ART ZOYD - Berlin (1987)
ASHRA - New Age of Earth (1976)
BEACH BOYS (THE) - Pet Sounds (1967)
- Wild Honey (1968)
BEATLES (THE) - Revolver (1966)
- Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967)
- The Beatles (1968)
BRIAN ENO - Another Green World (1975)
- Before and After Science (1977)
BYRDS (THE) - Younger than Yesterday (1967)
- The Notorious Byrd Brothers (1968)
CAN - Tago Mago (1971)
- Ege Bamyasi (1972)
- Future Days (1973)
CAPTAIN BEEFHEART & HIS MAGIC BAND - Trout Mask Replica (1969)
- Shiny Beast (Bat Chain Puller) (1979)
CARAVAN - If I Could do it all over again, I'd do it all over you (1970)
- In the Land of Grey and Pink (1971)
CLUSTER - Cluster II (1972)
- Zuckerzeit (1974)
CONRAD SCHNITZLER - Rot (1973)
CURVED AIR - Phantasmagoria (1972)
DAVID BOWIE - The Man who Sold the World (1970)
- Diamond Dogs (1975)
- Heroes (1977)
DEVO - Q: Are we not Men? A: We are Devo! (1978)
DOORS (THE) - Strange Days (1967)
EGG - The Polite Force (1970)
FAUST- Faust (1971)
- So Far (1972)
- The Faust Tapes (1973)
FENNESZ - + 47º 56’ 37’’ - 16º 51’ 08’’ (1999)
FRANK ZAPPA - We're only in it for the Money (1967)
- Burnt Weeny Sandwich (1969)
- Hot Rats (1969)
FRED FRITH - Gravity (1980)
- Speechless (1981)
GENESIS - Nursery Cryme (1971)
- The Lamb Lies down on Broadway (1974)
GENTLE GIANT - Acquiring the Taste (1971)
- Three Friends (1972)
GONG - Radio Gnome Invisible, Part 2: Angel's Egg (1973)
- You (1974)
GURU GURU - Känguru (1972)
HARMONIA - Musik von Harmonia (1974)
- DeLuxe (1975)
HAROLD BUDD/BRIAN ENO - Ambient #2 The Plateaux of Mirror (1980)
- The Pearl (1984)
HATFIELD AND THE NORTH - Hatfield and the North (1973)
HELDON - Un Rêve sans Conséquence Spéciale (1976)
HENRY COW - The Henry Cow Leg End (1973)
- In Praise of Learning (1975)
HOLGER CZUKAY- On the Way to the Peak of Normal (1980)
HOLGER HILLER - Ein Bündel Faulnis in der Grube (1984)
- Oben im Eck (1986)
HUGH HOPPER - 1984 (1972)
INCREDIBLE STRING BAND (THE) - 5000 Spirits or the Cayers of the
Onion (1967)
-The Hangman's Beautiful Daughter (1968)
JETHRO TULL - Aqualung (1971)
- A Passion Play (1973)
JIMI HENDRIX - Axis: Bold as Love (1967)
- Electric Ladyland (1969)
JOCELYN ROBERT - Stat-Live-Moniteur (1986)
JOHN & BEVERLEY MARTYN - Stormbringer (1970)
JOHN CALE - Fear (1974)
- Music for a New Society (1982)
JOHN MAYALL- Blues from Laurel Canyon (1968)
JON HASSELL - City: Works of Fiction (1990)
JON HASSELL/BRIAN ENO - Fourth World, Vol. 1 Possible Musics (1980)
JONI MITCHELL - The Hissing of Summer Lawns (1975)
- Mingus (1979)
JULIAN COPE - Interpreter (1996)
KEVIN AYERS - Joy of a Toy (1970)
- Shooting at the Moon (1971)
KING CRIMSON - Lizard (1970)
- Larks' Tongues in Aspic (1973)
KINKS (THE) - Face to Face (1966)
- Something else (1967)
KLAUS SCHULZE - Mirage (1977)
KRAFTWERK - Kraftwerk (1971)
- Ralf & Florian (1973)
- Autobahn (1974)
KREIDLER - Appearance and the Park (1998)
LAURIE ANDERSON - Strange Angels (1989)
LEGENDARY PINK DOTS (THE) - Asylum (1985)
LOU REED - Berlin (1973)
LOVE- Forever Changes (1967)
MAGMA - Magma 2xCD (1970)
- 1001º Centigrades (1971)
- Köhntarkösz (1974)
MAGNA CARTA - Seasons (1970)
