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12/05/2020

Luar Na Lubre - Hai Un Paraiso


10|SETEMBRO|2004 Y
discos|música

LUAR NA LUBRE
Hai un Paraiso
Warner Music Spain, distri. Warner
5|10

Faz pena assistir à decadência dos Luar na Lubre. A queda processou-se pela via do costume, da simplificação rítmica através da utilização exaustiva dos sequenciadores e caixas-de-ritmo, o que transformou a banda galega numa espécie de emulação de Hevia. Não que as gaitas não estejam onde lhes compete e que as melodias não sejam, nalguns casos, de uma beleza estonteante. Mas por que raio é que uma pandeireta ou uma bateria não chegam os ritmos? A utilização da eletrónica na folk céltica sempre foi polémica mas parece ser evidente que nos Luar na Lubre tem a ver com a internacionalização e as cedências que esta transição implica. O resultado é o empobrecimento da música e a desvalorização de temas como “Hai un paraiso” e “Uah lúa”, transformados em exercícios de má música de dança. Pontos positivos são “Rivadavia”, com uma bela intervenção na gaita de Bieito Romero, “Corme”, que prima pela simplicidade, e “Achega-te a mim, maruxa”, boa versão do tema popularizado por José Afonso. Há duas Galizas distintas que se digladiam na música dos Luar na Lubre.

11/10/2016

O sorriso da lua em concerto na Aula Magna [Luar na Lubre]

CULTURA
DOMINGO, 14 ABR 2002

Luar na Lubre
O sorriso da lua em concerto na Aula Magna

Folk e classicismo por uma das bandas mais importantes da música da Galiza. Para ver esta noite, em Lisboa.

Luar na Lubre. A luz da lua sobre a lubre, antigo lugar celta, palco de rituais que incendeiam a imaginação. Mistério. Embora a música do grupo folk galego Luar na Lubre já fosse mais misteriosa do que é hoje, o espetáculo que vão dar esta noite na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa (segundo em Portugal, depois de uma passagem pelo Intercéltico) não terá por isso menos encantamento e permitirá verificar as razões que colocam a banda no pódio dos mais importantes grupos folk da Galiza, logo a seguir aos Milladoiro.
            Já houve mais mistério, é verdade, quando os Luar na Lubre esvoaçavam em silêncio sobre os bosques frondosos (a “lubre” onde os druidas cozinhavam as suas poções e entrelaçavam a música com a Natureza) ou sobre a entrada no mar do lado de lá que é Finisterra, em álbuns como “O Son do Ar”, “Beira-Atlântica” e “Ara-Solis”. Mas as sombras e os murmúrios continuam a estar presentes, só que mais dissimulados por um som que pretende dar a conhecer-se ao mundo.
            Com a passagem para a multinacional Warner, a promoção, se lhes retirou um pedaço de segredo, não chegou, porém, para desmanchar uma música que permanece como das mais belas com raiz nas tradições da região celta da Península Ibérica. “Plenilunio” e “Cabo do Mundo” são testemunhos deste sorriso mais largo e claro que ilumina o novo rosto dos Luar na Lubre, cujo álbum mais recente é a antologia “Lo Mejor de Luar na Lubre: XV Aniversário”, celebração, como o título indica, de uma já longa e honrosa carreira. Carreira que a dado momento se cruzou com a de Mike Oldfield, que se tornou um fã da banda e gravou, inclusive, uma versão da canção “O son do ar”.
            Sobretudo o rosto moreno de Rosa Cedrón, vocalista e violoncelista do grupo, irradia um brilho especial. É ela a lua de uma formação de oito músicos onde pontifica a direção musical, a gaita-de-foles, o acordeão e a sanfona de Bieito Romero. Estiveram ambos em Lisboa para promover a coletânea de aniversário.
            Bieito é a sabedoria, o teórico consciente das origens, capaz de ficar a conversar durante horas sobre técnicas de construção de gaitas-de-foles ou da necessidade de se afastar periodicamente do bulício das digressões e deixar a alma repousar em frente à lareira da velha casa situada em La Corunha, onde os Luar na Lubre nasceram e com a qual continuam a alimentar a sua música. “É preciso ter um Norte, não perder a perspetiva, saber exatamente onde se tem os pés e a cabeça, onde habita a alma. Somos os embaixadores de um povo, o galego, mas a nossa música pode ser entendida em qualquer parte do mundo”, diz Bieito Romero, para quem os Luar na Lubre, apesar da sua costela mais regionalista, já adquiriram uma “dimensão internacional”.
            Rosa tem os olhos, o cabelo negro e a figura longilínea de uma feiticeira. Fala menos do que Bieito. Da sua atividade paralela na música clássica, das afinidades do seu canto com a música portuguesa, da intuição, da forma como o seu canto nasce e se apruma em voo de pomba.

