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04/01/2019

Felix Kubin - Tetchy Teenage Tapes


28|FEVEREIRO|2003 Y
discos|roteiro

FELIX KUBIN
Tetchy Teenage Tapes
Skipp, distri. Matéria Prima
6|10

Vão-se rir mas é verdade: o génio alemão da pop eletrónica com legitimidade para se considerar herdeiro de Holger Hiller gravou “Tetchy Teenage Tapes” quando tinha entre 11 (!) e 18 anos. O Felix actual mostrou, no gozo, à editora as amostras dessas gravações efetuadas num gravador de quatro pistas com um sintetizador, um órgão caseiro, um computador de ritmos e um “dosophon” (set de bateria composto por latas de doces vazias) e que os tipos gostaram. A verdade é que foi graças a este trabalho pioneiro que, por volta de 1983, em plena “neue deutsche welle” (“new wave” alemã), surgiu em Hamburgo um movimento de bandas juvenis “underground” de eletrónica com nomes singelos como Voll Die Goennung, Intensive Styroporsymbole, Rekonstruirtes Relativpronomen e Universum. “Tetchy Teenage Tales” prova, por outro lado, que a eletrónica mais lúdica que hoje se faz pouco evoluiu desde então. Descontando a voz imberbe, as programações-pipoca e melodias arrumadas entre os Yello, os Der Plan e os Human League, é o mesmo Kubin excêntrico que encontramos, com uma frescura que os Nova Huta, Oleg Kostrow e Sergej Auto se encarregaram de dissecar. E o electroclash afinal começou aqui.

22/12/2014

Assar o público num micro-ondas [Felix Kubin]



MÚSICAS

FELIX KUBIN ATUA NO LUX, EM LISBOA

ASSAR O PÚBLICO NUM MICRO-ONDAS

FELIX KUBIN VEM AO LUX PÔR DISCOS. PENSOU EM “HEAVY METAL” COREANO, SÓ QUE “A ORGANIZAÇÃO NÃO DEIXOU”. O PRIMEIRO PAR A SALTAR PARA A PISTA GANHA UM CRÂNIO ELETRIFICADO.

DA PRIMEIRA vez que atuou em Portugal, a bordo de um cacilheiro em pleno Tejo, o alemão Felix Kubin usou uma pose glam, tocou sintetizadores antigos, inspirou-se no monstro Godzilla e massacrou uma canção de Jane Birkin. No álbum de estreia que gravou para a editora de música eletrónica a-musik, “Filmmuzik”, Kubin recria alguns dos lugares-comuns de “dance music” e de “easy listening”. Bandas sonoras para filmes de animação experimentais cujas imagens também poderão ser vistas no Lux. O próprio Felix poderia passar por um “cartoon” que faz da música eletrónica gato-sapato. O gato Felix…
            PÚBLICO – Ao contrário da sua anterior visita a Portugal, desta vez vem apenas passar discos. Que discos e que tipo de música?
            FELIX KUBIN – A minha ideia era tocar “heavy metal” da Coreia. Mas os organizadores obrigaram-me a optar por uma música mais fácil. Não vou fazer nem uma coisa nem outra. Tenho uma quantidade de material experimental que poderei usar como ponte entre a geração de fãs do “heavy metal” e os apreciadores de “easy listening”. Fora isto, trago uma quantidade de música new wave alemã dos anos 80 e pop eletrónica “sci fi” contemporânea. Gostaria de alterar os fluxos químicos internos das pessoas de maneira a conduzi-las a um saudável estado de histeria, de os assar num micro-ondas. Deve-se começar sempre por aquecer o lado de dentro. Talvez no fim desatemos todos aos gritos e a dançar “noise” japonês. Ou talvez não… Nesse caso sentar-me-ei sozinho a um canto, atrás do gira-discos, a beber Vodka. Evidentemente, também passarei música da cena de Hamburgo e da editora Gagarin.
            P. – Faz distinção entre a cena de música de dança tradicional (djs, drum ‘n’ bass, etc) e a atitude mais intelectualizada de gente como os Mouse on Mars ou você próprio?
            R. – Bem, procuro sempre entender a função de um género musical específico. A música de dança serve para fazer mexer o corpo, senão arrisca-se a ser minimalista e monótona. É preciso chegar a acordo sobre determinadas estruturas rítmicas se queremos criar um “groove”. Claro que é uma sensação fantástica ver as pessoas a dançar a nossa música mas não me defino, enquanto músico, através do ritmo. Estou mais interessado em fazer canções, mesmo “experimentais”, porque funcionam como um poema. Numa canção nem tudo se concentra no “beat”, há também o humor, mudanças súbitas, etc. Também a agressão e a sexualidade podem ser elementos fantásticos, quando usados de forma positiva, como na música eletrónica punk.
            Muita da música de dança pretende transmitir uma carga sexual mas faz-me sempre lembrar um filme de zombies. Cada pessoa move-se, dança consigo própria. Em vez de pôr em marcha uma revolução cultural, agitam-se cada uma para seu lado. A comunicação é um fator importante. Gostaria de ver um par a dançar música indançável!
            P. – O seu álbum “Filmmuzik” foi composto como banda sonora de filmes de animação. Vai trazer algumas dessas imagens?
            R. – Vou apresentar três curtas-metragens. Duas delas são filmes de colagens experimentais, segundo uma técnica de animação de personagens reais, imagem a imagem. O terceiro é um videoclip animado, “Morgenroete” (“Aurora”), que realizei com a cineasta polaca Mariola Brillowska e que aparece em “Filmmuzik”.
            P. – “Filmmuzik” parece não se enquadrar no meio dos outros álbuns da a-musik, de nomes como Wabi Sabi, FX Randomiz, Schlammpeitziger ou L@N, adeptos de uma eletrónica mais “séria”. Como é que se sente nesta situação de “marginalidade”?
            R. – Gosto de todos os discos da a-musik. Prefiro as surpresas e os contrastes. A principal diferença entre mim e os artistas que mencionou está no facto de eles erem conceções diferentes sobre a estrutura dramática de um tema. Eu gosto de melodias e de temas curtos. Sou bastante impaciente, é essa a razão.

