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10/09/2021

Folk no Fantas Sound

CULTURA
SEGUNDA-FEIRA, 21 FEVEREIRO 2005
 
Folk no Fantas Sound
 
            Milladoiro, da Galiza, e Fairport Convention, decanos da folk britânica, são as principais bandas que vão atuar no Fantas Sound, extensão musical que pela primeira vez serve de complemento, espera-se que não menos fantástico, do já mítico festival de cinema.
            Os Milladoiro, que já por diversas vezes atuaram em Portugal, são a instituição da música tradicional da sua região, com uma discografia imaculada que evoluiu de uma folk bastante ligada às raízes, em álbuns como “O Berro Seco” e “Galicia de Maeloc”, para uma progressiva classização que a partir do álbum “Castellum Honesti” transformou cada novo trabalho do grupo liderado por Xosé V. Ferreiros, Nando Casal e Antón Seoane, em verdadeiras sinfonias, como os recentes “Auga de Maio” e “O Niño do Sol”, onde os sons tradicionais são estilizados e arranjados de forma sofisticada sem perderem a sua ligação aos mitos e danças do passado. Concerto no dia 25.
            Os Fairport Convention são eternos. Já com 35 anos de atividade e duas vindas a Portugal a banda que inventou no final dos anos 60 o “folk rock” insiste em lançar novos álbuns e atualizar uma música que alia a eletricidade e o ritmo do rock às baladas tradicionais. Do grupo que gravou os clássicos “Liege and Lief” (ainda com Sandy Denny) e “Full House” apenas restam Simon Nicol e Dave Pegg, mais o violinista Ric Sanders (cuja técnica nunca fez esquecer a “verve” de Dave Swarbrick, que passou pelo período de ouro dos Fairport), Chris Leslie e Gerry Conway. Se a energia e o brilhantismo dos anos 60 e 70 nunca mais foram igualados, os Fairport Convention têm mantido, todavia, uma bitola de regularidade que evita que sejam considerados meros Velhos do Restelo. Há vida e humor nesta família de amantes da folk. Concerto dia 28.
            Este primeiro ciclo do Fantas Sound inclui ainda uma atuação acústica dos Xutos e Pontapés (dia 26) e o jazz do grupo do brasileiro João Bosco (dia 27). Um segundo ciclo de concertos apresenta o pop rock dos Mesa (dia 1), Maria Viana com blues (dia 2), o rock sinfónico dos Daemonia (dia 3) e mais pop rock pelos Plaza (dia 4). Todos os concertos são no Teatro Sá da Bandeira.

07/10/2019

Quem sabe para onde o tempo vai [Fairport Convention]


