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10/12/2025

La Bottine Souriante - Chico & Swell

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 12 JUNHO 1991 >> Pop Rock >> LP’s

 

LA BOTTINE SOURIANTE
Chic & Swell
CD, Green Linnet, distri. Megamúsica
 
Uma imagem com texto, pessoa, pousar, fato

Descrição gerada automaticamente

     Acredite-se ou não, o Canadá também tem folclore. Evidentemente, é uma mistura, mas uma mistura fascinante. A música tem “cajun”, as jigas, “reels” e demais danças irlandesas, juntamente com as suas congéneres francesas, combinaram-se de modo a dar origem a um novo estilo que, dos ingredientes, soube retirar a quintessência. Os La Bottine Souriante, prosseguindo uma tradição que remonta à “explosão” dos “fous du folk” dos anos 70 e à existência, no Canadá, de grupos como os Harmonium, Séguin ou La Chiffonie, retomam as experiências então realizadas no seio da editora francófona Hexagone (que em breve terá representação nacional), burilando as arestas mais ásperas das sonoridades rurais para lhes sublimar a elegância e o requinte, num trabalho formal que só a distanciação e a pesquisa permitem. Fabulosas, em “Chic & Swell”, as harmonias vocais (partilhadas pelos cinco elementos da banda) e o violino de Martin Racine, ao longo de uma imparável sequência de danças e canções (sublime, “Le Rossignol Sauvage”) capazes de juntar, num golpe, a Irlanda, Escócia e França ao caldeirão do Quebeque. ****

 

17/01/2011

Whistlebinkies + Maddy Prior + Kathryn Tickell + Värttinä + La Bottine Souriante

Sons

9 de Julho 1999
WORLD

Verdadeira instituição no seu país, os Whistlebinkies cumprem, pela enésima vez, o papel que já interiorizaram, o dos Chieftains da Escócia, com “Timber Timbre”, um álbum de nuances delicadas onde os sets de dança alternam com ambientes de introspecção, respectivamente personificados pela gaita-de-foles de Rab Wallace e a harpa de Judith Peacock, ao longo de onze temas irrepreensivelmente executados e produzidos. Um dos focos de interesse de “Timber Timbre” é a voz de Judith Peacock, cuja frescura, num tema como “The sailor’s wife”, nos faz recuar ao prodigioso “Old Hag you Have Killed me”, dos Bothy Band, e às vocalizações de fada de Triona Ní Dhomnaill. (Greentrax, distri. MC – Mundo da Canção, 8)

Outra das vozes da música tradicional britânica que continua a fazer história é a de Maddy Prior, cuja obra a solo deixou, finalmente, de se desenrolar em paralelo com a dos Steeleye Span, não participando já no último álbum do grupo, “Horkstow Grange”. “Ravenchild” reforça a tendência da cantora para assinar álbuns conceptuais, com a inclusão de duas “suites”, “With Napoleon in Russia” e, sobretudo, a mais longa “In the Company of ravens”, ciclo de canções em torno da simbologia do corvo, onde é posto em evidência o ponto de maturação a que chegou a sua voz. Entre diversos momentos de excepção, destaca-se “Rigs of the time”, um clássico, ao nível dos melhores temas de sempre interpretados pela cantora, que tanto evoca a solenidade da sua antiga parceira, June Tabor, como a classe pura de Martin Carthy, que, curiosamente, gravou um álbum com este nome. “In the company of the ravens” é uma história a várias vozes que vai da balada clássica acompanhada ao piano até ao tom Grace Slickiano de “Young bloods”, passando pelo “prog folk” de “Rich pickings” e a pausa “new age celtic” de “Dance on the wind”. (Park, distri. Megamúsica, 8)

Kathryn Tickell tem o rosto, o corpo e a música mais sensuais da folk actual. Ainda para mais, desde “On Kielder Side”, só grava obras-primas, como “The Gathering” e “The Northumberland Collection”. “Debatable Lands” volta a fazer-nos babar de prazer. Confessamos a nossa fraqueza: não conseguimos resistir a esta mulher que toca gaita-de-foles e violino como uma deusa e que, recentemente, destroçou mais do que um coração (o nosso há muito que está reduzido a cacos) no festival Multimúsicas realizado em Lisboa. Que fazer quando a perícia e sensualidade de execução nas “Northumbrian Pipes” nos esmaga, o que acontece logo no tema de abertura, “The wedding/Because he was”? “Our Kate” (quem nos dera, suspiro…) provoca suores frios, tal a graça da melodia e a delicadeza com que Kathryn a executa. O violino é uma fonte de carícias, em “Road to the North/Hanging bridge/All at sea”, o mesmo acontecendo ainda no mesmo “set”, com a gaita-de-foles, antes de ser abruptamente despertada pelo acordeão de Julian Sutton. Não nos responsabilizamos pelos espasmos que as “pipes” possam causar, em “The magpie” e “Stories from debatable lands”, da mesma forma que achamos negativa toda e qualquer dependência que esta música possa provocar. O álbum termina com uma segunda versão de “Our Kate”, mais uma massagem erótica das “pipes”. Mas ela faz de propósito, ou quê? (Park, distri. Megamúsica, 9)