MARIANNE FAITHFULL- Strange Weather (1987)
MARY COUGHLAN - Uncertain Pleasures (1990)
MATCHING MOLE - Matching Mole's Little Red Record (1972)
MATILDE SANTING - Water under the Bridge (1985)
MEIRA ASHER - Spears into Hooks (1999)
MONOCHROME SET (THE) - Eligible Bachelors (1982)
MOTOR TOTEMIST GUILD - City of Mirrors (1999)
MOUSE ON MARS - Iaora Tahiti (1995)
MUTANTES - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970)
NEGATIVLAND - Escape from Noise (1987)
- Free (1993)
NEU! - Neu!’75 (1975)
NICK DRAKE - Five Leaves Left (1970)
- Bryter Layter (1970)
NICK MASON - Nick Mason's Fictitious Sports (1981)
NICO - The Marble Index (1969)
- The End... (1974)
NURSE WITH WOUND-The Sylvie and Babs High-Thigh Companion (1986)
PERE UBU - The Modern Dance (1978)
- Dub Housing (1978)
- The Tenement Year (1988)
PETER HAMMILL - In Camera (1974)
- Over (1977)
- The Future now (1978)
- A Black Box (1980)
PINK FLOYD - The Piper at the Gates of Dawn (1967)
- Ummagumma (1969)
- Atom Heart Mother (1970)
POLLY JEAN HARVEY - Is this Desire? (1998)
POPOL VUH - Affenstunde (1971)
RESIDENTS (THE) - Not Available (1978)
- Mark of the Mole (1981)
RICHARD AND LINDA THOMPSON - I Want to See the Bright Lights
Tonight (1974)
ROBERTO MUSCI & GIOVANNI VENOSTA- Water Messages on Desert
Sand (1987)
- Urban and Tribal Portraits (1988)
ROBERT RICH & BRIAN LUSTMORD - Stalker (1995)
ROBERT WYATT - The End of an Ear (1971)
- Rock Bottom (1974)
- Shleep (1997)
ROLLING STONES (THE) - Between the Buttons (1967)
- Their Satanic Majesties Request (1967)
- Beggar's Banquet (1968)
ROXY MUSIC - Roxy Music (1972)
- For your Pleasure (1973)
- Stranded (1973)
SLAPP HAPPY+HENRY COW - Desperate Straights (1975)
SOFT MACHINE (THE) - Volume Two (1969)
- Third (1970)
STEVE BERESFORD, DAVID TOOP, JOHN ZORN, TONIE MARSHALL
- Deadly Weapons (1986)
STEVE MOORE - A Quiet Gathering (1989)
SUICIDE - Suicide (1977)
SUZANNE VEGA - Days of Open Hand (1990)
TALKING HEADS - More Songs about Buildings and Food (1978)
- Fear of Music (1979)
TANGERINE DREAM - Phaedra (1974)
- Rubycon (1975)
TELE:FUNKEN - A Collection of Ice-Cream Vans Vol.2 (2000)
THINKING PLAGUE - In this Life (1989)
TIM BUCKLEY - Happy Sad (1969)
- Lorca (1970)
TODD RUNDGREN - A Wizard, a True Star (1973)
TOM WAITS - Small Change (1976)
- Swordfishtrombones (1983)
- Bone Machine (1992)
TONE REC - Pholcus (1998)
TO ROCOCO ROT - Veiculo (1997)
TORTOISE- Millions now Living will never Die (1996)
UNIVERS ZERO - Ceux du Dehors (1980)
5 UU'S - Elements (1988)
- Hunger's Teeth (1994)
VAN DER GRAAF GENERATOR - The Least We Can do is Wave to each
other (1969)
- H to He who am the only one (1970)
- Pawn Hearts (1971)
- Godbluff (1975)
- Still Life (1976)
VAN DYKE PARKS - Song Cycle (1968)
VELVET UNDERGROUND (THE) - The Velvet Underground & Nico (1967)
- The Velvet Underground (1968)
WALTER WEGMÜLLER - Tarot (1973)
WHITE NOISE - An Electric Storm (1969)
WIGWAM - Being (1973)
X T C - Mummer (1983)
- Skylarking (1986)
YELLO - You Gotta Say Yes to another Excess (1983)
YES - The Yes Album (1971)
- Close to the Edge (1972)
- Relayer (1974)
Z N R - Barricade 3 (1977)
ZOMBIES (THE) - Odessey & Oracle (1968)