Y 11|JULHO|2003
roteiro|discos

FAIRPORT CONVENTION
Fairport Convention
8|10

What We Did on our
Holidays
9|10

Unhalfbricking
9|10
Island, distri. Universal



fairport convention
quem sabe para onde o tempo vai

No manifesto de intenções de “Fairport Convention”, álbum de estreia de 1968 da banda que viria a tornar-se a instituição da folk rock inglesa, pode ler-se: “What we played – The best of the singers-songwriters, music of almost suicidal variety, mind boggling complicated arrangements of ostensibly simple songs, anything that other groups wouldn´t touch”. Ainda com Judy Dyble e Martin Lamble (que viria a morrer num acidente de viação), “Fairport Convention” arranca para este rally com o que poderia ser um clássico dos The Byrds, “Time will show the wiser”, de Emitt Rhodes, e prossegue com “I don’t know where I stand”, título apropriado para uma vocalização frágil e tocante de Dyble, na linha do que faria nos Trader Horne. Álbum variado, integra influências da pop psicadélica, britânica e americana (como na delirante versão de “Jack O’Diamonds”, de Dylan, algures entre os Grateful Dead e os Jefferson Airplane), com Ashley Hutchings, futuro fundamentalista da tradição rural, a revelar inusitada destreza na escrita de coisas tão bizarras como “The lobster”. A reedição, remasterizada, inclui quatro temas extra, entre os quais “Suzanne”, de Cohen, e “Morning glory”, de Tim Buckley. Um clássico menor e, para os que apenas conhecem fases posteriores do grupo, uma surpresa estonteante.
            No ano seguinte, Alexandra Elene MacLean Denny, Sandy Denny, entrara já para o grupo, em substituição de Judy Dyble, fazendo de “What we Did on our Holidays” algo de especial que abre com o clássico que daria nome ao seu primeiro projeto fora do grupo, “Fotheringay”. Abrangendo ainda temas de Dylan (“I’ll keep it with mine”) e Joni Mitchell (“Eastern rain”), o psicadelismo, o “cajun” ou os “espirituais” (Denny a fazer de Joplin em “The Lord is in this place, how dreadful is this place?”), bem como um “Book song” de Ian Matthews, o álbum introduz o conceito de “folk elétrica” em “Mr. Lacey” ao mesmo tempo que aparecem os primeiros arranjos de tradicionais, entre os quais “Nottamun town” e “She moves through the fair”, prenúncio da direção que o grupo viria a seguir.
            “I’ll keep with mine” vale pela vocalização de Denny, em veia já explorada no álbum de 1967 de apresentação dos Strawbs, “All of our Own Work”, e “Meet on the ledge”, um original de Thompson, com aquele “swing” característico dos The Byrds que os Fairport tão bem adaptaram a uma inconfundível “britishnes”, figura na galeria dos melhores temas do grupo.
            Ainda de 1969, outra peça-chave, “Unhalfbricking”, título sugerido por Denny em mais do que provável estado de euforia etílica. “Genesis hall” ostenta a marca de uma voz em estado de graça. Poucas vezes Sandy Denny terá cantado como nesta canção de abandono, capaz de nos arrebatar naquele tom que apenas se encontrará, na música inglesa, em “I Want to See the Bright Lights Tonight”, de Richard e Linda Thompson. Denny que em “Si tu dois partir”, versão “cajun” e cantada em francês de um tema de Dylan, volta a abrir caminho ao “boom” do folk rock inglês dos anos 70, por bandas como os Steeleye Span, Matthews Southern Comfort ou Albion Country Band, e se mostra superlativa no jazzy “Autopsy”, onde está já tudo o que se pode encontrar na sua brilhante discografia a solo.
            O mantra de 11 min. e único tradicional do álbum, “A sailor’s life”, é apresentado pela cantora de “world” Sheila Chandra como contendo os genes da música de fusão, na síntese de 2000 anos de canto tradicional védico com os timbres e modos da música irlandesa. O mesmo que, sem que ninguém desse conta, e na mesma altura, também fizeram os Mr. Fox e que em “Liege and Lief” iria ainda mais fundo. Depois, foi neste disco que os Fairport contrataram a sua estrela, o violinista Dave Swarbrick, aqui ainda um dos convidados, a par de Ian Matthews, Dave Mattacks (baterista que marcaria a rítmica futura dos FC) e Trevor Lucas (pilar dos Fotheringay). Apesar de três originais de Dylan, “Unhalfbricking” apresenta, pela primeira vez, o estilo distinto que levaria os Fairport ao estatuto mítico de que ainda hoje gozam. Mesmo que Denny lançasse ao vento as dúvidas e a interrogação ao destino – que para si seria trágico – em “Who knows where the time goes?”. “Não receio o tempo”, canta. E é todo um tempo de beleza gloriosa que desaba sobre nós.

31/08/2016

Fairport Convention - Liege & Lief

Sons
2 Agosto 2002

FAIRPORT CONVENTION
Liege & Lief
Island, distri Universal
10|10

fairport convention
convenção dos deuses

Há álbuns que alteram o rumo da história da música. Álbuns como “Velvet Underground & Nico”, “Sgt. Pepper’s Lonenly Hearts Club Band” ou “Bitches Brew”. Álbuns que são semente, escândalo, choque, maravilha. “Liege & Lief”, dos Fairport Convention, é um deles. Charneira entre o folclore de velhos desdentados e velhas gaiteiras, mas ainda assim gloriosos na forma como foram transmitindo, ao longo dos séculos, a tradição oral, e a folk saída da imaginação de jovens urbanos e visionários, foi determinante na transição das sonoridades arcaicas da velha Albion para novoso modelos em que a ruralidade se eletrificou e revestiu dos ritmos, da atitude e, já agora, das paranóias do rock.
            “Liege & Lief”, em resumo, inventou o “folk rock”. A presente reedição, comemorativa dos 25 anos do grupo, depois de idêntica operação levada a cabo com “Full House”, faz finalmente justiça a esta obra-prima da música popular inglesa, limpando e remasterizando o som do original de 1969 e acrescentando-lhes um par de inéditos, dos quais se destaca a vocalização de Sandy Denny num tema que ressurgiria oficialmente no álbum seguinte, “Full house”, na voz de Dave Swarbrick.
            Para trás tinham ficado o fascínio pelo psicadelismo “west coast” de grupos como os Jefferson Airplane, evidenciado no álbum de estreia, “Fairport Convention”, mas também a vénia a Bob Dylan e já uma dose considerável de curiosidade pelas velhas danças “morris”, resultantes do interesse de um dos elementos fundadores do grupo, Ashley Hutchings, por esta forma de dança ritual, entretanto caída em desuso, nos dois álbuns seguintes, “What we Did on our Holidays” e “Unhalfbricking”.
            “Liege & Lief” nasceu de condições excecionalmente favoráveis. Congeminado no ambiente bucólico de uma mansão no Hampshire, em regime comunitário e ao abrigo do ambiente de criatividade e utopia característicos do final dos anos 60, beneficiou ainda da confluência de um “line-up” de exceção, onde pontificavam, além de Hutchings, o mais ortodoxo delegado da convenção, Richard Thompson, fenomenal guitarrista e compositor, Dave Swarbrick, violinista “virtuose” cujo estilo influenciou as gerações posteriores folk rock inglês e, acima de todos eles, a figura mágica e trágica de uma cantora que se tornaria num dos ícones da música inglesa: Sandy Denny – uma voz tão tocada pela graça de Deus como macerada pela personalidade tímida e insegura da sua dona.
            Em “Liege & Lief” tudo bate certo. Swarbrick e Thompson são os arquitetos do templo. Foram eles que transportaram para a folk um lado hipnótico equivalente ao que os Velvet introduziram no rock. “Come all ye”, “Matty groves” e “Tamlin” potenciaram tudo o que a folk tinha de dança ritual em cadências marcadas por crescendos épicos dos instrumentos eletrificados, o que deixou os frequentadores mais empoeirados da ilustre Cecil Sharp House à beira de um ataque de nervos mas, por outro lado, deu a conhecer ao público mais vasto do rock uma música tão forte e capaz de aguentar a pedalada do “show business” e dos tops de vendas, como qualquer outra. Mas se o violino e a guitarra comandavam os ímpetos incontroláveis do corpo, era a voz de Denny que provocava os arrepios da alma. Três canções de “Liege & Lief” raiam o sublime, trazendo à luz uma tristeza sem fim e uma beleza cuja intensidade se torna difícil de suportar: “Farewell farewell”, “The deserter” e “Crazy man Michael”. Qualquer delas expondo o íntimo de Denny na mais completa nudez.