Da música clássica à tradicional
Como os Milladoiro, os Luar na Lubre primam pelo apuro formal de uma sonoridade que, segundo Bieito Romero, “funde matizes da música clássica com a tradicional”. Apesar de considerar que as multinacionais têm o hábito de pressionar os artistas, Bieito Romero sente-se feliz por isso não acontecer com os Luar na Lubre, embora admita que, da fase antiga para a fase mais recente, os arranjos musicais sofreram algumas modificações, no sentido de tornarem a música acessível a uma fatia maior de público. O que, na sua opinião, se deve a uma melhoria de condições: “’Ara-Solis’ foi gravado em cem horas. ‘Plenilunio’ demorou um mês. Pudemos fazer tudo melhor, melhorar o som, a forma de entender as coisas… E agora não temos que pagar as horas de estúdio, de andar a correr para poupar nos horários!...”.
            “Lo Mejor de Luar na Lubre: XV Aniversário” inclui os inéditos “Camariñas”, “Grial” (com a participação dos irmãos José Angel e Maria José Hevia) e “Terra”, e uma nova mistura de “Tu gitana”, de José Afonso, com o cantor convidado Pablo Milanés.
            Esta noite, na Aula Magna, além do reportório antigo, os Luar na Lubre apresentam temas do seu próximo álbum, “Espiral”, com edição prevista para breve. A linha da evolução que os celtas conheciam e deixaram gravada nas pedras e no fundo da nossa memória.

Luar na Lubre
LISBOA Aula Magna.
Tel.: 217967624. Às 21h.
Bilhetes a 10 euros.

29/08/2016

A máquina do tempo [6º Festival Intercéltico do Porto]

POP ROCK
Quarta-feira, 5 Abril 1995

A MÁQUINA DO TEMPO

Faltam dois dias para começar o Intercéltico. Os apaixonados pela folk preparam-se para viajar, com armas e bagagens, até ao quartel-general no Porto. De preferência, o mais perto possível do cinema do Terço, onde os concertos terão lugar. Estamos a falar dos peregrinos vindos das várias regiões do país, porque os portuenses, esses, estão em casa, prontos para acolher um dos acontecimentos culturais que, por força de um prestígio que se vem acentuando de ano para ano, é já um “ex-libris” da cidade, com projeção no resto da Europa. Neste ano, vêm os Realejo, Boys of the Lough, Skolvan, Fairport Convention, Luar na Lubre e Four Men and A Dog. Lisboa vai ter uma amostra.

tem sido assim desde o início. Cada vez com mais expressão. O Festival Intercéltico, neste ano na sua sexta edição, transforma as pessoas e os lugares. Aproxima os sons e as culturas. Redimensiona o tempo e convoca as memórias. Dá voz ao futuro. Tudo em nome de uma música, ou talvez algo mais, de uma particular conceção do mundo que, por todo o planeta, encontra um número de adeptos cada vez mais numeroso. Uma conceção do mundo como lugar de encontro, como unidade que se alimenta e enriquece da multiplicidade de culturas e do diálogo recíproco entre visões e conceções singulares que se complementam.
            A música folk, ou tradicional, ou étnica, ou o que lhe quiserem chamar, não é, nunca poderá ser, apenas um género, uma moda, um objeto de consumo, como alguns – ofuscados pela possibilidade da descoberta de uma nova galinha dos ovos de ouro – pretendem que seja e se apressam a empacotar, construindo para ela os mais belos aviários.

Profissionais da magia

            Não é isto a folk – vamos chamar-lhe assim, para simplificar – mas sim uma música que tem sabido resistir a ser considerada apenas como mais uma moda passageira e a todas as investidas e aliciamentos lançados pela indústria. Quem lhe franqueia as portas entra num outro lugar, de onde não voltará a ter vontade de sair e a partir do qual passará a olhar a realidade com outros olhos. O Intercéltico, as pessoas que fazem o Intercéltico – desde a produção, realização e divulgação, assegurados, com sempre, pela MC-Mundo da Canção, dando mais uma vez corpo a uma iniciativa do Pelouro de Animação da cidade, da Câmara Municipal do Porto, até ao público que enche as salas e sem o qual não existiria o ambiente de pura magia que se tornou numa das características mais aliciantes do festival – sabem tudo isto. Sentem tudo isto. O Festival está hoje completamente profissionalizado, é um facto, mas, por detrás da máquina, pulsa um coração. Um coração que, de há cinco anos a esta parte, por altura da Primavera, bate mais depressa e com mais força.