FM

PS-Esta lista deixa de fora, obviamente, discos de folk, jazz, contemporânea, etc...

Pedro_M
24.04.2002 170502
Incredible String Band! :)

Estranhei o Nick Mason, mas fui ver ao All Music e já percebi. O melhor do Tim Buckley, para mim, é o "Starsailor".

Fernando Magalhães
24.04.2002 180634
"Fictitious Sports" é um colosso de originalidade e humor. A combinação Carla Bley + Robert Wyatt revela-se explosiva e de um surrealismo que, francamente, não encontro em mais nenhum álbum de rock.
O Nick Mason limita-se a produzir e a tocar bateria.

Quanto ao "Starsailor" ser o melhor de T. Buckey, também é a minha opinião, embora apenas tenha ouvido uma cópia pirata do mesmo e apenas uma vez.
A questão está em que, praticamente, como sabes, esse disco desapareceu de circulação. NÃO ME DIGAS QUE O TENS? :O
A lista que apresento inclui apenas discos que fazem parte da minha coleção, daí que...
Também tenho o "Goodbye and Hello", que também é muito bom.

Quanto aos Incredible String Band- sou fanático. É uma das bandas mais estranhas do Psicadelismo (versão folk).
Tudo o que gravaram até "Liquid Acrobat as Regards the Air" é excelente. Já se falou deles por aqui, há tempos...

FM

Fernando Magalhães
26.04.2002 190727

Citando MN:
“Das duas uma: ou as obras primas foram quase todas editadas nessa altura (e tivemos todos um azar dos diabos em ter nascido com 2 décadas de atraso :D) ou já não ouves música com o mesmo entusiasmo de antigamente (oh tempo / vooltaaa pa tráss). “


Olá MN :D

Eu lamento ter que dizer isto, mas é verdade: Tiveste (tiveram) um azar dos diabos. Eu bem vos avisei que nascessem antes, mas não me quiseram dar ouvidos!!!! AGORA NÃO SE LAMENTEM!!!!!!
:D

Num registo sério: Não ouço hoje música com menos entusiasmo do que ouvia em qualquer outra época da minha vida.

Acontece que nos anos 70 (os 60 ouvi-os "a posteriori", fui descobrindo aos poucos, já muito mais tarde) a música que se fazia era, regra geral, ou execrável ou simplesmente fora de série.

havia liberdade para gravar o que quer que fosse, em qualquer registo entre a imbecilidade pura e o sublime.

Além disso, a tecnologia encontrava-se numa fase de desenvolvimento muito especial. Uma melhoria imensa relativamente à década anterior, mas longe dos automatismos que começaram a fazer-se sentir sobretudo a partir dos anos 80.
Era um estímulo para a criatividade do músico em vez de um substituto. Mas tenho pouco tempo agora p/desenvolver este tópico.

Depois, as drogas eram outras, o que era também muito importante. Uma coisa é música induzida (ou sugerida) pelo LSD, outra completamente diferente a resultante da heroína (já bastante disseminada nos 70's, de resto... ex-Velvet Underground) ou de pastilhas estimulantes como a "ecstasy".

Curiosamente também no jazz e na folk, grande parte das obras-primas foram gravadas nos 70s!

Mas vou ter que sair agora. Penso que este tema poder dar uma "polémica" engraçada.

saudações

FM