29/08/2016

A máquina do tempo [6º Festival Intercéltico do Porto]

POP ROCK
Quarta-feira, 5 Abril 1995

A MÁQUINA DO TEMPO

Faltam dois dias para começar o Intercéltico. Os apaixonados pela folk preparam-se para viajar, com armas e bagagens, até ao quartel-general no Porto. De preferência, o mais perto possível do cinema do Terço, onde os concertos terão lugar. Estamos a falar dos peregrinos vindos das várias regiões do país, porque os portuenses, esses, estão em casa, prontos para acolher um dos acontecimentos culturais que, por força de um prestígio que se vem acentuando de ano para ano, é já um “ex-libris” da cidade, com projeção no resto da Europa. Neste ano, vêm os Realejo, Boys of the Lough, Skolvan, Fairport Convention, Luar na Lubre e Four Men and A Dog. Lisboa vai ter uma amostra.

tem sido assim desde o início. Cada vez com mais expressão. O Festival Intercéltico, neste ano na sua sexta edição, transforma as pessoas e os lugares. Aproxima os sons e as culturas. Redimensiona o tempo e convoca as memórias. Dá voz ao futuro. Tudo em nome de uma música, ou talvez algo mais, de uma particular conceção do mundo que, por todo o planeta, encontra um número de adeptos cada vez mais numeroso. Uma conceção do mundo como lugar de encontro, como unidade que se alimenta e enriquece da multiplicidade de culturas e do diálogo recíproco entre visões e conceções singulares que se complementam.
            A música folk, ou tradicional, ou étnica, ou o que lhe quiserem chamar, não é, nunca poderá ser, apenas um género, uma moda, um objeto de consumo, como alguns – ofuscados pela possibilidade da descoberta de uma nova galinha dos ovos de ouro – pretendem que seja e se apressam a empacotar, construindo para ela os mais belos aviários.

Profissionais da magia

            Não é isto a folk – vamos chamar-lhe assim, para simplificar – mas sim uma música que tem sabido resistir a ser considerada apenas como mais uma moda passageira e a todas as investidas e aliciamentos lançados pela indústria. Quem lhe franqueia as portas entra num outro lugar, de onde não voltará a ter vontade de sair e a partir do qual passará a olhar a realidade com outros olhos. O Intercéltico, as pessoas que fazem o Intercéltico – desde a produção, realização e divulgação, assegurados, com sempre, pela MC-Mundo da Canção, dando mais uma vez corpo a uma iniciativa do Pelouro de Animação da cidade, da Câmara Municipal do Porto, até ao público que enche as salas e sem o qual não existiria o ambiente de pura magia que se tornou numa das características mais aliciantes do festival – sabem tudo isto. Sentem tudo isto. O Festival está hoje completamente profissionalizado, é um facto, mas, por detrás da máquina, pulsa um coração. Um coração que, de há cinco anos a esta parte, por altura da Primavera, bate mais depressa e com mais força.