A eterna questão

            Durante três dias, de sexta a domingo, vão passar pelo Terço alguns dos nomes mais importantes da música folk europeia atual. Neste ano, o cartaz anuncia, por ordem de entrada, os Realejo, Boys of the Lough, Skolvan, Fairport Convention, Luar na Lubre e Four Men and A Dog. Se, em anteriores edições, o programa foi pensado e estruturado em obediência a uma unidade temática (a Bretanha em 1991 ou a folk no feminino, no ano passado), a escolha dos participantes deste ano corresponde a uma certa descompressão, livre de compromissos, estéticos ou de atitude. Em vez disso, a ideia é dar a conhecer e pôr em confronto perspectivas plurais sobre a eterna questão: modernizar ou conservar? Traduzir ou transcrever? Adaptar ou modificar? Aprofundar ou aligeirar?
            A resposta para esta e outras questões até poderá ser encontrada num outro quadro de referências. A linearidade não existe, nesta música para a qual o tempo se molda numa malha de contornos e texturas difíceis de definir. No editorial do programa – o já tradicional “livrinho”, em cada ano com uma cor diferente, que apetece ter e devorar –, pode ler-se sobre a “necessidade de assumir, com rigor e enraizamento, relações interculturais determinadas pelo diálogo fundamentado no respeito mútuo entre os povos. Sem fusões (que normalmente não são mais do que confusões) formalistas nem preocupações ‘world-mercantilistas’, mas antes como ‘cor’ cuja universalidade reside justamente na sua especificidade própria, enraizada e, como tal, identificadora”, Os genuínos amantes da música tradicional, irmanados no sonho – e no ato – de desvelarem uma ilha dos amores que se estenda pelo mundo inteiro, não renegam para afirmar. Sabem que as princesas, os feiticeiros e os dragões apenas mudaram de forma, de castelo e de vestuário. Rompem preconceitos e neblinas. Viajam na máquina do tempo.

Reflexões, entre o musgo e o granito

            Ao lado dos concertos vão estar as chamadas atividades paralelas. Como não podia deixar de ser. Neste aspeto, o Intercéltico funciona como uma espécie de seminário, sem testes nem exames (embora, quem quiser, possa pòr-se à prova...) onde o termo “cultura” se confunde com “festa” e “celebração”. Os diversos itens incluídos são de molde a satisfazer, a vários níveis, o interesse e a curiosidade crescentes que o grande público vem dedicando a esta área e, em particular, ao festival.
            Assim, neste ano, haverá, no sábado, a partir das 16h, nos jardins do cinema do Terço ou, se o tempo não o permitir, numa sala do castelo de Santa Catarina, um debate subordinado ao tema “A imprensa folk europeia”. Nele vão estar presentes, além dos portugueses, jornalistas de conceituadas publicações estrangeiras, como a “Folk Roots” inglesa, representada por Andrew Cronshaw, a “Trad. Magazine”, francesa, por Phillipe Krumm, a “The Living Tradition” escocesa, por Pete Heywood, e a “Ghaita” galega, por Antonio Alvarez, além do jornal galego “A Nosa Terra” que se fará representar pelo já indispensável, nestas andanças intercélticas, Xoan M. Estevez.
            No domingo, terá lugar uma “escapada intercéltica”, com partida do castelo de Santa Catarina, às 10 horas da manhã. O passeio inclui uma visita à Citânia de Briteiros, “para um reencontro com o nosso passado celta, num espaço de reflexão céltico-filosófico temperado pelos granitos e pelos musgos seculares” e um “repasto celta” no alto da Penha, em Guimarães, com cozinha tradicional minhota, seguido de um “passeio digestivo-reflexivo” pela cidade ou, em alternativa, uma visita ao Museu Martins Sarmento, onde poderão ser apreciados vestígios celtas das citânias de Briteiros e do Sabroso.
            Para os mais sedentários, não faltarão, no “hall” do cinema do Terço, a habitual banca de discos e a projeção de diapositivos e filmes alusivos à temática do festival. Ao longo de todo este mês e até princípios do próximo, estará ainda patente, no mercado Ferreira Borges, uma exposição sobre José Afonso, “Andarilho, poeta, cantor”.
            Agora é arrumar as malas e partir. No Intercéltico, a viagem promete terminar no infinito.


6º Festival Intercéltico do Porto
REALEJO • BOYS OF THE LOUGH
SKOLVAN • FAIRPORT CONVENTION
LUAR NA LUBRE • FOUR MEN & A DOG
Cinema do Terço • Porto • 21h30

Noites folk na Aula Magna
BOYS OF THE LOUGH
FAIRPORT CONVENTION
Aula Magna • Lisboa • 22h00


