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13/05/2026

BBC, quem te ouviu e quem te vê [V/A "In Concert"]

 

PÚBLICO QUARTA-FEIRA, 20 NOVEMBRO 1991 >> Pop Rock

 

BBC, QUEM TE OUVIU E QUEM TE VÊ

 

A editora e distribuidora inglesa Windsong assegurou os direitos de edição das gravações ao vivo arquivadas pela BBC, registadas nos programas Vast in Concert, Sight and Sound e Whistle Test. O acordo entre as duas companhias prevê o lançamento de uma média de quatro álbuns por mês, no formato CD, durante um período de cinco anos. A Windsong assegura o pagamento de direitos de autor de todos os artistas envolvidos. Em Portugal, os discos serão distribuídos pela Anónima.

 

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Para a BBC, o acordo significa a oportunidade de lançamento no mercado de novos produtos associados ao seu nome, com a vantagem adicional de, deste modo, lutar contra a edição de discos piratas contendo gravações daqueles programas, o que tem acontecido até agora. Do lado da Windsong, é o alargamento das suas atividades editoriais, mantidas em “low profile” até ao presente.

Integram o primeiro lote de CD, da série “In Concert”, os Family, Caravan, Wishbone Ash e Alex Harvey Band (outubro) e Hawkwind, Nazareth e Echo and the Bunnymen (novembro). O preço de venda ao público é de £ 6.08 cada CD (cerca de mil e 500 escudos).

Os Family foram uma das bandas que ao longo dos anos 70 conheceram um sucesso relativo. À semelhança de outras formações nascidas à saída dos “sixties”, os Family criaram raízes nos “rhythm ‘n’ blues”, daí partindo para a inevitável saga “progressiva” que haveria de marcar a primeira metade da década de 70. Roger Chapman, um “animal de palco” senhor de um inacreditável “falsetto” vocal, constituía o principal foco de atração de uma banda que para a posteridade deixou álbuns que ainda hoje merecem ser reescutados, entre eles “Music in a Doll’s House” e “Anyway”, ou canções que ainda hoje se relembram: “Me my friend” e “Weaver’s answer”, esta incluída no presente CD, gravado em 1973 nos estúdios da Radio One.

Banda emblemática do núcleo experimental/psicadélico de Canterbury, os Caravan são apresentados num concerto realizado no “Théâtre de Paris”, datado de 1975, com a formação clássica Mike Wedgewood, Richard Coughlan, Geoff Richardson, Pye Hastings e David Sinclair. O CD inclui quatro temas longos, incluindo as versões dos hinos psicadélicos “Love in your eye” e “For Richard”. Pretexto para procurar dois discos lendários, “If I could do it all over again, I’d do it all over you” e “In the Land of Grey and Pink”.

Houve quem considerasse Andy Powell e Ted Turner, dos Wishbone Ash, dois grandes guitarristas de rock que passaram ao lado da glória. Chegaram a dar brado na crítica musical inglesa os seus duetos de guitarra. Numa época, 1972, em que o termo “guitar band” ainda não fora inventado, os Wishbone Ash avançavam em força com o conceito “double lead guitar”. Vale a pena recordá-los na versão alongada de “The Pilgrim”, incluída em “Argus”, o seu melhor álbum de sempre.

Os Alex Harvey Band, em registo de 1973, no “Hippodrome”, passaram de forma discreta pela pop. Valia a Alex Harvey a comunicação que conseguia estabelecer com as audiências, em parte facilitada pelo consumo exagerado de álcool. O “pub rock” extravasado para a sala de concerto. O rock ‘n’ roll na sua expressão mais simples e imediatista. A horda “heavy” já espreitava, enquanto se divertiam os “amigos de Alex”.