A eterna questão

            Durante três dias, de sexta a domingo, vão passar pelo Terço alguns dos nomes mais importantes da música folk europeia atual. Neste ano, o cartaz anuncia, por ordem de entrada, os Realejo, Boys of the Lough, Skolvan, Fairport Convention, Luar na Lubre e Four Men and A Dog. Se, em anteriores edições, o programa foi pensado e estruturado em obediência a uma unidade temática (a Bretanha em 1991 ou a folk no feminino, no ano passado), a escolha dos participantes deste ano corresponde a uma certa descompressão, livre de compromissos, estéticos ou de atitude. Em vez disso, a ideia é dar a conhecer e pôr em confronto perspectivas plurais sobre a eterna questão: modernizar ou conservar? Traduzir ou transcrever? Adaptar ou modificar? Aprofundar ou aligeirar?
            A resposta para esta e outras questões até poderá ser encontrada num outro quadro de referências. A linearidade não existe, nesta música para a qual o tempo se molda numa malha de contornos e texturas difíceis de definir. No editorial do programa – o já tradicional “livrinho”, em cada ano com uma cor diferente, que apetece ter e devorar –, pode ler-se sobre a “necessidade de assumir, com rigor e enraizamento, relações interculturais determinadas pelo diálogo fundamentado no respeito mútuo entre os povos. Sem fusões (que normalmente não são mais do que confusões) formalistas nem preocupações ‘world-mercantilistas’, mas antes como ‘cor’ cuja universalidade reside justamente na sua especificidade própria, enraizada e, como tal, identificadora”, Os genuínos amantes da música tradicional, irmanados no sonho – e no ato – de desvelarem uma ilha dos amores que se estenda pelo mundo inteiro, não renegam para afirmar. Sabem que as princesas, os feiticeiros e os dragões apenas mudaram de forma, de castelo e de vestuário. Rompem preconceitos e neblinas. Viajam na máquina do tempo.

Reflexões, entre o musgo e o granito

            Ao lado dos concertos vão estar as chamadas atividades paralelas. Como não podia deixar de ser. Neste aspeto, o Intercéltico funciona como uma espécie de seminário, sem testes nem exames (embora, quem quiser, possa pòr-se à prova...) onde o termo “cultura” se confunde com “festa” e “celebração”. Os diversos itens incluídos são de molde a satisfazer, a vários níveis, o interesse e a curiosidade crescentes que o grande público vem dedicando a esta área e, em particular, ao festival.
            Assim, neste ano, haverá, no sábado, a partir das 16h, nos jardins do cinema do Terço ou, se o tempo não o permitir, numa sala do castelo de Santa Catarina, um debate subordinado ao tema “A imprensa folk europeia”. Nele vão estar presentes, além dos portugueses, jornalistas de conceituadas publicações estrangeiras, como a “Folk Roots” inglesa, representada por Andrew Cronshaw, a “Trad. Magazine”, francesa, por Phillipe Krumm, a “The Living Tradition” escocesa, por Pete Heywood, e a “Ghaita” galega, por Antonio Alvarez, além do jornal galego “A Nosa Terra” que se fará representar pelo já indispensável, nestas andanças intercélticas, Xoan M. Estevez.
            No domingo, terá lugar uma “escapada intercéltica”, com partida do castelo de Santa Catarina, às 10 horas da manhã. O passeio inclui uma visita à Citânia de Briteiros, “para um reencontro com o nosso passado celta, num espaço de reflexão céltico-filosófico temperado pelos granitos e pelos musgos seculares” e um “repasto celta” no alto da Penha, em Guimarães, com cozinha tradicional minhota, seguido de um “passeio digestivo-reflexivo” pela cidade ou, em alternativa, uma visita ao Museu Martins Sarmento, onde poderão ser apreciados vestígios celtas das citânias de Briteiros e do Sabroso.
            Para os mais sedentários, não faltarão, no “hall” do cinema do Terço, a habitual banca de discos e a projeção de diapositivos e filmes alusivos à temática do festival. Ao longo de todo este mês e até princípios do próximo, estará ainda patente, no mercado Ferreira Borges, uma exposição sobre José Afonso, “Andarilho, poeta, cantor”.
            Agora é arrumar as malas e partir. No Intercéltico, a viagem promete terminar no infinito.


6º Festival Intercéltico do Porto
REALEJO • BOYS OF THE LOUGH
SKOLVAN • FAIRPORT CONVENTION
LUAR NA LUBRE • FOUR MEN & A DOG
Cinema do Terço • Porto • 21h30

Noites folk na Aula Magna
BOYS OF THE LOUGH
FAIRPORT CONVENTION
Aula Magna • Lisboa • 22h00