FAIRPORT CONVENTION

OS FAIRPORT CONVENTION, muito mais que um simples grupo folk, são uma instituição. O seu maior feito é a invenção do “folk rock”. Outro é o facto de ainda existirem, mantendo uma vitalidade e uma teimosia que são de assinalar. Os Fairport Convention são ainda os detentores do maior título de sempre para uma canção, devidamente registado no “Guiness”: “Sir B. McKenzie’s daughter’s lamente for the 77th mounted lancer’s retreta from the Straits of Loch Knombe, in the year of Our Lord 1727, on the occasion of the announcement of her marriage to the laird of Kinleakie”. Além disso, o grupo é um manancial de memórias, atravessando épocas e correntes, sempre com a mesma integridade, o que lhe tem permitido ultrapassar obstáculos e tentações – o mesmo já não se podendo dizer em relação a um certo esgotamento de ideias, aparente sobretudo na sua obra discográfica a partir dos anos 80.
            Pelos Fairport Convention – uma banda que começou por tocar canções de Bob Dylan antes da descoberta da música tradicional do seu país, a Inglaterra – passaram nomes que ainda hoje fazem história: Ashley Hutchings, pai do “morris rock” (designação agora inventada); Richard Thompson, o guitarrista depressivo que alinha com os Pere Ubu e os Golden Palominos; Ian Matthews, o baladeiro que emigrou para a América; Dave Swarbrick, o grande-mestre do violino que solava com o cigarro ao canto e se viu obrigado a abandonar o grupo sob pena de ficar surdo; Dave Mattacks, também muito solicitado pelos grupos alternativos, e Dave Pegg, hoje nos Jethro Tull, os dois sustentáculos rítmicos da banda; Ric Sanders, outro violinista de exceção, elemento dos Soft Machine e ex-Albion Band... Para o fim ficou a lenda, Sandy Denny, a cantora de voz inimitável, dama das damas da folk britânica, tragicamente falecida no ocaso dos anos setenta – uma voz que se revelou nos Strawbs, explodiu nos Fairport, amadureceu nos Fotheringay e se pôs à prova no álbum dos quatro símbolos dos Led Zeppelin.
            A história dos Fairport Convention confunde-se com a da própria folk inglesa ao longo das últimas três décadas. O grupo tornou-se um ponto de referência, pelo modo criativo como quase sempre conseguiu conciliar a energia do rock com a vertente tradicional. Vale a pena mencionar os concertos de aniversário celebrados anualmente com a participação de convidados. Num deles, por acaso transmitido há anos na televisão portuguesa, recorda-se as canções de Richard Thompson, a prestação desastrosa – creio que numa delas – de June Tabor (foi na fase em que andava nos Oyster Band...) e os gloriosos despiques de violino travados entre Ric Sanders e Dave Swarbrick. Lambra-se ainda uma atuação memorável dos Fairport Convention, numa das primeiras edições da Festa do Avante! Tronco principal de uma genealogia extensa, os Fairport Convention estão na origem de projetos como os Steeleye Span, Matthews Southern Comfort, Fotheringay, Albion Band, Whippersnapper, Sour Grapes e The Bunch.
            Entre a discografia dos Fairport Convention, contam-se alguns clássicos. Nos anos 60, “Liege & Lief”, de 1969, considerado por muitos uma das obras-primas de sempre do folk-rock britânico. Na década seguinte, o destaque vai para “Full House”, de 1970 – talvez ao mesmo nível de “Liege & Lief”, com um trabalho fabuloso, enquanto instrumentista e vocalista, de Dave Swarbrick –, os conceptuais “Babbacombe Lee”, de 71, história de um inocente condenado à morte, salvo por milagre após três falhas consecutivas da forca, e “The Bonny Bunch of Roses”, de 77, sobre as guerras napoleónicas, além de “Tippler’s Tales”. A década de oitenta vale por “Expletive Delighted”, de 86, um álbum totalmente instrumental. A partir daí, os discos escutam-se com a simpatia e o respeito que a banda merece. Quanto ao novo “Jewel in the Crown”, ainda não houve oportunidade de o escutar. As boas notícias são que, no Intercéltico – e em Lisboa, na Aula Magna –, os Fairport Convention irão tocar clássicos como “The Lark in the Morning”, “Dirty linen”, “Sir Patrick Spens”, “Crazy man Michael”, “Matty groves” e “Meet on the ledge”.