Eram umas moçoilas do campo, mas a fama transformou-as num grupo de profissionais da “world music”. Falamos das norueguesas Värttinä, que também actuaram no festival Multimúsicas, onde foram comparadas a Madonna e às Spice Girls, salvaguardadas as devidas distâncias, é claro. “Vihma” soa melhor que a sessão quasi-tecno de Lisboa, embora seja evidente que o quarteto vocal se está a afastar cada vez mais das raízes, ainda que as melodias mantenham o traço tradicional e o timbre das vozes conserve o típico “vibrato” rural. Entre a ânsia de fazer dançar a todo o custo e a simplicidade da maior parte dos arranjos, “Vihma” respira melhor em baladas como “Emoton”, “Uskottu ei Uupuvani” e “Aamu”. As concessões das Värttinä podem desagradar a alguns – na verdade, apenas o tema final, “Vihmax (Vihma remix)”, uma descarga redundante de “etno tecno”, descamba na facilidade sem contrapartidas – mas é impossível escapar à alegria que a sua música e as suas interpretações transmitem. Estas raparigas são fogo. (Ed e distri. BMG, 7).

Os La Bottine Souriante (nas fotos em cima) já actuaram duas vezes em Portugal, a última delas no festival Cantigas do Maio, no Seixal. Como as Värttinä, também estes canadianos transbordam de alegria, quer ao nível do reportório quer da vivacidade das execuções. A diferença está em que, no seu caso, tudo soa mais espontâneo, como uma festa onde a música tradicional é a forma mais rápida para fazer as pessoas felizes. Em “Rock & Reel”, versão actualizada e com nova distribuição do álbum do ano passado editado no Canadá com o selo Mille-Pattes, os “reels” do Quebeque rolam como uma locomotiva, os jigs saltam como aguardente na garganta (“Ami de la boteille” é um verdadeiro hino a Baco), a secção de metais é um lança-chamas de “swing”, enquanto as canções francófonas exalam o charme que lhes confere o característico sotaque do Quebeque. Folia garantida! (Hemisphere, distri. EMI-VC, 8)

05/01/2011

A bota sorridente porque bebe [La Bottine Souriante]

Sons

25 de Junho 1999

La Bottine Souriante lança 10º álbum com título novo

A bota sorridente porque bebe

Editado há um ano no Canadá, “Xième”, o mais recente álbum dos La Bottine Souriante, só agora foi editado em Portugal, mesmo assim uma semana antes que no resto da Europa. E com um novo nome: “Rock & Reel”. Quanto à Bota Sorridente, também poderia chamar-se Os Amantes da Garrafa. O grupo actuou recentemente no festival Cantigas do Maio, no Seixal. O PÚBLICO falou com alguns dos seus elementos e ficou a saber que o vinho, a par dos padres e das mulheres, é um tema recorrente na tradição do Quebeque. O partido comunista é que parece não ter grande freguesia…