FAIRPORT CONVENTION

OS FAIRPORT CONVENTION, muito mais que um simples grupo folk, são uma instituição. O seu maior feito é a invenção do “folk rock”. Outro é o facto de ainda existirem, mantendo uma vitalidade e uma teimosia que são de assinalar. Os Fairport Convention são ainda os detentores do maior título de sempre para uma canção, devidamente registado no “Guiness”: “Sir B. McKenzie’s daughter’s lamente for the 77th mounted lancer’s retreta from the Straits of Loch Knombe, in the year of Our Lord 1727, on the occasion of the announcement of her marriage to the laird of Kinleakie”. Além disso, o grupo é um manancial de memórias, atravessando épocas e correntes, sempre com a mesma integridade, o que lhe tem permitido ultrapassar obstáculos e tentações – o mesmo já não se podendo dizer em relação a um certo esgotamento de ideias, aparente sobretudo na sua obra discográfica a partir dos anos 80.
            Pelos Fairport Convention – uma banda que começou por tocar canções de Bob Dylan antes da descoberta da música tradicional do seu país, a Inglaterra – passaram nomes que ainda hoje fazem história: Ashley Hutchings, pai do “morris rock” (designação agora inventada); Richard Thompson, o guitarrista depressivo que alinha com os Pere Ubu e os Golden Palominos; Ian Matthews, o baladeiro que emigrou para a América; Dave Swarbrick, o grande-mestre do violino que solava com o cigarro ao canto e se viu obrigado a abandonar o grupo sob pena de ficar surdo; Dave Mattacks, também muito solicitado pelos grupos alternativos, e Dave Pegg, hoje nos Jethro Tull, os dois sustentáculos rítmicos da banda; Ric Sanders, outro violinista de exceção, elemento dos Soft Machine e ex-Albion Band... Para o fim ficou a lenda, Sandy Denny, a cantora de voz inimitável, dama das damas da folk britânica, tragicamente falecida no ocaso dos anos setenta – uma voz que se revelou nos Strawbs, explodiu nos Fairport, amadureceu nos Fotheringay e se pôs à prova no álbum dos quatro símbolos dos Led Zeppelin.
            A história dos Fairport Convention confunde-se com a da própria folk inglesa ao longo das últimas três décadas. O grupo tornou-se um ponto de referência, pelo modo criativo como quase sempre conseguiu conciliar a energia do rock com a vertente tradicional. Vale a pena mencionar os concertos de aniversário celebrados anualmente com a participação de convidados. Num deles, por acaso transmitido há anos na televisão portuguesa, recorda-se as canções de Richard Thompson, a prestação desastrosa – creio que numa delas – de June Tabor (foi na fase em que andava nos Oyster Band...) e os gloriosos despiques de violino travados entre Ric Sanders e Dave Swarbrick. Lambra-se ainda uma atuação memorável dos Fairport Convention, numa das primeiras edições da Festa do Avante! Tronco principal de uma genealogia extensa, os Fairport Convention estão na origem de projetos como os Steeleye Span, Matthews Southern Comfort, Fotheringay, Albion Band, Whippersnapper, Sour Grapes e The Bunch.
            Entre a discografia dos Fairport Convention, contam-se alguns clássicos. Nos anos 60, “Liege & Lief”, de 1969, considerado por muitos uma das obras-primas de sempre do folk-rock britânico. Na década seguinte, o destaque vai para “Full House”, de 1970 – talvez ao mesmo nível de “Liege & Lief”, com um trabalho fabuloso, enquanto instrumentista e vocalista, de Dave Swarbrick –, os conceptuais “Babbacombe Lee”, de 71, história de um inocente condenado à morte, salvo por milagre após três falhas consecutivas da forca, e “The Bonny Bunch of Roses”, de 77, sobre as guerras napoleónicas, além de “Tippler’s Tales”. A década de oitenta vale por “Expletive Delighted”, de 86, um álbum totalmente instrumental. A partir daí, os discos escutam-se com a simpatia e o respeito que a banda merece. Quanto ao novo “Jewel in the Crown”, ainda não houve oportunidade de o escutar. As boas notícias são que, no Intercéltico – e em Lisboa, na Aula Magna –, os Fairport Convention irão tocar clássicos como “The Lark in the Morning”, “Dirty linen”, “Sir Patrick Spens”, “Crazy man Michael”, “Matty groves” e “Meet on the ledge”.


BOYS OF THE LOUGH

ESTÃO PRESTES A ATINGIR trinta anos de carreira, o que faz dos Boys of the Lough uma das bandas de maior longevidade no ativo. Nasceram em 1967, no mesmo ano que os Fairport Convention. Registe-se a coincidência de estas duas bandas já terem tocado na Festa do Avante!, sendo ainda as únicas que, além do Intercéltico, vão atuar no próximo fim-de-semana na capital.
            De início, as influências vieram da América, por via de Leadbelly e Woody Guthrie, da Inglaterra, por via do “folk rock” dos Fairport, Steeleye Span ou dos mais antigos Watersons, e da Irlanda, por via dos Clancy Brothers e Chieftains. Deste emaranhado, os Boys of the Lough evoluíram para uma música que junta as tradições da Irlanda, da Escócia e das ilhas Shetland. A posição do grupo em relação à música tradicional é explicada em termos bastante claros por Aly Bain, o virtuoso do violino Shetland: “Desde o início que nos comprometemos a manter o modo tradicional, tocando sem interferir muito com os cânones (...). Pode pensar-se que tocar da maneira como sempre foi tocada a música tradicional é mais fácil, mas é mais difícil do que fazer arranjos. É mais difícil tocá-la como sempre foi tocada do que modificá-la”. “Lembro-me de, uma vez, Karl Dallas [jornalista do ‘Melody Maker’] nos ter perguntado quando é que íamos passar para os instrumentos elétricos. Mas eu nunca entendi isso como sendo uma evolução. De facto, penso que significa precisamente o contrário”. O que não impediu que os Boys, no seu mais recente álbum, “The Day Dawn”, já com distribuição portuguesa, dedicassem alguns temas às tradições “célticas” do Norte da Europa, em particular às de Inverno. Outro “virtuose” do grupo é o flautista Cathal McConnell, irlandês, campeão aos dezoito anos, neste instrumento e no “whistle”. Dave Richardson, no bandolim, banjo e concertina, substituiu, em 1973, o “político” Dick Gaughan. A ele se deve grande parte da sofisticação instrumental que o grupo passou a ostentar a partir de meados dos anos 70. Christy O’Leary e Tim O’Leary completam a atual formação dos Boys, uma banda importante da grande legião celta mas que passou praticamente desconhecida na sua primeira deslocação a Portugal, há dois anos, na Festa do Avante! De uma discografia de 16 álbuns, realce para o clássico “To Welcome Paddy Home”, “Farewell and Remember Me”, “Sweet Rural Shade” e “The Fair Hills of Ireland”.