BOYS OF THE LOUGH

ESTÃO PRESTES A ATINGIR trinta anos de carreira, o que faz dos Boys of the Lough uma das bandas de maior longevidade no ativo. Nasceram em 1967, no mesmo ano que os Fairport Convention. Registe-se a coincidência de estas duas bandas já terem tocado na Festa do Avante!, sendo ainda as únicas que, além do Intercéltico, vão atuar no próximo fim-de-semana na capital.
            De início, as influências vieram da América, por via de Leadbelly e Woody Guthrie, da Inglaterra, por via do “folk rock” dos Fairport, Steeleye Span ou dos mais antigos Watersons, e da Irlanda, por via dos Clancy Brothers e Chieftains. Deste emaranhado, os Boys of the Lough evoluíram para uma música que junta as tradições da Irlanda, da Escócia e das ilhas Shetland. A posição do grupo em relação à música tradicional é explicada em termos bastante claros por Aly Bain, o virtuoso do violino Shetland: “Desde o início que nos comprometemos a manter o modo tradicional, tocando sem interferir muito com os cânones (...). Pode pensar-se que tocar da maneira como sempre foi tocada a música tradicional é mais fácil, mas é mais difícil do que fazer arranjos. É mais difícil tocá-la como sempre foi tocada do que modificá-la”. “Lembro-me de, uma vez, Karl Dallas [jornalista do ‘Melody Maker’] nos ter perguntado quando é que íamos passar para os instrumentos elétricos. Mas eu nunca entendi isso como sendo uma evolução. De facto, penso que significa precisamente o contrário”. O que não impediu que os Boys, no seu mais recente álbum, “The Day Dawn”, já com distribuição portuguesa, dedicassem alguns temas às tradições “célticas” do Norte da Europa, em particular às de Inverno. Outro “virtuose” do grupo é o flautista Cathal McConnell, irlandês, campeão aos dezoito anos, neste instrumento e no “whistle”. Dave Richardson, no bandolim, banjo e concertina, substituiu, em 1973, o “político” Dick Gaughan. A ele se deve grande parte da sofisticação instrumental que o grupo passou a ostentar a partir de meados dos anos 70. Christy O’Leary e Tim O’Leary completam a atual formação dos Boys, uma banda importante da grande legião celta mas que passou praticamente desconhecida na sua primeira deslocação a Portugal, há dois anos, na Festa do Avante! De uma discografia de 16 álbuns, realce para o clássico “To Welcome Paddy Home”, “Farewell and Remember Me”, “Sweet Rural Shade” e “The Fair Hills of Ireland”.


LUAR NA LUBRE

QUEM SOMOS? PARA ONDE vamos? Seremos todos irlandeses? Vale a pena pagar uma conta exorbitante de eletricidade? Estas são algumas das questões que, de há uns anos a esta parte, afligem os nossos vizinhos da Galiza, indecisos quanto ao futuro a dar a um legado tradicional riquíssimo. Alheios a toda esta confusão, os Luar na Lubre, como os Milladoiro ou os Muxicas, prosseguem tranquilamente o seu caminho. Não precisam de teorizar, muito menos de buscar alento no jazz, no rock ou na “new age”, à semelhança do que fazem outros grupos galegos. Os três álbuns que editaram até à data contam-se entre o melhor que a música tradicional desta região produziu nos últimos anos. “O Son do Ar”, de 1988, “Beira Atlantica”, de 1990, e “Ara-Solis”, de 1993 – todos com distribuição portuguesa pela MC-Mundo da Canção, embora so dois primeiros, sem edição em CD, sejam difíceis de encontrar – formam uma trilogia de beleza inigualável, urdida com névoas e encantamentos, envolta numa noite que “nunca sabemos onde começa ou acaba”, para utilizar as palavras do poeta galego Manuel Maria. “Uma estranha música que canta no nosso ser crente e duvidoso”. Os Luar na Lubre – luz da lua batendo sobre a “lubre”, pedra sacrificial – formaram-se em 1986, na Corunha, para fazer “música tradicional galega, com raiz celta”. Um celtismo que eles não renegam, antes afirmam com orgulho: “Acreditamos que existe uma música celta, ainda que, na Galiza, existam influências de outros tipos de música, mas isso não significa termos que renegar a componente céltica, por muito que isso custe a alguns”. Comparados por alguns aos Milladoiro, talvez pelo rigor e complexidade que põem nos arranjos, os Luar na Lubre tomam como base os cancioneiros tradicionais, a que acrescentam um trabalho de composição fundamentado na pesquisa etnomusicológica. “O que fazemos”, diz Bieito Romero, gaiteiro do grupo, “é uma música de raiz com uma evolução: incorporamos instrumentos, imprimimos-lhe uma determinada matriz sonora que não corresponde ao que se escuta a um camponês ou às orquestras tradicionais. O mais importante já está feito; agora trata-se de assegurar uma certa continuidade: aulas de gaita-de-foles, lugares onde se possa apresentar a música...” Palavras que infelizmente não encontram eco em Portugal. Enquanto celtistas e não-celtistas esgrimem argumentos, os Luar na Lubre continuam a tecer os seus encantamentos de “druidas envoltos nos fumes das lubres”. Bieito Romero encolhe os ombros: “Para mim, a expressão ‘música céltica’ é adequada, pois designa a música que se faz nos países célticos e estes existem. O único país que duvida, ele próprio, que é celta é a Galiza!”