Impregnados da herança céltica e temperada com salsa, a música dos La Bottine criou um estilo próprio através da utilização de um naipe de metais. O resultado é uma aliança entre a energia do rock’n’roll, a musicalidade da língua francesa pronunciada à maneira do Quebeque e uma alegria contagiante. Confira-se pelo novo álbum, “Xième”. Ou “Rock & Reel”, se preferirem.
PÚBLICO – “Rock & Reel” está a ser apresentado como um novo álbum do grupo, quando o disco original saiu no ano passado…
YVES LAMBERT – O disco não tinha tido ainda nenhuma distribuição fora do Quebeque, era praticamente desconhecido. Houve pessoas, como você, que fizeram alguma confusão com a diferença de títulos e com o facto de as capas, embora parecidas, não serem exactamente as mesmas. Mas isso só aconteceu com uma minoria, que conhece a existência de “Xième”. No Quebeque continua a haver apenas a edição original.
P. – “Rock & Reel” é um título um bocado redundante, não acham?
JEAN FRÉCHETTE – Não é um álbum tão tradicional como “La Traversée de l’Atlantique”, por exemplo…
Y. L. – … Mas também não é um álbum rock. Talvez a energia seja a mesma do rock’n’roll. O termo rock, no nosso caso, aplica-se mais a um determinado tipo de pulsação.
P. – O “reel” compreende-se, até porque se trata de um dos álbuns dos La Bottine onde a vertente céltica está mais presente.
DENIS FRÉCHETTE – Sim a herança céltica está sempre presente. A Escócia, por exemplo, é uma influência determinante nos “reels” do Quebeque.
Y. L. – Sim, como a música irlandesa, que constituiu uma influência enorme em meados do séc. XIX, dando origem a uma fusão do “beat” francófono com o “beat” irlandês. Mas não são só os “reels” mas também os “airs” e as canções de origem francófona. Apesar de tudo, “Xième” é bastante mais “québéquoise”, com um som mais particular.
P. – “Xième” foi editado no Quebeque com o selo Mile-Pattes, do qual os La Bottine são os fundadores. Quais são os objectivos da editora?
Y. L. – “Mille-Pattes” foi o primeiro álbum que produzimos, em 1982. A intenção era financiarmos os nossos álbuns, de nos tornarmos independentes. A música é um meio onde há muitos “tubarões”, muita gente desonesta. Por outro lado, o facto de a EMI passar a distribuir os nossos discos constitui um apoio. Mas permanecemos independentes, uma vez que é a Mille-Pattes quem negoceia com a EMI.
P. – Até que ponto existe uma tomada de posição política no grupo? À primeira vista, parecem dar relevo, essencialmente, ao humor.
Y. L. – O nosso objectivo é ajudar as pessoas a descontraírem-se, a sentirem alegria de viver. Não somos um grupo politicamente “engagé”. Cada elemento do grupo tem as suas ideias próprias. Um álbum como “Le Trésor de la Langue”, de René Lussier, isso sim, é trabalho com um belo conceito político.
P. – E os grupos folk canadianos que começaram um pouco antes da Bottine, como os Harmonium, Séguin ou Cano, conhecem?
D. F. – Fazem parte da nossa cultura, embora nunca tenhamos contactado com eles. Os Beau Damage eram um grupo maravilhoso dessa época. Não nos sentimos, de modo nenhum, isolados. Todos os anos, em Dezembro, fazemos uma digressão pelo Quebeque, em salas regionais.
Y. L. – Falta dizer que a música do Quebeque se encontra, mais ou menos há dez anos a esta parte, num marasmo. O que está na moda são os espectáculos com humoristas, as pessoas gostam de rir. O contexto actual torna difícil a existência de verdadeiros músicos no Quebeque. Os jovens estão a afastar-se da música tradicional e uma das causas é a rádio. Quanto a nós, já existimos há 23 anos e, por isso, gozamos de uma certa reputação, as salas em que tocamos costumam estar cheias.
Quando contratámos os músicos que tocam os metais, houve uma certa recusa, as pessoas consideravam-nos ainda como a banda que éramos nos anos 70, mais puristas e próximos da “real thing”. Mas, finalmente, chegados aos anos 2000, a Bottine é um grupo acarinhado. No estrangeiro foi mais fácil, há um público mais recente que não conhecia o nosso passado.
P. – Como é que trabalham a esse nível, na ligação dos metais com o reportório tradicional?
J. F. – É o Denis que faz todos os arranjos, antes tocou muita salsa. Está no grupo desde 1986 e a ele se deve a ideia de introduzir os instrumentos de metal na banda.
Y. L. – Ele e eu fizemos parte de um grupo anterior aos La Bottine, completamente diferente. E fora do contexto do Quebeque. Tocávamos música italiana, judia e indiana.
P. – Há pouco, negaram qualquer envolvimento político, mas a verdade é que já tocaram há uns anos em Portugal, na Festa do “Avante!”
Y. L. – Ao princípio nem sequer sabíamos que pertencia ao Partido Comunista, pensávamos que se tratava apenas de uma festa onde eram apresentados vários estilos de música. No Quebeque não existe nenhum partido comunista. Lembro-me, pelos jornais, de todo o folclore, em torno das bandeiras com a foice e o martelo… Na Europa é vulgar a luta entre o comunista e o capitalismo, politicamente é interessante, mas a verdade é que, no Quebeque, não acontece nada disso.
P. – É verdade que têm em Marcel Bordeleau um especialista na acústica dos sapatos?
Y. L. – Sim, já usou umas solas de plástico que tinham um bom som, mas que acabaram por se partir. A sua descoberta mais recente são uns tacões de metal, ideais para bater no estrado. É um talento natural…
P. – Os músicos dos La Bottine são verdadeiros “amantes da garrafa”? O álbum tem várias faixas dedicadas ao tema…
J. F. – Sim, sim, no meu caso até faço vinho. Também já fiz cerveja… Na tradição do Quebeque o tema da bebida é frequente. Como o clero e as mulheres…