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16/04/2015

Blue spot o meu electro azul [Festival Blue Spot]



Y 23|NOVEMBRO|2001
música|festival

blue spot o meu electro azul

Pelo 4º ano, o Porto recebe o festival Blue Spot.

Um evento de músicas eletrónicas que conta este ano com os 4 Hero, Rinôcérôse, Kid 606 e Mouse on Mars.
artigo conjunto de Fernando Magalhães e Vítor Belanciano.
FM assina os textos:

khan

Também proveniente de Colónia, mas turco de nascimento, chega Khan, aliás, Can Oral, também conhecido como El Turco Loco, o mesmo nome que atribui à sua companhia discográfica. Can Oral (o nome soa pornográfico) foi companheiro de apartamento de Jimi Tenor, fez tecno e cultivou os germes da cena illbient, exercendo um indiscutível fascínio no pessoal, já de si pouco “normal”, das editoras Fat Cat e Ninja Tune. Aprendeu com os anos 80, identificando-se com as suas margens mais daninhas, dos Contortions a Lydia Lunch, dos Einsturzende Neubauten aos Pere Ubu, dos The Gun Club aos Public Enemy. E com Diamanda Galás, “Miss Peste”, que, apesar do seu ódio visceral aos turcos, não se escusou a participar como convidada no mais recente álbum de El Turco Loco, “No Comprendo”. Da mesma forma que não é fácil compreender a mistura musical deste idiossincrata que tanto amolga o lounge, a new wave e a música industrial como passeia de mãos dadas nos jardins edénicos de Julee Cruise.

kid606

Génio ou “hype”? Depende do ponto de vista pelo qual se analisa a ascensão deste quase adolescente de origem Venezuela que nasceu para dialogar com os computadores e com eles fazer uma música com tanto de dilaceração como de humor. O puto 606 já se apresentou no Número Festival do ano passado, assinando uma performance onde a matemática andou de mãos dadas com o caos. É um mestre do ruído mas também da articulação surrealista de fontes sonoras que combinam numa simbiose bizarra os “found sounds”, a samplagem em registo de esquizofrenia e as linguagens programáticas do computador, organizados em forma de assalto aos sentidos em álbuns como “Down with the Scene” ou “PS I Love you”. Kid606 é um tecnicista dos chips, um iconoclasta das civilizações em colapso, profeta do sado-masoquismo monitorizado. Mas talvez não passe de um puto reguila em quem o espírito punk continua vivo e cujo principal fito é desancar as convenções. Consta que em alguns dos seus espetáculos lança objetos para o público.

mouse on mars

Provavelmente nenhum outro grupo da nova cena eletrónica alemã conciliará com tanta eficácia e criatividade o experimentalismo e uma faceta lúdica como os Mouse on Mar MOM, dupla de Colónia (berço de krautrockers pioneiros como os Can) constituída por Andi Toma e Jan St. Werner. Na sua anterior visita a Portugal, decerto entusiasmados com a onda de entusiasmo que então se gerou à sua volta, desbundaram na maquinaria, produzindo uma sucessão infatigável de grooves e breakbeats que terá pecado por demasiada vassalagem às dance floors e menor cuidado na exploração da vertente mais abstrata do grupo, presente em álbuns essenciais, clássicos da eletrónica contemporânea, como “Iaora Tahiti”, “Niun Niggung” ou o novo e orgulhosamente autista “Idiology”. Alemanha, séc. XXI, com os Mouse on Mars, as máquinas reaprenderam a sorrir.