FOUR MEN AND A DOG


“A NOSSA MÚSICA É LIVRE e espontânea, e é isso que a mantém fresca e atrativa. Se sentimos que nos apetece andar às voltas pelo palco, então fazemo-lo. Mas, se nos apetecer beber algo em pleno palco, nós bebemos. E, se quisermos gritar, por que não fazê-lo?” Quem o diz é Gino Lupari, figura carismática, de porte imponente, tocador de “bodhran” e contador oficial de anedotas dos Four Men and a Dog. Quem já os viu em palco diz que são fogo. “Demónios celtas” foi a melhor maneira que um elementos dos asturianos Llan de Cubel encontrou para definir a prestação ao vivo desta banda originária do Ulster, na Irlanda do Norte. “Penso que somos um grupo a vapor (...). Não levamos nada demasiado a sério (...). Ensaios? Quem precisa deles?”, diz ainda Lupari, para quem o grupo apenas procura divertir-se e divertir o público. Com um reportório baseado na música de dança, os Four Men & A Dog são, porém, capazes de surpreender com baladas de “crooners” alcoolizados ou desbundas de experimentalismo que os colocam numa posição sem paralelo na grande família das “Irish traditional bands”. Foi esta combinação de humor, irreverência e festa constante, aliada ao virtuosismo dos executantes, que levou a “Folk Roots” a considerar o álbum de estreia do grupo, “Barking Mad”, o melhor de 1991, para, alguns meses mais tarde, ser a vez dos leitores da revista elegerem os Four Men “melhor banda” e “melhor banda ao vivo”. Este e o álbum seguinte, “Shifting Gravel”, têm produção de Arty McGlynn, que chegou a fazer parte do grupo, tendo mais tarde abandonado. Outro ilustre da banda é Gerry O’Connor, emérito violinista e tocador de banjo, conhecido pelo seu trabalho nos La Lugh e Skylark. O novo álbum “Doctor A’s Secret Remedies” aguarda distribuição nacional. Entretanto, o que falta aos Four Men & A Dog para chegarem ao topo? Pouca coisa. Como diz Gino Lupari: “Brevemente seremos uma grande banda – só teremos que nos livrar do violinista, do guitarrista e do banjista!”

17/10/2014

Luar Na Lubre - XV Aniversario - Lo Mejor De Luar Na Lubre



Y 1|JUNHO|2001
escolhas|discos

LUAR NA LUBRE
XV Aniversario – Lo Mejor de Luar na Lubre
WEA, distri. Warner Music
7|10

Poucos serão os grupos na Galiza que se podem orgulhar de um estatuto e popularidade equivalentes aos dos Milladoiro. Os Luar na Lubre conseguiram-no, rivalizando com aquela banda na procura, bem sucedida, de novas formas e soluções para a folk galega. O disco de comemoração dos 15 anos de carreira não apresenta grandes novidades para quem tem vindo a acompanhar a banda folk, responsável por álbuns como “Ara-Solis”, “Beira-Atlântica”, “Plenilunio” e “Cabo do Mundo”. Para esses, a coletânea de festejos reservou três inéditos, um deles com a participação dos irmãos Hevia (ele e ela) e uma nova versão, com Pablo Milanés, de “Tu gitana”, de José Afonso. Para os que agora se iniciam nos mistérios da “muiñeira”, polida e bem tratada, é um bom cartão-de-visita, ilustrativo do requinte instrumental de Bieto Romero, bem como da beleza vocal de Rosa Cédron.

10/04/2011

Luar Na Lubre - Cabo Do Mundo

10 de Dezembro 1999
WORLD

No mar de Lugris

Luar na Lubre
Cabo do Mundo (8)
WEA, distri. Warner Music


A par dos Milladoiro os Luar na Lubre são hoje a banda galega cujo som consegue juntar um apelo universalista ao apego pelas raízes. No caso dos Luar na Lubre a integração no catálogo de uma multinacional como a Warner, coincidente com a edição do anterior “Plenilunio”, teve como consequência uma abertura do som e a sofisticação de uma produção feita a pensar no mercado internacional da “world music”. O novo “Cabo do Mundo”, curiosamente, investe numa direcção diferente da do seu antecessor. Ainda que se mantenha o cuidado posto na produção, é notória a atenção prestada pelo grupo à composição e à execução instrumental, que neste álbum atingem os níveis mais elevados de sempre na carreira dos Luar na Lubre. Nunca como em “Cabo do Mundo” soou tão límpida e carregada de emoção a voz da cantora Rosa Cédron – que num tema como “Devanceiros”, curiosamente, faz lembrar Uxia e em “Cantiga de berce” cultiva o folk progressivo britânico de bandas como Mellow Candle, Trader Horne e Tudor Lodge – nem tão cheias de coisas para dizer, a gaita-de-foles e a sanfona do “maestro” Bieito Romero. “Cabo do Mundo”, dedicado ao pintor galego Urbano Lugris (autor de uma obra surrealista à maneira de Magritte ou De Chirico que versou sempre a Galiza céltica, em odes ao verde das florestas a ao azul do mar) seria o melhor álbum de sempre dos Luar na Lubre se com ele navegássemos apenas por temas como o fabuloso “Nau”, verdadeiro hino à Galiza céltica, e apesar da influência do amigo de longa data, Mike Oldfield, se fazer sentir em arranjos como os de “Crunia:Maris”, com tubular bells e tudo… Infelizmente os Luar na Lubre não conseguiram ou quiseram resistir ao mais velho pecado da música galega, a “irlandização”, ou melhor, neste caso a “anglicização”, como uma versão de “Scarborough fair” (a balada mil vezes tocada por bandas folk principiantes depois de ter sido popularizada por Simon & Garfunkel) e, logo a seguir “Canteixeire”, uma recuperação do tradicional “John Barleycorn” com arranjo idêntico ao de John Renbourn em “A Maid in Bedlam”, aqui apesar de tudo salvo pelo desempenho do convidado Erick Riggler, nas “uillean pipes”. Um álbum apaixonante e apaixonado pelo mar, como respira na pintura de Lugris, autor de todas as imagens do disco.