LUAR NA LUBRE

QUEM SOMOS? PARA ONDE vamos? Seremos todos irlandeses? Vale a pena pagar uma conta exorbitante de eletricidade? Estas são algumas das questões que, de há uns anos a esta parte, afligem os nossos vizinhos da Galiza, indecisos quanto ao futuro a dar a um legado tradicional riquíssimo. Alheios a toda esta confusão, os Luar na Lubre, como os Milladoiro ou os Muxicas, prosseguem tranquilamente o seu caminho. Não precisam de teorizar, muito menos de buscar alento no jazz, no rock ou na “new age”, à semelhança do que fazem outros grupos galegos. Os três álbuns que editaram até à data contam-se entre o melhor que a música tradicional desta região produziu nos últimos anos. “O Son do Ar”, de 1988, “Beira Atlantica”, de 1990, e “Ara-Solis”, de 1993 – todos com distribuição portuguesa pela MC-Mundo da Canção, embora so dois primeiros, sem edição em CD, sejam difíceis de encontrar – formam uma trilogia de beleza inigualável, urdida com névoas e encantamentos, envolta numa noite que “nunca sabemos onde começa ou acaba”, para utilizar as palavras do poeta galego Manuel Maria. “Uma estranha música que canta no nosso ser crente e duvidoso”. Os Luar na Lubre – luz da lua batendo sobre a “lubre”, pedra sacrificial – formaram-se em 1986, na Corunha, para fazer “música tradicional galega, com raiz celta”. Um celtismo que eles não renegam, antes afirmam com orgulho: “Acreditamos que existe uma música celta, ainda que, na Galiza, existam influências de outros tipos de música, mas isso não significa termos que renegar a componente céltica, por muito que isso custe a alguns”. Comparados por alguns aos Milladoiro, talvez pelo rigor e complexidade que põem nos arranjos, os Luar na Lubre tomam como base os cancioneiros tradicionais, a que acrescentam um trabalho de composição fundamentado na pesquisa etnomusicológica. “O que fazemos”, diz Bieito Romero, gaiteiro do grupo, “é uma música de raiz com uma evolução: incorporamos instrumentos, imprimimos-lhe uma determinada matriz sonora que não corresponde ao que se escuta a um camponês ou às orquestras tradicionais. O mais importante já está feito; agora trata-se de assegurar uma certa continuidade: aulas de gaita-de-foles, lugares onde se possa apresentar a música...” Palavras que infelizmente não encontram eco em Portugal. Enquanto celtistas e não-celtistas esgrimem argumentos, os Luar na Lubre continuam a tecer os seus encantamentos de “druidas envoltos nos fumes das lubres”. Bieito Romero encolhe os ombros: “Para mim, a expressão ‘música céltica’ é adequada, pois designa a música que se faz nos países célticos e estes existem. O único país que duvida, ele próprio, que é celta é a Galiza!”


