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01/12/2011

Martin Rev - Strangeworld

5 de Maio 2000
POP ROCK - DISCOS

Martin Rev
Strangeworld (7/10)
Sähkö, distri. Ananana


Martin Rev e Alan Vega nasceram para cometer suicídio juntos. Mas depois do grupo que fez história no final dos anos 70 – ao derramar uma onda de genuíno sangue sobre a dislexia punk – os Suicide, se extinguir, vítima das suas próprias convulsões, desorientaram-se, procurando cada um para seu lado o martírio perdido. Vega socorreu-se da sua veia rockabilly, cultivando, mais do que a música, uma pose que passava por mimar um Elvis saído do túmulo. Recentemente encontrou o elo perdido, oferecido de bandeja pelos Pan Sonic, com quem gravou o notável “Endless”, legítimo herdeiro da estética Suicide. Martin Rev não teve a mesma sorte. Depois de um álbum de estreia promissor que soava aos Suicide sem voz, enterrou-se num rock electrónico que aos poucos perdeu actualidade e acutilância. Regressa com “Strangeworld” onde tenta fazer sozinho o que antes era feito a meias com Alan Vega, ou seja, à sua inconfundível artilharia de sintetizadores metalo-electro-repetitivos, juntou agora as suas próprias vocalizações decalcadas das do seu antigo companheiro. No mesmo tom declamado, com as palavras penduradas na mesma reverberação, repetindo a onda da “América-à-beira-do-caos-mas-romântica-até-ao-fim”. “Strangeworld” é assim uma réplica dos Suicide onde não faltam variações do mítico “Cheree” nem cowboy songs cibernéticas em referências sucessivas ao passado que, curiosamente, acabam por ser atraentes, enquanto exercícios kitsch retrofuturista de onde se destacam temas como “Splinters” (Jean-Michel Jarre numa “bad trip” pelos trópicos) ou “Chalky”, este último na linha de “Cubist Blue”, de Vega, com Alex Chilton e Ben Vaughan. Um caso típico do criminoso que volta ao local do crime.

12/12/2010

Martin Rev - Marvel

Sons

23 de Abril 1999
REEDIÇÕES

Martin Rev
Marvel (8)
Daft, distri. Ananana


Martin Rev, teclista dos Suicide, editou em 1980 o seu primeiro álbum a solo, intitulado simplesmente “Martin Rev”, numa edição cremos que exclusiva para o mercado norte-americano. “Marvel” é, no fundo, a reedição desse disco, ao qual foram acrescentados dois temas, “Cool train” e “Marvel” (o mais extenso, com os seus 12m50, a justificarem, talvez, a sua escolha para título) e uma nova capa de fazer fugir, embora a gravura original esteja reproduzida do outro lado. “Martin Rev” soa como se imagina que deve soar: os Suicide sem a voz de Alan Vega. Sons nevróticos e repetitivos onde Rev põe à prova os nervos dos ouvintes, fazendo fritar os sintetizadores e os neurónios em ragas industriais com a mesma acutilância e poder de dilaceração da broca de um dentista. Mas “Martin Rev” possui um fascínio muito especial, no modo como os oito temas que compõem a edição original conseguem transformar a monotonia rítmica e a neurose do metal e da electricidade em peças com um estranho poder hipnótico. Ao contrário, porém, da música industrial, como ficou tipificada na época, segundo a fórmula caos electrónico mais ruídos de fábrica mais cirurgia de amputação de tudo o que pudesse ser agradável ao ouvido, “Martin Rev” ostenta uma disciplina férrea, um sentido harmónico e uma noção de sentido único que fazem deste trabalho a banda sonora ideal para uma viagem rodoviária. Não da mesma maneira que “Autobahn” dos Kraftwerk, não sobre o cimento da auto-estrada, mas antes como uma “trip” através dos postes de alta tensão, a sobrevoar as corridas contra a morte dos personagens de “Crash”.