20/05/2010

A lua sobre o macaco [World]

Sons

5 de Fevereiro 1999
WORLD

A lua sobre o macaco

Martin Carthy é uma das lendas vivas da folk inglesa. Integrou dois dos grupos responsáveis pelo “boom” da música tradicional no seu país, os ortodoxos The Watersons e, mais tarde, os pioneiros do folk rock, Steeleye Span, mantendo ainda uma colaboração regular com o violinista e ex-Fairport Convention Dave Swarbrick, a par de uma já extensa discografia a solo que inclui álbuns brilhantes como “Landfall”, “Because it’s there”, “Shearwater”, “Sweet Wivelsfield”, “Out of the Cut” e “Right of Passage”. “Signs of Life”, o seu mais recente trabalho a solo, reúne uma série de versões de canções que, segundo diz, o marcaram na época em que começou a manifestar o seu interesse pela folk.
Como sempre, a sua voz e a sua guitarra operam, por si só, maravilhas, transformando temas como “New York mine disaster, 1945”, dos Bee Gees, ou “Heartbreak hotel” (um dos primeiros 78 rotações que comprou, com o original de Elvis Presley, embora a autoria do tema se deva a Mae Hexton, mãe de Hoyt Axton) em baladas às quais a sua voz inconfundível imprime um cunho tradicional. O álbum inclui ainda versões de um tema que Carthy já interpretara num dos seus discos de parceria com Dave Swarbrick, “Princ Heathen”, e “Sir Patrick Spens”, que os Fairport Convention usaram em “Full House”, num registo diferente.
Destaque ainda para as ocasionais prestações, no violino, da sua filha, Eliza Carthy, num álbum que reforça ainda mais a posição de Martin Carthy como um dos nomes clássicos e, simultaneamente, mais inovadores) da música folk deste século. (Topic, distri. Megamúsica, 8.)

Voltamos a encontrar Martin Carthy nos Brass Monkey, outro dos projectos em que esteve, desde o início, envolvido, participando nos dois primeiros álbuns desta banda vocacionada para a interpretação do reportório tradicional inglês em instrumentos de sopro: “Bras Monkey” e “See how it Runs” (reeditados em CD, num único volume, “The Complete Brass Monkey”), respectivamente de 1983 e 1986. Volvidos 13 anos, os Brass Monkey regressam com a mesma formação, com John Kirkpatrick, no acordeão e concertina, Howard Evans, no trompete, Richard Cheetham, no trombone, e Martin Brinsford, na percussão, e um novo álbum que nada deve aos anteriores.
Se em “Signs of Life” é uma certa discrição vocal de Carthy que sobressai, em “Sound & Rumour” destaca-se o lado mais épico das suas vocalizações, valorizadas pela nobreza dos metais e pelas “squeeze boxes” de Kirkpatrick. “The flash lad”, “An acre of land”, “Old horse”, “The roving journeyman”, “The old Virginia lowlands” e “Soldier, soldier/The flowers of Edimburgh” são clássicos instantâneos, apenas equiparáveis à obra-prima “Anthems in Eden”, de Shirley and Dolly Collins. Como complemento dos temas vocalizados os Brass Monkey dedicam os “sets” instrumentais ao levantamento e revitalização das velhas danças “morris”, num trabalho próximo dos primeiros álbuns dos Albion Country Band.
Empolgantes, sempre que Carthy intervém, inventivos nos arranjos instrumentais, os Brass Monkey ressuscitaram incólumes da sua letargia. Ou, como referem na capa, de uma “animação suspensa” ou de um “congelamento criogénico” do qual saíram como se nunca tivessem estado verdadeiramente ausentes. (Topic, distri. Megamúsica, 9.)