FOUR MEN AND A DOG


“A NOSSA MÚSICA É LIVRE e espontânea, e é isso que a mantém fresca e atrativa. Se sentimos que nos apetece andar às voltas pelo palco, então fazemo-lo. Mas, se nos apetecer beber algo em pleno palco, nós bebemos. E, se quisermos gritar, por que não fazê-lo?” Quem o diz é Gino Lupari, figura carismática, de porte imponente, tocador de “bodhran” e contador oficial de anedotas dos Four Men and a Dog. Quem já os viu em palco diz que são fogo. “Demónios celtas” foi a melhor maneira que um elementos dos asturianos Llan de Cubel encontrou para definir a prestação ao vivo desta banda originária do Ulster, na Irlanda do Norte. “Penso que somos um grupo a vapor (...). Não levamos nada demasiado a sério (...). Ensaios? Quem precisa deles?”, diz ainda Lupari, para quem o grupo apenas procura divertir-se e divertir o público. Com um reportório baseado na música de dança, os Four Men & A Dog são, porém, capazes de surpreender com baladas de “crooners” alcoolizados ou desbundas de experimentalismo que os colocam numa posição sem paralelo na grande família das “Irish traditional bands”. Foi esta combinação de humor, irreverência e festa constante, aliada ao virtuosismo dos executantes, que levou a “Folk Roots” a considerar o álbum de estreia do grupo, “Barking Mad”, o melhor de 1991, para, alguns meses mais tarde, ser a vez dos leitores da revista elegerem os Four Men “melhor banda” e “melhor banda ao vivo”. Este e o álbum seguinte, “Shifting Gravel”, têm produção de Arty McGlynn, que chegou a fazer parte do grupo, tendo mais tarde abandonado. Outro ilustre da banda é Gerry O’Connor, emérito violinista e tocador de banjo, conhecido pelo seu trabalho nos La Lugh e Skylark. O novo álbum “Doctor A’s Secret Remedies” aguarda distribuição nacional. Entretanto, o que falta aos Four Men & A Dog para chegarem ao topo? Pouca coisa. Como diz Gino Lupari: “Brevemente seremos uma grande banda – só teremos que nos livrar do violinista, do guitarrista e do banjista!”

25/02/2016

THE CHIEFTAINS + BERT JANSCH + JOHN RENBOURN + FAIRPORT CONVENTION

Y 19|ABRIL|2002
roteiro|discos

THE CHIEFTAINS
The Chieftains 7
The Chieftains 8
The Chieftains 9: Boil the Breakfast Early
8|10
Columbia Legacy, distri. Sony Music

BERT JANSCH
Birthday Blues
Rosemary Lane
8|10
Sanctuary, distri. Som Livre

JOHN RENBOURN
John Renbourn
7|10
Sanctuary, distri. Som Livre

FAIRPORT CONVENTION
Some of our Yesterdays
6|10
2xCD Sanctuary, distri. Som Livre

bert jansch o nick drake da folk

Boas notícias para os “maluquinhos da folk”, se não no capítulo das novidades, pelo menos no das remasterizações. Os Chieftains são o que são – o rosto mais nobre da folk irlandesa. Depois da recente antologia e de um anterior pacote de remasterizações dos quatro primeiros álbuns, a operação prossegue com os capítulos 7, 8 e 9. Anos “vintage”, anteriores aos das atuais “paradas de estrelas”, concentram-se no melhor que a banda sabe fazer: folk tradicional ao mais alto nível. Os dois primeiros volumes contam pela última vez com a participação de Martin Tubridy e Seán Potts, enquanto “Boil the Breakfast Early” assinala a entrada do “virtuose” da flauta e do tin whistle, Matt Molloy, ex-Planxty e ex-Bothy Band. Para os apreciadores, a melhoria de som e a apresentação retocada, são suficientes para não fazer mais perguntas. Para os curiosos, porém, que, por qualquer fenómeno sem explicação, não conhecem os The Chieftains, estes três álbuns não terão colados o rótulo de clássicos, honraria reservada para a obra-prima “The Chieftains 5” (senhores da Sony, não se vão esquecer de o remasterizar, pois não?), “The Chieftains 10”, “Celebration” e “Celtic Wedding”, mas um só “reel” dos Chieftains vale por um baile inteiro de qualquer grupo maçarico céltico.
            Com Bert Jansch e John Renbourn, a cena muda. Eram o par de guitarristas dos Pentangle, banda britânica dos anos 60 responsável por uma fusão etérea da “albion folk” com o jazz. Bert Jansch continuou a gravar até aos dias de hoje discos importantes, como “When the Circus Comes to Town”. Mas na altura em que se fechou no estúdio para fazer “Birthday Blues” (1968) e “Rosemary Lane” (1971), a sua música denotava uma fragilidade, um cariz introspetivo e delicadas inflexões vocais que faziam dele uma espécie de Nick Drake da folk. “Birthday Blues”, colorido pelo saxofone e pela flauta de Ray Warleigh, tem metade do coração cravada nos blues e a outra metade em baladas que falam de lugares escuros, unicórnios e tempos esquecidos. “Rosemary Lane” é o “Pink Moon” de Bert Jansch. Guitarra acústica e voz formando o arame sobre o qual a voz de equilibra em delicadas melopeias e a guitarra se debruça sobre si própria em busca dos acordes essenciais.
            John Renbourn, como Jansch, um notável guitarrista, levou às últimas consequências o interesse pela música medieval, em álbuns como “The Lady and the Unicorn”, o clássico “A Maid in Bedlam” e “The Enchanted Garden”. “John Renbourn”, de 1966, constitui a sua estreia a solo e nela encontram-se referências da época que vão de Bob Dylan a Donovan, a par da raiz do “blues” e do “ragtime”. Ao contrário de “Birthday Blues” e “Rosemary Lane”, é um álbum de guitarra que convoca a tradição e as técnicas do “fingerpicking” e da “bottleneck guitar”, de uma seriedade e devoção sem reservas, mas distante do esplendor, das sacabuxas e das cromornas do Renbourn apaixonado pela Idade Média.