28/08/2014

Criaturas do submundo [Pan Sonic]



Y 24|Novembro|2000
multimédia|capa

pan sonic

Criaturas do submundo

MÚSICA ELETRÓNICA, ano 2000. À superfície vêem-se luzinhas a piscar, samplers luzidios, bits em amena cavaqueira numa rave global de house, drum ‘n’ bass e breakbeats sintetizados numa pastilha que faz ver o mundo como um arco-íris de “grooves”. Os monstros habitam mais abaixo. Desçamos ao submundo. Num dos estratos mais lamacentos esconde-se o consultório dos finlandeses Pan Sonic, electro-doméstico avariado que perdeu pelo caminho a letra “A”: Mika Vainio e Ilpo Väisanen, cirurgiões de mil aberrações, colecionadores de vísceras de ciborgues, técnicos do metal mal condutor. Criaram um corpo mutante a partir dos restos da música industrial psico-mágico-totalitária dos Throbbing Gristle, do desconstrutivismo niilista dos Einstürzende Neubauten, do Black & Decker pós-new wave dos Suicide e da linha de montagem de homens-máquinas dos Kraftwerk. A música daí resultante assalta os sentidos e provoca infeções nos ouvidos e no cérebro, como poderão confirmar todos os que assistiram ao seu concerto, em Cacilhas, no âmbito do festival Reset!. A música dos Pan Sonic, dos álbuns “Vakio”, “Kulma” ou “A”, com Alan Vega, ex-Suicide, em “Endless”, ou nas apresentações ao vivo, não se ouve. Sente-se. Numa cave mal iluminada onde a dor é elétrica e parece não ter fim.
            De Kid606, jovem de 21 anos que se estreou em disco com “PS I Love You” mas envolvido já numa multiplicidade de projetos ligados à música eletrónica e à informática não se espere igualmente palmadinhas nas costas. O puto delira com a utilização de samplers e computadores em curto-circuito para infligir choques elétricos e outras agonias aconselháveis aos que já não dispensam ser estimulados pelas agulhas dos Tone Rec e Dat Politics. Click-house epilética cortada por um falso ambientalismo que transporta para o novo milénio digital a “metal machine music” de Lou Reed.
            Outro enviado do demónio dissimulado nos “grooves” da dança é Richard H. Kirk. Hoje mais “civilizado” do que quando nos Cabaret Voltaire enferrujava os alicerces da pop eletrónica com a música industrial e as técnicas de “cut-up” sonoro e ideológico.
            Atitude mais lúdica tem o trio Chicks On Speed. Nelas, a arte-pop, o artificialismo e a ironia confundem-se com música electro, performance e pós-punk. Definem-se como grupo de arte conceptual, mas no álbum “Will Save Us All!” colavam com cuspo e fita cola música experimental de Viena com pop à B-52’s, electro dos anos 80 com terrorismo sónico. Sabem estar com o mesmo à vontade nas cosmopolitas galerias de arte, nas salas de concertos e nos clubes de música de dança. Figuras coloridas do “show business”, participam nele com o propósito de o modificar. Como um número de circo a tapar a subversão.

27/08/2014

Kid606 - PS I Love You



Y 17|Novembro|2000
escolhas|discos

KID606
PS I Love You
Mille-Plateaux, distri. Ananana
08|10

Nascido há 21 anos na Venezuela, Kid606 estabeleceu-se na Califórnia, onde vive agarrado a um sampler e desenvolve projetos paralelos na área da informática e da música, como Tigerboy, Kid606, Scsi Bear, Compact Digital Audio, Ariel e Matmos. “PS I Love You” é um agregado corrosivo de sonoridades tecno, house, click-house e electro experimental que desenvolve algumas das premissas lançadas pelos Tone Rec, Dat Politics e Pan Sonic, sem, contudo, atingir as fronteiras da inaudibilidade destes projetos. Twirl” é uma interessante convergência em aço pontiagudo da tecno com o krautrock, “Sometimes” um espaço de ruído rosa, “Now I wanna be a cowboy” uma amassadela a la Funkstörung e “Strum” minimalismo de metal como fazia Robert Merdzo. O apocalipse sónico está reservado para o final, “Fuck up everything you can before you plan on slowing down” – “Metal Machine Music” para a era digital.