Agora ligados a uma multinacional, os Luar na Lubre prosseguem o seu caminho em direcção a um universalismo que lhes permita atingir, a curto prazo, um estatuto semelhante ao dos Milladoiro, como embaixadores da música tradicional da Galiza no mundo. “Plenilunio” pode ser o impulso decisivo, uma vez que o grupo soube tornar mais aberta e sofisticada a sua música sem sacrificar o essencial, a ligação criativa às raízes que caracteriza os álbuns anteriores: “O Son do Ar”, “Beira-Atlântica” e “Ara Solis”. “O son do ar” ressurge, aliás, numa nova versão, no instrumental de abertura de “Plenilunio”, revelando de imediato uma mudança, em termos de sonoridade, na utilização da espacialidade, permitindo deste modo uma respiração mais ampla dos instrumentos.
Bieito Romero continua a fazer soar a gaita-de-foles, a sanfona e o acordeão diatónico de forma superlativa, enquanto a voz de Rosa Cedron (que também toca violoncelo) se destaca como elemento preponderante, centrando em si o lado eventualmente mais cativante da música do grupo. Em “Os teus ollos” consegue mesmo ser tocante, num embalo de tristeza em que a simplicidade das palavras contrasta com a complexidade de uma orquestração barroca: “Cando se pon a lúa tras dos penedos, choran as estreliñas todas do ceo/Tamén eu choro, tamén eu choro, cando non me alumean eses teus ollos”.
“Ao-Tea-Roa” evoca o intimismo melódico dos Chieftains, de “The Chieftains 5”, num modo de “irlandização” que, literalmente, explode em glória em “Roi xordo”. Mas o mar e a claridade de um “luar na lubre” (“Lubre” era o bosque sagrado onde os celtas celebravam os seus ritos) tudo banham em “Ronsel”, um original de Bieito Romero, onde este demonstra por que é, hoje, um dos maiores executantes, na gaita-de-foles e na sanfona, da Galiza. “Cantiga de Falvan” cruza a “scooter” dos Gwendal com os menestréis Jethro Tull, a sanfona mergulha no mais profundo da Galiza medieval, em “Romance de Bernaldino e Sabeliña”, até o baile popular fazer valer os seus direitos no tema final, “Galaecia”. Depois de “Ara Solis”, “Plenilunio” garante aos Luar na Lubre outro triunfo. (Warner Bros, distri. Warner Music, 9.)

07/06/2008

Luar Na Lubre - Ara-Solis

Pop Rock

19 de Julho de 1995
Álbuns world

“Dun tempo para sempre”

LUAR NA LUBRE

Ara-Solis (10)
Sons Galiza, distri. MC-Mundo da Canção

Nesta altura, os que já conhecem este grupo galego, e ainda mais os que tiveram oportunidade de assistir à sua actuação no Intercéltico de Abril passado, já deverão ter adquirido o disco e perguntado por que razão é que “o gajo do PÚBLICO” ainda não escreveu nada sobre ele. Têm toda a razão. As razões do atraso são as do costume: falta de espaço e excesso de oferta. Mas os outros, os que não fazem a mínima ideia de quem são os Luar na Lubre nem ouviram os anteriores “O Son do Ar” e “Beira-Atlântica”, merecem que recapitulemos este novo trabalho de uma das melhores bandas do actual circuito tradicional da Galiza.
Os Luar na Lubre vão pelo caminho que poderia ser hoje o dos Milladoiro, se estes não tivessem, a determinada altura, enveredado pela via do classicismo. Domínio perfeito da linguagem tradicional e um bom-gosto inexcedível nos arranjos, plenos de energia e subtilezas escondidas, conferem à música do grupo um grau de alta qualidade. Em termos individuais merece ser referido o fenomenal desempenho de Bieito Romero, na “gaita”. Na “Muiñera de Malpica” inicial consegue mesmo ser empolgante, o mesmo acontecendo em “Muiñeira de Poio”, com um balanço imparável, ou no tom “processional” (mais arrastado e apoiado no bordão) de “Marcha procesional de Mato”. No extremo posto da escala de timbres, a saliência vai para a harpa, clara e luminosa, de Cris Gandara, simplesmente em estado de encantamento na composição da sua autoria, “Nodaiga”. Com meios instrumentais riquíssimos à sua disposição (harpa, acordeão, bouzouki, violino, flauta, contrabaixo, gaita-de-foles galega e de Northumbrian…) e a capacidade para os aproveitar da melhor maneira, os Luar na Lubre têm o céu ao alcance da mão. E a poesia, que se desprende dos versos de “Dun tempo para sempre”, cantados por Ana Espinosa, sobre a cadência mágica de um “alalá”, ou “ailalelo” (cântico tradicional ancestral da Galiza): “Cando atoparemos/ druidas envoltos/ nos fumes das lubres/ nos bosques de emain? E o luar enfeitizado/ polas sombras que ainda emerxen/ da última noite/ noite de luar. Soños galopando/ xa rachan co silencio/ e o vento assubia/ acordes de alalás.” Um clássico.