            Desigual e atafulhado de bons momentos misturados com lixo, “Some of our Yesterdays” repesca a música posterior a 1985 dos Fairport Convention, banda já com 36 anos de existência que inaugurou o género “folk rock” com dois álbuns fulgurantes: “Liege and Lief” (1969) e “Full House” (1970). Os medleys instrumentais demonstram que Ric Sanders, pese embora todo o seu tecnicismo como violinista, nunca conseguirá fazer esquecer a “absolute folkiness” de Dave Swarbrick, da mesma maneira que, nas baladas, a voz de Cathy Surf, em “My feet are set for dancing”, não passa de uma caricatura da da malograda e inimitável Sandy Denny. Registe-se, mesmo assim, a par de uma versão de “Gold”, de Peter Blegvad, a deliciosa “catchiness” pop de “The hiring fair”, um tema de Ralph McTell, num dos poucos momentos que quase nos fazem acreditar que os Fairport Convention poderiam ser hoje mais do que o simples cavalo de corrida em que na realidade se tornaram.

23/02/2015

Fairport Convention casa cheia



Y 26|OUTUBRO|2001
escolhas|discos

FAIRPORT CONVENTION
Full House
9|10

House Full
Island, distri. Universal
7|10

fairport convention casa cheia

“Full House” e “House Full” são imagens espelhadas de uma mesma realidade, apesar da disparidade das datas originais das respetivas edições. “Full House”, um dos álbuns clássicos dos Fairport Convention, foi editado em 1970, enquanto “House Full”, gravado ao vivo no mesmo ano, no Troubadour, em Los Angeles, e com a participação dos mesmos músicos, teve que esperar até 1986 para ver a luz do dia. Coube a ambos a honra de serem os primeiros a ser objeto de remasterização, esperando-se que o mesmo aconteça com a extensíssima discografia desta banda emblemática do folk rock britânico dos anos 60 e 70 e que ainda hoje se mantém em atividade.
            “Full House” é o 5º álbum dos Fairport, o primeiro depois da saída da cantora Sandy Denny, que haveria de regressar esporadicamente anos mais tarde para participar em “Rising for the Moon”. Mas o que poderia constituir um grave “handicap”, até pelo sucesso artístico alcançado pelo disco anterior, “Liege and Lief”, considerado um marco, acabou por resultar numa reorientação bem sucedida da filosofia musical do grupo. Se “Liege and Lief” dependia da fantástica voz e da presença carismática da malograda Sandy Denny, é “Full House” que assume uma vocação rítmica e uma liberdade de ação no domínio dos arranjos e da execução instrumental que serviram de modelo à geração seguinte do folk rock, dos Horslips aos Woods Band.
            O espaço deixado vago por Denny foi preenchido pelo protagonismo de dois instrumentistas fabulosos, o guitarrista Richard Thompson, hoje um singer-songwriter clássico, e o violinista Dave Swarbrick, este dando desde sempre provas de fidelidade à folk. “Dirty linen” e “Flatback caper” são dois medleys alucinantes em que Swarbrick e Thompson rivalizam no balanço e no virtuosismo. “Walk awhile”, um dos temas emblemáticos do folkrock contrasta com “Sir Patrick Spens”, onde é posto em relevo o registo folky de Swarbirck, que colmatou de forma mais do que adequada a ausência da diva, enquanto “Sloth” é uma longa balada que Richard Thompson preenche com uma lenta dissertação na guitarra.
            Ponto fraco deste reedição é a alteração do alinhamento original, que já pecava pelo tema final, adaptação preguiçosa do “standard” “Flowers of the forest”, o que é compensado com a inclusão dos extras “Now be thankful” (em versões mono e stereo), “Bonny Bunch of roses” (mais tarde aproveitado para título de um álbum posterior dos Fairport) e “Sir B. Mckenzie’s daughter lamente for the 77th mounted lancers retreta from the straits of Loch Knombe, in the year of our Lord 1727, on the occasion of the announcement of her marriage to the laird of Kinleakie”, candidato ao Guiness como maior título de sempre para uma canção.
            “House Full” pode ser encarado como complemento ao vivo de “Full House”. Além da prova dos nove no que concerne ao virtuosismo de Swarbirck e Thompson, e da comparação que permite fazer entre os temas comuns aos dois discos, destacam-se em “House Full” o “medley” “The lark in the morning”, retirado de “Liege and Lief”, e a incursão na música “morris” medieval de “Staines morris”, território que viria a ser explorado de forma exaustiva pelo ex-Fairport Ashley Hutchings com os Albion (Country) Band.