“Easy” num contexto “uneasy”

            P. – A sua música lembra, por vezes, Holger Hiller, um dos músicos alemães mais importantes dos anos 80. Conhece a sua música, álbuns como “Ein Bundel Faulnis in der Grübe”, “Oben im Eck” ou “As is”?
            R. – Sim, de vez em quando encontramo-nos para beber um copo. Há uns tempos atrás ele mudou-se de Londres para Hamburgo. Hloger também é um dos meus músicos favoritos e fui influenciado por ele. Ainda bem que falou dele, vou ver se não me esqueço de levar alguns discos dele comigo.
            P. – Outro nome fundamental da eletrónica alemão dos anos 80 é Kurt Dahlke/Pyrolator. Também é influenciado por ele?
            R. – Só os primeiros álbuns, de que gosto imenso. Tem uma personalidade diferente da minha, é bastante calmo e esotérico. Mas tem histórias espantosas para contar sobre a Neue Deutsche Welle (“new wave” alemã), o período histórico mais interessante da música alemã do início dos anos 80.
            P. – No concerto que deu no cacilheiro foi interessante a forma como usou e recriou alguns discos de “easy listening” num contexto experimental (o tema com Jane Birkin, por exemplo). Vai fazer algo semelhante no Lux?
            R. – Essa canção, onde usei um “loop” com a voz de Jane Birkin, já foi editada num dez polegadas pela editora escocesa Diskono. É um disco ruidoso, sem nada que ver com “easy listening”. O “easy listening” não é muito bem compreendido por muita gente. As pessoas acabam por gostar das mesmas porcarias que os pais ouviam em casa. Eu gosto de destruir a harmonia, colocando elementos “easy” num contexto “uneasy”. A maior parte da música de que gosto é desarmónica. Às vezes sento-me no quarto com vontade de ouvir discos de “easy pop” mas a verdade é que não encontro nenhuns. Uma tragédia!
            P. – Vai levar sintetizadores, groove boxes, caixas de ritmo para o Lux?
            R. – Vou levar o meu crânio eletrificado! Mexe-se e mete um medo dos diabos! O primeiro par de dançarinos vai levá-lo como prémio. Fora isso poderei usar um microfone para assobiar numa ou noutra canção. Assim a audiência fica menos nervosa. Como eu, aliás. Também poderei fazer publicidade aos meus discos e às minhas roupas.

FELIX KUBIN
LISBOA, Lux, 5ª feira, às 24h00
Entrada livre


ARTES | sexta-feira, 3 março 2000

13/10/2014

Messer Chups - Miss Libido



Y 18|MAIO|2001
escolhas|discos


MESSERCHUPS
Miss Libido 2000
Solnze, distri. Ananana
7|10

From Russia, with Fun. De novo, agora com um dos elementos dos Messer Für Frau Müller, Oleg Gitarkin, mais o seu grupo Messerchups. “Miss Libido 2000” dificilmente se distingue de “Allo, Superman!”, dos Messer. É a mesma pop eletrónica travestida de “easy listening”, mesclada de referências fílmicas ou à música de comerciais dos anos 50 e 60, imagens kitsch e trechos/colagens melódicas que insistem em não serem levados a sério. O que, há 35 anos, era em Raymond Scott trabalho árduo, visionarismo e um desfasamento genuíno em relação ao seu próprio tempo, é no russo Gitarkin piada estudada e ensaiada em laboratório. Funciona na mesma, mas a surpresa perdeu-se. O que não se perdeu foi a loucura, esta sim tão natural como tudo na sua personalidade, de Felix Kubin, o mais divertido e engenhoso entertainer do momento, que em 16 minutos do seu novo single (8/10), nos faz crer que a vida pode ser jogada como um “Game Boy”.