Ainda vivos e de saúde, os Hawkwind eram em 1972, ano da gravação deste concerto, um dos mais respeitados representantes do “cosmic rock” britânico. Quem nunca folheou de olhos em bico o célebre livrinho de “In Search of Space”? Hippies, futuristas e completamente loucos, os Hawkwind alinhavam ao lado dos Amon Düül II e dos Gong (este em versão “pot”) na grande desbunda cósmica encetada pelos Pink Floyd. “Space fantasy”, osciladores e LSD numa combinação explosiva que levou a noção de “acid jam” às últimas consequências. Títulos como “Brainstorm”, “Masters of the Universe” e “Silver Machine” dizem tudo. A colaboração com o autor de “sci-fi”, Robert Moorcock, e o sax alucinado de Nick Turner constituíam o toque de estranheza extra, numa banda que o baixista Lemmy levaria à “zona do metal” e à formação dos Motorhead.

Quanto aos Nazareth, “apanhados” em flagrante delito nos estúdios da Radio One, é suficiente referir que faziam, à época, 1972-73, bastante barulho. “Razamanaz” e “Rampant” são títulos que por si só nos zurzem os ouvidos.

Por último, uma banda e gravação mais recente, os Echo & The Bunnymen, liderados pela voz e guitarra de Ian McCullough, como soavam há três anos atrás, no “Empire Theatre” de Liverpool. Guitarras e canções de sabor psicadélico foram a fórmula que encontrou eco nas multidões.

Para os apreciadores de música ao vivo, durante os próximos cinco anos, é “fartar ó vilanagem”.

24/04/2018

Hard-rock um género negligenciado (brotherjames)



Fernando Magalhães
29.05.2002 150320

Os HAWKWIND não eram uma banda de hardrock mas de "space rock". Os MOTORHEAD, formados por Lemmy (ex-Hawkwind), sim.

Já se escreveu várias vezes sobre eles aqui. A Mojo, se não estou em erro, dedicou-lhe recentemente um extenso artigo.

A música dos Hawkwind era uma mistura de trip de ácido estragado com Ficção-Científica e "Space fantasy". Longos temas de rock cósmico, furioso e psicótico, em alternância com baladas não menos maradas. Ring modulators, synths ora planantes ora maquinais + o sax vandergraffiano de Nik Turner.

Passaram pelos Hawkwind músicos notáveis, como Eddie Jobson (depois nos Roxy Music, Frank Zappa, etc), Tim Blake (mago dos sintetizadores dos Gong) e Ginger Baker (baterista dos Cream e, mais tarde, jazzman de nomeada...)

Álbuns clássicos: "Hawkwind" - trip de mescalina. A ouvir com cuidado.

"X In Search of Space" . o álbum clássico para viajar até às estrelas...

"Hall of the Mountain Grill" - próximo do hard rock, sim...com muita eletrónica e riffs um pouco infantis mas poderosos.

"Warrior on the Edge of Time" - o álbum conceptual, mais trabalhado, progressivo e complexo da banda, cheio de eletrónica, mellotrons e imaginário "sci-fi".

"Levitation" (já dos anos 80), com G. Baker e Tim Blake - é o álbum mais eletrónico da banda.

Também se recomendam os 2 álbuns a solo de um dos elementos ligados ao grupo, ROBERT CALVERT, com a participação num deles, de BRIAN ENO.

A história é mais extensa (bastante mais...) mas escasseia-me o tempo...

Quanto aos PINK FAIRIES eram sobretudo uma banda de "pub rock". Hard, sem dúvida...

Mas as bandas clássicas de hard rock dos anos 70 são: LED ZEPPELIN, URIAH HEEP, DEEP PURPLE, TEN YEARS AFTER.

Há uma obra-prima do hard-rock progressivo/psicadélico que recomendo vivamente, uma das peças-chaves dos anos 70, um álbum por muitos considerado mítico: "It'll all Work out in Boomland" dos T.2 (1970).

riffs de guitarra espantosos + mellotron + canções de LSD + pormenores canterburyanos a la Soft Machine + energia avassaladora.

Outro álbum de hardrock recomendável, de uma banda desconhecida, é "Clear Blue Sky", do grupo com o mesmo nome.

Mas há muitas mais bandas importantes, tanto inglesas como americanas. Queres lista? :D

FM

26/07/2008

"Strip-tease" no espaço [Hawkwind]

Pop Rock

17 de Abril de 1996
reedições poprock

“Strip-tease” no espaço

HAWKWIND
Hawkwind (7)
In Search of Space (7)
Doremi Fasol Latido (6)
Space Ritual (7)
Hall of the Mountain Grill (7)
EMI – Premier, import. Lojas Valentim de Carvalho

“Demos o passo em falso há anos”, “We took the wrong step years ago”, uma das faixas do álbum “In Search of Space”, de 1971, podia servir de legenda para a viagem sem tino nem regresso, mas sempre bem regada a ácido, dos Hawkwind, argonautas do “space rock”, de 1969 até aos nossos dias. As actuais reedições, remasterizadas, dos cinco primeiros álbuns da banda incluem temas extra e vêm embaladas em formato “digipak” multidesdobrável.
“Hawkwind”, de 1970, apresenta uma banda paranóica, onde as referências à ficção científica se diluem na angústia de experiências sonoras que devem tanto ao “rhythm’n’blues” como ao “acid-rock” californiano e à desbunda electrónica fora de controle. Uma mistura de caos, drogas, energia sexual e literatura que situou os Hawkwind algures nas proximidades dos Amon Düül II, de “Phalus Dei”. A capa é considerada uma das mais “tripantes” da fase inicial do progressivo.
O álbum seguinte, “In Search of Space”, encontra o grupo em plena “trip” cosmocomunitária, com raízes na “Heroic fantasy”. Relevo para “You shouldn’t do that”, 16 minutos de descolagem de uma nave espacial com o motor gripado, com a guitarra saturada de Dave Brock a sufocar os soluços do saxofone de Nik Turner (uma espécie de David Jackson, dos Van Der graaf, mais primitivo), enquanto Dik Mik e Del Dettmar se entretinham a carregar nos botões e cursores do “áudio generator” e do sintetizador VCS3. As apresentações ao vivo contavam ainda com a dança “ritual” de Stacia, uma “stripper” que acabava invariavelmente nua em palco. “Adjust me”, com vozes em aceleração de rotações, “We took the wrong step years ago”, balada psicadélica de ressaca, e o precursor das ondas “heavy”, “Master of the universe”, conferem a este disco uma mística estranha para a qual muito contribui o livrete delirante que acompanhava a edição original e a presente reedição teve o cuidado de reproduzir.
“Doremi Fasol Latido”, de 1972, é uma “colecção de “hinos espaciais” e “canções de batalha”, pesados, monocórdicos e hipnóticos, quase velvetianos, na brutalidade e nas estruturas repetitivas e massacrantes das guitarras.
No mesmo ano foi editado o duplo ao vivo “Space Ritual” – para muitos, o auge da estética “space rock”. Antigos e novos temas alinham-se numa progressão implacável de ritmos robóticos, “riffs” de guitarra na melhor tradição do “metal” (“Brainstorm”, um dos hinos do grupo), contorcionismos de electrónica em estado bruto e interlúdios de declamação pelo poeta Robert Calvert (autor de interessantes álbuns a solo na companhia de Brian Eno, como “Captain Lockheed and the Strafighters” e “Lucky Leif and the Long Ships”) e Michael Moorcock, escritor de “sci-fi” e guru da banda.
“Hall of the Mountain Grill”, de 1974, funciona como album de transição, que deixa patente o protagonismo de Simon House, nos teclados e violino, em ex-High Tide que trouxe para a música dos Hawkwind cambiantes de classicismo, juntando os “mellotrons” dos Moody Blues à electrónica estelar dos Tangerine Dream da “Alpha Centauri”, no tema “Wind of change”. Qualquer destes discos deve ser ouvido alto, muito alto.